Sangue
[Sacramentos e Rituais na Lua de Sangue]
a descrença
leva uma vida inteira
para ser construída,
para ser alcançada.
exige muita
paciência,
persistência
e dedicação.
trilhar um caminho
repleto de desilusões,
saborear sucessivos
desgostos e misérias.
envolve muitas
provas factuais
e um bocado de
especulação.
aquele pequeno
mecanismo
denominado raciocínio.
dispensa
decididamente
os mistérios da fé.
retira da equação
as superstições,
ignora plenamente
presságios e visões.
é muito mais árdua
e desgastante,
muito mais exigente
e fervorosa,
a caminhada de um
apóstata herege renegado,
do que a de um religioso.
para ser um descrente,
é fundamental
ouvir o chamado,
é indispensável a vocação.
26/11/23
[Alegoria Vampírica]
os hematófagos
só vivem, graças
ao sangue de outros
seres.
são indivíduos
peculiares, que
habitam ambientes
escuros e úmidos.
sobrevoam vastos
territórios, em busca
do plasma fresco
das criaturas.
percorrem o céu
como uma nuvem,
arqueando asas
em formação
conjunta.
na forma de uma
legião, buscam
suprir seus interesses
individualistas.
suas vítimas nunca
detectam sua aproximação.
surgem das profundezas
noturnas, para se
alimentar.
existem de cabeça
para baixo,
e vêem o mundo
invertido.
podem e devem
proliferar contaminação.
sugando o fluido
dos viventes, são
também conhecidos
como monstros.
a morte os homenageia,
a amargura os celebra,
a aflição os aplaude.
geralmente podem
ser avistados em trajes
de marca, vestes
exageradamente caras,
pelagem feita sob medida,
paletó, gravata
e relógio importado.
com uma canetada,
descarregam um ódio
destilado e devastador,
contra toda
forma de vida, num raio
de milhões de quilômetros.
04/12/23
Nos registros do reinado
Anotava-se um prefácio,
A paixão de um sangue azul
Pela empregada do palácio.
A carne, o sangue e a mamata,
O alvará e a demência implantada,
Simulada a existência pacata,
Empurrão pra masmorra maquiada.
Sangue Tribal
Manifestações dos ícones
Sugerem os índices.
Rastejando no mangue
A revanche dos garrotes.
Resquícios disso ou daquilo.
Tatuagens tribais
Ou um tribal tatuado.
Unicamente tribos,
Disputando com enfeites.
Artesanais, manuais, cirúrgicos,
Modificações da própria estrutura,
Meio artificial, meio humano, animalesco.
Sangue Tribal,
Salpicando na veia.
O Espiritual queimando a artéria.
Forjando, guinando, atrevendo,
Pulsando, marcando, ardendo.
Não escaparás do escopo.
Esmerilhando as incompatibilidades,
Causamos a fusão em nosso corpo.
Nunca inteiro ou completo,
Sempre meio ou metade.
Nascemos inacabados,
Mas prontos pra eternidade.
Na guerra de rapina dos capitalistas, os trabalhadores e oprimidos pagam a conta com seu sangue e suas vidas. Errados estão todos os poderosos, que dividem o mundo, para lucrar com a morte e o sofrimento de outros.
Danielle
Seu hálito indicava 97% de álcool no sangue,
Completamente embriagada, mas alegre,
Dançava gritando e celebrando sua liberdade.
Tinha herdado dois terrenos de seu falecido pai,
Morava na rua, não quis herdar ausência.
Desapreciava comida japonesa, preferia pinga,
Tinha largado a heroína, dois anos limpa,
As picadas ainda se salientavam no braço.
O que marcava expressivamente
Seus passos e sua honestidade,
Era o trago de cachaça
E o traço de amizade.
Sabe qual é o seu valor? Te digo, você custou exatamente o Sangue de Cristo vertido na Cruz, Deus te quer com Ele hoje e sempre! Jesus foi O Perfeito, para assim valer nossa alma, aí lá vamos nós nos rebaixarmos para alcançar de outros miséria, tô fora, somos de valor incalculável! Antes "só" do que com a alma prejudicada! Feliz dia novo!
Quem diria que as manchas vivem e ajudam a viver? Tinta, sangue, cheiro. Não sei que tinta usar qual delas gostaria de deixar desse modo o seu vestígio. Respeito-lhes a vontade e farei tudo o que perder para escapar do meu próprio mundo.
São somente minha carne e meu sangue que estão trancados atrás dessas grossas paredes.
De qualquer forma, permaneço cosmopolita em minha visão; em meus pensamentos, sou livre como um falcão.
Três destaques que são característicos do Kamorra:
1° - Destemido.
2° - Sangue frio.
3° - Observador
Família não é apenas sangue: é trincheira. Quem abandona a sua, já perdeu a guerra antes de começar.
Camorra é conflito, é briga de rua, é sangue nos dentes.
Kamocha é reflexo divino, é "como Tu", imagem do Eterno.
Kamorra é o encontro entre os dois: a força do homem que luta, guiado pela luz que não se dobra.
Camorra é sangue quente.
Kamocha é alma limpa.
Kamorra é o caos domado pela consciência.
É guerra com propósito.
É ferocidade com direção.
É nome que grita: “eu vim da luta, mas fui moldado por Deus.”
Violento contra a mentira,
fiel à verdade que o criou.
É nome de quem não foi feito pra abaixar a cabeça.
ONÇA
Forjo no sol o meu sangue...
Tal qual onça bravia...
Que ao acordar em mais um dia...
Fazendo-se de morta...
Aguarda o coveiro...
Em uma cova...
Em meu castelo...
Desse chão...
Ando pelas pedras encantadas...
Meu caminho...
Um sonho perigoso...
Que trilho sozinho...
Minha jornada...
Em noites perigosas...
Quando a lua se faz vermelha...
Nessa magia ardente...
Consumo o que vejo pela frente...
Presinto o que há por vir...
Será que mais alguém vê e escuta?
Será que somente eu...
Na vida, essa peça...
É o meu papel?
Ventania me agita...
E em meus olhos...
Um duvidoso brilho reluz...
Dias e noites me envolvem...
Continuando minha ronda...
Vendo um mundo oco...
Pensamentos de quase um louco...
Sem lei, sem rei, sem repouso...
Me acho...
Andam vultos pelas estradas...
E pelas calçadas com vultos...
Eu ando...
A teia do destino...
Não há quem corte ou desate...
Viver ou morrer...
No meio...
Um impasse...
Se um anjo tocar a corneta...
Me chamando ao encontro divino...
Levarei comigo..
Todas as glórias que hoje sinto...
Enquanto em mim o fogo clamar...
Sempre terei abertas minhas asas...
Jamais deixarei...
De como menino sonhar...
Jamais deixarei...
De como livre poder voar...
Meu chão, minha cor do amanhã...
Meus desejos, dores e coragem...
Pelejando diariamente...
Para minha vida ...
Não ser só uma miragem...
Dizem que tudo passa...
E o tempo cruel esfarela...
Enquanto Deus assim querer...
Minha luz ...
Não será quimera...
Hei de pulsar o amor...
Até mesmo na escuridão...
Amar para mim não é um devaneio...
Não é ilusão...
Não me veja como um falso profeta...
A sondar o inimaginável...
Sou como qualquer pessoa...
Vivendo meu fado...
Busco a estrela que me chama...
A luz que acende o sol...
O vôo do beija-flor...
Na vida...
Um pouco de amor...
Por tudo isso...
Meu espírito nunca há de envelhecer...
Sou contra a morte...
Nunca hei de morrer...
Sandro Paschoal Nogueira
