Poesia Marginal
NOTÍCIA DE JORNAL
Em uma troca de versos entre poetas desconhecidos, uma poesia perdida atingiu um transeunte bem na cabeça, do lado direito da cabeça.
De acordo com relatos de testemunhas... qualquer um poderia ter sido atingido. Uma vez que, milhares de pessoas passam por dia no local, e quase sempre distraídas.
No entanto, um jovem negro, aparentando ter entre - 12 e 14 anos - com semblante calmo e um pouco acima do peso, foi socorrido pelo serviço móvel de urgência e emergência e encaminhado para o [HGPP] - Hospital Geral de atendimento às vítimas de Poesias Perdidas.
Na cena do ocorrido, além de caneta e papel, foram encontradas dentre outras...várias cápsulas de poesias deflagradas de diversos calibres.
Apesar do grande susto e após ter sido medicado, por apresentar um súbito quadro de delírios racionais com seguidos episódios de contemplação do mundo sensível e falas aparentemente sem sentido e desconexas, o garoto passa bem. Inclusive, já teve alta poética, mas (in)felizmente nunca mais será o mesmo.
Viemos das ruas.
Sobrevivemos a noites escuras.
Seus livros trouxeram conhecimento.
Moldaram mentes, feito estátuas de cimento.
Mas nossas vidas foram escritas com sangue, suor e lágrimas, muitas lágrimas.
Sabedoria adquirida em cada beco e viela.
Olho no olho faz travar a sua gíria imitada.
Não me intérprete mal, sou a favor do conhecimento, amo a literatura.
Sei que livros são a chave e faz girar a fechadura.
Mas eles escrevem sobre o mar sem jamais ter se molhado.
Enquanto nos já navegavamos antes da informação.
Nossa vivência segue quente com a força de um vulcão.
Aprecio obras de arte e também tenho um fascínio por lutas sangrentas.
Há em mim dois lados distintos; um mais intelectual e outro marginal.
Minha vida foi andar,
Pelas estradas da vida.
Pelos caminhos que eu passava.
Construía meu ninho.
Curtia rock e bebia vinho.
Hoje em dia vivo de história.
E o rock ficou na memória.
METAMORFOSEAR
Mudo meu corpo, meu jeito.
Mudo tudo.
Transformar é o que me resta.
Sou escritor, sou poeta, nesta festa.
RAZÃO
Sem a loucura
Das químicas.
Que anima.
A razão
Da loucura pura.
Da mente, da gente.
A loucura das aventuras.
Que esta nas escrituras.
Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.
Abrem se as janelas, das casas e barracões,
De tábuas e alvenarias
E começa um novo dia.
O vento sopra na tarde de mais um dia.
No portão, deitar ao chão, nuvens no céu.
Figuram-se nas mentes de quem for capaz.
A garota e o rapaz sentados na praça a olhar
A rua calma, as pessoas passam.
O vento sopra o tempo.
Tardes pra andar.
Tardes pra pensar.
Tardes pra descansar.
ANOITECER NA PERIFERIA
PARTE III – epilogo.
É chegada a hora, a tarde vai-se embora.
E o anoitecer vem chegando às periferias.
A noite vem se apresentando e, com ela, os transeuntes.
Passando de um lado para o outro, uns vêm das fábricas.
Outros vão para as igrejas e muitos já estão ingerindo geladas.
GARI
Catador de lixo.
Aqui e ali.
Lixeiro, sim, senhor.
Cheiro de suor.
Trabalhador.
Onde está o desprezo?
Logo ali,
Vem um gari
É isso aí.
HIP–HOP
Favela Lugar de gente sofrida.
Dizem que só tem bandido.
O coração fica ferido.
E daí a vida é airada,
Na favela tem gente que trabalha,
E daí tem a vida que é foda
Tem o pessoal do Hip Hop.
O som que fala.
Não é nenhum som pop.
Este é o som que fala.
Fala dos problemas,
Quer apontar a solução.
Que todos querem é educação.
Esporte e lazer ter prazer.
Pra poder viver.
É do gueto, que é deste jeito.
É de sangue na veia.
É do pensamento.
Ë do elemento e tem o conhecimento.
Grafite, Dj e Mc’s nós somos assim.
O som que veio da comunidade,
Como uma pequena ilha,
O som que tem a sua Gíria.
Bate-cabeça é nosso estilo.
E o gênero é Rap positivo.
B.boy chapo a coco com rap no pé.
Mostrar para os Gambé que temos fé.
Não tem problema.
O Rap é arte e poema.
Fica a Pampa que ninguém estranha.
É isso ai embaçado.
E fim de papo.
A LEI
Os gatos no telhado
Os homens com os ratos
Sentados na sala.
Armando as malas.
Nos degraus, desesperados.
Com os miados.
40 ANOS.
Porque muito se diz:
“A vida começa após os quarentas”.
E na periferia é assim, a periferia é assim.
Periferia, tiros.
Pá, pá, pá...
Sangue no jornal.
Abandono total.
Quarenta anos de periferia
Não era o que queria.
O que eu queria mesmo.
Era me mandar...
CÁRCERE
Agora
Depois do... depois de...
O homem volta a ser.
Um ser sagrado
Tudo será perdoado.
Não foi nenhuma
Passagem fenomenal.
Não era nem carnaval.
Apenas natal.
Do indulto ficamos mudos.
Saímos pro mundo.
