Poesia Marginal

Cerca de 184 poesia Marginal

SAUDADE

Saudade sinto da menina
que roubou meu coração
que deixo - me na tristeza
na imensa solidão.

Sofro tanto nessa vida
pelo canto enfadonho,
que saudade da manina
só a vejo em meus sonhos.

Foi embora sem avisar
não deu beijos nem abraço
não deixou nenhum bilete
nem uma foto 3x4.

Quem déra se voltasse
pra ficar junto a mim
menina que saudade,
porque maltrata assim?

Volta ainda é tempo
não me deixe desse jeito
saudade doi de mais,
saudade doi no peito.

VERDES QUE NÃO VEJO

Que jardins são esses…
Que não vejo?
Jardim das Rosas, Jardim Irene
Jardim Castro Alves, Jardim Vazame
Jardim Selma, Monte Azul

São Bernardo, Campo Belo,
Jardim Santo Eduardo, Imbé
Jardim Comercial, Dom José

Que jardins são esses que não vejo…
Cadê o verde, os pássaros a cantar
Cadê o jardim que não vejo
Cadê o jardim, onde está?

Vejo becos e vielas
Barracos amontoados
Crianças brincando descalças…
Crianças brincando de barro

E o verde natureza
Parques que não existem
Parque Fernanda, Santo Antônio
Parque Ipê, Arariba

Parque Dom Pedro, Pirajussara
Parque do Lago, Novo Mundo
Que parques são esses que não vejo…

Oh! Qual seria o meu desejo
De sentir o cheiro do verde no ar
Cadê o parque que não vejo
Cadê o parque, onde está?

FACULDADE

Minha faculdade é a rua!
Formei-me em Letras,
História e Geografia.

Fiz letra de samba,
Letra de rap,
Letra de forma,
Letra de mão,
Letra de pixo,
Letra de grafite.

Fiz histórias nas ruas!
Contei histórias da vida,
Histórias de manos e minas,
Histórias do cotidiano…
Histórias de miliano,
Histórias verídicas.

Andei pelos guetos, becos,
Observei os terrenos baldios,
Construí poemas de madeira,
Barracos de papel.

Observei os arranhas céus
Os córregos poluídos.


Minha faculdade é a rua!
Formei-me em Letras,
História e Geografia.

Bia
Ela é linda !
Me apaixonei assim que a vi
Beatriz é o seu nome
De longe ela diz .
Te tenho perto com suas palavra
s Semeadas de anseio .
Menina que me trás desejos
Amiga que não vejo .
Bocejo a noite
Ela não me deixa dormi
Com palavras desnudas
Assume formas que com minutos tira líquidos de mim .
O Rio é logo ali
O encontro está marcado
Mas cuidado
Não terei pena
Nem dó
Assim que te despir !

PARE! Onde vocês pensam que vão?
O salário não vem.
O trem parou, o hospital fechou a empresa mudou.
A escola os alunos abandonou porque o professor se revoltou.
E a comida acabou!
A multidão se exaltou.
E a disciplina do poder nos prendeu e condenou.

⁠E assim sigo criando nuvens...

Te trago em brasa
Desviando das névoas que surgem.
Transbordo em lágrimas
Esperando cair suas gotas pesadas
Deixando que nos inundem
Me leve em sua brisa levada
De leve a quebrada
Suaviza sua alma
Deus nos ajude! Thibor

⁠Vi muitas celas na vida
Cárceres bons
Lugares que poderiam
ser minhas prisões eternas
e perfeitas!
Mas jamais permiti
que me prendessem...
Nunca!
Sempre me liberto
Antes dos grilhões se fecharem!
Sempre desejei a Liberdade!
Sempre clamei por respirar!
E hoje
eu faço poesia que liberta!!!
Jamais me vendi por bagatelas
Jamais me venci por bagatelas
Em tudo me perdi
Em nada me entreguei...
Porque rimas baratas
não sustentam o meu Verso
E ó Deus
por favor eu te peço
Me deixe cantar...!

