Quando menos Esperava Voce Aparece

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Nada nasce ou aparece sem que antes seja imaginado. Se para construirmos um simples lápis, é preciso diversos processos para tal feito. Mas pense na matéria-prima desse mesmo lápis, onde veio tantas combinações até encontrarmos o necessário para realizarmos esse objeto. Assim, as nossas vidas tão valiosas não surgem por acaso, pois além de milhares e milhares de combinações, feito com inteligência para coordenação de todo corpo, ainda exalamos do infinito, o espírito, algo que somente em nossos pensamentos, temos a sensação de que bem maior é a nossa missão nessa vida, que a cada instante se faz presente para cumprimento do certo e errado... Isso escolhemos e colhemos do fruto dessas escolhas. Porém o mais incrível se perguntar, ou talvez eu esteja delirando, mas quantas vezes já se perguntou o porquê a capacidade que temos em conversarmos conosco, pois nossos pensamentos transitam em dialogarmos com o nosso puro ser espiritual. Um milagre que somos capazes e que estamos em constantes debates com a nossa própria centelha divina.

As vitórias só surgem após as lutas, cada obstáculo que aparece em nossa trajetória deve ser usado como combustível para encontrarmos atalhos de superação e nunca desistir diante deles.

Nem tudo que reluz é ouro. Muitas vezes aparece meu nome ligado a obras dos artistas brasileiros Manoel e Haydea Santiago, por eu ter feito parte de suas biografias publicas, por vários anos como amigo da família e marchand, acompanhando de perto a realização de varias obras originais dos mestres. Sendo assim, muitos oportunistas, geralmente com obras não verdadeiras me citam como referencia sem eu nunca ter visto as mesmas, que de cara condenaria como uma contrafação e uma falsificação grotesca. Nunca comprei e nunca repassei obras que eu não tivesse absolutamente certeza da autoria do meus grandes amigos de honra. o grande mestre Manoel Santiago e sua esposa Haydea Santiago.

"Não espere que amor
te encontre, ele não vai
te procurar, mas quase
sempre aparece na hora
eonde você não imagina"

A nação que atende à vontade do Senhor é feliz e a verdade aparece na boca do povo.

A mulher que é cobiçada por vários um deles aparece mas se ela fica feia ele some. Porque ele era o de muitos homens que fica com a mulher que ele escolhe como bonita. Aí ela usa uma roupa simples ele considera ela feia. Vê onde está o erro. Nos dois.

A Casa Vazia


Existe uma casa dentro de cada ser humano. Ela não tem endereço, não aparece nos mapas e não pode ser construída por outra pessoa. É feita de memória, silêncio, desejo e consciência. É o lugar onde a nossa voz ainda é nossa. Quando somos capazes de habitá-la, conhecemos seus corredores, sabemos onde guardamos nossas alegrias, onde escondemos nossos medos, quais portas evitamos abrir e quais janelas deixamos voltadas para o mundo. No centro dessa casa existe uma chama pequena e silenciosa. É ela que nos diz: “Você está aqui.”


O problema começa quando deixamos a porta aberta por tempo demais. Lá fora, o mundo não pede licença. Ele chama, acende luzes, oferece promessas, produz urgências, entrega desejos prontos e mostra vidas cuidadosamente enquadradas. E nós saímos. Primeiro por curiosidade, depois por desejo, depois por hábito, até que um dia percebemos que estamos há tanto tempo do lado de fora que já não lembramos como era estar em casa.


Não fomos expulsos. Essa talvez seja a parte mais difícil de admitir. Nós mesmos fomos nos afastando. Trocamos o silêncio pelo ruído, a presença pela distração, a experiência pelo espetáculo e a própria voz pelo eco das vozes alheias. Começamos a conhecer a vida de pessoas que nunca encontramos, a acompanhar histórias que não são nossas e a reagir a acontecimentos que não podemos tocar, enquanto alguma coisa dentro de nós espera, em silêncio, para ser percebida.


