Poesias sobre Velhice
Eu atravesso o mar
Pelas ruas da cidade
Sob os raios desse Sol
Curto minha mocidade
E quando entardecer
E a velhice acontecer
Ganharei longevidade
Comete-se menos erros na maturidade não tanto por sabedoria, mas por um puta medo de aventurar-se.
LuDarpano
REFLEXOS
Ter no fundo dos pensamentos, vontade de ti.
Encontrar-te em mim continuamente. Sentir-te com pesar dentro do peito.
Ter vontade de te ter, delicadamente.
Procuro eu mesmo olhando nos teus olhos. Caindo neles e pedindo ajuda.
Encontro parte de mim, que lá deixei.
Encontro parte de mim, que doei a ti.
A imagem distorcida do meu rosto. A imagem distorcida do meu Eu
Verdadeira...
ou apenas reflexo do passado...?
Assim, tão triste sem razão
Estou farta de mim
Eu maltrato meu coração
Ao sofrer pelo bem que eu tentei
Nem vi, todo mal que há em mim
Ao querer impor um fim
Ao meu Bel prazer
Fujo tão covarde do meu sonho
Com medo de me soltar
O que vão pensar de mim?
A verdade, é que eu não desisti
Ainda creio conseguir
Bem alto cantar pra Ti
E para mim
Pois sei, hoje estou a merecer
Por tudo que já lutei
Pelo amor que eu senti
Agora, é hora de lutar por mim
Pois eu vou chegar ao fim
Como a chuva que passou
As vidas, são luzinhas a piscar
Ao acender e apagar
Tão fugazes no além
Mesmo sendo somente um piscão
Brilhar sempre é minha ambição
Através da minha voz
Pelo bem e pelo mal que há em mim
Por tudo que eu sofri
Me rebaixando a solidão
Por não ter quem me escutar
Quem em mim a acreditar
Pelo que simplesmente sou
Um artista, como um Deus deve ser belo
Grandioso e eterno
Pra servir de inspiração
Agora, eu preciso de Você
Pois estou a envelhecer
Quem olhará uma murcha flor?
Se, eu não me dou descanso
É pois eu ainda sonho
Em cantar com o coração.
Só envelhecem aqueles que sobrevivem os percalços da vida. Tal êxito nos proporcionam vivências, e o seu vasto legado de sabedoria. Mas ao mesmo tempo, nos vemos afastados da memória dos fatos que ocorreram num passado mais distante.
211124
No chão sem chão
Trabalhou sua vida inteira
Não quis saber de poupar
Mandou o mundo se danar
Viveu uma grande bebedeira
Jogou trabalho e família no lixo,
A vida e os amigos verdadeiros
Não tinha moradia e nem dinheiro
Sempre pronto para alguém culpar
Jamais se deu conta disso
Viveu em bares a perambular
Achou que tinha vários amigos
E eles só queriam aproveitar
Quem o amava esperou em vão
Dizendo: - isso há de acabar.
Porém, só dependia dele mudar
Morreu entre as caldeiras do bar
Velho, no chão e sem chão, ali ficou
Imaginaram que a causa era bebida
Nem pensaram que era falta de vida.
Estirado, até que a família o resgatou
Momento
Sinto que é difícil dizer, conversar...
Talvez possa ver, ouvir e saber
Mas quanto tempo vai durar?
A ciência acertou! São só 2%,
O tanto que descobrimos um do outro,
Não passa da superfície do mar,
E ainda assim me contento...
Falar do outro é mais importante,
Já que vida me falta,
Cato uma notícia aqui outra ali,
Ou um passado me basta.
O que vale é sorrir, dizer que ta tudo bem,
Mesmo que por dentro esteja morto,
Sentindo falta de alguém...
Mas quem? É difícil dizer,
Depois que a vida parou,
O que mais posso fazer?
The walking dead,
Baseado em fatos reais,
Já que minha história parou,
Vou viver das demais...
Hoje tem festa, notícia e resenha,
Já conheço todos os papos,
Nada é mais tão importante,
Já que a vida é a senha.
Propósito? Sentido pra vida?
Basta virar a esquerda, sentar na cadeira,
Chamar a camareira, descer a ladeira,
Falar umas 'besteira', viver de bobeira,
Afinal hoje é a domingueira!
Mas tá tudo certo, tudo que você disse eu já sei,
Tem até uma história antiga assim... Lá de quando me formei,
É verdade! Pode acreditar, nada do que você fala, vai me fazer mudar...
Eu não quero, já decidi,
Não importa se agora estou morto,
Importa que já vivi!
Então... nada melhor que um descanso merecido,
E então percebi que já tinha envelhecido,
Não por fora, é verdade,
Mas minha alma já nem mais implora,
Aceitou, vai embora...
Me deixa em paz...
Não sou mais o agora.
Mirror de alma
De longe avistei um senhor elegantemente vestido. Olhar sereno, gestos sutis, andar lento, de quem mesmo sem sentir, carrega o peso de uma vida nas costas. Apoiava-se em sua bengala, com refinada luva de couro e ponteira reluzente de prata, como se tivesse acabado de ser polida
Aproximou de mim com cautela, com uma tranquilidade de espantar, e serenamente me sorriu. Um sorriso amplo, leve, lindo. Um sorriso azul de dia de sol.
