Sair da Casa da Mae
Temos a ilusão de ser “os donos da casa” e ver os outros apenas como visitantes; mas todos somos visitantes na história de Deus.
Onde Me Devolvo a Mim
O banho é onde me devolvo a mim.
Perfumo o ar até que a casa inteira vire essência, porque sentir o cheiro
é a minha forma mais bonita de existir.
O que a vida trouxe de duro se dissolve na espuma e vai embora com a água corrente.
Olho pela janela:as árvores floridas derramam suas cores no chão, vestindo a terra de delicadeza.
E eu, entre o varal colorido e a flor que cai, descubro que a paz é este instante limpo.
A Casa do Pai
O amor não veste terno de julgamento,
Nem pede que você esconda a sua dor.
O abraço do Sagrado é acolhimento,
É descanso, é remédio, é puro afeto e calor.
Se a religião te fez sentir pequeno,
Se te deram pedras em vez de pão,
Saiba que o céu não guarda esse veneno:
Deus é o alívio para o seu coração.
Ele não quer a sua perfeição fingida,
Nem a culpa que te faz curvar o olhar.
Ele quer a sua alma livre, erguida,
Com espaço para sorrir e respirar.
Desarme o peito, esqueça a aspereza.
A luz divina é leveza, é mão estendida.
Quem ama de verdade não apaga a sua luz,
Mas te acende de novo para a vida.
4:47
Eram 4:47 da madrugada,
cada uma em sua casa, em sua estrada,
mas, mesmo distantes, sem poder se tocar,
havia um pensamento insistindo em nos aproximar.
Você colocou uma música para tocar,
e me chamou para, contigo, desejar.
Um pedido feito em plena madrugada,
uma coisa tão simples, tão inesperada.
E então você perguntou, quase a brincar:
“Você acredita nessas coisas?
Ou vai dizer que é uma ideia boba
e começar a desacreditar?”
E talvez você esperasse que eu dissesse
que aquilo era bobagem, que não acontecesse,
que desejos não mudam o destino,
que era só uma brincadeira daquele momento repentino.
Mas como eu poderia chamar de bobo
um instante que já me fazia sorrir de novo?
Como dizer que não acreditava em você,
se naquele momento eu só queria acreditar e viver?
Então fizemos nosso pedido em silêncio,
cada uma em seu quarto, no próprio endereço,
com uma música atravessando a distância,
e um desejo escondido na esperança.
E foi aí que aconteceu o mais bonito:
duas mulheres adultas, vivendo o infinito,
cada uma sozinha, mas sem solidão,
porque a outra ocupava espaço no coração.
E parecíamos duas adolescentes,
com sentimentos novos, intensos e inconsequentes,
descobrindo o frio gostoso de gostar,
rindo sozinhas sem saber explicar.
Não pela idade, isso eu sei,
mas pelo jeito que o coração voltou a ser rei.
Aquela sensação meio boba, meio sem razão,
de acreditar em destino, desejo e constelação.
E talvez você nem tenha percebido
o quanto aquele gesto me deixou enternecido.
Porque ninguém nunca havia feito assim:
escolher uma hora improvável para dividir comigo um “sim”.
Você poderia ter feito o pedido sozinha,
guardado o desejo no fim da linha,
mas escolheu me chamar para sonhar,
e, sem perceber, fez meu coração se iluminar.
Foi por isso que eu me senti especial,
por algo tão pequeno e, ao mesmo tempo, colossal.
Não pelo pedido, nem pela hora marcada,
mas porque você quis que eu estivesse naquela madrugada.
E se hoje alguém me perguntar
por que eu ainda gosto de lembrar
daquela hora, daquela música, daquele querer,
talvez eu só consiga responder:
Porque tu é tu.
Não existe fórmula, explicação ou porquê,
nem sei se o universo resolveu nos atender.
Só sei que, entre tantas horas para acontecer,
foi justamente 4:47 que escolheu você.
E desde então, quando o relógio chega lá,
eu penso naquela pergunta que você me fez no ar:
“Você acredita nessas coisas?”
Hoje eu acho que acredito, sim.
Não necessariamente em magia, destino ou previsão,
mas naquilo que acontece sem pedir permissão:
duas pessoas distantes, em suas casas,
ouvindo a mesma música e abrindo as mesmas asas.
Porque talvez acreditar não seja esperar o impossível acontecer.
Talvez seja apenas olhar para 4:47
e lembrar que, naquela madrugada,
mesmo longe uma da outra,
nós escolhemos acreditar juntas.
Quando O Pensamento Encontra Você
No caminho de volta pra casa,
me peguei pensando em você.
E entre o silêncio da estrada
e tudo o que eu podia esquecer,
foi você quem veio aparecer.
Pensando que a vida ficou mais bela,
mais leve, mais bonita e sincera,
desde o dia em que você chegou,
desde o instante em que algo mudou,
mesmo sem saber o que começou.
