Poesias sobre o Corpo
A saudade não é a ausência de um corpo, mas a presença fantasmagórica de um tempo que não se resigna, é a memória
em brasa, o passado que se recusa
a ser apenas pó.
O corpo é um mapa de lugares onde ninguém mais quer morar, um terreno baldio cheio de placas de “vende-se” que ninguém se interessa em comprar. Mas eu ainda cultivo algumas flores nesse solo cansado, umas orquídeas de esperança que teimam em brotar entre as rachaduras. E mesmo quando o vento leva embora o pouco de cor que resta, há raízes silenciosas insistindo em permanecer, como se soubessem algo que eu ainda não entendi. Porque dentro desse abandono aparente, existe uma vida que não se rende, uma força quase invisível que recusa o esquecimento. Talvez ninguém veja beleza nesse cenário quebrado, mas há uma espécie de milagre discreto acontecendo aqui, uma resistência quieta, que não pede aplauso, só espaço para continuar existindo. E é nessa teimosia delicada que eu ainda me reconheço.
- Tiago Scheimann
Sorrisos Roubados
”No dia em que meu corpo se encontra cansado e minha alma abalada, tento manter minha mente sã. Não me permito, em momento algum, entrar em devaneios fugazes, pois devo seguir firme nas minhas obstinações em prol de promessas a mim mesmo feitas.
Seguirei neste caminho conturbado que decidi trilhar, buscando sempre aquilo que há muito me foi tirado, restando em mim esse triste vazio de sorrisos roubados."
Não tenho os cabelos loiros, a pele branca, assim como não tenho um corpo franzino de traços delicados…
Sou uma mulher inteira, verdadeira, do tipo que te levanta se quiseres não mais estar caído, parceira pra vida…
Daquelas que briga com você por você mesmo.
Uma mulher rara, que se entrega quando ama sem medo do desconhecido, daquelas que gosta de preparar a comida e fazer um arranjo no prato, só para ver a pessoa com cara de bobo do tipo, foi pra mim que você fez?
Possuidora de um coração gigante, mas que fica pequenino com a dor de um igual.
Minha beleza é rara, exala pela pele, como o perfume de uma roseira que transcende a planta invadindo a janela da alma e inebriando quem ousar sentir o aroma que dela exala.
Quando lentamente a vida for se esvaindo do seu corpo, não se atreva a lamentar, se não viveu;
Apenas aceite as consequências do fato de haver escolhido ser triste ou retome os passos sobre seus próprios pés e vá em busca daquela alegria infantil que te permitia rir por nada.
Deite-se na relva, role na grama e redescubra a criança que você deixou no meio do caminho, traga ela para fora e se permita voltar a sonhar, os sonhos incríveis que sua meninice dividiu com você.
O dia em que o demônio quis roubar a minha alma do meu corpo...
Um dia, fiquei na cama enquanto meu marido tinha ido na casa do cunhado dele pertinho para ajudar em uma obra, fechei os olhos e uma voz ao lado da cama falava igual á ele, coisas embaralhadas, eu não consegui entender. De repente foi para o lado da minha cabeça e vi quando essa coisa colocou a mãos sobre mim, nesse instante vi uma mão e um antebraço transparente e reluzente saindo de mim e segurando forte as mãos daquela coisa e eu observava tentando acordar! ela o empurrava e estava perdendo a luta. Eu tentei ajudar, mas meu corpo estava paralisado. A alma lutou com um demônio e eu vi isso. Eu abri os olhos atônita de tanto insistir para abrir!! Experiência sinistra.
A droga ainda gritava como um motor enferrujado. Cada esquina trazia convite e memória. O corpo implorava. A mente sabotava.
“Só mais uma vez.”
Parada. Amarrada. Cansada.
Com a cabeça a mil e o corpo a zero.
Se reconhecendo aí?
Então escuta: ninguém vem te desamarrar.
Essa parte é sua.
Escolhe UMA coisa. Só uma.
Faz mal feita mesmo.
