Resistência
O palco da sociedade contemporânea é um mosaico de poder e fragilidade, onde representantes, outrora espelhos do povo, muitas vezes se transformam em artífices da alienação. A massa, sedenta por ídolos e distrações, torna-se presa fácil de ideologias que a manipulam, transformando-a em mera peça de um jogo de ambição e banalização.
A violência, antes restrita aos cantos sombrios da marginalização, irrompe em plena luz do dia, alimentada por conflitos que se perpetuam em nome de verdades distorcidas. A idolatria, outrora reservada aos deuses, agora se estende a figuras efêmeras, que ascendem e caem em um piscar de olhos, enquanto a esperança, como uma chama tênue, luta para não se apagar.
Pensadores e guerreiros, outrora aliados na busca por um mundo mais justo, agora se digladiam em um campo de batalha onde a espada e a letra se confundem com a bala. A luz da razão se esvai diante da escuridão da ignorância, e a verdade se torna refém das mentiras, em um embate onde as cores se misturam em um turbilhão de caos.
O povo, outrora detentor do poder, agora se vê subjugado por forças que o alienam e o marginalizam. A resistência, como um grito sufocado, busca romper as amarras da opressão, enquanto a paz, um sonho distante, se esvai diante dos conflitos que se alastram.
Em meio a esse cenário sombrio, a esperança teima em resistir, como uma semente que brota em solo árido. A luta por um mundo mais justo, onde a verdade e a luz prevaleçam sobre a mentira e a escuridão, continua a pulsar no coração de guerreiros e pensadores, que se unem em busca de um futuro onde o povo, enfim, retome o poder que lhe foi usurpado.
A maldade histórica se repete, e a grande massa não consegue fazer uma leitura de mundo. É preciso lucidez e resistência .
Resistir à ideia de armar a população como solução para a segurança é a luta dos que buscam um mundo de paz
Poesias jogadas ao vento, rostos revirados pelo ego.
Países em desafensa, mundo em caos, leis e princípios desorientados.
Mas por quê?
Por que o certo, dando certo, torna-se errado como uma criança
que corre desafreadamente pelos pais ao se distanciarem,
pelo medo do desconhecido.
Triste considerar, mas o “não” precisa surgir.
Triste reconsiderar, mas o “sim” precisa surgir.
Lamentável dizer que ouvidos tampados não fazem sumir os gritos —
as dores do esquecimento de um povo, de uma luta em comum.
O progresso...
Extermínio de valores que se perderam com aqueles que os fizeram surgir.
Não precisa de palavras — precisa de ações.
Precisa destampar ouvidos,
para que as mãos possam ajudar quem precisa levantar.
A criança que corre desfreadamente
não consegue acompanhar aqueles que, em direção contrária, se vão.
Mas nutre, a cada passo,
a coragem que não sonhava ter.
Assim é possível que países em desafensa façam o impossível acontecer —
como a poesia que dá luz ao impensável.
Basta soltar os óculos escuros
e ajudar tudo que venha ao seu caminho.
É o Senhor quem endurece o coração de Faraó. E qual é o propósito?! Te impulsionar para o propósito!
Faça do silêncio sua melhor resposta quando tiver certeza de que o som de suas palavras não é suficiente para quem não está afim de ouvir.
Pelo menos, artístico-culturalmente o Brasil do século XXI deveria se sentir e se ver mais pobre e negro do que se sente.
Não tenho medo dos erros da humanidade. Tenho medo sim das sociedades ditas civilizadas que vivem indiferentes e ficam caladas frente as violências, os erros e as injustiças.
Ao contrario que muitos pensam, o estudo cultural e o conhecimento social não gera maior importância a ninguém e sim sempre maiores responsabilidades, principalmente com o ambiente carente dos invisíveis.
A macumba, nas encruzilhadas das estradas no século XIX, na verdade eram ajudas deixadas a noite para os escravos fugitivos, por outros escravos já libertados. Por isto é símbolo de fraternidade e resistência, da verdadeira historia da cultura negra no Brasil.
A cultura e a arte negra amadurecida e consciente, deve se separar dos modismos como oportuna expressão.
Desde o principio do ciclo econômico bastardo da venda e comercio de escravos no Brasil, cerceavam a liberdade mas a resistência sempre foi pautada pela fé, cultura e musica. Muito por está razão o " lundu" seja a primeira dança e canto brasileiro de origem e raiz africana, introduzida no Brasil, pelos escravos de origem de Angola.
Grande parte da cultura e religiosidade negra, no Brasil, subsistiu pela mão amiga do indígena brasileiro. Um dia a negritude cultural perceberá disto e entrelaçará suas culturas de resistência.
“O Choro é nosso primeiro ato.
Sinônimo de fracasso na adolescência.
Com o passar da existência
Vira significado de resistência.
A fragilidade é quem prova a mortalidade.
A tristeza é a fiel da balança,
Igualadora de homens.”
Se você é uma vela acesa o vento poderá lhe apagar, agora se você for um incêndio o vento apenas lhe deixará mais forte.
