Retomar uma Amizade
A TRILHA EXTINTA
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Certa vez um passarinho
Ficou reparando o caminho
Que via de cima da encosta
Mas ele não entendia
Por que o mato sumia
Deixando a terra exposta.
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Indagou um pássaro adulto
Que conhecia o mundo oculto
Dos humanos e de outras feras:
Sr. pássaro sábio e nobre
Por que o mato não cobre
Aquele caminho de terra?
.
Lá embaixo os seres sem asas
Constroem as suas casas
Distantes umas das outras
E quando sentem saudade
E querem rever suas amizades
Caminham pela planície toda.
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Durante as caminhadas
A terra vai sendo amassada
Impedindo que o mato cresça
E as flores que crescem
Nas margens agradecem
Pois querem que o amor prevaleça.
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Então o pássaro pequenino
Entendeu por que via um menino
Chorando sentado numa trilha
Que agora estava todinha
Cheia de capim e ervas daninhas
Que cobriam suas panturrilhas.
.
Provavelmente aquela criança
Tinha alguém na vizinhança
Que costumava fazer-lhe visitas
Mas aquele mato comprido
Indicava que o seu amigo
Deixou de pisar na trilha extinta.
Saudades de quando eu ficava na chuva sem ter medo de ficar doente, de brincar com os amigos agora já crescidos, de viver sempre livre, sem se preocupar com o amanhã.
EUTRAPELIA
A magia está lançada
Sobre infundos disparates
Já é alta madrugada
E a tristeza em desbarate
Na fusão de boas risadas
Mesmo assim em arrebate
Amizade renovada.
SEM NÓ NEM PIEDADE
Todo o Ser Humano empreende os seus sonhos, que á vista dos menos despertos se tornam dispersos.
Aos mais Adormecidos restam apenas as vicissitudes da vida, aos mais Despertos a paz que tarda a chegar num constante diário de guerra com um acervo de folhagem infinita. São como românticos escribas em extinção todos aqueles que se deleitam dia e noite, ao escrever de forma finita, cada vez que o Sol se ergue e cada vez que Sol se põe.
Tal como a vida, as relações e as pessoas, a escrita tanto aproxima como afasta todo aquele que escreve ou todo aquele que lê, salvando-se momentaneamente os analfabetos que nos acompanham mas jamais impunes á justiça dos seus atos. Não esqueçamos nunca que, apesar de não saberem ler ou escrever, sabem perfeitamente ver, falar, ouvir e sentir.
Amigo é aquele que pede perdão,
que guarda segredos no coração.
Amigo sente saudades
e mesmo que o tempo passe
não muda a sua amizade.
Amigo é irmandade.
Amigo é como um jardineiro,
cuidando das flores.
Amigo é aquele que vê
nos seus olhos suas dores.
Que rega com carinho
para você voltar a dá flores.
Os que estão contra você, são os que mais acreditam no seu poder...
Oh, quão curioso é o destino, que faz do antagonista o peregrino, guiado por temores, velado em ardor, a medir-te a força, a temer teu vigor.
Não é o amigo que te sonda a alma,
nem o amante que te rouba a calma,
mas o opositor, na sombra escondido,
que vê em ti o brilho não contido.
Se ergue o muro e te lança ao chão,
é porque teme tua ascensão.
Se trama no escuro e espalha a dor,
é porque anseia calar teu clamor.
O rival não odeia o vazio em teu ser,
mas o eco que faz o mundo tremer.
Pois só quem enxerga no outro o infinito
ergue-se contra, num gesto aflito.
Que ironia amarga, que jogo sutil,
Quem te combate te vê como um farol febril.
Não desafia o fraco, nem teme o banal,
mas curva-se ao poder que soa imortal.
Então, segue em frente, sem hesitar,
Pois na resistência há de se revelar
Que o maior tributo à tua grandeza
É o temor que desperta tua fortaleza.
E assim, na luta, descobre-se a lição:
O verdadeiro inimigo é quem te dá razão.
Ter algo ou alguém que seja exclusivamente teu, que lhe traga o prazer de existir, não há nada melhor. Assim como não há nada pior de o mesmo ser lhe roubado.
