Rondo Poesia de Cora Coralina
A flor do poeta
O néctar, a sua alma mais profunda
O pólen que germina em palavras
inspiradas nas tenras folhas esvoaçantes
os mistérios, dos perfumes das pétalas
As cores, o amálgama da beleza,
solidão misturada em fantasias
O caule que a brisa dobra
são sentidos que a poesia abriga
No outono, a flor do poeta
canta folhas secas, nostalgia
A sedução não é mérito da primavera
é o ocluso na bela flor da poesia.
À Hanna
Hanna possui milhares de "amigos"
tem a Tina, a Lene,
talvez a Celine, Dora e Deusa também
é interminável a lista, impossível falar de mais alguém
Hanna política, artista
toca flauta transversal erudita
em perfeita melodia
mas, somente quando lhe convém
Conheço Hanna de touca
com sorriso cativante e olhar meigo
não é lá boa boca
Hanna é bem do tipo
não é do ambiente boa bisca
joga cartas com o amigo do amigo
e tira proveitos disso
Hanna necessita de estar em evidência
como não tem lá muita inteligência
só faz pacto com a demência.
DANÇAR UM BOLERO
Maria Laura Flôres
Não quero ver o mundo
Desse jeito
Não quero pensar
Que tudo é mesmo
Como eu vejo
Quero esquecer
De toda essa realidade
Deixe-me pensar
Que estou
Que estou simplesmente
Dançando um bolero
Eu nasci e renasci
Disso dúvida não há
Para te mostrar, vem cá
Muito chorei mas sorri
Recordando o que vivi
Ah, se falasse a memória
Não sabem a minha história
Uma vida com amor
Sou fênix, sim senhor
No caminho da vitória
Laura Flôres, de Florianópolis/SC
Simplesmente
Simplesmente seja o amor no meio de tanto desamor.
O abraço que tira a saudade.
O sorriso que traz paz.
Seja o agora,
E não o depois.
Seja a flor do jardim.
Seja você também no fim.
Fui, por tempos,
o mais ingênuo dos poetas.
Traduzi minha alma em escritos,
ofertados a rostos que jamais souberam ler;
justamente por esconderem-se atrás de máscaras.
As palavras — essas que julguei importantes —,
definhavam-se à medida do correr do tempo.
Então, tornaram-se meras lembranças do que poderiam ser:
pontes de transformação,
não muros de adorno.
Foi à escuridão do meu quarto —
a única leal que me restou —
que compreendi:
não era a beleza que faltava aos versos,
mas o merecimento dos olhos.
Toda poesia é imperfeita,
como todo homem;
e é essa a essência da natureza.
Os dissimulados, na vã procura do eterno,
hão de pasmar-se aos espasmos da tênue verdade.
Agora, ao ausentar-me,
deixo um rastro de luz contida —
mínima, talvez,
mas real.
Aqueles que um dia lerem,
não mais embuçados
— com a alma aberta —,
sentirão o brilho de minha partícula viva,
explodindo no silêncio cósmico.
“Não fui lido,
mas fui real.”
COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Muitas vezes ...
fico olhando para o céu
querendo alcançar as estrelas,
quem sabe ...
elas também ficam olhando
para mim ...
querendo caminhar sobre a areia da praia
e mergulhar nas águas do mar ...
Momentos difíceis existem para nos tornar
de rocha ou de ferro, de fogo ou de aço
alicerces ou ruínas ...
Eu me torno raíz de reflexões,
caule de versos e pétalas de poesia.
Desde de que me lembro por gente
sempre fui meio assim
prefiro a companhia do MAR
do que a de ninguém.
E mesmo quando longe DELE ...
ELE sempre está dentro de mim.
Eu acredito que em toda mulher,
mesmo na mais anciã,
permanece sempre no fundo da alma
aquela composição menina
escrita e gravada com as letras sentimentos
para a Poesia Pai.
Toda vez que o meu coração a declama
meus olhos jorram sobre o meu rosto
a mais sentida e profunda lembrança.