Os espelhos se multiplicam. As telas iluminam rostos, as comparações entram pelas janelas e os sucessos alheios tornam-se medidas para a nossa própria existência. Sem perceber, começamos a perguntar menos “Quem sou eu?” e cada vez mais “Como estou sendo visto?”. Parece uma mudança pequena, mas é profunda. Quando o olhar dos outros se transforma no nosso principal espelho, começamos a construir a própria identidade do lado de fora. E uma casa construída pelo olhar alheio nunca permanece verdadeiramente nossa.


Então precisamos de mais: mais reconhecimento, mais aprovação, mais intensidade, mais alguma coisa que faça silêncio dentro de nós. Quanto mais procuramos, porém, menos encontramos. A casa permanece vazia não porque não exista nada dentro dela, mas porque ninguém está lá para perceber.


O abandono de si não acontece de uma só vez. Ele acontece em pequenas ausências: quando ignoramos aquilo que sentimos, quando dizemos “está tudo bem” sabendo que não está, quando seguimos uma direção apenas porque todos estão seguindo, quando confundimos desejo com necessidade, quando nos distraímos para não pensar ou quando falamos tanto que já não conseguimos ouvir a própria voz. A poeira se acumula, não sobre os móveis, mas sobre a memória de quem somos.


Chega então um momento em que o silêncio assusta. Depois de tanto ruído, ficar sozinho consigo mesmo pode parecer entrar em uma casa abandonada. Mas talvez o silêncio não seja vazio. Talvez seja apenas o espaço onde aquilo que foi abafado finalmente pode ser ouvido.


É ali que começa o retorno. E o retorno não exige grandes gestos. Não precisa de espetáculo, de uma nova vida ou de uma nova versão de nós mesmos. Começa pequeno: sentar, respirar, escutar, perguntar e permanecer tempo suficiente para ouvir a resposta. “O que está acontecendo dentro de mim?” Talvez ela venha baixa, talvez confusa, talvez acompanhada de coisas que preferíamos não encontrar. Não importa. A casa precisa ser reaberta.


Um cômodo de cada vez. Uma lembrança, um sentimento, uma verdade, uma escolha, uma janela. Até que a luz volte a entrar.


E então descobrimos algo essencial: voltar para si não significa abandonar o mundo. Pelo contrário. É somente quando sabemos onde estamos que podemos verdadeiramente encontrar alguém. É somente quando reconhecemos a nossa própria voz que conseguimos escutar outra pessoa sem desaparecer dentro dela. É somente quando conhecemos os nossos limites que conseguimos respeitar os limites do outro.


Uma casa habitada não é uma prisão. Tem portas, janelas e espaço para receber. Escuta o mundo, celebra, ama, aprende e acolhe, mas sabe quem possui as chaves. As paixões podem entrar sem incendiar a casa. As ideias podem entrar sem ocupar todos os cômodos. A opinião dos outros pode ser ouvida sem se transformar em sentença. O mundo pode atravessar nossas janelas sem se tornar proprietário da nossa existência.


Talvez maturidade seja isso: não fechar a porta para o mundo, mas deixar de viver permanentemente do lado de fora.


Precisamos sair. Precisamos experimentar, amar, errar, conhecer outras paisagens e encontrar outras pessoas. Mas precisamos também voltar. Voltar quando o mundo estiver barulhento demais. Voltar quando a aprovação já não bastar. Voltar quando percebermos que estamos vivendo para sustentar uma imagem que não reconhecemos. Voltar quando ninguém estiver olhando. Voltar simplesmente porque sentimos falta de nós mesmos.


Talvez essa seja a verdadeira casa: não o lugar onde nos escondemos do mundo, mas o lugar a partir do qual conseguimos habitá-lo sem nos abandonar.


No fim, não precisamos construir uma nova casa. Ela já existe. Talvez esteja apenas silenciosa. Talvez tenha algumas janelas fechadas. Talvez haja poeira sobre aquilo que um dia foi importante. Mas a chama ainda está lá, esperando.


E talvez ela não diga muita coisa. Talvez diga apenas: “Volte.”


Quando voltamos, percebemos que nunca estivemos realmente perdidos. Estávamos apenas longe demais para ouvir a nossa própria voz.


A porta sempre foi nossa. A casa sempre esteve lá. E a luz nunca deixou de esperar por nós.

