Ritmo
Até onde irá o mundo? Qual será o seu limite?
A Verônica Miyake (Verônica Miyake), num ritmo frenético, nos abre os olhos ante essa realidade...
São sutis, subliminares,
As mensagens das novelas
E as músicas populares,
Que nem são assim tão belas
Mas enganam, sim, milhares.
Adiante o ritmo, depois e depois a dor!
Dor morta!...
Dor que faz de conta!...
Dor que anda morta!...
Dor que vira desnorte brasa de tanto praguejar!...
Dor que entre épocas canta ao bondoso ritmo!...
Ritmo que perdura nas docílimas plantas da nossa dor!
Dor que vive para procriar
o destino do ritmo por escorregar
como derretida cera
na consumada alma!
Adiante o ritmo, depois e depois a dor!
Admite,
já não sabes se é do ritmo ou se é da dor...
Jamais te deves importar com a tremenda acção, música,
textura, ritmo, cadência, métrica, desenho, estética, género,
química, física, massa, espaço, tempo, contexto, situação,
rima, estrofes, versos entre outros longínquos atributos
perfilados da poesia, isso é muito e muito antes, logo
depois... cá e lá a bater-te em toda a dimensão do ser
fremente aqui e acolá... É cirúrgico futuro por vir, mas já
veio ao pensamento intemporal!
Basta então antecipares-lhe suas partículas invisuais,
depois romperes as entrelinhas das camadas onde com a
mesma indiferença prevês o tal sentido relativo, exacto,
profanando consoante a sinfonia metamorfose da melodia.
É nesse instante momento sobrenatural que vais sentir e
escutá-la adivinhando-lhe a restante beleza porvir. A poesia
nunca mais será a mesma, um desregulamento torrencial
infinito metafísico, sendo-a apenas!
Perdi os poemas ébrios
de ritmo
feitos ao sol da manhã
Esse tantã longínquo que me acordava
manhã cedinho
antes de subir na minha bicicleta
reduzida ao mínimo para pedalar até ao liceu,
acordava-me como uma loa,
cântico virginal
puro…
ou como um ritmo escondido
no regaço da mais linda mulata
da sanzala
Um poema ébrio de ritmo
órfico
em dionisíaca celebração
um cântico mestiço
místico
pagão
negro soneto espúrio
de um povo híbrido de muitos deuses
e de mais irmãos ainda…
Hoje o meu poema já não é ébrio
de ritmo
nem o som do tantã tem o sol puro
erguido pela manhã
cedinho
O meu poema é de sangue
e dor
lavrado pelo frenesim dos tiros
O tantã que me acordava
manhã cedinho
e trazia no som o ritmo
dos beijos,
hoje
já não me acorda deste sono
que não durmo
sobressaltado
O tantã traz agora na sua voz longínqua
o som próximo
da metralha
In “Há o Silêncio em Volta” (poética de guerra), edições Vieira da Silva do poeta Alvaro Giesta
Não devemos apressar o tempo, devemos aprender com ele no seu ritmo...para atingirmos a maturidade adequada em cada fase de nossa vida
01-02-05
Bolha de sabão
Esfera multicolor película cintilante
Esvoaça no ar em ritmo dançante
Inflada pelo sopro de uma criança
Bailando no ar numa praça verdejante
Brilha a luz do sol... Soberana
Num lapso de tempo dilui...
Deixando no ar gotículas de sabão
Levando sonhos da imaginação
Oh! Coração, errante cintilante!
Furta cor no ar da esfera ao relento
Ao vagar na garupa do vento
Bola de sabão é uma obra prima
Do sopro de uma criança
A vida em magia esvoaçante.
Canção de Amor e Paixão
Quero ouvir o ritmo da tua voz,
Sentir o tom das tuas palavras,
Me encantar com as notas da tua história
E delirar nas batidas do teu coração
Vem comigo escrever uma bela canção
Que fala de uma vida regada
De amor e paixão.
Ela é uma poesia aconchegante mais brutal, também é simplicidade, eu sou o ritmo rude da rua a gravura da arte em pessoa.
Estrofe e refrão
Coloquei no poema estrófe e refrão,
puxei um ritmo no violão!
Minha viola cantou
a estrofe é o refrão!
Nesse ritmo eu vou!
Eu vou e vou,
vou fazer modão!
Neste poema cantei uma canção,
senti tanta saudade
de você no meu coração,
queria estar contigo,
dançando um baião!
