Poesias sobre o Frio
O inverno vem
E o frio trouxe uma versão profunda
das coisas invisíveis que essa vida tem
Pois, quando a estrada foi florida
Cada qual tinha as mãos dadas
Numa ilusão acompanhada
O inverno vem
E frio traz uma versão vazia em nossas casas
Os velhos bancos de madeira
Há muito se tornaram cinzas
No calor da fogo há companhia
Verdadeira e quase que tão passageira
Quanto as mãos que seguraram velhas mãos
Não tem mais quadros na parede
Não há porque encher os cântaros
O inverno carregou também a sede
Ainda resta alguma coisa
E ela só presta pra queimar
Dentro em bem pouco
Quando anoitecer no quarto morno
Do forno triste desse inverno interminável
Que existe sim, pra todos nós
Dentro de cada um
Esperando apenas pelo escurecer.
Edson Ricardo Paiva.
Mas Tomé, ausente, não viu,
e na dúvida se rendeu ao frio.
“Só crerei se eu tocar”, ele diz,
e o Amor responde com graça e não por um triz.
Jesus volta, só por ele,
“Vem, toca-Me, e crê, filho tão querido.”
Tomé cai de joelhos, quebrado e inteiro:
“Meu Senhor e meu Deus verdadeiro!”
Mesmo que a noite esteja longa,
E o frio toque a alma em silêncio,
Ainda há uma canção guardada
No lugar onde habita o
Espírito Santo.
Todo mundo já viu terra
Todo mundo já viu grama
E sabe o que é frio ou calor
Todo mundo já viu o Sol
E sentiu medo do escuro
Todo mundo já quis saber
O que tinha atrás do muro
Todo mundo, às vezes erra
Todo mundo, um dia se escondeu
debaixo de alguma cama
Todo mundo já sentiu dor
Todo mundo assistiu futebol
Todo mundo um dia
Teve medo do futuro
E nem todo mundo
se esqueceu de tudo isso
Todo mundo conhece a Lua
Mas nem todos sabem
que lá não tem ar
E de tantos sonhos que tem
que nem lhe cabem
Parece até que vivem lá
Indiferença.
Parece normal
Achar normal
Sentir calor no frio
Buscar o bem no mal
Estar em certos lugares,
Repletos de espaços vazios
As filosofias desta vida
Igualando demais
Aquilo que é desigual
Tempestades e estios
Na triste solidão de estrelas
Tão distantes e desertas.
Até o leito seco de um rio
Pode ser bem natural
durante alguns meses do ano
Mas é certo
Que mundos e gentes
Seguem ciclos diferentes
A graça da vida
Sempre subtraída
Atraindo pra junto de nós
Aquilo que nos faz
Irracionais
A seguir nos dividindo
Por corredeiras que se multiplicam
Sem criar raízes
Eu juro que pelo menos
Esperava um pouco mais
Que o nada ao quadrado
Mas essas simples frações reais
Jamais nos vem por inteiro
Aquelas coisas bonitas
Que a gente Infinitesimalmente crê
E, no fundo, acredita que não vem
Na angustiante efemeridade
desta vida que se vai
Naturalmente.
Edson Ricardo Paiva.
O Sol ainda brilha lá fora
Eu sinto que luz e calor
Não me pode alcançar
Corpo frio
Longe de tudo
Até mesmo da própria vida
Coração vazio
Nada mais prende mais atenção
Que a vontade de ir embora
Lá no fundo do quintal
O ruído, pouco mais que gemido
De uma alma chorando escondida
O desejo de orar me toma
Mas Deus não há
Há somente a vontade que implora
Com voz que ninguém pode ouvir
E agora?
Edson Ricardo Paiva
O sonho...a dor
O sonho saiu
Numa noite de frio
A dor o seguiu, por amor
Companheira de jornada
Na chegada e na partida
Partiu por sonhar
Toda dor também sonha
E todo sonho tem lugar guardado
Para a dor parceira...e ela chega
Em cada coração que um sonho abriga.
Todo bom sonhador
Tem no peito o sonho...a dor
Cada qual do seu lado
O sonho é perfeito
A dor é dor
Não faz mal
Sonho bom foi feito para ser sonhado
E quando não der certo
O sonho sonhador e a dor, eterna amiga
Estarão sempre por perto
Sonhador que é sonhador...nem liga.
Edson Ricardo Paiva.
Não existe nada no vazio
Além do frio
Que faz arrepiar
Até a alma
Toda vez que foge a calma
Na mais pura paz da madrugada
Não faz mal
Cada qual sabe a dor que lhe cega
No calar madrugada
E ela traz
Uma dor de cada vez
Escondida, bem guardada
Pesada e desembrulhada
Não precisa assinar
Nem nada
Se ela tem que entregar
Ela entrega.
Edson Ricardo Paiva.
Julho já vai indo , deixando para trás as suas marcas. Um mês instàvel, ora quente, ora frio deixando no ar sempre aquela espectativa: será que vai chover ? Será que vem mais frio?
Por aqui o frio não chegou e nem tampouco a chuva. Pelo contràrio, apenas um vento intenso trazendo jà vestìgios do mês de agosto sempre muito poeirento.
Não vou aqui dizer que o mês de julho foi maravilhoso e trouxe muitas alegrias .Tudo è relativo e depende da interpretaçâo de cada um e do reflexo que as notícias e acontecimentos causam nas pessoas.
Que a vida de forma geral nâo està cor de rosa, isto é fato.