A ONÇA DENTRO DE NÓS


Por: Marco Arawak


Há uma região em nós que não aparece nos espelhos.


É nela que permanecem as lembranças que o tempo não dissolveu, as perguntas que nunca terminamos de formular, os desejos que modificamos para caber nas expectativas alheias e os receios que, silenciosamente, participam de nossas escolhas.


Talvez conhecer essa região seja uma das tarefas mais difíceis da existência.


Porque olhar para dentro não significa simplesmente recordar. Significa interrogar a própria história.


Perguntar de onde vieram nossas certezas, quais experiências moldaram nossas convicções, por que determinadas situações despertam determinadas reações e até que ponto aquilo que chamamos de personalidade é, na verdade, uma construção feita de hábitos, circunstâncias e memórias.


É nesse território que encontramos a nossa autoanamnese.


Uma cartografia interior.


Um retorno às próprias origens para compreender os caminhos que nos trouxeram até aqui.


Quem fui antes de saber quem deveria ser?
O que escolhi por desejo e o que escolhi por necessidade?
Quais partes de mim nasceram de convicções e quais nasceram de adaptações?


Dentro de cada pessoa existe uma natureza que nem sempre se revela.


Há uma força silenciosa que observa antes de agir, percebe antes de responder e reconhece aquilo que muitas vezes tentamos ignorar.


É a onça dentro de nós.


Ela não precisa rugir para existir.


Move-se no silêncio das nossas percepções, atravessa nossas memórias e surge nos momentos em que algo essencial é ameaçado: nossa liberdade, nossos valores, nossos limites ou aquilo que profundamente reconhecemos como parte de nós.


Mas essa onça não representa apenas força.


Ela também representa consciência.


O instinto que observa.


A presença que não se precipita.


A capacidade de permanecer em silêncio antes de escolher um movimento.


Talvez por isso olhar para dentro exija coragem.


Porque podemos descobrir que aquilo que nos perturba nem sempre está no mundo exterior.


Às vezes, está naquilo que ainda não compreendemos em nós mesmos.


Há pensamentos que nos perseguem.


Há medos que condicionam escolhas.


Há padrões que se repetem porque jamais foram examinados.


E há partes de nossa própria história que permanecem à espera de serem reconhecidas.


Nem tudo aquilo que habita em nós precisa nos governar.


Pensar não significa necessariamente estar certo.


Sentir não significa necessariamente obedecer ao sentimento.


Ter medo não significa ser fraco.


E reconhecer uma parte difícil de nós não significa aceitá-la como destino.


A consciência começa justamente quando conseguimos observar aquilo que acontece dentro de nós sem sermos imediatamente dominados por isso.


Somos, ao mesmo tempo, experiência e observador.


Sentimos e podemos refletir sobre o que sentimos.


Pensamos e podemos questionar nossos próprios pensamentos.


Erramos e podemos compreender o erro.


É nessa distância entre o impulso e a escolha que surge uma das formas mais profundas de liberdade.


Também o passado precisa ser contemplado com honestidade.


Não para justificá-lo.


Não para condená-lo.


Mas para compreendê-lo.


A pessoa que fomos não possuía necessariamente os conhecimentos que possuímos hoje. Julgá-la apenas pelos olhos do presente pode transformar aprendizado em culpa.


O passado não pode ser refeito, mas pode ser compreendido.


E quando compreendemos aquilo que vivemos, nossa relação com a própria história começa a mudar.


A autoanamnese atravessa todas as dimensões da existência.


Está na família, onde recebemos histórias, valores e comportamentos que muitas vezes carregamos sem perceber.


Está nas amizades e nos afetos, onde descobrimos como confiamos, como estabelecemos limites e como nos relacionamos com o outro.


Está no conhecimento e no trabalho, onde nossas escolhas revelam aquilo que valorizamos e aquilo que desejamos construir.


Está nos erros, porque toda experiência pode se transformar em aprendizado.


Está nos sonhos, porque nem todo desejo que carregamos nasceu verdadeiramente em nós.


E está no futuro, porque nenhuma transformação consciente acontece sem alguma compreensão de quem somos hoje.


Por isso, talvez a pergunta mais profunda não seja simplesmente:


“Quem sou?”