Olhei pra minha viola,
e deslizei nas cordas
minha paixão,
sentindo você no meu coração!
Eu me deixei estar. Em geral, diante de circunstâncias de difícil resolução, diminuo o ritmo e tento evitar movimentos em falso. Já ela, depois de um instante de perplexidade, mergulha de cabeça no assombro e luta com todas as forças.
Eu gosto do ritmo do meu mundo. É apressado, mas, para mim, quanto menos você fizer, mais preguiçoso fica.
Precisamos aprender que tudo na vida tem um ritmo e um tempo próprio. Como já foi dito existe tempo de plantar e tempo de colher. Tempo de chorar e tempo de dar saltos de alegria. Na minha vida já houve tantos tempos. Tempo de teimar muito e tempo de quebrar muito a cara. Tempo de achar que ia morrer de amor e tempo de ri do que eu na época achava que era o grande amor da minha vida. Tempo de perder meu Pai o grande Amor da minha vida e tempo de só ficar a saudade e ainda e sempre ser completamente apaixonada por ele o Sr. José Barbosa Almeida. Tempo de ficar careca, monstrinho creck creck e achar que fosse morrer de câncer, sem ver minha filha formada, casada e carregar meus netos no colo e tempo de aprender que a luta é dura, dolorida e sofrida demais mas que é possível vencer e eu estou vencendo. Tempo de entrar no centro cirúrgico e dizer para minha amiga eu não vou sobreviver e tempo de acordar na sala de recuperação vomitando horrores e feliz feito pinto no lixo e dizer estou viva porque até onde sei morto não vomita. Tempo de casar com o homem que foi o amigo, depois o namorado, depois o companheiro na hora da doença e hoje é o melhor marido que eu poderia ter. Tempo de engordar e me enterrar numa prisão sem muros, que era como eu chamava minha obesidade e tempo de ficar magrela e gatinha (é o que tenho escutado de todos) aos 49 anos. Foram muitos tempos. E ainda serão outros tantos tempos. E na vida de todos nós já existiu, existe ou existirá o tempo de gritar, desesperar e espernear para logo em seguida vir o tempo de cair de joelhos cansados e exaustos de lutar contra aquilo que não era ainda o tempo de vencer. Só que entre tantos tempos existe um que pra mim tornou-se precioso. Que é o tempo de aprender a compartilhar: vida, aprendizado, amigos e amor com todos que passarem pelo seu caminho. O tempo de amorosamente compartilhar com todos tudo o que os seus muitos tempos lhe trouxeram como aprendizado pra vida. Meu desejo e oração pra sua vida neste dia é que tenha muitos e muitos tempos e que atravesse eles com sabedoria pra saber que pra tudo tem um tempo certo na vida. Que Deus presenteie sua vida com Tempo e Sabedoria.
Nem sempre o meu tempo é guiado pelos ponteiros do relógio. É a vida que dita o seu ritmo e eu apenas obedeço. Às vezes, vivo eternidades em um momento, outras vezes, a vida se arrasta lenta, vazia, impulsionada só pelo tic tac do relógio.
Diante do mar
Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.
Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".
Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.
Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.
Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.
Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.
Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.
Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.
E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!
Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.
Ritmo
Na porta as folhas se juntam
O maestro vento rege a orquestra
É um pra lá e pra cá
Sem ninguém para atrapalhar
E a festa continua...
Na rua o silêncio predomina
O único barulho é esse,
que bate-bate como chocalho
dentro de mim
Oh, a lua tocando meus olhos
Ou meus olhos tocando a lua
O mundo continua girando,
no tic-tac do velho relógio
As horas vão se acertando
E o bem se aproximando
Até que enfim se desenrola,
a corda do balanço
A vida segue e a banda
continua tocando
Precisamos do silêncio,
para dar sentido as incertezas
que vem chegando
Feito passarinho
que viaja para outro continente,
no começo de outono
Na vida chove sem saber
porquês
O rio transborda só quando está muito cheio
Então chorar às vezes é inevitável,
para quem precisa florescer
Poema autora: #Andrea_Domingues ©
Todos os direitos autorais reservados 06/04/2020 às 23:00 horas
Manter créditos de autoria original #Andrea_Domingues
Deixe que nossos corações fiquem no mesmo ritmo, no mesmo tom, na mesma melodia. Siga a música, sinta a oscilação entre o grave e o agudo, o intenso e o suave, o desejo e o fastio, entre a paixão e o amor.
Flávia Abib