Me cansei disso aqui, me perdi pra isso aqui
Nisso de não saber quando falar
Muitos dos nossos falam sem saber
Nem é descuido, é que... tudo pra aparecer
Isso aqui é só teatro, todos em atuação
Antes, é melhor pensar na tua ação
5 min no insta e museu tendo menos exposição
Cês são tudo o q expõem ou só expõem o q querem ser?
E isso nem vale a reflexão, já que qualquer foto com bebida chama mais atenção
E essa rede aumenta conexões enquanto tira a profundidade
Em meio a tantos seguidores, poucos seguem seus ideais
Espero que sejamos, no futuro, ideais
E, apesar disso tudo, ainda somos o futuro
Mas seremos ainda mais importantes
Sejamos livres: seja o que quiser ser.
E se o destino existe
Acredito que o destino dos alunos de colégio público é ser a transformação

Inserida por vitor_neris

Pode crer vou vingar a minha dor
Cicatrizes ainda estão sarando
Como no lixão que cresce aquela flor
Que está florescendo em meio aos danos

Inserida por LobinDa12

Seu cheiro na minha cama e alguns fios de cabelo.
Suas marcas em meu corpo, Estou rindo frente ao espelho.
Ainda nem acredito, que loucura surreal.
Quero uns milhões de beijos desse amor marginal.

Inserida por LayonSoares

Talvez,
Com um pouco de sorte
Alguma bebida forte
E qualquer pista pro norte
Eu feiche esse corte...
...e com outro passaporte
Acorde
Dessa delícia de morte

Inserida por Rogeriocamargo

[...] Sou apenas mais um filho da pátria Brasil com nome de santo
feito outros tantos Silvas nos becos, nos morros, nas periferias
apenas mais um brancopretovermelhoamareloíndio e favelado
renegado pelo sistema, vestindo preto por fora e por dentro.

Inserida por JotaW

Ofício de poeta



poeta é assassino exímio

mata e oculta o cadáver sem deixar vestígios
depois, transforma o velório de caixão fechado
em evento espetacular de corpo ausente
dizendo tratar-se de uma homenagem ao morto.

No circo armado pelo poeta:
- O vento dança com as formigas
- As cigarras dançam com os cigarros
E a poesia reina soberana, enquanto impunemente segue pela vida

fazendo novas vítimas.

Inserida por JotaW

Todas as faces de uma poesia anacrônica



De qual poesia estamos falando?
Da sua, da minha ou da de Drummond?
A qual classe social pertence os teus versos?

Pois se falas de um sobrado com vistas para o mar,
a poesia é uma.
Se falas de um puxadinho a beira córrego,
a poesia é outra.
Se escutas o estampido seco dos disparos ao longe,
mas não vês a cor do sangue que pinta a calçada de vermelho
e o choro triste da mãe que escorre em silêncio de seus olhos avermelhados
e envolve o corpo morto de seu filho, ainda (adolescente), caído na sarjeta
a poesia pode até te dizer algo, talvez, não te diga tudo.
E o mais provável é que não te diga mesmo tudo!
Mas dirá algo com toda certeza.
Mesmo que pense, (in)conscientemente, não ter mais nada a ser visto.

Se não vês o sangue urdir a tua consciência
e tomar-te de indignação por completo
de certo, talvez até critiques o que lê.
Pois não sabes de que poesia se está falando.
Não sabes de qual estética poética falo
e eu de certo, na mesma medida que ti,
não faço ideia de que versos você se veste
quando investe sua ira contra mim.

De quem é a poesia?
De quem a escreve,
de quem a lê,
de quem?

Dizem que a poesia não tem classe social, gênero, cor, raça, etnia, religião...
Tudo mentira!
A poesia é pretensiosa, escolhe e se faz escolher, manipula.
A poesia se disfarça e se versa em faces diversas,
só para manter o disfarce, da grande farsa que somos todos iguais.
Inclusive quando escrevemos versos.
Eu minto, tu mentes, ele mente...
Drummond, não.

Inserida por JotaW

Revolto

Homem Fardado
Olho O Enquadro
Mantenha se Sempre
Preparado Para ver a
Cara Do Otário
Que Me Chama De Preto Abusado
To Sempre Revoltado
Sangue No Olho
Revoltado Pela Causa
Do Meu Povo
Covardia Até O Fim
A Porrada Que Bate Na
Cara Não dói No Playboy
Burguês Só dói Em Mim
Não Confio Na Proteção
Vindo De Camburão
Vai Pintando Esse quadro
O quadro do filme Da sua Vida
O quadro De Vidas
Da maioria Esquecida.