Mas faz.
Movimento pequeno ainda é movimento.
E movimento quebra feitiço.
Van Escher_ 🪐
O corpo humano é uma máquina. Poucos estudam seus manuais; muitos culpam o azar
pelos próprios defeitos.
Ser inteligente tem fatores pelo treino do cérebro ou pela mecanização nos sentidos do corpo; portanto, não basta perceber, basta operar.
O realismo demonstra um momento verdadeiro, mais terrível e choradeira do que nunca aconteceu de ser perfeito.
Em ti
No teu sorriso me encaixo,
no teu corpo me acalmo,
na tua loucura me perco,
e nela, de bom grado, me afogo.
Trago as asas apagadas em pleno voo.
Há dias em que o espírito
quer largar tudo,
e o corpo, teimoso, segue respirando.
É uma conversa muda
entre o querer ir
e o ter que ficar.
A pandemia passou pelo corpo, mas ficou no coração.
A gente aprendeu a se proteger tanto — do toque, do outro, da perda — que muitos não conseguiram voltar.
Não é que as pessoas ficaram más.
Elas ficaram cansadas, desconfiadas, com medo de sentir de novo.
Antes:
a conversa era ponte
o café era desculpa
a visita era afeto
Depois:
o silêncio virou hábito
o celular virou escudo
a distância virou conforto
O coração não esfriou de repente.
Ele foi se fechando devagar, para sobreviver.
Mas ainda tem algo bonito nisso tudo:
quem percebe essa frieza… ainda sente.
Quem se incomoda com a falta de conversa… ainda tem calor por dentro.
Talvez agora a gentileza precise ser reaprendida.
Como quem volta a falar depois de muito tempo em silêncio.
Nós viramos escultores de fantasmas. Passamos duas, três horas por dia cavando o próprio corpo na academia, empurrando ferro para construir uma armadura que, no fundo, só serve para proteger um ego que está morrendo de medo. É a maior hipocrisia da nossa era: o sujeito gasta uma energia brutal para desenhar um abdômen perfeito, mas não aguenta cinco minutos de conversa profunda sem precisar olhar para a tela do celular em busca de validação.
Formatamos o corpo para caber no feed, mas a alma está deformada, atrofiada por falta de uso. De que adianta erguer 100 quilos no supino se o peso da sua própria mediocridade esmaga a sua humanidade? A beleza virou um produto de prateleira, e quem só consome isso acaba virando apenas uma embalagem bonita cheia de nada dentro.
Cada pessoa desempenha um papel no mundo, como uma célula ou um neurônio ocupa no corpo humano.
(Eric Schwitzgebel)
Mãe Mistério
O adulto de hoje foi criança
que a mãe um dia sonhou.
Foi no corpo materno,
que a educação começou
Mãe conhece antes do mundo,
a bagagem que dentro de si
carregou.
E o que é a moda?
É aquilo que tem caimento irretocável na alma, para depois vestir o corpo por fora, ignorando o olhar alheio.
Meu corpo envelhece. Minha força acaba.
Minha vida passa. Mas os dons de Deus
não têm Prazo de validade.
Por isso nunca ficamos desanimados.
Mesmo que o nosso corpo vá se gastando, o nosso espírito vai se renovando dia a dia.
E essa pequena e passageira aflição que sofremos vai nos trazer uma glória enorme e eterna, muito maior do que o sofrimento.
Porque nós não prestamos atenção nas coisas que se veem, mas nas que não se veem.
Pois o que pode ser visto dura apenas um pouco, mas o que não pode ser visto dura para sempre.
-2 Coríntios 4: 16-18
Nosso corpo tem prazo de validade, mas a nossa alma não. Deixar que partam antes os nossos sonhos, a nossa alegria e a nossa fé, é se despedir da vida aos pedaços, é abandonar o espírito antes do corpo, é ignorar que somos feitos de eternidade.
Que nada do que temos de mais precioso se perca antes de nós: a vida que Deus nos deu.
Lori Damm
