Poesia Felicidade Drummond
Solito, solicito e dividido
Acabo como náufrago
Inunda as imundas ocas deste corpo
Sofro de novo, mesmo sem adorno.
Cauteloso até demais para sair bem
Astuto e perspicaz, mas não está também
Caindo de repente novamente
Arcabolso de choro: tem.
Agora só resta navegar
Nas lágrimas de desta ilusão
Quem diria que iria mesmo pagar
Pelo que os irmão mente e coração criaram.
Charles Chaplin
Ultimamente ando muito na chuva
Já fui mais feliz
Ultimamente amo a chuva
Perdi a essência, tô infeliz
Todo dia tento ressuscitá-lo
Não falo de Jesus
Não sou Jesus
Sou eu, quem falo
Devo ter perdido o sorriso
Talvez no Metrô
Aquele lindo sorriso
Hoje a máscara só funciona por trás do vitrô
Não entende oque eu falo
Muito menos oque sinto
Deve ser o destino
Aparecer pessoas que não entende o destino
Você foi embora
Só me deixou mais vago
Você era o motivo
Seja o motivo
"Não preciso me drogar para ser um gênio;
Não preciso ser um gênio para ser humano;
Mas preciso do seu sorriso para ser feliz"
- Leia o título.
Liberdade
Novamente interrompido
É que não sou querido
Nunca quis ser Quico
Não tinha nada com isso
A gente nasceu
Mas não viveu
Nunca vivi demais
E se vivo o mínimo, é demais
É preciso viver mais
Essa caça ao tesouro, tá demais
Minha loucura passou do limite?
Ou você é enganado sem limite?
Se me permite
Qual o seu limite?
Quando deixará a corrida pelo ouro
Para perceber o real tesouro?
Você que é cristão
Acredita na divisão do pão
Raciocine comigo, irmão
Na época de Adão, havia notas nas mãos?
Havia egoísmo, maldição
O mundo de Lennon ficará na imaginação
Maldição!
Ainda somos dominados por notas, irmão.
Realmente é cafona, sujo, brega e esdrúxulo.
Por isso me sinto em casa, é formal.
Por que sou eu na forma material desse estabelecimento banal, em uma metamorfose de cadeiras geladas e duras.
Tons de Marrom
Caminho por aí, ainda que permaneça aqui.
Gelado vento, congeladas palavras.
Parado momento, como aflição em garrafa.
Encho-me até que transbordo.
Corro e pulo, saltito correndo.
Tons de marrom, amarelo e vermelho.
Sou tão preenchida que vivo vazia.
Sou tão grandiosa que me torno pequena.
Eu sou eu mesma, coisa óbvia a se dizer.
Eu sou eu mesma, complicada de ser.
Borboletas pairam no ar
como se estivessem a anunciar
algo tão belo e incompreendido,
a morte de algo querido.
Deseja-se tanto que se perde no tempo,
este de fato mal interpretado.
Tons de marrom e rosa.
Sou como o tempo: imortal prosa.
Boneca de Pano
Que tal ficarmos na nossa?
Que tal fingirmos tudo?
Será que fazer vista grossa
vai silenciar o sofrimento não-mudo?
Sou marionete num jogo adulto,
vejo cordas a sufocar corações em luto.
Enceno a peça teatral perfeita
onde não sei pra que fui feita.
Todas vezes que o vigário traiu
fui atriz secundária;
a principal foi ilusão em navalha
e, a mensagem, mera falha.
Mas me libertarei.
Despedaço, destruo, desintegro
o frágil pano do qual me criei.
A coisa q mais me fascina é o romance,
Quando vejo um casal,
Quando ainda era romântico.
O romance é a fé do ateu.
O romance carrega a harmonia da vida
A essência da vida
É Deus fazendo balé.
O romance vem da alma da gente,
É de onde aquece a vida.
O romance é o pai do coração
Vivo e delicado,
Com o cheiro gentil
Cor de fazer sorrir.
O romance é a coisa mais bonita que o ser pode ofertar.
Se alguém te propõe um romance
Não ouse negar,
Nem tão pouco desperdiçar.
