Sangue
Alba
Alba, no canteiro dos lírios estão caídas as pétalas de uma rosa cor de sangue
Que tristeza esta vida, minha amiga…
Lembras-te quando vínhamos na tarde roxa e eles jaziam puros
E houve um grande amor no nosso coração pela morte distante?
Ontem, Alba, sofri porque vi subitamente a nódoa rubra entre a carne pálida ferida
Eu vinha passando tão calmo, Alba, tão longe da angústia, tão suavizado
Quando a visão daquela flor gloriosa matando a serenidade dos lírios entrou em mim
E eu senti correr em meu corpo palpitações desordenadas de luxúria.
Eu sofri, minha amiga, porque aquela rosa me trouxe a lembrança do teu sexo que eu não via
Sob a lívida pureza da tua pele aveludada e calma
Eu sofri porque de repente senti o vento e vi que estava nu e ardente
E porque era teu corpo dormindo que existia diante de meus olhos.
Como poderias me perdoar, minha amiga, se soubesses que me aproximei da flor como um perdido
E a tive desfolhada entre minhas mãos nervosas e senti escorrer de mim o sêmen da minha volúpia?
Ela está lá, Alba, sobre o canteiro dos lírios, desfeita e cor de sangue
Que destino nas coisas, minha amiga!
Lembras-te, quando eram só os lírios altos e puros?
Hoje eles continuam misteriosamente vivendo, altos e trêmulos
Mas a pureza fugiu dos lírios como o último suspiro dos moribundos
Ficaram apenas as pétalas da rosa, vivas e rubras como a tua lembrança
Ficou o vento que soprou nas minhas faces e a terra que eu segurei nas minhas mãos.
Rio de Janeiro, 1935
Teus olhos desnudam e devoram minha alma.
Tão intensamente,quanto o calor que faz o sangue nas minhas veias ferverem..
A um simples toque Teu.
Nesta vida, existem dois tipos de família: a de sangue e a que escolhemos!! Algumas pessoas, só são o que são hoje, graças a família que eles escolheram e não a de sangue!!
O combate mostra do que um homem é feito. O aço contra o aço. O sangue do oponente nas suas juntas. O coração dele se revela. Bem como a alma.
(Gol D. Roger/Gold Roger)
Mãos de Sangue
Demétrio Sena - Magé
É tristonho saber quanta gente suspira
pelos tempos dos corpos marcados a brasa;
por mulheres levadas às piras e forcas,
porque tinham poder de pensar livremente...
Quanta gente suspira pela repressão;
pela volta das vozes caladas a tiros,
quando as artes mais livres eram condenadas;
vejo tantos suspiros pela ditadura...
Quando a simples poesia, só de ser poesia
era como heresia passível do inferno;
da cadeia e dos ferros e paus da tortura...
O pior é saber que tanta gente assim
canta e ora sem fim lá nos templos cristãos;
ergue mãos fervorosas desejando guerra...
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Mergulho no sangue que sai dos meus olhos já mutilados
Uma dor que já não cabe mais na alma e me afoga, me sufoca
Como a mão do próprio diabo espremendo meu pescoço para a sua limonada matinal.
A cura está dentro de mim? Talvez estivesse, antes dessa lâmina me dilacerar por dentro.
Se o inferno existe... é o respirar, é o levantar, é o falar, é o ouvir, é o viver. É acordar e querer dormir de novo. É esse grito enjaulado que NUNCA vai sair. São os pensamentos esmagando o meu cérebro Esse é o inferno
O néscio se entope com comida gordurosa da falta de entendimento,levando toxinas ao seu sangue,tendo com isso enfarto espiritual!
O néscio se entope com comida gordurosa da falta de entendimento,levando toxinas ao seu sangue,sobrecarregando o coração,tendo com isso enfarto espiritual!
Você é ossos dos meus ossos,
sangue do meu sangue
e carne da minha carne.
Estamos conectados por toda vida.
Uma fusão de duas vidas em uma só.
Meus ossos estão grudados aos seus ossos,
tal como um cordão de três dobras:
Deus, eu e você.
Sinto pulsar em minha corrente sanguinea
o mesmo sangue que corre em suas veias.
Sinto na pele a dor ou o prazer
que você sentir na carne.
Minha mente pertence a você,
porque em você estão os meus pensamentos.
Meu coração pertence a você,
porque em você estão os meus sentimentos.
Não consigo mais viver além de você.
Você é minha, Vida!
Para sempre, sempre minha!
"Revolta-me fazer o jogo dos indiferentes
Eu tenho é sangue quente
Enoja-me ver atitudes prudentes
Quando a vontade é arreganhar os dentes
Irrita-me esse controle doentio
De gente completamente imbecil
Só o que me conforma é que na arte
Tudo faz parte
Tudo é embuste
Tudo é verdade
Fala-se tudo o que se finge
E finge-se tudo o que se fala...
"Escrevi no sangue de minhas veias as minhas ilusões, para que um dia eu pudesse lembrar como é ingênua a arte de amar!"
No solo seco do Jenipapo, o sangue não foi apenas semente de luto, mas o adubo silencioso que fez brotar a soberania de uma nação.
Rosa Sangue
"E, naquela linda manhã
Delicada Rosa
desabrochou.
Seu vermelho - sangue
entre tantas se destacou.
Um perfume inigualável
naquele jardim se espalhou.
O amor fez morada
em cada coração
que em Delicada Rosa tocou...
Rosa vermelho - sangue
exalando o mais puro amor..."
No sangue de Cristo encontramos não apenas plaquetas e hemácias, mas a nossa própria salvação: definitiva e cabal.
A origem da nossa Independência teve a nobreza do sangue vertido de inúmeros filhos desta terra, por isso, preservá-la não é apenas uma honra, mas, um imperativo cosmoestadual.
O sangue que derramamos nos treinos será o sangue que pouparemos na guerra, por isso, não nos esqueçamos, que todo o sacrifício que consentimos numa vida presente, será o reflexo da nossa satisfação numa vida futura.
Bailarino Exemplar
As lágrimas já secaram.
O sangue já parou de jorrar.
Não havia mais a dor.
Sentir era algo tão distante
que já não se lembrava mais
como era chorar,
como era sangrar,
como era se doer,
não se lembrava como era sentir.
Mesmo assim
continuava a rodopiar na ponta dos pés —
pés?
Se quer havia pés?
E não sabia,
apenas dançava.
Dançava com vaidade,
aquela vaidade
que não respeita a vida,
muito menos a consequência da morte.
Era oco.
Muito oco.
Tão oco que não sabia o porquê dançava.
Bailarino Exemplar,
suas sapatilhas já gastas
de tanto arrastarem no chão,
todos seus 20 dedos já machucados.
Bailarino Exemplar,
sua carne já se apodreceu,
seus sentimentos,
suas angústias,
suas memórias —
tudo que é doce
Bailarino Exemplar tinha
foi enterrado junto a sua alma.
Mesmo assim dança,
e como dança!
Rodopie mais, Bailarino!
Já que foi a única coisa que lhe restou.
Doce e terna
vaidade das vaidades.