O importante é saber como enfrentar os desafios diáros. Énão desistir nunca de ser feliz , de ver finalmente a paz reinar extinguindo preconceitos , acabando com os feminicídios, a intolerância em qualquer segmento, erradicando as doenças,
Independente de tudo que nos afeta , esperemos que agosto traga bons ventos com melhores notícias
recupere nossas energias, melhore o nosso humor. Que o mal se converta em bem , o rancor em amor e perdão, a mágoa desapareça e a amizade esteja sempre a reinar entre as pessoas.
Que a força dos bons ventos possa nos conduzir ao melhor da vida . Que os bons ventos nos levem de encontro a nossos sonhos , nos tragam a tâo almejada paz . Que nunca nos falte a fé e nunca deixemos de acreditar que as tempestades passam e um dia a calmaria hà de chegar.
Seja grato sempre . Cultive a fé!
Julho/2022/
editelima 60
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração
Não sinto mais frio
Você me tem na sua mão
Faça o quê quiser comigo
Sou tua brisa perfumada
- e encantada...
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração
Não corro mais perigo
Encontrei o meu abrigo
Tenho o seu coração
Morando nele
- estou protegida...
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração
Ele nos aproxima
Sempre me manterei pequena
Para ser grande nos teus braços
A minh'alma nos serena
- nos determina ...
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração
Eternamente enamorado
Ele nos encaixa,
e nos intensifica
Vou te provocando
com os meu versos de menina
Para sermos imensos
nos sentidos e delírios...
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração
Guardo-o sob minha proteção
Perdoe-me por às vezes ser grande
E também por também muito insegura,
É o jeito que encontrei
de ser tua, e toda doçura...
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração
Sob a guarda da paixão
Não sinto mais frio
Só sinto os carinhos
dos teus arrepios
Tenho a sua pulsação
- sou a dona do teu coração...
É um elogio ao inverno
Encontrei o meu dono
Tenho o seu coração, sou pura devoção
Vou te provocando silenciosamente com poesias
Sei com certeza que você sempre volta
Você pode me deixar falando sozinha
Mas nunca na condição de nunca
estar te amando sozinha.
Coronel Martins
Neste dia frio relembro
a Pedra Branca da História,
A tua gente é dádiva que ergueu
da lavoura esta cidade
e fez do rebanho
o futuro de verdade.
Coronel Martins
da minha memória,
Cabocla e brasileira,
Tu sempre lutaste
e segue lutando
pela nossa Pátria brasileira.
Coronel Martins
da minha memória,
imigrante alemã e italiana,
Tu sempre lutaste
e segue lutando
pela nossa Pátria brasileira.
Coronel Martins,
recanto feliz
do nosso Oeste,
Tu és o rincão gentil
e celeste deste
nosso amado Brasil,
Te celebro, te louvo e agradeço
por tudo o quê fostes, és e serás
em nome do orgulho catarinense.
Rodeio no Frio
É noite e Rodeio
no frio é um convite,
A poesia não tem
nenhum limite.
Por aqui não há
estrela que não
se enamore
do Médio Vale do Itajaí.
O chimarrão está
feito e a panela
esparge o aroma
do melhor pinhão.
(Não consigo tirar
o teu amor do meu coração).
Rodeio no Dia de Santo Antônio
Chove e faz frio por aqui
no Médio Vale do Itajaí,
e um ama o outro em silêncio.
Tens deixado todo o dia claro
que por mim está apaixonado,
e eu finjo que não vejo.
No Dia de Santo Antônio
vivo aqui em Rodeio
o nosso romance com o tempo.
Festa de São Pedro em Rodeio
O tempo está frio aqui
no Médio Vale do Itajaí,
Espero que esquente
até a Festa de São Pedro
que vai acontecer em Rodeio
lá na querida Comunidade
do São Pedro Velho,
E quero dar graças e dizer:
- Que bom que você veio!
Vai ter Chiquinho Trio
do Baile e Coração Baileiro,
Você vai adorar dançar
aqui em Rodeio,
e quem sabe tirar
a sorte grande no Bingão.
Vai ter Buffet, Churrasco,
Cuca e Pastel,
Tenho certeza que você
vai se sentir no céu.
Vai ter Missa, Procissão
e Bênção das Chaves,
E no final de tudo
vai sair com a bênção
de São Pedro agradecendo
por ter vindo aqui em Rodeio.
Amendoim torrado
e receitas com ele
não podem faltar,
porque aquecem
do frio e fazem
a disposição disparar
para dançar no arraiá.
Para não se deixar
vencer pelo frio da vida,
Prefiro despertar
com aquilo que me leva
ser sempre poesia,
E reagir por detrás
de todos que me impedem
de sorrir com genuína alegria,
Florescer aqui e aí como
um Jacarandá com harmonia
como uma maneira de rebeldia.
Na minha cuia de Porongo
arrumei o meu Chimarrão Estrela
para me aquecer do frio extremo,
e escrever para ti um poema
que cante como o Sabiá-Laranjeira
para quem sabe o meu amor
te encante e a gente se mereça.
Sinto na pele o frio extremo
aqui no Médio Vale do Itajaí,
O silêncio da Cidade de Rodeio
encantadoramente é quebrado
pelo canto do Canário-da-telha,
Resolvi me arrumar por dentro
para escrever um lindo poema
enquanto bebo na cuia de Porongo
o meu tradicional Chimarrão Estrela.