Parece clichê falar,
parece clichê dizer,
mas quando meus pensamentos procuram paz e lar,
é somente pensar em você
que tudo volta a fazer sentido outra vez.
E talvez você nem saiba
o tamanho que isso tem.
Talvez nem perceba que, às vezes,
pensar em você me faz tão bem.
É curioso esse sentimento,
que chega sem pedir licença,
se esconde atrás de um pensamento
e se revela na ausência.
Porque quando o dia pesa,
quando a noite demora a passar,
é a lembrança do seu jeito
que faz meu coração sossegar.
E eu poderia chamar de acaso,
de carinho, amizade ou distração,
mas há coisas que não cabem em palavras
quando começam dentro do coração.
Você virou pensamento recorrente,
daqueles que chegam de repente,
sem hora, sem aviso, sem razão,
e deixam um sorriso no rosto
e silêncio no coração.
Talvez seja isso que me assusta:
você não precisou fazer nada.
Foi apenas sendo você,
e, de alguma forma inesperada,
fez a minha vida ficar mais encantada.
E se alguém me perguntar
por que penso tanto em você,
talvez eu sorria e desconverse,
sem saber exatamente o que dizer.
Porque existem sentimentos
que não gostam de explicação;
preferem morar no silêncio,
entre a dúvida e a intenção.
E talvez você nunca descubra
o que acontece quando penso em nós...
Mas, se algum dia perceber,
talvez entenda por que,
no meio de tantos caminhos,
meu pensamento sempre encontra você.
Porque no fim, talvez seja simples:
quando meu coração procura um lugar, é em você que ele encontra
onde descansar.
Capítulo Da Infância Sobre:
A infância velada de Camille Marie Monfort .
A casa era grande demais para uma criança pequena. Os corredores longos pareciam guardiões de um silêncio que não se quebrava, mesmo quando o vento batia as janelas e fazia as cortinas dançarem como fantasmas. Camille Marie Monfort caminhava por ali em passos leves, como se temesse acordar a própria casa, que mais parecia viva, respirando em sua solidão.
Desde muito cedo, sua infância não se assemelhava à das outras meninas. Enquanto as crianças vizinhas se ocupavam com risos em praças e bonecas de trapo, Camille preferia sentar-se no sótão, entre livros empoeirados que ela mal conseguia decifrar. Tocava as páginas com os dedos miúdos, como quem acaricia um segredo. Não lia, mas sentia. Era como se as palavras murmurassem dentro dela, em uma língua ainda inacessível, mas estranhamente familiar.
À noite, deitada em seu quarto, Camille sonhava com jardins que nunca vira. Sonhava com espelhos partidos em que não via o próprio reflexo, mas vultos que a olhavam em silêncio. Havia em seus sonhos algo lúgubre, mas nunca amedrontador. Era um chamado.
Um dia, encontrou no quintal uma boneca quebrada, de porcelana antiga, esquecida no chão úmido. O rosto rachado da boneca refletia uma dor muda, e Camille a tomou nos braços como quem recolhe um ser vivo abandonado. Desde então, guardou-a como seu tesouro. Quando estava só, falava com ela em voz baixa, como se fosse sua confidente:
— Não é feio estar quebrado, é apenas mais verdadeiro.
Essa frase repetida em segredo, dia após dia, moldava sua visão do mundo. Para Camille, a infância não era um lugar de esquecimento ou de fugas, mas um território de presságios.
Sua mãe, distraída em afazeres, estranhava vê-la tão calada. "É uma criança triste", diziam os adultos. Mas não era tristeza. Camille carregava dentro de si uma gravidade misteriosa, como se tivesse sido convocada a escutar os ecos da vida antes que os outros pudessem ouvi-los.
Nos raros momentos em que sorria, o riso vinha como relâmpago: breve, mas de uma claridade tão pura que iluminava por inteiro o ambiente. Era como se sua alma, por um instante, rompesse o véu e se deixasse ver em sua plenitude.
Camille crescia assim, entre o silêncio e os símbolos, entre os sonhos e as sombras. Sua infância, tão oculta e incomum, não era uma fuga da realidade, mas a preparação para compreendê-la com mais profundidade.
Talvez seja esse o maior legado de sua história para as crianças e adolescentes de hoje: não temer o silêncio, não desprezar os sonhos, não fugir das inquietações. Porque até mesmo os medos infantis podem ser mestres disfarçados, conduzindo o espírito a um entendimento mais amplo de si e do mundo.
Camille Marie Monfort, em sua infância velada, nos recorda que cada criança carrega não apenas uma promessa de futuro, mas também um fragmento de eternidade que se revela nos detalhes mais singelos.
- Relacionados
- Despedida da Mãe
- Frases de filho para mãe que são verdadeiras declarações de amor
- Frases de mãe e filho que mostram uma conexão única
- Frases de Mãe para Filha
- Mensagens sobre ser pai e mãe
- Textos para mãe: declarações emocionantes que tocam o coração
- Poemas para mãe que celebram e expressam amor
