Quando menos Esperava Voce Aparece
Nossa amizade é assim, como o vento frio do inverno, tem época que está forte, em outras aparece mais fraquinho, trazendo só lembranças da estação gostosa, e por mais que outras três estações passem, esse vento leve passa por elas para manter a pureza e o equilíbrio da natureza e quando o inverno novamente volta, o vento fica cada vez mais forte, se renovando a cada três estações. Por mais que novas amizades surjam, outros rumos tomemos, sempre que nos encontramos é aquele abraço que daremos, porque verdadeiras amizades vão muito além do que presença física, e é nesse vento leve que mando em minhas orações o teu nome. Nesse mesmo vento te mando mil beijos e mil abraços para que nunca se sinta só ou com frio.
Te adoro😊❣
Olha aí, minha gente, não dá mais pra confiar,
todo dia aparece um escândalo no ar,
deputado investigado, esquema sem parar,
e o povo se pergunta em quem acreditar.
Temos que votar, escolher alguém pra representar,
mas muitos dos que chegam acabam por decepcionar,
prometem mudança antes de se eleger,
depois esquecem o povo que os ajudou a vencer.
Além da política tem o dinheiro em circulação,
bancos, interesses, acordos na contramão,
uma teia complicada pra população,
que muitas vezes fica sem explicação.
Deputado indo pra cadeia de montão,
vereador, prefeito entrando na investigação,
e ainda tem gente buscando posição,
como se o poder fosse prêmio e não obrigação.
Helaine machado
“Para na mesa ter alguma coisa, primeiro vem um pequeno processo.
Nada aparece do nada — o esforço de hoje é o alimento de amanhã.”
A verdade sempre que aparece, deixa cair a máscara e aí, é nossa missão confundir os orgulhosos e desmascarar os hipócritas...a máscara com o tempo vai criando forma!
Capítulo Quarto — Onde a Sombra Também Reza
Existe um tipo de noite que não aparece nas previsões do tempo. Uma noite que não vem do céu, mas da gente mesmo. Ela se aproxima devagar, como quem conhece o caminho da casa: primeiro um cansaço estranho, depois aquele aperto no meio do peito, e por fim a sensação de que o mundo ficou grande demais e o corpo pequeno demais pra carregar tudo.
Nessa noite, mora um personagem silencioso: o ser humano que luta com a própria mente. Às vezes é a ansiedade que dá ordens, às vezes é o pânico que chama pelo nome, e em outras a depressão se senta ao lado como um velho conhecido que nunca foi convidado. Ele olha o espelho e pergunta: “Por que eu sou assim?”
Mas a pergunta verdadeira deveria ser: “Por que eu acho que a culpa é minha?”
A culpa não é. Nunca foi.
Quando a alma dói, não é sinal de fraqueza — é sinal de que ela está viva demais, sentindo demais, absorvendo demais. É como um tecido delicado que se rasga fácil porque foi feito para perceber o mundo com profundidade.
Esse personagem, cansado e solitário, caminha por dentro do próprio labirinto. A mente vira um corredor estreito, cheio de ecos, e cada eco diz uma coisa diferente. Em certos dias, a luz da fé parece um fósforo; em outros, parece um farol. Mas ela sempre aparece — mesmo quando a pessoa acha que não merece.
Há um detalhe sagrado nesse capítulo: Deus não se preocupa com a roupa que usamos na vitória, mas com as cicatrizes que carregamos do combate.
Jesus, esse andarilho de almas cansadas, conhecia bem o peso das madrugadas que ninguém vê. Ele caminhava ao lado dos quebrados, dos tristes, dos esquecidos. E sempre repetia, de um jeito ou de outro:
“Você não é o que te feriu. Você é o que está tentando se levantar.”
É aí que entra a filosofia mística — aquela que olha para o invisível e entende que o sofrimento não é punição, mas passagem. O fogo que queima hoje pode virar clarão pra iluminar o caminho de outra pessoa amanhã.
Dor compartilhada vira mapa.
Dor transformada vira guia.
O personagem desse capítulo, mesmo tremendo, mesmo cansado, mesmo chorando com o rosto escondido na camisa, continua. Ele continua porque existe uma espécie de chamado. Não é voz de anjo, não é ordem divina, não é promessa de céu.
