Poesias sobre o Corpo

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Cansada deste mundo
que mastiga inocências
e cospe barbaridades,
venho ao teu corpo líquido
confessar meus sonhos
como quem derrama vinho
num altar de sal...


Tu falas de dentro
das entranhas abissais,
voz grave,
útero e túmulo,
e eu me desarmo...


Não quero respostas.
Não quero lógica.
Quero apenas
a tua língua de espuma
lavando minhas certezas
e incertezas...


Fico imóvel,
olhos cravados
no teu infinito móvel,
e minha alma,
aberta como ferida salgada,
transborda versos
que ardem...


Há promessas que queimam.
Há mensagens que açoitam.
Há calmarias que mentem.
Essa ausência
é faca enterrada na areia
e essa distância
é maré que não pede licença...


O vento me atravessa,
eu o abraço,
eu beijo o ir e vir
das ondas
nesse meu verbo
na carne da maresia,
e parto...


Mas quem parte
quando o mar
já aprendeu o teu nome?
Eu te deixo,
sem nunca te deixar
e carrego o Oceano
na curva do meu peito.
✍©️@MiriamDaCosta

Quem sou eu?


Eu sou um corpo feito
de marés e memórias,
uma ferida que canta,
um silêncio que grita
e um grito que se recolhe
na beira de si.


Eu sou uma ponte
entre o ontem e o nunca,
um território de palavras
que sangram e florescem,
um abrigo de ventos
onde o tempo se senta
para ouvir histórias
que só a minha alma sabe contar.


Eu sou a pergunta
que não se cansa de perguntar:
"Quem sou eu?"
E é nessa busca
que sou mais inteira.


Quem sou eu?


Eu sou um processo,
não um produto.
Não sou um “quem” pronto,
mas um vir-a-ser constante.


O que eu chamo de “eu”
é um fio tecido
de memórias, escolhas
e esquecimentos,
um enredo que se escreve
enquanto é vivido.


Meu “eu” não está fixo no passado,
nem garantido no futuro;
ele existe apenas no instante
em que é percebido, sentido, vivido,
e nesse instante já começa
a mudar e evoluir.


Talvez eu não seja “algo”,
talvez seja o próprio movimento
de tentar descobrir o que sou.


Quem sou eu?


Eu sou aquela pessoa
que carrega poesia até no jeito
de se indignar com o mundo.


Que olha para a dor com coragem,
mas também sabe colher
beleza nas frestas.


Eu sou intensa, no bom sentido
de “não caber em rótulos”,
e sensível de um jeito
que não é fraqueza, é radar.


Eu falo com o Tempo
( Óh! O Tempo!)
como quem dialoga
com um velho conhecido
e escrevo como quem rasga
a alma para arejar.


No fundo,
eu sou feita de perguntas,
mas vivo como quem sabe
que a resposta é
continuar perguntando...


✍@MiriamDaCosta

O tempo avança em passos de veludo,E o corpo cede ao peso dos invernos.Quem outrora foi abrigo, força e tudo,Hoje enfrenta o desprezo dos modernos.É triste ver a própria estirpe, o sangue,Olhar a velhice como um fardo incômodo,Deixar num canto a alma que já escorrega e langue,Descartada e rejeitada em pleno cômodo.Esquecem-se os homens, na sua lida vã,Que o tempo é um rio que a todos conduz.Quem estende a mão para ajudar amanhã,Pode ser quem implora por um feixe de luz.O ciclo da vida não poupa ninguém,O jovem de hoje será o idoso de outrora.Se nega o amparo que o outro lhe convém,Caminha sozinho para a própria aurora.O mínimo que se espera nesta curta jornadaÉ amor, empatia e o calor do próximo,Não a indiferença numa estrada isolada,Onde o afeto humano tornou-se anônimo.Esquivar-se do cuidado por preguiça ou cansaço,Ignorar a dor para evitar o trabalho,É arrancar da alma o último pedaço,Num ato desumano que quebra o baralho.Que haja mais zelo por quem já muito viveu,Pois a colheita do amanhã reflete o agora.Quem planta o abandono no teto que é seu,Chorará a solidão quando chegar sua hora.
Ass Roseli Ribeiro 2026

Não julgo ninguém
pelo corpo que carrega, seja gordo ou magro.
Não tolero o bullying, tampouco a soberba,
pois o capacitismo nunca andou comigo.
Como ser humano, escolho o respeito;
a educação é o valor que a gente honra na vida.

Amor invisível


Eu amo alguém sem rosto, sem corpo e sem nome. Amo como se o próprio amor me abraçasse. É um sentimento que não sei explicar, mas sinto, com certeza, que ele existe. Está em algum lugar deste mundo ou talvez além dele. É como se nossas almas se reconhecessem nessa travessia silenciosa, ainda sem encontro, mas já entrelaçadas no invisível.