Mas:


“O que está participando da construção de quem estou me tornando?”


Somos memória, mas não somos somente memória.


Somos consequência, mas também escolha.


Somos herança, mas também transformação.


Somos passado, mas ainda somos possibilidade.


A onça dentro de nós talvez seja essa parte primordial que nos lembra de permanecer atentos à própria existência.


Ela observa.


Espera.


Reconhece.


E nos ensina que força verdadeira nem sempre precisa fazer barulho.


Há momentos em que a maior demonstração de força é permanecer em silêncio.


Há momentos em que é preciso recuar.


Outros em que é necessário avançar.


E existem aqueles em que a verdadeira coragem consiste simplesmente em reconhecer o que acontece dentro de nós.


Conhecer-se não é domesticar a própria natureza.
É aprender a caminhar conscientemente com ela.


Talvez a maturidade seja justamente isso:


olhar para dentro sem medo de encontrar imperfeições;


compreender sem transformar compreensão em desculpa;


reconhecer nossas sombras sem permitir que elas ocupem todo o horizonte;


honrar nossa história sem permanecer prisioneiro dela;


e aceitar que ainda somos capazes de mudar.


A vida não é uma obra concluída.


Somos seres inacabados.


Cada experiência acrescenta uma camada.


Cada encontro desloca alguma perspectiva.


Cada perda modifica alguma medida de valor.


Cada descoberta reorganiza parte daquilo que acreditávamos saber.


Por isso, a autoanamnese não é uma resposta definitiva sobre quem somos.


É uma pergunta que aprendemos a fazer novamente.


De tempos em tempos, precisamos retornar ao silêncio e escutar aquilo que o ruído cotidiano impede de ouvir.


O que em mim é escolha?
O que é hábito?
O que é herança?
O que é medo?
O que é desejo?
E o que, finalmente, começa a ser liberdade?


Talvez a verdadeira autoanamnese seja esse retorno.


Não ao passado.


À consciência.


Entrar na própria floresta.


Reconhecer os rastros.


Perceber os movimentos.


E descobrir que, dentro de nós, existe uma natureza que não precisa ser temida nem negada, mas compreendida.


Porque conhecer a si mesmo não é encontrar uma identidade imóvel.


É perceber o próprio movimento.


É compreender de onde viemos sem nos aprisionarmos à origem.


É reconhecer aquilo que nos constitui sem permitir que isso determine tudo o que ainda podemos ser.


E talvez seja essa a grande lição da onça:


a força que realmente conhece a si mesma não precisa anunciar sua presença.


Ela simplesmente sabe quando observar.


Quando esperar.


Quando avançar.


E, sobretudo,


quando permanecer em silêncio.


Marco Arawak

Desconfiamos do mal que chega à noite e confiamos na santidade que aparece durante o dia. Esquecemos que o mal também sabe vestir branco e que muitos santos apenas esperam a escuridão para revelar o que realmente são.

A Visita Serena que Traz Consigo O Aconchego

Aparece à noite com muita gentileza, aquela sensação edificante de serenidade — a vitalidade de um rico acontecimento, como uma visita muito aguardada durante boa parte da rotina; principalmente por não ficar por muito tempo.

Então, ela começa dando um abraço na alma, a gerar bons sentimentos, a falar o que precisava ser falado, mas nenhuma palavra é necessária; traz conforto, deixando o lar mais aconchegante, naturalmente valoroso.

E o quarto passa a ser mais confortável, semelhante a estar deitado em um campo, com a cabeça apoiada sobre os braços e as pernas cruzadas, enquanto fica observando as estrelas, sem se preocupar com nada.

O Azul da sua Serenidade

Aparente serenidade que aparece no momento certo; que floresce poeticamente em um tom amável de azul, como se fossem as flores azuis desabrochadas nas suas vestes.

Leveza elegante da sua rara simplicidade; emoção da sua presença atraente; certamente, um fragmento notável da sua verdade, do seu coração resiliente.

Trata-se de um presente divino de muita integridade. A preciosidade de um olhar que não mente; que reflete a intensidade que se faz presente em cada detalhe.