É só a vida sussurrando:
“Você ainda tem algo pra entregar.”
E ele tem.
Mesmo ferido, ele se torna farol para outros que estão na escuridão. Não porque é mais forte, mas porque conhece o caminho. Quem já visitou os próprios abismos sabe orientar quem está à beira deles.
No fim desse capítulo, a lição é simples e profunda:
a dor não diminui ninguém.
A tristeza não define ninguém.
A luta interna não anula a luz que carrega.
O perdão — inclusive o próprio — é um tipo de renascimento.
E cada crise superada é uma página virada dentro do livro sagrado que chamamos vida.
——————
Amizade não é um cargo que se ocupa, é um cuidado que se exerce. Quem só aparece no ON e foge no OFF, nunca foi amigo.
Continuar
Há um tipo de cansaço que não aparece nos olhos. Ele mora entre uma tragada e outra, entre o café frio e a louça esquecida na pia. É o cansaço de quem acorda todos os dias e percebe que o mundo continua exigindo o mesmo espetáculo de entusiasmo, quando por dentro só restou o silêncio.
A morte deixa de ser um monstro. Torna-se apenas uma vizinha discreta. Você sabe que ela existe. Ela sabe que você existe. Mas nenhum dos dois bate à porta.
O problema nunca foi morrer.
O problema sempre foi continuar.
Continuar pagando contas. Continuar respondendo "está tudo bem" para pessoas que não esperam uma resposta verdadeira. Continuar alimentando relógios, calendários e compromissos enquanto alguma parte de você resolveu abandonar o navio há muito tempo.
É curioso como a sobrevivência deixa de ser um instinto e passa a ser uma disciplina. Respirar vira uma decisão. Levantar da cama vira uma pequena rebelião contra o vazio. O coração bate sem pedir licença, como um velho motor teimoso que se recusa a desligar, mesmo depois de percorrer estradas demais.
Há quem chame isso de esperança.
Eu não.
Esperança é um luxo. O que sobra é insistência. Uma insistência quase vulgar. Um cigarro aceso, um gato dormindo no sofá, o gosto amargo do uísque barato, uma música tocando baixo enquanto a madrugada faz o que sempre fez: lembrar que ninguém escapa de si mesmo.
Talvez a luta nunca termine da forma que imaginamos. Talvez ela apenas fique mais leve em alguns dias e mais pesada em outros. Talvez o segredo não seja vencer, mas atravessar.
Porque existe uma estranha dignidade em permanecer de pé quando já não há aplausos, quando ninguém percebe o esforço gigantesco necessário para simplesmente colocar um pé diante do outro.
No fim, a coragem raramente grita.
Ela apenas respira.
E, por mais absurdo que pareça, às vezes isso basta para sobreviver a mais uma noite.
Maridos e mulheres, amem uns aos outros.
Essa ideia aparece na Bíblia, por exemplo:
Efésios 5:25 – “Maridos, amem suas mulheres…”
Efésios 5:33 – “Cada um de vocês ame a sua esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido.”
Quando a atenção se perde, o amor pede cuidado
Em muitos relacionamentos, o tempo, o cansaço, as preocupações e as rotinas acabam roubando algo essencial: a atenção mútua. Há lares em que as mulheres, sobrecarregadas ou emocionalmente distantes, deixam de oferecer atenção aos seus maridos. Em outros, são os maridos que, por acomodação, distrações ou falta de sensibilidade, deixam de cuidar emocionalmente de suas esposas. Em ambos os casos, o resultado é o mesmo: corações solitários dentro de um relacionamento.
A atenção é uma forma silenciosa de amor. Ouvir, perguntar, demonstrar interesse, tocar, estar presente — tudo isso comunica valor. Quando essa atenção falta, surgem a frustração, o ressentimento e o distanciamento emocional. Muitas vezes, não é a falta de amor que causa o problema, mas a falta de demonstração dele.
É importante lembrar que o casamento é uma via de mão dupla. Nenhum dos dois deve carregar sozinho a responsabilidade de manter o vínculo vivo. Mulheres precisam se lembrar de que seus maridos também necessitam de carinho, reconhecimento e respeito. Homens precisam compreender que suas esposas precisam de atenção, cuidado emocional e presença verdadeira, não apenas provisão material.
