Rotina
Tem dias em que o cansaço pesa e a vida parece uma canção repetida. Mas mesmo nessa rotina silenciosa, há um fio tênue de esperança, o sono que acolhe, o descanso que renova, e a certeza de que, a cada amanhecer, uma nova nota pode surgir na melodia.
Viver enclausurada na rotina é fazer cessar os sonhos e existir apenas na repetição monótona dos dias que crescem nos anos.
Sorrir em falso já virou rotina
Águas cobrindo minha retina
Luz que me ilumina?
Está encoberta por essa neblina
Fina, eu quero é amar
To tentando me libertar
No peito as mágoas
Chuva cai lá fora
E eu aqui dentro a chorar
O fato é que posso ocupar meu dia fazendo as unhas,indo na piscina,cozinhando,criando uma rotina que não existe e até tomando um porre diferente a cada dia.Mas não adianta, porque no final do dia é de você que eu lembro,são seus lábios que quero beijar,é você que preciso abraçar. E já não adianta mudar de cidade, de nome ou de vida,você está impregnado em mim e me persegue aonde quer que eu vá.
Perdemos a copa e eu perdi você. Trágico, não é? Nem tanto porque o que era trágico virou rotina com o passar do tempo; sentir sua falta virou rotina, não ter você virou rotina, lhe escrever virou rotina.
“Conto Sem Fuga”
Viaja, coração — sem mapa, sem bagagem,
cruzando desertos de rotina e miragens,
na esperança de que o amor seja real,
e não apenas um eco no quintal da alma.
Liberdade soa linda…
até que ela custa o toque,
o riso em dia nublado,
o cheiro no travesseiro —
onde antes havia lar, há silêncio calado.
Sentimentos se embaralham como vento em véus,
confusos, intensos — ora céu, ora breu,
e as lágrimas que caem não são fraqueza,
são bilhetes molhados ao universo, pedindo beleza.
Pagamos caro por sonhar:
o apego, o abrigo, o beijo não dado,
o amor que nunca disse a que veio,
mas ficou sentado no peito, espreitando.
E ainda assim — sorrimos.
Colocamos a máscara de contentamento,
enquanto o "eu" lá dentro
grita por toque, por verdade, por alento.
Grita por um conto de fadas
que não precise de dragões ou castelos,
mas de mãos que se reconhecem,
e olhos que digam: “eu também me perdi, mas vim te achar.”
E talvez o encanto esteja nisso:
na dor que não some,
na pele que ainda arrepia só de lembrar o nome,
no beijo que mora sem nunca morar,
no instante que foi…
e ficou para eternizar.
Mas ao final da página —
não há fuga, nem feitiço.
A realidade sempre nos chama
e exige o compromisso.
