Poesia sobre Silêncio
Onde o Silêncio Floresce
No silêncio, não tenho respostas, nem ao menos
algumas palavras de conforto,
porém ainda ouço a sua voz ecoando nos meus pensamentos,
dizendo aquelas frases confiantes e sensatas
que alimentam a minha esperança,
mesmo que nada seja como era antes
depois que aquela nossa reciprocidade de outrora
deixou de ser uma constância,
pois perdi a sua confiança e não quero que sinta pena,
apenas estou desabafando.
Você não se importa mais provavelmente,
mas entre angústia e revolta, vem aquele sentimento de culpa,
está chovendo lá fora, estou chorando enquanto observo o céu chorar.
Em pouco tempo, as lágrimas da chuva e o meu choro se misturam,
uma das maneiras que, às vezes, a minha alma usa
para falar aquilo que não sei se vale a pena dizer através da fala;
assim, ela consegue desabafar até quando a minha boca se cala.
Na escuridão demasiada, fica difícil enxergar a saída,
não é fácil me manter de pé, fico pensando:
“será que se você me ouvisse ou me visse de alguma forma, viria me ajudar?”
Acredito que eu já saiba a resposta, então, é melhor não ficar esperando.
Agora já é tarde, não tem mais volta, os nossos mundos estão separados,
portanto, seguirei em frente, darei um passo de cada vez,
deixarei o passado e acenderei a luz do presente.
Aos poucos, certamente, com a permissão Divina,
o meu ânimo será restaurado e ficarei ainda mais forte.
Usarei o silêncio para ouvir os batimentos do meu coração
e o som do recomeço a cada nascer do sol.
A chuva voltará a ser melodia para os meus ouvidos,
tal qual a emoção celeste que faz florescer
é a decepção que, consequentemente, permite amadurecer.
E quanto à escuridão, ela exaltará as luzes do meu bem-estar,
como lindas estrelas durante a escuridade da noite.
Nesta noite tão aguardada,
tudo o que for inoportuno ficará em silêncio, o tempo estará em pausa, agora, nada terá mais relevância,
o nosso deleite que terá a prioridade,
estás maravilhosa em todos os detalhes, a suavidade da tua pele,
as curvas da tua boca, os teus cabelos graciosos, o fulgor do teu olhar sedento, minhas pupilas chegam a dilatar de tanto entusiasmo que provocas, ficas muito excitante com este teu vestido preto, sabes o quanto que isso me agrada, nem consigo disfarçar,
quero tirar proveito da tua sensibilidade, fazendo arrepiar cada parte do teu corpo
através do meu toque, de beijos intensos, dos nossos sentimentos vívidos,
fico fascinado pela vivacidade dos teus movimentos,
adoro este teu jeito doce e atrevido
que faz meu desejo por ti só aumentar e sei pela verdade e avidez dos teus olhos que é recíproco
da maneira que tem que ser,
se não fosse assim, não teria tanto apreço, aliás, não faria sentido,
não é mesmo?
Solidão ou Solitude?
Há um instante em que o silêncio pesa,
como se o mundo tivesse esquecido o meu nome.
A casa respira devagar,
e cada canto guarda um eco que não responde.
Chamavam isso de solidão.
Mas o tempo, esse artesão invisível,
foi mudando a textura dos dias.
O vazio deixou de ser ausência
e virou espaço.
Aprendi a ouvir o que antes doía:
o som do vento na janela,
o compasso tranquilo do meu próprio existir,
a leveza de não precisar ser para ninguém além de mim.
E então, quase sem perceber,
a solidão se desfez em outra coisa—
mais mansa, mais inteira.
Virou solitude.
Agora, o silêncio não pesa: acolhe.
Não cobra: oferece.
É um lugar onde me encontro
sem pressa, sem ruído, sem máscara.
E nesse encontro sereno,
descubro que nunca estive só—
apenas não tinha ainda aprendido
a me fazer companhia.
Ahhh Saudade
Saudade não é apenas palavra,
é um estado que habita o peito,
um silêncio que fala alto
mesmo quando tudo parece perfeito.
É brisa leve que às vezes passa,
mas também pode ser tempestade,
transitória como nuvem no céu
ou eterna como a própria verdade.
Carrega em si uma dor estranha,
daquelas que não ferem só — transformam,
e no fundo desse aperto doce
há lembranças que aquecem e confortam.
Poetas tentam traduzi-la em versos,
apaixonados a sentem sem medida,
pois a saudade é esse elo invisível
que liga ausência e presença na vida.