Restaurar a atenção começa com humildade: reconhecer falhas, pedir perdão e decidir mudar atitudes. Começa também com diálogo sincero, sem acusações, onde ambos possam expressar suas necessidades e sentimentos. Amar é uma escolha diária, demonstrada em gestos simples e constantes.
Quando marido e mulher decidem novamente se olhar, se ouvir e se priorizar, o relacionamento encontra espaço para ser curado. Afinal, o amor não sobrevive apenas de promessas feitas no passado, mas de cuidados praticados no presente.
Quero acordar
Nasce o dia sem certezas.
O sol aparece suavemente.
Brilha um brilho fugidio...
Correm pro mar as águas do rio.
Meus sonhos atravessam a vida...
Como esse rio está toda a terra a atravessar...
Meus sonhos, em transversais suspensas, não sabem aonde irão chegar...
Mas o rio tem seu destino certo: o mar.
Meus desejos se vão com as nuvens
Vagueiam por terras tão distantes
Faço força pra acreditar que realidade se tornarão em um instante.
Um canto de sereia cega.
Um turbilhão de vozes a me atordoar.
Medo dessa escuridão que me cerca....
Por que não consigo logo acordar?
FRACASSADO E ESTAGNADO PELA SUA ASCENDÊNCIA
Há um tipo de dor que não aparece em estatísticas, mas molda a forma como você entra em qualquer lugar. É a dor de ser lido e lida antes mesmo de abrir a boca. Você chega sem posses, com uma postura que o mundo chama de classe quatro, com uma oratória que não foi treinada em ambientes seguros, e imediatamente é colocado e colocada em um degrau abaixo. Não porque você não pense, mas porque não aprendeu a performar o pensamento da forma que o sistema valoriza.
A discriminação não vem sempre em insultos diretos. Muitas vezes ela chega em olhares que atravessam, em conversas interrompidas, em oportunidades que evaporam sem explicação. Você sente que precisa provar o tempo todo que merece estar ali. E mesmo assim, nunca parece suficiente. Isso cansa de um jeito profundo, porque não é um esforço pontual. É contínuo.
Você não cresceu em um ambiente que ensinava a argumentar. Cresceu aprendendo a ficar quieto ou quieta para sobreviver. O silêncio não era escolha. Era estratégia. Em meio à pobreza e à violência geral, falar demais podia custar caro. Perguntar podia ser perigoso. Discordar podia trazer consequências reais. Então você aprendeu a observar, a calcular, a se proteger. Isso não é fracasso. Isso é adaptação.
Mas quando você entra em outros espaços, essa adaptação é lida como deficiência. Dizem que você não sabe se expressar, que não tem postura, que não tem presença. Ignoram completamente o contexto que moldou seu comportamento. Ignoram que oratória é treino, não dom. Que segurança ao falar nasce de ambientes onde errar não é punido com humilhação ou violência.
Você se sente fracassado ou fracassada porque compara sua desenvoltura com a de quem cresceu sendo ouvido. Quem teve espaço para falar errado, para ser corrigido, para desenvolver vocabulário sem medo. Quem aprendeu cedo que sua voz tinha valor. Essa diferença não é inteligência. É ambiente.
A pobreza não apenas limita recursos materiais. Ela cria um silêncio ensurdecedor. Um silêncio onde ninguém pergunta o que você pensa. Onde suas ideias não são solicitadas. Onde a prioridade é atravessar o dia sem mais perdas. Crescer nesse silêncio molda a mente e o corpo. Você aprende a ocupar pouco espaço. Aprende a não incomodar. Aprende a não chamar atenção.
Depois, quando o mundo exige presença, você sente que algo falta. E conclui, erroneamente, que o problema é você. Não é. O problema é que ninguém te ensinou a existir em voz alta.
Ser discriminado por não ter posses é ser reduzido a uma aparência momentânea. É ser tratado como incapaz antes de qualquer troca real. Isso fere porque toca em uma ferida antiga. A de nunca ter sido visto como alguém com potencial, apenas como alguém que precisa se virar.
