Reflexo
Como é importante ser exemplo para as crianças, em diversos setores da vida, levando em consideração o desenvolvimento da responsabilidade, da empatia, do respeito, da verdade, do olhar atento e cuidadoso.
Isso refletirá e reverberará em sua conduta não somente na infância, mas ao longo da vida adulta...o que afeta diretamente sua forma de Ser no mundo.
Olhem com cuidado para as crianças! Mas antes, olhem com cuidado para si mesmos enquanto responsáveis por elas... A educação que você dá não determina a subjetividade desse outro ser, mas impacta fortemente em sua construção que se faz a partir dessa base.
É certo que pais, mães e cuidadores não nascem sabendo ser, eles tornam-se. E esse torna-se requer reflexão constante do seu modo de agir.
Existe uma frase de Lise Bourbeau que diz: "O que Pedro pensa de Paulo diz mais sobre Pedro do que Paulo."
A interpretação que eu faço dessa frase é a seguinte: nós só somos capazes de enxergar nos outros o que existe dentro da gente e isso tanto vale para as coisas boas quanto para as ruins que vemos.
É impossível enxergar nos outros virtudes ou defeitos que não existam dentro da gente. Por isso, há pessoas que só enxergam o lado ruim das pessoas. E ainda bem que em contraponto existem aquelas que só enxergam o lado bom. Na verdade não é o outro que essa pessoa está enxergando, é a si mesma. As pessoas são um espelho onde vemos refletida a nossa imagem, claro que existem exceções, mas no geral tudo que abominamos ou criticamos no outro é algo que precisa ser corrigido, mudado ou curado em nós.
Assim como a luz da lua, que nos engana com seu brilho emprestado, o que nomeamos como bonito é meramente um reflexo da beleza oculta que jaz além de nossa percepção imediata.
"A vaidade é como um jardim de flores artificiais, onde a beleza é efêmera e a essência é ausente."
A luz da lua nos engana com seu brilho emprestado, assim como o que chamamos de bonito é apenas um reflexo. A verdadeira beleza está oculta, repousando dentro de nós mesmos.
As Dores que Escolhi Carregar
Dizia que me amava, mas amava como quem repete um verso decorado, sem sentir o peso das palavras. Amava a ideia de me amar, mas não a mim. Porque, na prática, eu me deixava para depois. Quando choveu, encarei as gotas sem guarda-chuva, aceitando o frio como se meu corpo não merecesse abrigo. Quando a febre me queimou, deixei que ela ardesse, porque gastar com remédio parecia um capricho supérfluo.
E os sapatos que me feriam? Caminhei com eles, como quem carrega um fardo invisível, fingindo que a dor era pequena. Porque, no fundo, acreditava que suportar as feridas fazia parte de existir, fazia parte de ser eu.
Mas o que mais me machucava não era a febre, nem os sapatos. Era o silêncio que guardava quando alguém me feria. Eu calava e, pior, tentava compreender. Tentava justificar os golpes que recebia, como se fosse justo aceitar ofensas, palavras ríspidas e gestos que me cortavam. Perdoava antes mesmo que me pedissem perdão, carregando culpas que nunca foram minhas, tornando-me um depósito para dores que não me pertenciam.
Hoje, olhando meu reflexo, não vejo apenas um rosto marcado pelo tempo. Vejo uma pergunta que ecoa: o que é, afinal, esse amor que digo ter por mim mesmo? Será que amar-me é só esse hábito vazio, essa rotina de sobrevivência? Ou será que amar-me é algo maior, mais profundo?
Talvez amar-me seja o gesto simples de abrir o guarda-chuva na tempestade, de trocar os sapatos que me machucam, de tratar minhas feridas com o cuidado que sempre ofereci ao mundo. Talvez seja entender que minha dor também importa, que meu coração merece repouso, e que o amor que dou ao outro só tem valor se primeiro eu souber oferecê-lo a mim mesmo.
Se for isso, amar-me será um desafio diário. Uma escolha nova a cada manhã. Mas é uma escolha que preciso fazer, porque percebo agora: não sou terreno de passagem para o peso alheio. Sou uma casa que merece abrigo, uma estrada que também precisa de cuidado. Amar-me, enfim, é aceitar que eu não fui feito para ser silêncio, mas para ser inteiro.
Dá para viver sem muita coisa, mas viver sem amor não é possível, uma vida sem amor não é vida é um reflexo do nada.
Se a vida é uma obra de arte, então não somos prisioneiros do acaso, mas artistas moldando cada momento — criadores e criaturas, divididos por espelhos que refletem tanto o que somos quanto o que sonhamos ser.
Nasci do sonho de permanecer em riso,por momentos eu cresci apanhando da vida mas a resiliência me mantinha de pé.
Acostumei-me a tomar a forma de João teimoso,um dia caia chorando,no outro me erguia sorrindo,era muita surra da vida, e se fosse hoje chamariam o conselho tutelar para ela.
Com o tempo me vi firme porque o choro já não me derrubava, porque eu via gosto de minha queda no rosto alheio. foram muitos choros depois disto ,mas minha expressão era intacta.
A dor era a mesma.
Como as pessoas são cruéis! mas, eu podia ver em cada uma delas a projeção de suas derrotas.
Tempo futuro eu não sofria mais, me fazia coluna,firme,arrojada com vigas de ferro na caixaria.Um pedreiro entenderia bem minhas palavras, por dentro escorria lágrimas em perceber como as pessoas não se importam com sua história e com o que vc passa, com o que você sobrevive.culpam,
julgam,por percepção equivocada. Não posso me importar, eu não seria fruto se olhasse para a erva daninha. Quem tira sua forca é conta não paga e as minhas foram todas bem pagas e, em dia.
Hoje meus caminhos continuam sendo trilhados. Pés doloridos, corpo cansado. Mas meus olhos não lacrimejam para qualquer um, minhas lágrimas são seletivas, e só derramam para quem tem o coração de gaivota, solitário, pensativo,coração de compaixão.
Se os espelhos refletissem antes de mostrar a nossa imagem, evitariam uma série de desapontamentos e reduziriam bastante algumas dores desnecessárias.
Cada ser é a imagem e semelhança de Deus. Por isso, respeite, ame, seja fiel a si mesma e à natureza divina que o teu reflexo no espelho representa.
A indiferença não é sinônimo
de culpabilidade,
ela é apenas reflexos
da ausência da importância
que sentimos por algo
ou por alguém.
"Diga-me com quem andas e te direi quem tu és", diz o provérbio. Eu creio que mais do que companhias, nossos amigos são um reflexo bem definido de quem nós somos.
As pessoas que amamos, nunca partem, habitam eternamente nos nossos pensamentos e no nosso coração.
A sua presença é uma parte do reflexo da pessoa que se vê ao espelho.