E o melhor dela… ah, o melhor momento,
é quando o reencontro acontece enfim:
explode no peito como festa viva,
fogos no coração sem ter fim.
Um turbilhão de sentidos confusos,
um sentir que não cabe em explicação,
é a alma sorrindo por dentro
quando encontra o que ama o coração.
Atila Negri
“Entre o silêncio e o caos, existe quem busca sentido:
Fé, moral, existência e os mistérios que inquietam a alma e provocam a mente.”
A Dança Poética a partir do Silêncio
As horas já estão avançadas. Mais uma vez, temporariamente, estou cercado pelo silêncio que, aos poucos, foi tomando conta. Entretanto, na minha mente, o seu poder não tem nenhum efeito; pois certos pensamentos despertaram e convidaram, gentilmente, algumas palavras para dançar uma dança poética. Tendo como plateia apenas o meu sono e a minha insônia, mostrando a eles uma apresentação intensa.
A expressão do olhar que fala em silêncio
O teu silêncio e a expressividade do teu olhar, em determinados momentos, possuem uma grande profundidade, tão atraente quanto um instigante mistério que prende muito a atenção: desperta a curiosidade, provocando certos pensamentos, aquelas emoções repletas de intensidade que, com facilidade, aceleram e aquecem o coração com um sabor prazeroso de renascimento e ludicidade sem nenhuma hesitação.
Em pouco tempo, discretamente, com essa tua motivação silenciosa e expressiva, dentro de um imaginário inquieto, uma conversa despida de palavras começa entre aquilo que pode estar passando na tua mente — que guardas lá no teu íntimo — e uma vontade intensa de aguçar os teus sentidos, de merecer a tua companhia, de tornar essa imaginação em realidade, numa euforia recíproca, marcando a temporalidade.
O resultado típico de quando a fertilidade criativa, proveniente de uma percepção profunda se volta para uma expressão assim comunicativa, como essa tua que, mesmo que não digas nada, fala muito; inclusive, a língua do teu desejo, da tua fogosidade, dos teus sentimentos, do teu amor-próprio, da tua liberdade, a partir dos teus olhos — belas estrelas do céu da tua face; detalhes emocionantes da tua composição, da tua venustidade, cuja perfeição é farta e vira inspiração, do teu físico à tua alma.
Eu não pedi pra te amar…
quando vi, já estava acontecendo em silêncio, ocupando espaços que nem eu conhecia. Você não chegou fazendo barulho, mas ficou de um jeito que nada mais conseguiu sair. E desde então, tudo em mim te reconhece, mesmo quando você não está. Não é um amor que se explica,
nem que se controla ou se mede.
É desses que simplesmente existem…
e mudam tudo, sem pedir permissão.
E se um dia me perguntarem por que você,
eu não vou saber responder.
Só vou sentir de novo porque amar você não foi escolha… foi destino.
DeBrunoParaCarla
Itaipuaçu virou silêncio,
um nome que ninguém termina.
Como se falar fosse trazer de volta
o que já se perdeu.
DeBrunoParaCarla
Entre Luz e Sombras
Na vida...
às vezes sou mocinha.
Outras vezes... vilã.
E no silêncio entre um papel e outro,
me pergunto:
quem sou eu… afinal?
Nunca sei quem fui
nos olhos de quem me viu partir.
Nunca sei quem sou
no reflexo de quem insiste em me definir.
Se faço o bem...
me julgam mal
Se tropeço no mal...
alguém encontra em mim um bem que nem sei explicar.
Que lógica é essa
que me atravessa
e me desfaz?
Eu erro…
tentando desesperadamente acertar.
E acerto…
quando já não me preocupo mais em errar.
Ironia essa...
Como se a vida risse
da minha tentativa de controle.
Sou luz?
Ou sou escuridão?
E por mais que eu procure respostas,
a verdade me escapa…
como água entre os dedos.
Porque, no fundo,
quem diz quem somos
não somos nós.
É o olhar que nos acolhe,
ou o julgamento que nos corta.
É quem nos vê…
que nos inventa.
E eu?
Eu me desconheço.
Sou verdade?
Ou sou invenção de versões
que criaram de mim?
O que escondo…
até de mim mesma?
Há mistérios no meu peito
que nem minha coragem alcança.
Sentimentos que existem…
mas nunca tiveram permissão para nascer em palavras.
E assim eu sigo…
fragmentada…
contraditória…
humana.
