Sair da Casa da Mae

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O filho pródigo estava perdido longe de casa. O irmão mais velho estava perdido dentro de casa.
O mais novo conhecia o peso do pecado. O mais velho conhecia o peso do orgulho.

O filho mais velho não entendia que a casa do Pai não funciona pela lógica do mérito, mas pela lógica da misericórdia.

Há uma diferença entre servir na casa e conhecer o Dono da casa. Marta estava ocupada com o serviço; Maria escolheu estar aos pés de Jesus. Lc 10:38-42

⁠"Com o déficit habitacional na cidade, até casa na árvore virou mansão, e te deixam sem as calças com o aluguel."

Não busco abrigo, eu o crio, a casa nasceu das minhas mãos, e hoje habito onde antes só soprava o vento.

Deus me tirou de lugares que eu chamava de lar, pra me ensinar o que é casa.

A noite é minha casa, nela os relógios param de mentir.

O medo é um hóspede barulhento que só se cala quando a fé assume o controle e a chave da casa.

O coração é o único mapa que te leva de volta para casa, onde a alma reside.

O corpo é a casa da alma, e a música é a reforma que a mantém viva.

A maior prova de força é não abaixar a cabeça, mas saber que chorar em casa te torna igualmente digno.

A saudade é um animal que corre em círculos pela casa. Não morde, apenas arranha portas que já deviam estar trancadas. Dentro do peito, a boca do animal é uma chama azul. Alimento-o às vezes, por não saber esperar o fim do fogo. Mas aprendendo, deixo o bicho dormir sem abrir a porta.

A memória é uma casa de quartos trancados. Algumas portas abrem sozinhas, outras precisam de força. Quando entro, encontro ossos de riso e móveis de abandono. Arrumo o que posso e não tento ajeitar o impossível. Viver é aprender a escolher quais cômodos habitar.

O amor é casa, e casa precisa de estrutura, eu só entro onde há pilares fortes, teto firme, e portas sinceras.

O passado é uma casa velha que insiste em ranger quando o vento da lembrança passa. Podemos trancar portas, entulhar janelas, mas o eco do que vivemos sempre encontra um jeito de entrar. E talvez não seja para ferir, mas para lembrar que o sobrevivente ainda habita aqui. E isso já é vitória demais para quem quase não existiu.

Há dias em que a alma parece uma casa sem teto: tudo entra, tudo molha, tudo desaba. Mas mesmo nas ruínas, algo dentro pede reconstrução. E esse pedido é prova de que a esperança, embora pequena, ainda respira. Respira fraco, mas respira.

Em partida, o amor não vai embora de uma vez, ele se despede devagar, deixando a casa cheia de ecos, porque algumas ausências continuam morando na gente muito depois do adeus.

Às vezes o coração é como uma casa com portas emperradas. Não entra sol, mas entra renúncia. Eu empurro cada porta com o punho das minhas pequenas certezas. Algumas cedem, outras permanecem guardiãs do escuro. E morar nesse lugar é aprender a plantar janelas.

O perdão que me salva é lento e sem lampejos. Ele se instala como casa simples, tijolo sobre tijolo. Não é espetáculo, nem notícia de jornal. É a rotina de admitir e soltar ao mesmo tempo. E aí a alma respira sem urgências.

Minha alma tem a textura de uma casa abandonada, onde o vento sopra entre as frestas de memórias que eu deveria ter enterrado.