O Último Quarto da Casa


Toda casa possui um quarto
que nunca aparece nas fotografias.


Foi nele que cresci.


Não faltou teto.
Não faltou alimento.


Mas faltava aquilo
que nenhum objeto consegue oferecer:
a certeza de ser visto.


Passei anos esperando
que aqueles que me deram a vida
também me mostrassem
como viver.


Esperei uma palavra.
Um conselho.
Uma direção.


Esperei que alguém segurasse minha mão
e dissesse:


"Não tenha medo.
Existe um caminho para você."


Mas algumas esperanças
não morrem de uma vez.


Elas desaparecem lentamente,
como uma luz esquecida
em um quarto vazio.


Então veio a pandemia.


O mundo fechou suas portas,
e eu também fiquei preso.


Dois anos entre paredes,
lutando contra o medo,
a solidão
e a sensação de que o futuro
estava distante demais.


Eu tinha apenas 17 anos.


Era um garoto tentando compreender
uma vida que já parecia pesada.


Estudei.


Acreditei que o conhecimento
seria uma ponte para outro destino.


Passei um ano preparando minha mente
para uma oportunidade.


Mas a dor, o medo e a incerteza
foram maiores que meus planos.


O ENEM passou.


E com ele,
uma parte dos sonhos
que eu ainda carregava.


Depois vieram os dias de trabalho.


O corpo aprendeu o significado
da exaustão.


As pernas carregaram pesos
que ninguém viu.


As mãos perderam a juventude.


E, enquanto muitos construíam memórias,
eu construía resistência.


Nunca pedi riqueza.


Nunca pedi uma vida fácil.


Tudo o que eu queria
era um lugar no mundo.


Um propósito.


Uma profissão.


Uma razão para olhar para o amanhã
e acreditar que eu também tinha destino.


Mas o tempo revelou
uma das dores mais silenciosas:


o amor de uma família
nem sempre alcança todos
da mesma forma.


Na mesma casa,
existiam diferentes medidas de cuidado.


O afeto que não encontrou meus caminhos,
a consideração que nunca repousou sobre mim,
foi entregue em abundância
à minha irmã.


A ela,
os braços abertos.


A ela,
a proteção antes mesmo da queda.


A ela,
a certeza de que haveria alguém
para enfrentar o mundo por ela.


E eu não invejo o amor que ela recebeu.


Nenhum irmão deveria desejar
menos amor para outro.


Mas existe uma tristeza profunda
em perceber que aquilo que foi dado em dobro a alguém
nunca encontrou espaço
nem uma única vez
para florescer em você.


Eu os amo.


E reconheço:
eles não me devem nada,
além da vida que me deram.


Mas a vida,
quando não é acompanhada de presença,
às vezes parece apenas uma existência.


Por isso temo o dia da despedida.


Não porque não exista amor.


Mas porque algumas lágrimas
nascem das histórias que vivemos.


E outras não conseguem nascer
pelas histórias que nunca tivemos.


Talvez eu não chore pelas lembranças.


Não por crueldade.


Não por falta de gratidão.


Mas porque passamos pela vida
sem construir aquilo que o tempo não consegue apagar.


Fotografias envelhecem.


Casas desmoronam.


Pessoas partem.


Mas as memórias permanecem.


E essa talvez seja a nossa maior tragédia:


não fomos uma família destruída pelo ódio.


Fomos uma família separada pelo silêncio.


Vivemos sob o mesmo teto,
mas em mundos diferentes.


E o mais triste de tudo
é descobrir que uma pessoa pode passar a vida inteira
procurando um lar,


mesmo estando dentro de uma casa.

Dolce Peccato!


Sabe aquela pessoa
que a gente só encontra nos livros,
que aparece nos filmes
e que, por alguns segundos,
faz a gente acreditar
que certas pessoas simplesmente não existem?


Pois bem...


você existe.


E talvez seja justamente isso
que mais me desconcerta.


Porque não é sobre perfeição.
Eu não acredito em perfeição.
Também não acho que você tenha vindo
de outro planeta,
embora, às vezes,
seja difícil acreditar
que alguém como você
possa caminhar pelo mesmo mundo que eu.


É sobre ser incomum.