A falta de argumentação oratória não significa falta de pensamento. Muitas vezes significa excesso de pensamento sem canal seguro para sair. Você pensa muito, mas foi treinado e treinada a pensar em silêncio. Quando precisa falar, o corpo trava. A mente acelera. As palavras não obedecem. E o julgamento externo chega rápido.
Esse julgamento se soma a tudo que você já carrega. E então você começa a se chamar de fracassado ou fracassada por algo que não escolheu. Por um ambiente que não favoreceu expressão, debate, construção de discurso. Isso é uma violência simbólica que se soma à material.
Você precisa entender com clareza. Não é inferioridade. É ausência de treino em um campo específico. E treino pode ser desenvolvido. Mas antes disso, é preciso parar de confundir origem com destino.
A postura que hoje é lida como inadequada foi, durante muito tempo, proteção. A economia de palavras foi sobrevivência. A cautela foi inteligência contextual. Nada disso te diminui. Apenas não foi traduzido para os códigos que certos ambientes exigem.
Sentir-se fracassado por ter crescido no meio do silêncio e da violência é um efeito colateral de um sistema que exige performance sem oferecer base. Que cobra eloquência de quem aprendeu a calar para não apanhar, para não perder, para não chamar atenção errada.
Você não está quebrado ou quebrada. Está deslocado ou deslocada. E deslocamento não é sentença definitiva. É um ponto de partida específico, mais árduo, mais lento, mais solitário.
Aprender a falar, a se posicionar, a argumentar não é trair sua origem. É expandir suas possibilidades. Mas isso só acontece quando você para de se envergonhar do caminho que percorreu até aqui.
A vergonha paralisa. A compreensão liberta. Quando você entende que o silêncio que te moldou não foi falha, mas resposta ao ambiente, você pode começar a escolher quando calar e quando falar. Com consciência, não por medo.
Você não precisa se tornar alguém que não é. Precisa apenas permitir que o que você pensa encontre forma. Isso leva tempo. Leva repetição. Leva tropeços. Leva exposição gradual. E nada disso invalida sua história.
Ser discriminado dói. Mas internalizar essa discriminação dói mais. Porque aí você passa a se censurar antes mesmo que alguém o faça. Passa a se diminuir preventivamente. Passa a aceitar menos do que poderia tentar.
Você não é fracassado ou fracassada por ter vindo de um lugar duro. Você é alguém que atravessou um ambiente hostil e ainda está de pé. Isso não aparece em currículos, nem em discursos bem articulados, mas aparece na resistência silenciosa que te trouxe até aqui.
Quando você entende isso, algo muda. O peso diminui. A comparação perde força. E você começa a construir, pouco a pouco, uma voz que não nega o passado, mas também não fica presa a ele.
O silêncio ensurdecedor da pobreza e da violência não define o fim da sua história. Ele explica o começo. O resto ainda pode ser escrito, no seu ritmo, com as palavras que você aprender a sustentar.
Eu demorei, mas demorei mesmo, daquele tipo de atraso emocional que não aparece no relógio, só no peito, para entender que o amor, às vezes, é uma espécie de teatro interno onde eu mesma escrevo o roteiro, dirijo a cena e ainda me emociono como se fosse tudo absolutamente real. E veja só, eu ganhando prêmio de melhor atriz de um relacionamento que só existia metade. Metade não, sejamos generosas, um terço… porque a outra parte estava ocupada demais colecionando aplausos em outros palcos.
É curioso como a memória tem esse talento meio cínico de selecionar cenas. Eu me lembro perfeitamente do momento em que disse “eu te amo” pela primeira vez, abraçada, chorando, como se estivesse entregando um pedaço de mim que não vinha com manual de devolução. Naquele instante, era verdadeiro. E isso ninguém tira de mim. O problema nunca foi o que eu senti, foi o que eu construí em cima disso. Eu não amei só uma pessoa, eu amei uma narrativa inteira, uma saga digna de várias temporadas, com direito a final feliz, trilha sonora e filhos correndo no quintal que só existia na minha cabeça.
