Saudades de Quem Mora longe

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Letras.


Nas ausências que me sobram,
Faço versos para você.

Ausência que dói.


Durante todo o tempo
Em que estivemos juntos,
Jamais lhe ouvi pronunciar
AMOR.
O que me incomodava
Não era a ausência da palavra
No seu vocabulário.
E sim, a ausência de amor
Em Ti..

DIA TRISTONHO
Hoje é um dia tristonho para o sol distante que componho
Ruas de terra com plantações ao redor sorteiam as pétalas da nostalgia de menino.

O menino chora!
A descoberta nas areias desertas que o banho de água doce deixou.
Experimenta o amargo das gotas que lavam a face.
O menino chora!

A inocência trazida num rosto que mostra em cada sulco as marcas que a vida lhe deu.
Sem ar o menino chora!

Dormindo no carro, escondido na areia, saindo do barro...
O menino chora!

Amargor da angústia, aperta o peito que reopousa no leito.
Deitado reclama do estômago que incomoda.

Sorver o coro angelical numa despedida fúnebre é a cena que a peça nunca quis encenar.

Sabores e sonhos.
Formas e doces.
Temperos da vida. (Júlio Raizer)

Você não me ama. O que te inquieta não é a minha ausência, mas a possibilidade de eu existir inteira em outro lugar — longe do alcance do que você nunca soube cuidar.

⁠A ausência é um peso que me devora e enquanto me devora, me encontro.

É que às vezes
eu queria ser um extraterrestre...


um ser de um planeta qualquer
bem distante desse mundo...


Assim evitaria todo o tipo
de contato imediato, em qualquer grau,
com os seres humanos...


É que às vezes penso em vestir
a pele do cosmos
em descolar minha matéria humana
deste mapa de feridas sangrentas
que é esse mundo ...


Ser um outro ser... um corpo
que não lembra nome,
um orbitante do silêncio
num planeta bem distante...


Fugiria dos olhares semi mortos
que sondam curiosos a vida
e das mãos que gesticulam
como fósseis dum viver morto...


Evitaria todo contato imediato,
qualquer grau de toque
que cole sangue nas cinzas ...


Preferiria a gravidade de um mundo
sem lembranças humanas,
onde ninguém me peça
rendição nem desculpas...


Às vezes sonho ser de outro céu,
uma estrangeira de estrelas longínquas,
um ser de um planeta bem distante...


Longe, o tempo seria mais gentil,
e os gestos, silenciosos
como constelações....


E eu, poupada do contato imediato
da falsidade e futilidade
de tudo que pede
ou arranca pedaços meus ...


vivendo apenas a minha inteireza
na suave distância
entre o meu respirar poesia
e o infinito...


✍©️ @MiriamDaCosta

* Dia das crianças *


Tenho saudades daquela menina,
ingênua e meiguinha,
que queria escrever versinhos
bordados de doçura e afeto...


Guardava nos olhos
o brilho das manhãs ensolaradas,
e nas mãos pequenas,
o sonho de mudar o mundo
com lápis de cor e papel pautado...


Acreditava nas fadas,
nas promessas das nuvens,
e que o amor morava nas flores
que colhia no quintal da infância...


Hoje, quando a vida
me pede pressa e razão,
eu fecho os olhos ,
e volto a ser
aquela menina,
frágil e forte,
que acreditava que a poesia
era o coração das coisas simples...


✍©️@MiriamDaCosta

Fiz um pacto com a Saudade


Abri-lhe
as portas escancaradas
do coração
e da minh’alma.


Prometi
nunca expulsá-la,
nunca anestesiá-la,
nunca pedir trégua.


Em troca,
que Ela me esmague as veias,
estrangule as artérias,
e sugue, sem piedade,
o pulso vivo do meu ser,


até que eu sangre
não feridas,
mas palavras,


expressões ternas
como a dor
que reconhece,
fundas como abismos
que respiram


e versos que escorrem,
coagulam,
e fixam na carne da escrita
a sua essência.


✍©️@MiriamDaCosta

Umbral Park


As pessoas temem o umbral
como se fosse um abismo distante,
um território sombrio reservado
aos que “caíram”.


Mas caminham, distraídas,
por corredores de um mundo
onde a luz é fachada
e a sombra é norma.


Vivem em um parque temático
de ilusões e crueldades sutis,
um Umbral Park
onde a dor é naturalizada,
a indiferença é entretenimento
e a consciência… opcional.


Aqui,
fantasmas vestem carne,
e muitos corpos
já não abrigam presença alguma.


Temem o pós-morte,
mas não percebem
a morte em vida
que respiram todos os dias.


E assim seguem,
comprando ingressos para o próprio esquecimento,
sorrindo nas filas do absurdo,
sem notar
que o verdadeiro umbral
não é para onde vão…


é onde já estão.
✍©️@MiriamDaCosta

Teu Nome é Certeza


Cada dia que passa
a distância aperta o peito,
mas é prova, não sentença:
é o gatilho da presença.
Porque quanto mais longe,
mais eu sinto que é pra valer.
Isso se chama compromisso — e eu escolhi você.


