Reflexões sobre Sensualidade
Esses produtos químicos voláteis que teus poros exalam, mexem com minha imaginação, que tenho até medo dos meus pensamentos impuros.
Corações excitados
Boca minha
Perto da boca tua
Olhar penetrante meu
Perto do olhar penetrante teu
O vapor quente da nossa respiração se beija
Enquanto sintonizamos nossas almas
Seu beijo
No momento
em que nossos lábios se tocaram
Foi uma sensação única
meu corpo estava quente
e rente ao seu
Ali senti seu toque
um toque diferente
único.
Não pensei que hoje
nesta noite chuvosa
Eu estaria chorando
a sua partida.
Me lembro todos os dias
daquele singelo e doce
Beijo.
Nua
Sinto-me tão nua ao teu lado
Sorrisos propositados
Envolvem-me com força
E deixam-me quase perplexa
Não consigo sentir-te
Mas tu tens me por completo
Vês mais de mim
Sempre
Como uma miragem
Não te alcanço
E fico apenas de suplente
E descanso
Romeu & Julieta - Cena Subsequente
O sorriso dela despido de todo o receio,
Seus olhos de frente para o espelho repletos de veracidades,
Enquanto seu corpo baila por entre as lacunas do tempo e espaço.
São versos inacabados; são flores no deserto; são espinhos retirados de um coração estilhaçado.
São onze da noite ou uma da madrugada, não sei ao certo.
Mas, ao final desta ópera, as portas serão trancadas e as roupas retiradas com total calma e cadência;
Seremos Romeu e Julieta à espera da próxima cena!
O Poeta na Cama...
Quero
despertar feras
no teu corpo!
Enquanto chove lá fora...
Esta noite eu quero
Riscar
fósforos
na tua pele!
Nutrir
o teu mais louco desejo
Ser -permanecer-ficar-cantar-viver-feliz
teu alimento!
Te dar de beber
na boca...
chocolate quente
Pra espantar o frio
indecente!
NUNCA ESCONDAS DE MIM TUA NUCA...
Na tua nuca desvendo os segredos do universo
Na curva sublime do teu pescoço
Na alvura da pele
Nada repele
Tudo me impele à toca-la
À beija-la com ternura ao mesmo tempo que com paixão
Permita-me apenas toca-la
E quando o fizer saberás do meu amor sublime
Que tudo redime
Tudo torna sagrado
No teu pescoço meu agravo
Minha lassidão
Minha doce perdição
Nunca esconda de mim tua nuca
Nunca...!
NA TUA BOCA, MINHA POESIA...
Beijo tua boca, transcrevo o verso
Numa carícia doce, envolvente
Translado neste toque o universo
Numa paixão nossa. Caliente...
Um momento apenas o nosso beijo
Breve e eterno em minh'alma
És toda paz que anseio e desejo
Atiça-me e, paradoxal. Me acalma!
Quanta agonia há neste mundo, Deus!
Mas esqueço todo o desgosto
Quando toco os lábios teus...
Pois neste toque de carnes sou poesia
Componho no paladar da tua saliva
Meu poema, teu gosto de ambrosia!,
Deito-me no teu paraíso sem prejuízo
E faço-me sua mulher com convicção
Em prosas versos e performances
Confidenciamos nossa cama sem intercessão
Deus criou o homem e a natureza na mesma proporção
Com sábios limites em suas vidas
Sejam elas racionais ou não.
O despertar do tempo sem atraso
Requer disciplina e sabedoria
Acertem seus relógios!
E acompanhem o tempo com precisão.
MEUS DEDOS
(Rayme Soares)
Deixa que deslizem
Que ao suave toque
Em movimento, te paralisem
Desça por tuas coxas
Brancas como neve
Que sinta, te sinta de leve
Não encontre barreiras
Que siga, que dance suave
Sem eiras e sem beiras
Deixa que eles passeiem
Que subam ou desçam sem chave
De uma ou tantas maneiras
Permita que eles alisem
Tua tez, tua alma, teu pelo
E que nos permitamos
Sem vestes
Sem crostas
Sem medo.
No triângulo excitante das minhas coxas, tua geografia perde o norte, o rumo, o prumo, quando o manto negro da noite vem camuflar a luz do dia.
De repente a noite iluminou-se, não sei se pelo brilho das estrelas, ou a luz do teu olhar que deslizava atrevido pelas curvas do meu corpo nu.
"Era de manhã. Não havia maldade. O sol tilintava. A brisa assoprava. Os pássaros cantavam. A água corria por entre as fontes e a nascente brilhava. Fixou-se em seus olhos. Como se nada acontecesse, como o vento, ou mesmo a brisa, como uma serpente, uma víbora, um pecado, um sinistro movimento, sobre as trevas do medo e do inconsciente, sob as luzes da vida, num acorde de instrumento... Lá estava. Um filete – marulhando. A tentação lhe invadindo... Sol após sol. Quando a lua surgia, encontravam-se de novo, desastrosamente, no quarto".