Pensamos, mas não voltamos.
A dor da gente.
É a dor que sente
A minha mãe.
A minha mina.
Pobre mãe.
Pobre meu pai.
Descanse em paz.
Minha mãe, também foi uma menina.
Por favor, entendam.
Meus amigos parentes e vizinhos.
A minha expressão.
Não está na proporção.
Do meu coração.
FAVELA.
Favela
Viver nela
Todo dia.
Favela hoje.
Favela amanhã.
Favela menino
Favela, sim senhor.
Favela menina
Favela sim senhora.
Nos também temos história.
Periferia viver nela
Todo dia, a vida brilha.
Porque existe a poesia.
Favela.
Morar nela.
Todo dia.
Vamos mais além.
Dizer pra todo mundo.
Que aqui é terra de bem, também.
Favela periferia.
Com a poesia.
Toda a comunidade brilha.
Por toda a vida.
HuMAUnidade
Gente que só pensa em si.
Maltrata a alma.
O corpo ele acaba.
O lugar é meu.
Conquiste o teu.
Vive na superioridade.
Nada de oportunidade.
Muito prazer me apresento...
Thiago Lima Pinheiro!
Poeta, escritor, músico, grafiteiro,
Trabalhor, pai de família
Carrego peso o dia inteiro
Nasci com o dom , tenho talento
Mas só me chamam de maconheiro...
Enrolo a seda e boto fogo
Em todo o seu preconceito
Na sua visão, vilão dos sonhos
Caminho em seus pesadelos.
Trafico rima em poesias
Acusado ou suspeito???
De libertar a minha Alma
Aprisionada sem contexto
Pra quem esperou minha queda
Se contente com um tropeço
Na ponta da minha lingua
Afiado é os argumentos
No doce dos seus labios
Senti o gosto do veneno
Se não me mata... me engorda!!!
Deu pra notar meu sobre-peso?!
Sobre o peso das palavras
Se minhas letras são pesadas
Eu vou juntando varias frases
Pra pesar uma tonelada
Quero ver quem que aguenta
Pelo menos uma estrofe
E se for com um verso só
É cla-ssi-fi-cado monóstico
Que seja dístico, terceto, quadra ou quintilha...
Quem tem versos isométricos
Versa na mesma medida
E sangra as linhas ....Da minhas rimas,
Essas feridas ....não cicatrizam
Que seja internas ou emparelhadas
As vezes oposta ...Muito alternadas
Chora o poeta... Sonoridade
No seu olhar.... musicalidade
Quando escreve ... embala o ritmo
Pra decifrar o meu algoritmo
Olhar perplexo de ser ambiguo
Que seja dito e sempre escrito
O seu soneto tá narrativo
Recite a trova se põe a prova
Nos rodapés estão escondidos
Meus pensamentos dissertativos
Nosso haicai é mais que literário
Momento épico que seja lírico
Antes que o nada fosse poético
O nosso tudo será profético
E assim apresento meu universo
Multisilabico e sempre eclético .
Thibor
(Thiago Lima Pinheiro)
*Copo de veneno*
La em cima do piano
Havia um copo de veneno
Quem bebeu, não morreu
Sentiu o doce na boca...
... se corrompeu
E o culpado?!!
O culpado...
Claro!!!
Fui eu!
Pois ninguém ... ninguem
rouba pão na casa do João ..
A não ser que o Zé
Tenha aberto o portão
Por isso
Não confie em palavras bonitas
Pois
Muitos tem açúcar na boca
E veneno no coração
Abre as portas da casa
Mas te tranca no porão
Não, não, não
Não!! é não !!
Na terra do "quem pode manda"
Quem não pode "abaixa a orelha"
O "não" se tornou ilusão .
Nessa de faça o bem, sem olhar a quem
O mal me quer... bem mal, meu bem.
Vigiando seus passos
Todas as câmeras estão em você.
Se não te valorizam
Vai encher bolsa de valores, pra quem?
Para os que se contaminam
Com cartelas de intrigas
Ou os que se afogam
nas garrafas da fofoca
A diferença entre remédio e veneno
é apenas a dosagem
Uma gota de amor
Duas de ódio
E três só de ruindade ...
Thibor
POETA DA TRAGÉDIA
Se sente mal?
Fez algo mal?
Ou apenas está se sentindo sozinho, confuso, procurando o caminho...
Querendo encontrar os amigos
pra trocar umas idéias e soltar uns risos..
Implorando atenção, de alguém
Que atende só aos pré-requisitos...
Ser realista!..
Provoca buxixo
Será que eu sou o próximo da lista ?
Arrisco
Ser verdadeiro te torna um "ser esquisito"
Terás um alvo nas costa...
outra marcada em algum canto escrito
Do risco no muro, ao assento do busão
Vejo relatos e fatos de solidão
Escritas e simbolos de dias de glória
Das faces, das vozes dos dias de luta
Nessa fuga...
Me livrei de vários estilo sanguessuga...
Daqueles que vc da o braço...
Ele leva sua mão,
E ainda rateia suas blusas...
Mas ...mesmo assim
Ainda te taxa de ser egoísta
O Poeta da tragédia
Sai em busca de plateia
Pra satisfazer sua alegria...
E nem ao menos, olha no espelho
Aquele ser maléfico
Com pensamentos negativos.
Que distorce a realidade
Recria liberdades de uma prisão sem juízo.
Poeta: Thibor