Os lábios um tanto rígidos pela inexorável ação do tempo, não foram inflexíveis o bastante pra encobrir a limpidez daquele sorriso menino. Sorriso que denotava uma alegria suave, livre e contagiante. Alegria de gente pequena, gente que cresceu só por fora, gente assim meio mágica, dessas que nem mesmo o tempo se atreve a tocar em sua meninice encantada.
nega
não apresso mais
arriei a armadura
cansei do jamais
d’alma em candura
paz...
tudo vai à frente
a sorte lá traz
o silêncio presente
e o tempo voraz!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2019
Cerrado goiano
Vieram os netos e bisnetos e a memória em meio as falhas tenta lembrar de um passado que foi ontem, mas que se apaga como se fosse menos importante.
Lembro de tanta coisa de uma vida distante, porém sou velha para lembrar o presente.
Tantas lembranças, tantas memórias que nas falhas do tempo, vão sendo lançadas ao vento.
Não é que eu seja velho e ranzinza, so tenho dificuldade de lidar com crianças em corpos de 50 Anos castigados pelas injustiças da vida.
A sabedoria, a tolerância, o amor testam meus limites, cada vez mais!
"A vida é só um sopro sobre o rosto da terra, e em suas montanhas de altos e baixos, o que mais se destaca são as rugas mórbidas no topo das chances perdidas. Vejo jovens que já são velhos, e velhos que nunca deixaram a esperança envelhecer".
Gleydson Sampaio das Neves
Eu tenho 33 anos de idade, não consegui superar os problemas da puberdade e já estou começando a ter os problemas da velhice. Passei completamente longe de ter uma vida adulta saudável.
(George Costanza)
Na terceira idade dos pais, alguns filhos se afastam.
Começa, então, a ‘solidão dos velhos (ainda) vivos’.
- Velho?
- Quem disse!
- Problemas?
- Infelizmente tenho!
- Conselhos?
- Ah, este tenho aos montes. Sou vivido, sou muito amado, e por ser velho como dizem, sou feliz!
Contemplo, acaricio e beijo
o rosto enrugado...Castigado...
Cada ruga representa uma lição absorvida,
nas marcas do tempo,
no sorriso tímido
ou no doce olhar
a verdade dura, pode-se vislumbrar
nas mãos trêmulas, no andar cambaleante...
Percebo medo,
por um instante
corro pra te amparar...
Que mais alguém poderia escrever sobre o tempo?
Ora caminha a passos largos e ora caminha lento,
Num momento é silencioso e noutro barulhento,
Cura o amor perdido e apaga o encantamento,
Enruga a pele ,envelhece o corpo em movimento,
Mas dá sabedoria , generosidade, amor ao próximo
E maior beleza de todas : a que vem de dentro
Morreu enquanto ainda dava tempo
Desenristou a mão e encostou-a ligeira ao peito
como quem apalpa, apertando forte, uma banda de carne embalada à vácuo
dessas que ficam em prateleiras em balcões frigoríficos nos supermercados
Dedilhou o ar e esfregou os dedos uns nos outros para sentir se tato havia
e se fim dava àquela dormência que o acometia a mão esquerda.
Arranhou a pele umas duas ou três vezes
para ver se o sangue ainda corria pleno em suas veias
fazendo fértil o terreno de seu coração.
Fértil como aparenta estar a terra quando bem irrigada,
em uma bem cuidada plantação.
No caluniar da escuridão da morte parou, e se arrependeu de tudo!
Parou, por que não tinha como não parar.
Se seguisse em frente talvez lhe faltasse pernas para chegar.
Aos cento e quarenta e sete anos pediu, quase implorando, que o deixassem ali.
Apoiou a língua já quase sem movimento no chão da boca
e gritou de dentro pra fora bem alto:
- Todo mundo parado! Ninguém faz nada! Ninguém se mexe!
Ele parecia estar negociando com a vida e com a morte ao mesmo tempo
Ninguém interviu.
E antes que todos dessem conta, ele morreu, enquanto ainda dava tempo.
A mais pura infância está dentro de mim,
Vida em movimento como um balet sem fim,
Erro muito e acerto também, gosto de ser assim,
Essa criança estará sempre comigo até tudo terminar enfim
MEU CORAÇÃO JÁ NÃO BATE MAIS .... SÓ APANHA...
Um dia vão me esquecer , um dia vou parar de apanhar , isso quando eu ficar velho , corroído pelo tempo e não enxergar mais e desconhecer quem passa pela rua. Um dia vão me esquecer , quando minha voz antes forte e alegre , se tornar rouca com um respirar ofegante. Um dia irão me esquecer quando minhas pernas já não aguentarem meu corpo , quando meus ossos estiverem corroídos pelas artroses. Um dia irão me esquecer quando eu não me lembrar mais por quem lutei, por quem amei. Um dia irão me esquecer quando eu não despertar perigo a ninguém, quando ate de meu nome eu esquecer. Hoje meu coração não bate , apanha, e quanto mais apanha, mais ama , mais esquece o futuro e se firma no presente . Hoje meu coração não bate mais... só apanha, como omelete, e ai só faz crescer amor, amizade, alegria e felicidade. Coração que já não bate mais e apanha é um coração que sabe dimensionar a dor de amar. Por favor não me esqueçam , ficaria muito triste ao chegar na velhice sem ter lutado ou apanhado. Ninguém perde por investir no amor, na amizade, para ser alegre e feliz, mesmo apanhando, tem suas recompensas.