Inserida por Verthonsantos

Esbarrei com um sonho
Desencantado e choroso
De um metro e quarenta
Pele preta
Cabelos desgrenhados
Corpo magro
Roupas rasgadas
Sujo feito o asfalto
A sujeira do vento
A calçada em que morava
Feito um cão abandonado
Perdeu o caminhão da mudança
Seus pais o deixaram
Quando ainda era uma criança
Sentia fome
Sentia sede
Mas nada disso importava
Sentia saudades
De quem nem mais se lembrava
Apesar da tristeza abafada
Sorridente
Insistia em mostrar os poucos dentes
Feito um Pivete
Corria pelas ruas
Batia sua bola
Um coco seco
Feito uma vida que pulsa
Cantava mesmo sem motivos
Gritando pra quem passasse
“Sou Feliz”
Em seus ombros um caixote
Engraxava alguns sapatos
Ganhava algum trocado
Se alimentava de pouco
O necessário
Era o preço do abandono
Como se tivesse escolhido
Nascer

- Pivete, o que você quer ser quando crescer?
- Tio, se eu crescer... Quero ser vivo.
- Tem medo de morrer, Pivete?
- Tio, por aqui os sonhos custam caro, e a minha vida vale pouco.

Inserida por grasypiton

REINADO
Noturnos são os passeios de minh’alma
Meu espírito vagueia por liberdade
Encarar a chama da vida
Talvez pela morte.

Quem sabe o homem
Aquele que neste instante
Atravessa a rua
E olha para o chão,
Talvez tenha perdido a alegria.

A moça que usa o fio no ouvido
A escutar músicas.
Pela tatuagem
Ela conhece o amor...
Um floral, lindo,
Que trança sua perna esquerda
Como se a possuísse.

Outro homem atravessa a rua
Segue vestido como quem procura um trabalho Não um trabalho qualquer
Vai decidido, confiante.

Aquele rapaz
Jovem
Está sorrindo sozinho
Talvez tenha conhecido
Os prazeres do amor.
Ah, o amor...

Esta noite as ruas estão agitadas
Os cães estão calados
Posso dormir tranquilo
Porque essa noite
Quem reina é o amor.

Inserida por marcio_vidal_marinho

Distraído

O tempo deixou de ser meu amigo
E hoje passa despercebido.
Sensação de já ter vivido
Mas agradeço por estar vivo.
E danço na beira do abismo
Perdi o medo do perigo
Até choro sorrindo,vivo sorrindo
O mal não esta de bem, comigo.
Aprendi a ter equilíbrio
Soco mandado eu me esquivo
Não bato e não apanho,sigo invicto.
Quem não é visto não será lembrado
Mas quem é sentido,será eternizado..

Inserida por Jeefu

Os valores praticados pelo mercado de arte das artes contemporâneas no Brasil em relação os valores das obras de arte dos grandes mestres brasileiros do seculo passado, muitos deles falecidos com suas obras fechadas, chegam a ser imorais. Sempre me pergunto qual será o real futuro de valor e de importância artística, cultural e financeira da arte contemporânea praticada e comercializada hoje dentro de alguns anos a frente. Não precisa ser um profeta amaldiçoado para prever em breve o uso indevido ou destruição de parte de obras de arte de artistas, ora hoje, desvalorizados, do seculo passado, a serem utilizadas como espúrios suportes e plataformas perversas para material da arte e de artistas contemporâneos. Não só pelo valor baixo do conjunto da obra mas assim como o pouco valor artístico, histórico e cultural que tem com o patrimônio e acervo artístico nacional em todos os níveis.A exemplo disto é os pichadores maculando obras de arte publicas nas principais cidades.A crise na educação, na segurança publica e a falta de oportunidades profissionais acarretam uma manifestação artística marginal, suja, egoísta, violenta e ignorante.No equivocado e perverso conceito de que a coisa publica não é de ninguém, nem do próprio que a desrespeita...e suma, não tem dono mesmo. Isto é pra lá de grave pois não é o uso indevido da coisa publica que foi apropriada por alguém para ter publicidade por um breve período de tempo mas sim mais grave ainda pois é algo que deve ser destruída ou reinventada de forma tosca e bizarra anonimamente por que é nada, não significa nada, nem é ninguém, é nada. Logo é justo marginal que alguém passou por ali para pelo menos desrespeita la publicamente uma vez e revaloriza la dentro da marginalidade e da desclassificada
poluição urbana.Um futuro triste. .

Inserida por RicardoBarradas

O que mais seria a guerra a não ser
Jovens se matando?
O que mais seria a guerra a não ser
Velhos conversando?

Inserida por VandalismoPoetico