Sobre ter alguma coisa
que eu ainda não sei explicar,
mas que meus olhos reconhecem
antes mesmo que meu coração consiga entender.


Você é sem igual.


E, sabe...
eu acredito que você é o meu número,
meu tipo,
aquela combinação improvável
que a vida parece esconder
até o dia em que, de repente,
coloca diante dos nossos olhos.


E então a gente olha
e pensa:


“Era você?”


Ah, Dolce Peccato...


Você é aquele tipo de mulher
que muitos desejam.


Mas talvez desejem errado.


Porque alguns vão olhar para o teu corpo
e parar exatamente ali.


Eu não.


Eu quero saber da tua alma.


Quero conhecer teus silêncios,
entender teus medos,
descobrir aquilo que você esconde
quando sorri para o mundo
e finge que está tudo bem.


Quero saber o que te faz rir
até esquecer da hora,
o que te faz perder o sono,
quais sonhos você guarda
e nunca contou para ninguém.


Porque o teu corpo pode chamar atenção,
mas é a tua essência
que me prende.


E talvez seja isso
que me assuste.


Porque desejar alguém
é fácil.


Difícil é sentir vontade
de conhecer cada parte invisível
que existe dentro dela.


E eu sinto.


Sinto vontade de ficar
quando o mundo inteiro
talvez queira apenas passar.


Sinto vontade de te proteger
não porque você seja frágil,
mas porque até as pessoas fortes
merecem, às vezes,
ter alguém ao lado
quando o mundo pesa demais.


Se eu pudesse te proteger do mundo inteiro,
eu me colocaria em sua frente.


Seria o teu escudo humano.


Não para impedir o mundo de chegar até você,
mas para lembrar que,
se algum dia ele tentar te derrubar,
você não precisará enfrentar tudo sozinha.


Porque eu estaria ali.


E talvez você nem saiba
o quanto isso significa para mim.


Talvez você nunca perceba
que, em meio a tantas pessoas
que poderiam simplesmente passar pela minha vida,
você fez morada
sem sequer pedir licença.


E é estranho...


Porque eu não sei exatamente
quando aconteceu.


Só sei que, em algum momento,
você deixou de ser
apenas alguém que eu admirava


e se tornou
aquela pessoa que eu procuro
mesmo quando não estou procurando ninguém.


Dolce Peccato...


talvez você seja mesmo um pecado.


Mas não daqueles que a gente se arrepende.


Você é o tipo de pecado
que a gente guarda em segredo,
protege entre os pensamentos,
sorri quando lembra
e, no fundo,
agradece por ter cometido.


Porque existem pessoas
que a gente conhece.


Existem pessoas
que a gente deseja.


E existem aquelas raríssimas
que a gente sente.


Você...


eu sinto.

Na igreja de Cristo, grande não é quem aparece, mas quem ama.
Maior não é quem fala mais alto, mas quem perdoa mais profundo.
No Reino, o trono é do Cordeiro que se entregou por amor.

A vontade de desistir é um animal que aparece ferozmente. Eu o observo, ofereço água e digo seu nome. Nomeá-lo enfraquece o monstro e devolve-lhe forma humana. Com isso, a desistência perde parte de seu reino. E eu continuo, passo a passo, com pés que querem aprender.

Natal




Natal não é a data que aparece no calendário, mas o silêncio de alguém
que se aprende a escutar.
É pão repartido antes de ser explicado, é perdão antes de ser merecido, é a ética simples de um gesto pequeno que salva mais que discursos bem vestidos.
No ponto máximo da humanidade,
o sentido acontece.
Natal não termina à meia-noite.
Ele começa quando alguém escolhe ser luz num mundo mascarado de bondade, e o homem, por um instante, aprende que existir
é caber no outro.
Amar, depois do Natal,
é continuar o milagre de aprender
a partilhar quando o mundo grita.

O sol não nasce, não morreu.
Aparece-se para ele.

"O caráter de um homem aparece na forma como ele trata quem não precisa impressionar."

“Tem oportunidade que aparece tão por acaso que recusar parece até falta de inteligência.”

A sombra da inteligência aparece discretamente na humildade. 👀