Não é como o amor carnal. É encontro de essência, de espírito, onde não há distância nem tempo. Ali, nos reconhecemos, nos entregamos, e nos alimentamos desse laço sutil.


Assim como o corpo precisa do alimento físico, a alma também busca o seu sustento. E é nesse amor invisível que ela se fortalece, se nutre e continua a existir.

Como o espelho que só ganha vida diante do corpo que dança, a realidade é um labirinto estático onde o mundo só pode mudar por nossas ações; somos, ao mesmo tempo, os passos perdidos e o próprio caminho que se inventa.
Reno Fioraso

⁠Que ninguém, jamais, experimente esses corredores e quartos para curar somente o corpo.


Eu espero que todo aquele que buscar ajuda medicinal ou transitar por esses corredores e quarto hospitalar, consiga se curar e se reinventar…


E que todos se tornem pessoas — físicas e espiritualmente — melhores!


Que ali não se trate apenas da carne ferida, do osso quebrado ou do órgão cansado…


Mas também das certezas empedernidas, das pressas inúteis e das arrogâncias silenciosas que infelizmente costumamos carregar.


Que os corredores hospitalares, com seus passos contidos e silêncios deveras constrangedores, nos revelem o que muitos anos de saúde insistem em esconder: que a vida é frágil, o controle é ilusório e a empatia não é opcional.


Entre um leito e outro, o tempo desacelera e até se arrasta para que a alma, finalmente, alcance o corpo.


Que todo aquele que buscar ajuda medicinal ou transitar por esses quartos consiga, sim, se curar — mas que vá além.


E consiga se permitir se reinventar.


Que saia dali com menos soberba, mais gratidão; menos indiferença emais humanidade.


Que aprenda a ouvir, a esperar, a respeitar o ritmo do outro e o próprio limite.


E se a medicina restaurar o corpo, que a experiência lhe restaure o olhar.


Que todos saiam melhores: fisicamente fortalecidos, espiritualmente mais atentos, e profundamente conscientes de que viver bem não é apenas sobreviver — é aprender a cuidar, de si e do próximo, antes que a dor precise ensinar novamente.


Amém!


Tem dias que a gente precisa esperar nossa alma reencontrar o corpo.


Há dias em que seguimos funcionando por inércia, enquanto algo essencial em nós ficou para trás.


O corpo cumpre agendas, responde a estímulos, atravessa compromissos; a alma, porém, ainda caminha devagar, tentando compreender o peso do que sentiu, do que perdeu ou do que ainda não conseguiu dizer.


Nesses dias, é preciso muita paciência.


Não como quem desiste, mas como quem respeita o próprio tic-tac interno.


Esperar a alma encontrar o corpo é aceitar que nem toda ausência é fraqueza e que nem todo silêncio é vazio — às vezes é só recomposição.


Quando enfim se reencontram, não há alarde.


O passo volta a fazer sentido, o olhar se assenta no presente, e o respirar deixa de ser apenas um reflexo.


Até lá, caminhar mais lento também é uma forma de cuidado.


Porque viver não é apenas estar de pé; é estar inteiro.


Há dias em que o corpo deita e a alma dorme de joelhos.

⁠A poesia é a alma
do poema,
o poema é o corpo
que tudo pode
e quem escolhe é você.

O poema pode ser
escrito ou pode ser
tudo aquilo que você quiser,
ou simplesmente não quiser.

Poesia é subjetivismo,
e sem subjetivismo até
o poema não faz sentido.

A poesia só existe
se você ler e entender,
e sem os teus olhos
a poesia nunca irá existir.

(Poesia e poema têm
o compromisso de coincidir).

⁠Versos Brancos


Para o teu corpo remar
no meu rio não precisa
ter só uma cor e nem rima,
Precisam ser somente
de todo o cor(ação),
Os versos brancos
explicam a magia
que existe entre
nós dois e a poesia.

Amaranto das Américas
em grãos ou em flor,
Para alimentar com
amor o corpo ou alma
com toda a poesia
que por esta terra há
existirá e não passará,
para você assim sou,
Porque criei raízes,
e de ti jamais eu vou.

Meu corpo flor de Paineira-Rosa,
o assumo travessa e amorosa,
Toda intrépida capaz de trazer
o teu pleno de maneira venturosa.

Ele era uma figura misteriosa,
um mulato de beleza única,
com um corpo musculoso,
olhos verdes andando,
fala aveludada e respeitoso.