*Lembro do meu pai brincando e catando tatuí comigo
na Praia de Itaipu.
Habita uma paz imensa
nas trilhas benditas
da minha terra natal
e tudo à minha volta
se traduz poesia
na paisagem do meu ser.
Eu me podei
e agora
eu só quero germinar
minhas sementes profundas
e reflorescer cada vez mais
folhas, gomos e pétalas de poesia.
Eu vivo à flor da pele
os sentidos da alma
em profunda incisão
toda a imensidão
que a caneta
entre os meus dedos
jamais poderá viver.
Eu vibro intensamente
nas veias do pulsar
da minha inspiração
e sou vulcão
eructando letras
sem nem mesmo
saber escrevê las.
Existe uma paz infinita
na imensidão da alma
abandonada na vastidão
do silencio que me espreme
me derrama
me sangra
me arde
me coagula
me sutura
e me funde poesia.
Sem nada saber
cheguei ao mundo em versos e alma
descascando palavras do meu ser
como se a vida fosse
fatias e gomos de poesia
mas sei que vou partir
desfolhando-me sementes de saudade
sem saber por certo
se eu me escrevo ...
me leio ...
ou se sou analfabeta.
Ah! Se eu fosse corajosa ...
escreveria meus pensamentos e versos nos muros, nos postes, nas barcas, nos ônibus, nas esquinas,
nas praças gastronômicas dos shoppings centers, nos botecos, nas trilhas, nas lagoas e praias da minha Niterói ,
sem me importar com a zombaria, a indiferença ou o possível interesse dos passantes ... eu queria ser grafiteira da poesia !
Os pensadores e poetas atuais deveriam ter essa coragem de tentar chegar lá onde a poesia e a leitura já não chegam tão facilmente... no nosso povo tão sofrido e oprimido.
*O meu pão e vício de cada dia
Não sei nadar
sem pescar folhas perfumadas de menta fresca
nas ondas saborosas da minha Via Láctea...
Não sei pular ondas
sem pintar faíscas coloridas como os vagalumes
na húmida penumbra dos campos floridos no meu Verão...
Não sei cantar sem pronunciar o doce eco da cantiga serena da alma nas alturas silenciosas do meu Himalaya...
Não sei escrever
sem manchar as brancas folhas mortas
com o batom vermelho da minha espada/caneta sanguinante...
Não sei existir na veia da palavra
sem ser o sangue da poesia...
Não sei me escrever Poesia sem me ler Alma.
Nessa quarentena
decoro o meu olhar
na paisagem outoniça dessa minha janela
onde o luxuriante verde da Serra da Tiririca
enaltece a poesia feraz do meu ser.
*Eu queria escrever... mas... sou analfabeta...*
Eu queria escrever algo que fizesse bem ao mundo ...
Eu queria escrever tantas coisas...
Coisas que sinto e que penso...
Esse mundo tá assim... assim tão triste...
As pessoas estão tão perdidas ... tentando se encontrar ...
É tanta coisa que queria escrever... que acabo por não escrever nada...
Tanto... nesse mundo do jeito que tá... o nada é o tudo que o contorna... é o que o interessa...
As vezes ... muitas vezes... deixo de escrever...tanto... ao mundo não interessa ...
É tanta sensibilidade recheada de profundidade num mundo tão assim...
Assim tão cruel e raso...
Então... essa mania assim tão visceral... Não me fornece trégua... teimosa como é... me vence... e eu... me rendo e me entrego...
e então ...
Ela me escreve fazendo-me acreditar que sou eu que escrevo...
E me descubro e me revelo analfabeta... sem entender as letras desse mundo... vou compondo o que me compõe... sem saber ao certo se me escrevo ou me leio... nesse mundo tão assim como é... analfabeto... até mais que eu...
Eu só queria escrever ...
mas é a escritura que me escreve e descreve...
Que louca!
Mas...não mais que esse mundo.
E vou florindo poesia em meio as pedras desse mundo...
Enquanto a poesia teima no florir em mim.
Fiquem em paz. 🕊
Sejam paz. 🕊
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