Poesias de Dor
O que é o que aflora
manda a dor embora
e faz morada no coração
seria a vontade suprema
o néctar do poema
ou apenas o fruto da imaginação
quem é esse que faz sorrir
que não deixa você sair
dessa calçada chamada ilusão
acho que é o peito
que quase sem jeito te diz
abrace a vida é hora de amanhecer,
de ser feliz...
"" Tem horas que é dor, em outras esperança
coisa assim rebelde, que faz a alma chorar
tem horas que a vontade é sumir, desaparecer
mas é tão bom ficar
tem horas que tudo é paixão, desejo
onde a doçura de um simples beijo
faria explodir de felicidade o coração
horas de sonhos
tem horas que é distância
cada vez maior, largada a própria sorte
algo parecido com a morte
abandono
mas tem também as horas de saudade
de lembrar da festa
dos momentos bons,sem fim
são horas verdadeiras
e é tanta certeza
que tem horas que desconfio
numa eternidade de amor...
" Por causa da nossa dor,
muitas vezes achamos que a dor do outro não existe,
mas pode crer,
ela está lá,
tanta, ou até maior que a nossa...
" Faz da dor um quadro negro
e emoldura (nele) um gesto de paz
desenha furta cor, tom sobre tom
e chora todas as lágrimas
faz da vida desenho animado
onde viver é poder absoluto
migra todo desejo para o bem
e na tela da existência, medita.
reza uma prece ao senhor
pede força e felicidade
agradece pelo pouco que tem
e vê que é muito perto da posse de alguém
faz uma festa e comemora
todas as horas que sorri a emoção
viver é um presente bonito
amor regalia que aflora o coração...
" O poeta diante do amor
faz poesia
diante da dor
tece ironia
e vive
como se a felicidade estivesse logo ali
mesmo sabendo que não está...
" Poesia é a minha dor
pelo teu amor que já não tenho
mas suponho, que mesmo distante e te amando
sou mais feliz,
pois o que é meu, nem eu, nem tu sabes mensurar
e certamente meu sonho, um dia haverá de te acordar
numa levada de desejos e toda molhada,
querendo amor
tu haverás de te encontrar
e eu estarei te esperando
querida...
" Foste tanto
alegraste o riso
decoraste o tempo
e a contento, libertaste também da dor
ao amor
ao vento
ao sublime
cortaste a partida
tecendo madrugadas
e sonhos que apaixonadamente vivo
se ficarás não sei
só sei que tua chegada não foi em vão...
" A pele suporta a dor
mas nas entranhas,
o óleo derramado é sangue.
derrubem, derrubem
produzam gasolina
papel
progresso
carros
arranha-céus
joguem os animais no confinamento
e assistam a morte dos caranguejos
comam tudo,
inclusive a fé
e amanhã talvez
outros jornais nacionais
noticiem mais uma história de extinção...
" Rasgar o tempo, a dor, a saudade
rasgar o verbo, gritar, dançar
rasgar o papel, onde o amor falsamente foi sacramentado
rasgar o passado, desvendar outros futuros
rasgar o que tiver que rasgar
mas remendar-se, jamais...
" Nós que passeamos pelos campos floridos do amor
sabemos da saudade, da dor, da fé
também conhecemos as belezas dos abraços
dos olhares cativos
das sombras do corpo dançando suave
ao final de uma tarde qualquer
nós que repudiamos a ausência
temos na presença o sabor especial da vida
curtimos os desejos, as praias, os passeios
nós que ainda não nos encontramos
sabemos que isso é apenas um detalhe
que o destino logo logo
se encarregará de juntar...
Faço da dor um bilhete encantado,
Do riso, um abrigo improvisado,
E sigo, ainda que despedaçado,
Com alma em festa e corpo cansado.
Você nunca vai superar se não sair do lugar onde ativa a memória da sua dor,
Se dói é por que não vale a pena.
A Dor de está vivo, sem viver.
Em um mundo onde as emoções são intensas e muitas vezes avassaladoras, a ideia de eliminar tudo o que se ama pode parecer uma solução extrema para evitar a dor. Ao matar simbolicamente tudo o que traz alegria, também se elimina a possibilidade de decepções e mágoas. No entanto, essa escolha radical leva a um estado de existência vazio, onde a ausência de sentimentos positivos e negativos cria uma espécie de sobrevivência sem vida.
Viver sem amor, sem paixões, sem sonhos, é como caminhar por um deserto interminável. A ausência de dor pode parecer tentadora, mas a ausência de felicidade é um preço alto a pagar. A vida, em sua essência, é feita de altos e baixos, de momentos de alegria e tristeza, de conquistas e perdas. É essa dualidade que nos torna humanos e nos permite crescer e evoluir.
Ao optar por uma existência sem emoções, se perde a essência do que significa estar vivo. A verdadeira força está em enfrentar o caos, em abraçar tanto as alegrias quanto as tristezas, e em encontrar um equilíbrio que permita viver plenamente. Mesmo que a dor seja inevitável, é através dela que encontramos a resiliência e a capacidade de apreciar os momentos de felicidade.
-Francisco Brito
Fica comigo
Fica comigo até o dia amanhecer
Esquece o sono
A fome
A dor no corpo
E fica
Não pensa em nada
Mergulha em mim
Eu estou pronta para ser
A sua última alvorada
O seu irrevogável anoitecer
A sua derradeira viagem
E o seu primeiro
Grande
Verdadeiro
Único
Amor.
Meire Moreira
A pior dor, é a da perca.
A dor pior que a perca, é a que devemos, temos, e nos vemos obrigados a ter que abrir mão, para não perdermos nós mesmos.
Até onde é possível haver escolhas, sem haver dor?
O bom amor, o melhor amor, é aquele que não obriga você a deixá-lo perder nas memórias e no caminho.
O pior amor é aquele despertado bem e bondoso no início, e como rosa, se transformado em puro espinho, que cada vez corta, e corta, e fere.
Já não sinto dor. Já não sinto mais nada, já não sinto.
Só pergunto onde nos deixamos sermos mal amados, desamados, meio amados.
O amor que ficar, será aquele único que não fira e realmente ame em todos os sentidos das palavras, não apenas em alguns.
Preciso que o amor que fique, não seja tortuoso. Seja amor.
Dor Crônica
Estou cansado de lutar por coisas que não vão acontecer, luto contra minhas dores, mas na realidade eu sei que jamais vencerei.
Aqui eu ouço os que assim como eu, já caminharam entre a dor e a fé.
Assim como eu, tiveram a infância roubada, mas que ainda à esperança e que persistem.
E a todos os que, mesmo em silêncio, continuam lutando para existir.
Sou prisioneiro dos meus pensamentos.
Dentro da minha mente, a dor se repete em ciclos infinitos, como se cada lembrança fosse uma cela reforçada, sem grade visível, mas impossível de escapar. Tento lutar contra
a voz interna que insiste em rotular cada segundo como tortura, mas percebo que só reconhecendo e acolhendo esses pensamentos posso começar a libertar-me.
Carrego uma dor antiga, dessas que não gritam,
apenas sussurram e mesmo o sussurro pesa.
Não desprezo o mundo... Eu apenas temo desmoronar na frente dele.