Sendo mil em uma,
e ainda assim… incompleta.
Talvez…
a grande verdade
não seja descobrir quem somos.
Mas aceitar…
que somos feitos de perguntas.
E não de respostas.
Do Silêncio Não Compreendido
Eis que o bom rapaz foi ao encontro da moça,
levando consigo não só um presente,
mas o que havia de mais sincero em seu peito.
Chamou ao portão.
E não foi ela quem surgiu,
mas outra presença,
silenciosa… e suficiente para que ele entendesse.
E então soube.
Não por palavras,
pois nenhuma lhe foi dada,
mas por aquela dor que fala sem voz.
Baixou a cabeça.
Recolheu o gesto.
Guardou o presente que já tinha destino.
E partiu.
Na praça, sentou-se em silêncio.
E, dentro de si, perguntou:
“Por que aquilo que é verdadeiro não encontra lugar?”
E o mundo… nada respondeu.
Os dias passaram,
e ainda assim seus olhares se cruzavam.
Mas onde antes havia leveza,
agora havia silêncio.
A moça, em sua própria confusão,
não entendia o que se passava.
E, sem saber, afastou o que não soube ver.
Perdeu… sem perceber.
E o rapaz, mesmo ferido, voltou.
Não por orgulho,
nem por certeza,
mas porque o amor ainda vivia nele.
Aproximou-se mais uma vez.
E encontrou… silêncio.
Então compreendeu.
Que o amor não se força.
Não se explica.
Não se pede.
Se não é visto, pesa.
Se não é sentido, se apaga.
E se não é recebido… se vai.
E assim, o rapaz partiu.
Não destruído,
mas mudado.
Pois há dores que não quebram ,
apenas mostram ao homem
o que ele não queria ver:
Que nem todo amor permanece.
E que, às vezes… amar
é saber ir embora.
Deus Fala no Silêncio
Feche os olhos por um instante,
serene a mente
e permita que o silêncio alcance o seu coração.
É ali, na quietude da alma,
que Deus costuma falar.
Ele se revela na calma que chega sem aviso,
na paz que envolve o peito
e na doce certeza
de que tudo está sendo cuidado.
Deus não precisa gritar para ser ouvido.
Muitas vezes Ele apenas sussurra amor
no coração de quem aprende
a silenciar para escutar.
Simone Cruvinel
Sol de Silêncio
Você é como um sol manso
que nasce sem fazer barulho
e, mesmo em silêncio,
ilumina tudo dentro de mim.
Às vezes sua luz me deixa assim…
como o céu diante do amanhecer:
tão cheio de cores
que nenhuma palavra consegue explicar.
Há um calor sereno em sua presença,
desses que despertam a vida na aurora
e ensinam, com a mesma ternura,
que também existe a hora de repousar.
E eu, como terra que recebe a luz,
apenas sinto, em silêncio,
que há amores que não precisam dizer nada.
Eles apenas existem…
como o sol no céu.
Simone Cruvinel
Silêncio que abraça
No silêncio dele,
não quero ser pergunta
quero ser abrigo.
Ser o cuidado que chega sem fazer barulho,
a presença que não invade,
mas permanece.
Como uma luz acesa num quarto tranquilo,
que não exige que ninguém acorde,
apenas garante
que não há escuridão completa.
Amar, às vezes, é isso:
sentar ao lado da dor do outro
e segurar a mão dele
mesmo quando ele não tem forças
para apertar de volta.
E ainda assim ficar…
inteira, serena,
cuidado vivo
dentro do silêncio.
Simone Cruvinel
No Silêncio de Dentro
Há um silêncio que não é vazio
é espelho.
Nele, a alma se escuta sem disfarces,
e tudo o que gritava por fora
revela que sempre nasceu por dentro.
Quando o silêncio incomoda,
não é o mundo que pesa…
é o encontro inevitável
com aquilo que evitamos sentir.
Mas, se a coragem permanece,
algo sagrado acontece:
o ruído se aquieta,
os medos se assentam,
e a mente, enfim, respira.
Então, no terreno quieto do ser,
brotam ideias como sementes de luz
discretas, profundas, vivas
porque toda criação verdadeira
nasce primeiro
no silêncio do coração.
Simone Cruvinel
A lua sobe devagar, como quem não quer interromper
o silêncio delicado da noite.
Ela ilumina sem pressa,
toca os telhados, os caminhos,
e encontra, sem esforço,
os olhos de quem sabe sentir.