Cada segundo juntos
não volta, mas deixa marca.
É escassez virando força:
o tempo é pouco, então é nosso.
E a cada riso, a cada toque,
a certeza se fortalece.
Isso se chama prova:
nós amamos, sim. Acontece.


Saiba disso sem dúvida:
você é meu tesouro, meu bem mais precioso.
Exclusividade que não se compra,
não se troca, não tem igual.
Se perdesse o mundo inteiro
e ficasse só você,
eu ainda seria rico.
Isso se chama autoridade — do meu coração por você.


Então que a distância tente.
Ela só me faz lembrar
do motivo que me move:
voltar pra casa, que é teu olhar.

quanto mais amar no presente
na ausência será mais dor
menos pior que viver na dor e doente
e não ter sentido amor

Ilusão não é amor, é dor.


Quando a distância nos separa, meu corpo arde de febre — é a estranha doença chamada saudade.

Mal sem cura, tristeza sem origem, desânimo que tira o sentido à vida. Pesar na alma, angústia no olhar, corpo mole, sem forças para andar.

Coisas que não consigo explicar, sentimentos confusos dentro de mim.

Só peço uma única coia: não me julgue por esse estado que me cerca. Abro mão de você completamente_ Vá em paz, mas não volte quando a cicatriz fechar sobre essa ferida. Pois não quero que a dor volte a me encontrar; ninguém merece mergulhar tão fundo na dor pelo nome de amor.
Então vá... para sempre.


Autora Mirian Maria Julia

A solidão não é ausência de mundo — é excesso de interior não elaborado. O sujeito que a habita não encontrou ainda como processar as vozes internas que nunca foram silenciadas, apenas adiadas: os objetos internos em conflito, as identificações mal integradas, as lembranças que nunca encontraram repouso narrativo. Nesses espaços, o psiquismo vira vigia de suas próprias sombras, organiza ausências, pendura representações de afetos que talvez nunca tenham existido com a intensidade que a memória lhes atribui. O cárcere não é construído pelo externo — é sustentado pela dificuldade de atravessar a própria porta, que muitas vezes só exige que o sujeito cesse de guardar o que poderia ser, finalmente, largado.

Para poder entender Belchior

A distância que me massacra
Talvez prenuncie algo melhor
Eu anseio por um só encontro
Para poder entender Belchior

Se for errado, me condenem
Se for certo, que seja bonito
Parar não é mais uma opção
Ela percebeu que não minto

Um comentário foi suficiente
Para a conexão ser iniciada
Desconheço se existe limite
Pensando na causa amada

Sou evidentemente sofredor
Encarcerado, não quero sair
Deve ter quem compreenda
E consiga apostar no porvir

Foi culpa de tanta formosura
Maldita seja toda a erudição
Inebriado, desisti de evitá-la
Quando ouço nossa canção

Educado a reprimir o desejo
Arremessei tudo para o alto
Bom se fosse apenas lance
Mas nós sentimos, é de fato.

Ainda que distante de minhas ocupações intelectuais, persisto em auxiliar os que necessitam, não por interesse, mas por respeito ao dever. Pois é na conformidade da vontade com a lei moral que o homem encontra o verdadeiro valor e a autêntica satisfação da vida racional.


Vitor Ferreira de Paula

Ausência de quem se ama, é a mãe da dor que você sente em silêncio.

Saudade do futuro que espera .

A vida é feita de momentos, lembranças e saudades...

Silêncios Pesados


Sentir intenso
Letalidade da tua falta
Ecos da saudade
Caos de instantes distantes
Parte de nós se faz em atos de silêncios
Destruição das sensações inquietantes.

Eu na madruga


daquilo que não passou, o que fica?
A saudade tem várias facetas. Às vezes várias faces.
Minha maior saudade é daquilo que não vivenciei, por mais paradoxal que isso soe.
Aquilo que fica guardado na memória pode ser resgatado, digamos que revivido com uma intensidade menor do que a vivência original.
Mas e aquilo que não foi registrado, que não foi vivido? E que não tem possibilidade alguma de se efetivar? Sim, estou pensando em quem partiu sem um adeus, sem despedida, sem um tchauzinho.
A morte é mesmo um mistério. Assim como a vida também o é.
As lágrimas vêm para purificar a alma, para abrir espaço para a leveza, para fazer vir a tona aquelas boas lembranças que estão nos detalhes mínimos, em algumas circunstâncias, nas cores, nos cheiros, nas semelhanças ou nos contrastes, enfim em quase tudo tem um pouco daquilo que ficou para trás. Essa sensação é indescritível. É um misto de valeu a pena com gostinho de quero mais.
Mas a interrupção sem aviso prévio deixou irrealizável o que estava por vir. E, novamente, a saudade não é do que ficou para trás, mas daquilo que não aconteceu.
A saudade também tem nome. E endereço fixo: coração e alma de quem a sente.

E a vida vai passando. O tempo não poupa nada, nem ninguém.
Tem gente guardando emoções para sabe-se lá quando sem perceber que esse tempo pode não chegar.
Fazer agora o que poderia ser feito depois não é burrice. Num piscar de olhos tudo pode se transformar em saudade. E aí, meus caros... ah aí a saudade do que não aconteceu pode vir e a gente só vai poder ficar com a clássica pergunta "como teria sido se?".