Ei amigo! Acha que amigo só é aquele que vive no seu pé? Pois bem, se espera isso de um amigo humano nunca vai ter. Adote um cachorro.
Se você me fizer um mal
Independente do tamanho
Eu não vou conseguir dormir.
Vou ter dor de cabeça
E dor de estômago.
Vou acúmular frases
E vomitar para alertar
A quem possa interessar.
O universo coloca o seu caráter em check com pequenas coisas. Se você não for correto, o seu caráter é duvidoso.
Sua vida vai passando despercebida pelas ruas do Catete. Diferente de nós, ninguém reza por ele, ninguém chora por ele, nem velas serão acesas para ele... Contudo, graças ao passaporte da bem-aventurança, irá logo logo para o céu, igual a todos nós!
Ainda sobre o Catete, comecei a ver um "cara de rua" direto... Vive nas imediações do Museu do Catete. Negro, boa complexão física, aparentando uns 50 anos. Usa, habitualmente, roupas rasgadas deixando à mostra, por desgraça, vamos reforçar, o que os nudistas exibem por prazer. Seu corpo é infestado de parasitas e por isso vive se coçando. Tem aquelas tromboses com lepra nos tornozelos e grita poemas a seu modo, ali em frente a lanchonete Big-Bi; xinga as crianças que saem do palácio e o provocam, ou pára em frente ao palácio e perde a compostura xingando o governo pelo que ele acusa de "roubalheira nas eleições". Dorme na calçada, ou, quando chove, se vê obrigado a dormir sob as coberturas da Rua do Catete, da Rua Pedro Américo, ou adjacentes... Não dá pra deixar de reparar que ele é extremamente admirador do palácio... Por vezes pára, e fica com uma cara de pão doce, imóvel, olhando o imóvel. Vive por isso fazendo versos em homenagem ao palácio. Versos gozadíssimos, cujas rimas param algumas pessoas mais perceptivas... O seu nome, ou apelido, não consegui descobrir ainda. Sempre que tento, quando ele está mais calmo, recitando os versos em frente ao palácio, é sábado ou domingo, quando as crianças ficam provocando o pobre homem, que, ao perceber a gozação, inicia uma série decorada de palavrões impossibilitando-me de qualquer contato. Ainda lembro de alguns versos: "Tcham, tcham, tcham, ninguém faz nada por mim, tchan tchan tchan também quero casas". São uns versos meios bizarros mesmo, no estado bruto. Esse "tcham", é pra entender que ele canta seus versos. A melodia, se bem me lembro, é quase igual ou semelhante em todos os versos, sobre tudo, sem estribilho. Ele bebe, vive de esmolas, e quando as recebe agradece com bons modos, os restos de comida de quem sai da lanchonete e mitiga sua fome. Mas, desde que não discordem do que ele diz durante a aproximação. Se alguém der uma esmola, e ainda der um conselho, é certo a descompustura e, de acordo com o grau do conselho ( "o senhor tem que parar de beber", "cadê a sua família, procure sua família", "procure um trabalho") ele chega, por vezes, a atirar no doador da esmola a própria esmola recebida. Até agora apurei que, assim como eu, ele também tem seus momentos de introversão. Reparei que é sempre quando está chovendo. Nessas ocasiões, quando passo por ele, está sentando na calçada com uma parada tipo um pregador de varal, daqueles antiguinhos de madeira, e com ele inicia um rápido movimento entre os dedos, fazendo com que o pregador deslize ao longo do polegar até o indicador. Assim está sempre quando chove. Parece que fica curtindo sua desgraça, ruminando o passado possivelmente melhor do que o presente, e certamente bem melhor do que o futuro sem esperanças. Sem esperanças porque não podemos ser hipócritas; um ser humano alheio a tudo e a todos. Sua figura marcante de miserável de rua se apresenta bem nítida e ninguém liga. Sua vida vai passando despercebida pelas ruas do Catete. Diferente de nós, ninguém reza por ele, ninguém chora por ele, nem velas serão acesas para ele... Contudo, graças ao passaporte da bem-aventurança, irá logo logo para o céu, igual a todos nós!! Feliz Carnaval.
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