Sair da Casa da Mae

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O corpo é uma casa que, às vezes, entra em reforma sem nos consultar, trocando a fiação do ânimo por circuitos de agonia que não têm interruptor. Resta-nos habitar o cômodo que sobrou, acender uma vela de oração e esperar que a estrutura resista a mais uma noite de ventania.

A alma é uma casa abandonada onde o vento sopra entre as frestas de memórias que eu deveria ter enterrado há muito tempo. Mas eu gosto do barulho do vento, ele me lembra que, embora a casa esteja vazia, ela ainda respira a poeira do que foi vivido.

O amor é um hóspede barulhento que bagunça toda a casa da nossa alma e depois vai embora sem ajudar na limpeza, deixando apenas o cheiro de um perfume que odiamos lembrar. Mas, no fundo, a gente sabe que a casa vazia e limpa é muito mais triste do que o caos que ele causou.

Aprendi que a dor não pede licença para existir; ela entra, rearranja a casa e, se eu sobreviver, ainda me obriga a agradecer pela mobília que restou.

Minha mente é uma casa velha, em ruínas, com portas trancadas por fora. Nos dias escuros, o teto cede e as paredes mofadas se fecham sobre mim. Divido o espaço com fantasmas que sussurram traumas passados; o medo é o ar que respiro, a fome é uma ferida aberta que nunca sela. É um isolamento pavoroso, um cativeiro assombrado. Mas quando o pânico me paralisa e a escuridão é total, o assoalho racha. Como uma fresta de luz que corta o sótão esquecido, as epifanias rasgam o pavor. Uma lucidez violenta, fria, que ilumina as assombrações. Eu morro de medo aqui dentro, mas decifro cada cicatriz. Esta casa condenada é o meu lar.


- Tiago Scheimann

Se já viveste numa casa com telhas de céu, paredes de vento, janelas de chuva, portas de solidão e cama de pedra, aprendeste o quão é fria a humanidade.

Casa comigo!
Sem anel, sem religião.
Sem juras, nem promessas.
Casa comigo,
como as árvores que
casam seguras e livres.
Casa comigo
até aos ossos,
até despirmos os corpos
e ficarmos alma com alma.
E no fim, não haverá fim
porque não morreremos
seremos músicas,
brisas outonais,
beijos de inverno,
biodiversidade primaveril,
estiva dos poentes
e imortais poemas
nos corações
do mundo.

Queres vir jantar
à minha casa hoje?
Olha, traz o vinho
e não te esqueças,
vem despida a rigor.

Esta casa tem vista
para o agora.

Pai,
desde que partiste
há um silêncio diferente na casa
— um silêncio que tem o teu nome.
Ainda espero, às vezes,
ouvir os teus passos na porta,
como se fosses entrar
com o mesmo sorriso tranquilo
de quem sempre soube cuidar de tudo.
Faz-me falta a tua voz, pai.
Faz-me falta o teu conselho simples,
o teu abraço forte
que parecia dizer
que nenhum problema
era maior do que nós.
Levaste contigo tantas palavras
que eu ainda queria dizer.
Tantos dias que ainda queria viver
ao teu lado.
Mas deixaste tanto em mim.
Deixaste a coragem que me ensinaste,
o coração que me formaste,
e esse amor imenso
que nem a distância da morte conseguiu levar.
Há dias em que a saudade dói tanto
que parece não caber no peito.
E nesses dias eu olho para o céu
e imagino que estás ali,
orgulhoso, como sempre estiveste.
Sei que já não posso abraçar-te,
mas continuo a falar contigo
em pensamento,
como um filho que nunca deixou
de precisar do pai.
E prometo-te uma coisa:
enquanto eu viver,
irei cuidar da tua eterna amada:
a minha querida mãe,
e dos meus queridos irmãos.
Pai, tu viverás em mim
em cada passo,
em cada decisão,
em cada pedaço de amor
que aprendeste a dar-me.
Profundas saudades tuas,
meu querido pai.
Para sempre.
As minhas lágrimas
escrevem no meu rosto:
Amo-te, pai,
como sempre te amei
e como sempre te amarei.

A Casa que Fazes em Mim


Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.


O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.


E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.


Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.

Habitares em ti próprio é tua melhor casa: a única casa que não pode ser hipotecada.

Um beijo de amor é:
a primeira casa onde
duas almas aprendem
a respirar juntas.

Imagino que escrever um livro, é como construir uma casa. Começa com o alicerce e lentamemte términa a obra.
Dio Morais

"Nossa missão é voltar pra casa."

"⁠O Convidado convida 100 e o Dono da Casa coloca 101 para fora."