Há nela uma beleza que não grita,
mas permanece.
Uma luz que não cega,
mas guia.
E talvez seja por isso
que eu penso em você.
Porque, assim como a lua,
o seu amor não precisa de excessos.
Ele chega manso, constante,
preenchendo espaços que antes eram vazios,
clareando partes de mim
que eu nem sabia que existiam.
Se a lua é o abraço da noite,
você é o meu abrigo no tempo.
E, quando o céu se abre em prata e silêncio,
eu entendo, sem dizer nada,
que amar você
é como olhar para a lua:
um encanto que nunca se esgota,
e sempre encontra um jeito de voltar.
“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”
Alma hipócrita...
Odeio o silêncio que fica quando você vai,
Mas não se engane: não é saudade, é só o ego que cai.
Eu nem gosto de você, nunca houve esse querer,
Eu só nutro um ódio profundo pela sensação de perder.
Adoro o brilho do que é proibido, do que está distante,
O inacessível é meu combustível, meu vício constante.
Repito histórias, ensaio tragédias em grandes encenações,
Um ator medíocre preso em velhas e vãs repetições.
Sou a hipocrisia em carne, osso e falsa memória,
Apago os cortes, as traições, mudo o fim da história.
Esqueço o aço nas costas, o abraço que foi punhal,
E finjo que o veneno que bebi era algo natural.
Mas ei, veja como sou nobre ao assumir meu papel:
Talvez a culpa fosse minha, talvez eu tenha sido cruel.
"Ela sofria", eu digo, criando um álibi qualquer,
Justificando o golpe de quem nunca soube me querer.
Vou seguindo assim, nesse teatro de sombras e farsa,
Acreditando na mentira que o meu próprio peito traça.
É o meu escudo, meu modo covarde de não ver ninguém partir,
Pois se eu me convencer do engano, não preciso mais sentir.
Que a morte me encontre no meio desse labirinto vil,
Antes que eu me apegue a outra alma, antes de outro abril.
Pois é mais fácil esperar o fim, no frio dessa agonia,
Do que admitir que sou o mestre da minha própria hipocrisia.
O Sacrifício do Silêncio
O sorriso que ostento é apenas uma fachada,
Uma máscara polida para o mundo não ver,
Que por trás do gesto, a alma está cansada,
E o coração insiste em, baixinho, sofrer.
Escolhi os outros, e nessa escolha me perdi. Fui o porto seguro, a mão que sustenta a queda,
Abri mão do meu chão para que vissem o céu dali,
E hoje o que me sobra é essa triste moeda.
Dói saber que estou onde a renúncia me deixou,
Nesse canto escuro de quem sempre se deu.
O mundo seguiu, mas em mim nada mudou,
Apenas o peso de um "nós" que nunca foi "eu".
Ainda assim, no peito assolado pela tormenta,
Guardo a pureza de quem nunca soube mentir.
Minha verdade é o fogo que ainda me alimenta, Mesmo que o preço seja este lento sucumbir.
Faria tudo de novo, com o mesmo coração quebrado,
Pois ser verdadeiro é minha única direção.
Sigo em silêncio, por mim mesmo abandonado,
Carregando a tristeza como uma eterna oração.
O Labirinto das 4:30
O relógio é um carrasco de vidro e metal,
4:30 da manhã, o silêncio é visceral.
Meus olhos ardem, mas o sono não vem,
Sou prisioneiro de um vazio que ninguém contém.
O peito acelera, um motor em descompasso,
A mente é um ruído, cada pensamento um estilhaço.
As lágrimas descem sem pedir licença ou perdão,
Enquanto a alma naufraga nessa imensa solidão.
O que será de mim?
Sem o calor de um amor, sem um norte, sem fim.
Olho para a mesa, o alívio frio ali deitado:
O frasco, o metal, o fim de tudo o que foi errado.
Um duelo entre o "agora" e o "nunca mais",
Nesse labirinto escuro onde não encontro a paz.
Para o mundo, sou piada, um verso mal lido,
Um resto de gente que se sente perdido.
Minha humanidade escorre entre os dedos,
Sou feito de restos, de sombras e medos.
Onde está o brilho que o sorriso trazia?
Hoje só resta o vácuo e a agonia.
No espelho, o reflexo é um estranho, um réu,
Um fantasma do que fui, sob um cinzento céu.
Eu só queria o descanso, um dia de trégua, de luz,
Mas a vida é esse peso, essa maldita cruz.
