Coleção pessoal de MarcioGermano1969

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O Demônio habita o centeio do whisky: nas nuances de menta que equilibram a doçura da alma e no aroma que desperta a coragem do desespero — a busca pela última gota, que não sacia, mas sufoca.

Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.

A vida é uma viagem silenciosa, e o destino não é apenas o lugar onde chegamos, mas aquilo em que nos transformamos durante o caminho.

Caminhando pela orla de São Vicente, percebi que eu tenho sérios poemas mentais.

As poesias são escritas para evitar espaços vazios em nossos pensamentos.

De fato, naquelas linhas esboçadas, os versos são tão dependentes que bastamos nós para lhes dar existência.

Aquilo que não é plenamente sentido, não é verdadeiramente vivido. Em qualquer lugar, só se está inteiro quando se está por inteiro

Em certos momentos, a vida floresce como a dama-nua: basta regá-la, sem esquecer que é preciso atravessar as quatro estações.

Eu te vejo tão distante, e ainda assim tão dentro de mim.

Faz da consciência tua aliada mais íntima. Ela conhece tuas fragilidades neste mundo passageiro, onde somos quase nada, embora ainda sejamos.

É essencial adicionar um pouco de sangue na nossa veia alcoólica.

Ouvir não é apenas o que os ouvidos absorvem, mas o que a consciência compreende.

A indiferença diante do que acontece ao nosso redor não nos torna o sal que a humanidade necessita. Tal como uma vela, precisamos brilhar enquanto lentamente nos consumimos.

Quando as flores do seu jardim já não têm o mesmo fulgor, a mesma cor, o mesmo perfume… não adianta apenas regá-las. Antes disso, é preciso mudar as raízes.

São raras as vezes em que as poesias são puras; elas vêm carregadas de segredos que atravessam o silêncio profundo e nele fazem um barulho ensurdecedor.

A vida é movimento, como as quatro estações em eterno retorno.
É vento que semeia caminhos invisíveis, sol que desperta a terra adormecida, primavera que rompe o silêncio em flores.
É chuva que cai sem pressa e nunca regressa sem antes transformar o que toca.

Já é madrugada, e o sono é leve para os caminhantes noturnos.
Meus pensamentos ainda esbarram nos seus.
Troco frases, artigos e sujeito, tentando proteger seu nome, enquanto me afogo nesse silêncio.
E você volta — como uma febre que não passa.

O que eram apenas resquícios…
tuas águas ainda fluem no meu peito.
Guardadas no silêncio das profundezas do oceano,
podes ouvir a minha voz,
pois sou onde o mar deságua os teus pensamentos.

Ainda que eu esqueça, algo em mim reconhece que a inquietação não desaparece; apenas se recolhe em silêncio, como quem aguarda o próprio tempo. Fica suspensa, até que o simples som do seu nome a desperte outra vez.

É incompreensível que haja guerras santas na Terra. Talvez, no invisível que não nos é dado ver, até santos e anjos se enfrentem em combates que escapam ao entendimento humano — como se toda luta fosse apenas uma forma de tocar o reino do indizível.”