ISSO NÃO TEM PREÇO NÃO


Lembro da casa de taipa,
do terreiro e do fogão;
da fumaça da lenha acesa,
do café no bule, então.
Era pouco na despensa,
mas sobrava coração.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


O cuscuz com manteiguinha,
a tapioca no fogão,
o leite ainda morninho,
tirado da vaca à mão;
quem provou esses sabores
guarda eterna gratidão.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Banho de chuva na rua,
mergulho limpo no ribeirão;
cada gota era brinquedo,
cada riso uma canção.
A natureza era mestra
da mais bela educação.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Pipa riscando o infinito,
bola de meia no chão,
pião rodando na areia,
bila na palma da mão.
A infância era rainha
sem conhecer ambição.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


A bênção aos mais antigos
era gesto de afeição;
o respeito era riqueza,
não pesava obrigação.
Hoje ainda vale ouro
quem cultiva essa lição.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


O vizinho era da casa,
compadre era um irmão;
bastava um aperto de mão
para selar obrigação.
A palavra tinha força
mais que firma em cartório, então.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


As férias na casa do tio,
rede armada no alpendre, então;
manga madura no pé,
açude cheio no verão.
Cada lembrança dessas
vive firme no coração.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Hoje mudou muita coisa,
veio a modernização;
tem progresso e tecnologia,
facilitando a missão.
Mas o abraço continua
sendo a melhor conexão.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Ainda existe quem conserve
a fé na oração,
o café servido à visita,
o sorriso e a gratidão.
Enquanto houver gente assim,
há esperança na nação.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Não condeno o tempo novo,
nem rejeito a inovação;
só não deixo que o dinheiro
compre minha tradição.
Há riquezas que o mercado
nunca vende em promoção.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Quem mede tudo em moedas
desconhece a verdadeira razão;
há tesouros invisíveis
guardados no coração.
São lembranças, fé e amizade,
a mais valiosa coleção.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Se um dia eu partir da vida
com pequena condição,
levarei a maior fortuna:
amor, paz e gratidão.
Pois quem viveu essas riquezas
jamais conheceu pobreza, não.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.

CASA! ESCOLA DE CORAÇÕES

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

No princípio da caminhada,
Quando o mundo era ilusão,
Foi a casa o primeiro livro,
Da mais nobre educação.
Ali nasce a esperança,
E floresce a formação.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Tem chegada de um menino,
Tem partida de um ancião,
Tem abraço que conforta,
Tem silêncio e solidão.
Cada porta guarda um tempo,
Cada canto uma lição.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Há encontros que eternizam,
Despedidas de doer,
Há promessas que florescem,
Outras param de viver.
Mas o tempo escreve histórias
Que ninguém pode esquecer.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Ali mora o grande amor,
Também mora a ingratidão;
Há carinho que aproxima,
Há intriga e divisão.
Cada gesto deixa marcas
No jardim do coração.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Perdas vêm como tempestes,
Ganhos brilham como o Sol;
Uns tropeçam na tristeza,
Outros seguem no arrebol.
Toda lágrima ensina
Mais que o ouro e o arrebol.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Há alegrias em fartura,
Decepções pelo caminho,
Experiência faz o mestre,
Imaturidade é espinho.
Quem escuta os mais antigos
Nunca segue tão sozinho.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Resiliência é a coluna
Que sustenta a construção;
Coragem faz cada passo
Enfrentar a provação.
Quem não teme as tempestades
Vence a força do trovão.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Vitória bate à janela,
Derrota entra sem avisar;
Uma ensina a agradecer,
Outra obriga a levantar.
Quem aprende com as duas
Sempre volta a caminhar.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

União levanta pontes,
Desunião faz ruir.
Uma soma os sentimentos,
Outra faz o bem fugir.
Toda casa bem cuidada
Faz a esperança florir.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Há caminhos luminosos,
Há desvios na estrada.
Quem cultiva bons exemplos
Tem a alma iluminada.
Quem abandona os valores
Vê a vida embaraçada.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Base firme é fundamento,
Teto abriga da aflição.
Paredes guardam memórias,
Grades pedem reflexão.
Pois a casa não aprisiona,
Quando reina o coração.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Amor vence o próprio ódio
Quando existe compaixão;
Vida nasce em cada berço,
Morte encerra a procissão.
Mas o bem que ali foi plantado
Nunca morre em vão.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

Seja humilde ou majestosa,
De madeira ou de tijão,
Toda casa é professora
Da maior das lições:
Quem constrói um bom lar na Terra
Edifica gerações.

Casa! Escola de Corações.
Universo de tantas emoções.

"A nossa justiça é uma marmelada: o juiz que erra se aposenta em casa com belo salário; o inocente tem a aposentadoria bloqueada e vira refém da inércia de um advogado."

Sou oculto!!! E até quando o barqueiro vier me buscar de volta para minha casa, jamais me compreenderei⁠, por mais que tente incessantemente. Eis o dilema da humanidade.