Sanidade
A tênue linha que separa a sanidade de seu avesso mental é apenas a capacidade de elaborar cada situação vivenciada cotidianamente
Agonia que devora toda sanidade de uma vida. Se tornando vigente e clara. Numa angústia voraz que se faz mortal. Se foi o riso antes remanescente. Se mostra obcecada pela solidão. Só a negra noite que se arrasta em seu tempo num penar constante.
J. A. N
BUSCA INSANA DA SANIDADE
Demétrio Sena
O todo veio do espaço, e nem o espaço existia. Mas ele veio assim mesmo: Da infinita inexistência, do nada ou da massa cinza que as massas pretensamente cefálicas tiraram de onde não sei. Talvez da própria loucura.
Quem sabe não veio mesmo de um Deus que não nasceu nem surgiu? Um ser que tinha espírito errante, não tinha corpo pro espírito, pairava sobre um abismo e nem abismo existia... Ou sobre as águas que desafiavam esse tal nada, essa inexistência, existindo sem existir, na fila de todas as coisas que seriam criadas. Alguém sem começo, meio e fim, sobre quem não há meio de saber, muito embora tantos pensem ter a fórmula, fôrma ou forma desse alguém.
Unamos Deus e a ciência: O todo veio de fato dessa massa cinzenta que nadava no nada quando não havia massa nem cor, mas um dia explodiu na inexistência do espaço. Deus fez a massa cinzenta e a nossa massa cefálica para não saber de nada.
"Existe mais razão nas palavras de um ébrio, mais sanidade nas palavras de um louco, que amor no coração de uma mulher..."
O que é a loucura? Quem são os sãos? E onde ou com quem se encontra a sanidade?
14.04.2020 às 03: 20 h
Vinte segundos de sanidade...
Vinte segundos de sanidade... Relativo instante que uma mera quimera brota no âmago do homem e toma proporções de vaidade...
Vinte segundos de sanidade... Duração de um flerte terno, intenso, repleto de candura, doce loucura ainda sem objetividade...
Vinte segundos de sanidade... Sensação do conhecer, satisfação por promover - em ti - a alegria, tal qual lembrar de uma linda melodia...
Vinte segundos de sanidade... Proximidade cruel que tem o papel – sublime e encantado – de querer andar ao seu lado, conquistar tua simpatia...
Vinte segundos de sanidade... Foi o tempo necessário, preciso, que uma vez indeciso, resolvi assim revelar: minha 'insanidade' uma vez contida, no abismo mais profundo de minha vida, ouvistes e, assim, para sempre então me fiz calar...
Sou um misto de sanidade e loucura, dentro da mais absoluta inconstância relativa do real sentido da vida.
Não me tornei frio. Me tornei seletivo. E isso salvou minha sanidade. Aprendi do pior jeito: insistir em quem não sabe amar é abrir mão de si todos os dias. Não é orgulho, é proteção. Depois de tanto cair, aprendi a levantar com mais critério.
"Não sou louca, simplesmente disfarço minha sanidade para não me sentir tão desigual aos outros."
-Aline Lopes
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