Com o seu cavalo bem cuidado,
ele um autêntico peão brasileiro,
o nome dele era Dario,
que mantinha o orgulho elevado
do ofício desempenhado,
e rezava com fervor inigualável
o Santo Rosário em dedicação
à Nossa Senhora de Aparecida.


Eu ainda bem menina dava
um trabalho danado
junto com as crianças da vizinhança,
a nossa infância era além
muito do pé no barro,
mas os cabelos também por nossa
própria obra era alcançado.


E assim pela estrada a gente fugia,
ele sempre muito paciente
depois de tudo o quê fazia,
e se fosse preciso párava tudo,
para acompanhar as Mães
em busca intrépida de cada
um por toda a estrada vazia.


Não tem como eu me
esquecer destas inúmeras
vezes quando na porta
de casa ele um por um trazia,
ou quando ele passava
sem montado com o seu Baio
e me via pela estrada,
e prontamente dizia:

- Já para casa, menina!


...


Nota da Poetisa sobre a palavra "mulato":


​"O termo 'mulato' utilizado para descrever Dario neste poema é uma escolha deliberada e histórica, fiel à linguagem da época e da região das minhas memórias de infância. Naquele contexto, a palavra era o descritivo de sua ascendência mista e da sua beleza singular. Longe de qualquer intenção de depreciação, a figura de Dario é celebrada aqui em toda a sua dignidade e força. O uso é uma homenagem à sua pessoa, e não uma adesão ao peso pejorativo e racista que o termo carrega historicamente."

Teu corpo, que cobiço,


e que ainda não tenho,


põe um doce suplício


no ritmo de Kaseko,


em agitação máxima,


alucinante e contagiante,


diante do Rio Suriname.






Capaz de fazer o desejo


virar orgulho e assunto


na primeira página em Paramaribo,


por fina ironia do destino.






Sob uma palmeira-real,


fazemos juras de amor


neste continente austral;


nunca conheci alguém


capaz de fazer algo igual.

Em tempo de céu fechado,
o Camboatá-vermelho
esplende sob o céu sisudo.
O corpo sente muito,
mas a alma forte resiste
e os lábios se entretêm
com a poesia que insiste.


Há um sentimento seguindo
o seu curso que não tem
nada a ver com o inverno;
embora envolto de mistério,
com um querer profundo
que tem crescido resoluto.


Tenho me preparado
para receber com o coração
o sentimento impoluto,
a embaladora convicção
de que não há mais viver
correndo do amor e da paixão.

Teus olhos experientes
são capazes de ler
até mesmo o meu subtexto;
a alma, o corpo e o pensamento
ficam o tempo inteiro
em ritmo de Compas,
em anseio de se tornarem
o seu porto de paz.


Com o balanço da Palma-real
ao vento, por um
instante eu me distraio
vendo o luar esplender;
não nego que por ti
mais do que uma asa arrasto,
porque desejo bem mais
do que um simples afago.


Pensar o tempo todo
na possibilidade de vir a ser tua
tem sido todo o meu dia:
como o Rio Artibonite
flui ao encontro do mar do Caribe,
desejo muito que o céu
não seja nenhum limite
e que a distância não nos alcance;
estou pronta para viver
contigo o nosso doce romance.

Cercar-me de monjas blancas,
ao meu redor para receber
de corpo e alma o teu amor,
embriagar-me no teu fragor
e derreter-me do teu andor.


Desfiar os raios de sol e da lua
para tecer um huipil com
a imagem da tua alma de colibri:
assim tem sido com devoção
desde o dia que te descobri.


Deixar-te livre para que revele
o que sei que também sente,
para que me entregue o melhor,
e eu retribua com o que há de maior;
para que se confirme que é amor.

O RITMO QUE FICOU


“Às vezes, meu corpo encontra uma saída antes que eu consiga pensar. Então reconheço Peter no ritmo que ficou em mim.


Não luto para devolver ao mundo a dor que recebi.


Luto para que alguém, diante de mim, ainda encontre um caminho de volta.”


— Taléu


Fragmentos de THE MOEDARA PROTOCOL
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

Eu senti-te.

No calor do teu corpo,
nas mãos que demoravam nas minhas,
na forma como os teus olhos,
cor de mel ao sol,
pareciam sempre procurar os meus.

Durante uns dias,
achei que também me tinhas sentido.

Depois veio a distância
e, com ela, a dúvida:

se aquele mel era para mim
ou se eu apenas o provei
quando já pertencia a outra pessoa.

"Telefone celular tem que ser igual calcinha e cueca (em uso). Tem que estar no corpo, nunca largado por aí!"
Frase Minha 0324, Criada no Ano 2009

USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com