Josiel V Henrique
"Às vezes, nossos pensamentos são equivocados, pois não existe caminho para o céu, tampouco um paraíso na eternidade. Somos enganados todos os dias."
Para iniciar um novo caminho, é preciso desprender os olhos da realidade que nos aprisiona e enxergar além das fronteiras do que conhecemos. A vida não concede novos horizontes àqueles que permanecem imóveis nas trincheiras do medo; é preciso abandonar o lugar onde fomos feridos para descobrir aquilo que ainda podemos ser.
Josiel V. Henrique
Não basta possuir a chave da sabedoria; é preciso coragem para abrir as portas da própria consciência e contemplar aquilo que o orgulho prefere ocultar. Pois aquele que escolhe permanecer na ignorância, mesmo diante da verdade, não é prisioneiro das circunstâncias, mas das próprias limitações que se recusou a transcender.
Diante do abismo, a verdade torna-se apenas um sussurro para aquele que escolheu a cegueira; pois nenhuma luz pode conduzir quem fez da própria escuridão uma escolha, e nenhum conhecimento desperta aquele que voluntariamente renunciou à consciência.
A verdadeira liberdade nasce quando compreendemos que nem toda porta fechada representa uma prisão; algumas são fronteiras silenciosas que a própria consciência ergue entre nós e aquilo que poderia nos destruir. Há portas que não se fecham para nos impedir de seguir, mas para nos ensinar que nem todo caminho merece ser percorrido.
Viver talvez seja o mais silencioso dos fardos: suportamos a existência sem contrato de recompensa, caminhando entre perdas, desejos e ilusões, enquanto o tempo transforma tudo aquilo que amamos em lembrança.
Talvez sucesso seja apenas isso: continuar caminhando sobre a estreita linha que separa a existência do abismo, sabendo que não há garantia de chegada — apenas a escolha, absurda e silenciosa, de não parar enquanto ainda se pode dar um passo.
A vantagem de morar no inferno é não esperar bondade de ninguém. Ali, ao menos, os monstros não fingem ser santos. No paraíso, porém, a crueldade veste-se de virtude, a mentira chama-se esperança e a hipocrisia é confundida com humanidade. No fim, talvez o inferno seja apenas o lugar onde já não somos ingênuos o bastante para acreditar no paraíso.
Aquilo que ontem chamávamos de verdade pode amanhã parecer apenas uma ilusão que precisávamos acreditar. O que um dia foi real se desfaz lentamente sob o peso do tempo, como se a própria existência tivesse prazer em destruir tudo aquilo que julgamos permanente.
A vida é uma mudança permanente, e talvez seja justamente essa a sua maior crueldade: nada permanece verdadeiro por tempo suficiente para merecer nossa certeza.
Nada é absolutamente verdadeiro. Nada é permanentemente real. Tudo passa e nós passamos junto com aquilo que um dia acreditamos ser.
Mesmo que esteja no caminho certo, não pense que isso o salvará. Os dogmas do poder não foram feitos para reconhecer a verdade, mas para esmagá-la quando ela ameaça seus alicerces. Neste mundo, não é a razão que vence — é aquele que possui força suficiente para decidir o que será chamado de verdade.
O sol nasce uma única vez para cada manhã; quem espera que ele nasça duas vezes talvez ainda não tenha compreendido que a vida não repete seus instantes. O passado não aceita negociação, o futuro não oferece garantias e o presente é apenas um breve intervalo entre o nada que fomos e o nada que inevitavelmente seremos.
Todos os dias recebemos 86.400 segundos. O banco chamado, tempo abre uma nova conta para você e para mim, todos os dias. Não há saldo acumulado, não há crédito para amanhã, não há saque antecipado. Ao fim do expediente, aquilo que não foi utilizado simplesmente desaparece — sem recibo, sem devolução, sem segunda oportunidade.
E talvez essa seja a maior crueldade da existência: acreditamos possuir o tempo, quando, na verdade, somos nós que pertencemos a ele.
Sempre desconfiamos do mal que chega com a noite e acreditamos na santidade que se apresenta durante o dia. Ingenuidade. A escuridão não torna ninguém perverso, assim como a luz não torna ninguém santo. No fim, ambos são apenas máscaras criadas por mentes vazias para esconder a mesma natureza humana.