Enquanto isso, ele… ah, ele era jovem, leve, solto, quase um turista emocional. Passava, olhava, sorria, colecionava experiências como quem junta figurinhas repetidas. E eu ali, me sentindo edição limitada. Olha a audácia da minha ilusão. Eu, que escrevia “bíblias” inteiras sobre um futuro compartilhado, enquanto ele mal lia o resumo da contracapa. Não era maldade, era descompasso. Eu estava vivendo um romance, ele estava vivendo um momento.
E o mais bonito e mais doloroso de admitir é que o meu amor era real, sim. Não foi mentira, não foi invenção no sentido vazio. Foi sentimento de verdade direcionado para uma história que eu amplifiquei além do que existia. É como plantar uma árvore num terreno que nunca foi seu e depois estranhar quando alguém constrói um muro ali. A culpa não é da árvore, nem da semente. Mas talvez da expectativa de que o mundo ia respeitar algo que só eu sabia que estava crescendo.
Hoje, quando eu olho para trás, não sinto mais aquela vontade desesperada de reescrever o passado. Eu olho com uma espécie de carinho maduro, quase irônico. Como quem vê uma versão mais jovem de si mesma acreditando que intensidade é sinônimo de reciprocidade. Não é. Intensidade é só intensidade. Amor mesmo precisa de resposta, de presença, de construção conjunta. Sozinha, eu não estava vivendo um amor, eu estava sustentando uma fantasia muito bem alimentada.
E tem uma liberdade silenciosa nisso tudo. Porque quando eu entendo que não perdi exatamente alguém, mas sim uma ideia, tudo muda de lugar dentro de mim. Eu não fui rejeitada como pessoa, eu só investi em algo que não tinha a mesma profundidade do outro lado. E isso não diminui quem eu sou. Pelo contrário, revela o quanto eu sou capaz de sentir, de me entregar, de criar. Só que agora, com um pequeno detalhe a mais: lucidez.
Eu continuo sendo essa mulher que sente muito, que escreve demais, que imagina futuros inteiros em segundos. Mas hoje eu aprendi a perguntar, antes de construir castelos: tem alguém aqui comigo levantando essas paredes, ou sou só eu decorando um espaço vazio?
Porque no fim das contas, o amor não pode ser uma medalha na estante de ninguém. Amor de verdade não se coleciona. Se vive, lado a lado. E se não for assim, eu prefiro a honestidade do vazio do que a ilusão confortável de uma história bonita que nunca saiu do papel.
Se você se reconheceu em algum pedaço disso, talvez seja hora de parar de reler capítulos antigos e começar a escrever algo novo.
O Tempo ele aparece
Em toda nossa jornada
Ele lembra, a gente esquece
E ele surge do nada.
O Tempo ele não passa
A gente nele transpassa
Pra seguirmos nossa estrada.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
15/03/2026
A felicidade um dia aparece.
Num dia qualquer,
num fim de tarde qualquer,
num amanhecer qualquer,
num dia de chuva,
num dia de sol.
Num lugar qualquer,
silencioso ou barulhento,
mas árido,
tão árido
que há única coisa que existe é o vento.
A felicidade aparece
devarinho,
de mansinho
transforma as dores,
todos os tormentos
em perfumadas flores.
Água Rasa
Caminho onde o fundo ainda aparece, mas o reflexo mente profundidade.
Teus olhos me chamam sem prometer afogo, eeu entro mesmo sabendo nadar pouco.
O sol toca a pele da água
e tudo parece seguro demais.
Mas há correntes mansas que puxam devagar o que não faz barulho.
Teu nome boia perto da margem,
não sei se âncora ou convite.
Fico com os pés no chão
e o coração já fora do lugar.
Água rasa não grita perigo,
só ensina tarde demais.
E eu, molhado de quase,
aprendo teu silêncio pelo frio.
Talvez o amor comece assim:
nos detalhes pequenos.
Num sorriso que aparece de leve, num olhar tranquilo, nessas coisas que parecem simples para o mundo,
mas que bagunçam completamente alguém por dentro.
Aquilo que aparece diante de nós não precisa necessariamente bloquear nossa visão.
Um medo pode existir sem dominar nossa vida.
Uma lembrança pode existir sem controlar nosso presente.
Uma pessoa pode ter feito parte da nossa história sem continuar sendo dona dela.
Uma dor pode ter existido sem determinar quem seremos daqui para frente.
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