FÓRMULA
Toco em sua face e vejo toda a dor sumindo de mim, hoje não vou dormir em lágrimas;
Você me tira todo mal que insiste em me perseguir, a escuridão finalmente encontrou seu fim;
Seus olhos têm todo o brilho que preciso para seguir, Não há razão para não sorrir;
Seus beijos me fazem esquecer de tudo em minha volta, Nada então poderá me atingir;
Quando estamos juntos o medo se vai, eu posso ser quem sou sem temer que você se afaste;
Você me entende e me aceita, não sei o que vê em mim, mas aproveito cada segundo disto;
Estamos tão sós, mas isso não importa quando beijo seu pescoço e tiro a alça de sua blusa;
A Chuva e o frio estão lá fora pedindo para entrar, mas O calor de nossos corpos não deixa espaço;
Dançando no compasso da nossa respiração, Ofegantes e delirantes em nossa cena de amor;
Em uma prisão que não queremos sair, algemados de mãos dadas ao tempo que nos carrega;
Seus cabelos agora úmidos em meu corpo, o cheiro de paz e felicidade estão tão presentes em você;
E mesmo que o sol tenha que aparecer e pararmos nossa cena, sei que todo mal se foi e posso ir;
E deixe que o mundo desabe, nada poderá nos atingir, estamos nós em meio ao caos que ele criou;
Você tem a fórmula exata para esquecer tudo o que há de mal fora deste quarto;
O escuro está apenas no quarto, em nós há apenas luz e uma alegria de estamos somente nós;
Pegue em minha mão, olhe em meus olhos, sei que verá o mais puro e sincero amor em mim.
GUERRA
Você se joga na cama se perguntando o que vai fazer mais tarde, qual a próxima aventura?
Perdida em bebidas e noites se dormir, não sabe o que fazer para preencher o vazio;
Se o mundo está em preto e branco você tenta colorir com toda a fantasia que você criou;
Se vê no alto de um prédio de braços abertos tentando imaginar como seria o primeiro e último voô;
Busca algo que nem sabe o que é, sempre aperta os joelhos em um abraço quando se sente só;
Entre amores e vícios perdidos no caos que criou, pede paz e não a busca, o que quer encontrar?
Cambaleando pela estrada, não fica sóbria o suficiente para perceber a ruína a sua volta;
Olha para o alto e tenta encontrar resposta, desculpa moça Deus não vai te responder por agora;
Os medos não alcançam ela, mas ela teme que todos eles a afrontem em seus momentos de lucidez;
Corre contra o tempo, mas perde seu tempo no mundo imaginário em que acha que se sente melhor;
A embriagues cura por um tempo, mas depois que você acorda em seu Mundo logo volta a ter dor;
Está perdida em suas memórias, seu passado dói muito e todas as desilusões em toda a sua vida;
Quer matar a dor, mas não quer morrer no processo, não se odeia a ponto de não querer existir;
Procura solidez ao pisar o ar, não encontra e logo ofega, não sabe por que subiu lá, e não quer saber;
Não se mexe com medo de cambalear, se senta e tenta encontrar calma em sua respiração;
Hoje a dor não vai ceifar sua alma, não terá uma página no jornal para contar sua triste história;
Tenta procurar um sorriso ao descer daquele prédio, olha acima, mas não acha motivos para sorrir;
Nunca entendeu o motivo de todos sempre associarem o sorriso a felicidade, a boca mente muito;
Corre pela rua como se tivesse atrás de algo, mas só está fugindo daquilo que quase foi seu fim;
Do que vale morrer sem resistência, se é uma guerra ou sobreviveria ou morria com uma medalha.
PARADO
As pessoas não podem ter corações iguais, pois precisam de outro que o complete;
Se jogamos nossos medos no escuro vamos ter medo de que o escuro no consuma;
Te olho de longe e logo vejo o que perdi, mas como perder algo que jamais foi meu?
Você sempre foi a luz que brilhava em minha vida, mas não pude ser o mesmo para você;
Se você me perguntasse o por que de nós não termos dado certo eu não saberia falar;
Será que você tem a resposta para nossas dúvidas? Você parece estar tão feliz sem mim;
Se você consegue seguir em frente porque ainda estou parado sozinho na chuva;
Onde está todo aquele amor prometido? Ficaram apenas lembranças e fotos espalhadas;
Será que todos os sorrisos que demos foram em vão? Do que vale sorrir e depois chorar;
Será que essas lágrimas um dia vão cessar? Será que meu corpo vai parar de se arrepiar;
A chuva pode se juntar as lágrimas, mas não é capaz de disfarçar o quanto dói te ver e não te tocar;
Um dia eu vou esquecer e talvez você não terá tanto efeito sobre mim, por enquanto não consigo;
Você sempre parece tão forte perto de mim, será que chora quando damos as costas e não nos vemos?
Nossa história de suor também envolve lágrimas e palavras não ditas, nem todo conta há final feliz;
Quando o seu cheiro fica forte em minha cama vou dormir fora para esquecer que um dia esteve aqui;
Até te superar ainda vou injetar uma dose de ti em minha veia, depois me preocupo com a abstinência.
Você sente saudades de mim?
-- Sim! Ainda sinto. A saudade é como uma crise de abstinência. É necessária para limpar o organismo daquilo que nos faz mal
Pequizeiro no caminho
Há um pequizeiro ali
No cerrado, solitário
Onde canta a Juriti,
Num doce cenário...
Onde o vento, venta bom
Onde o tempo tem razão
E o coração cala no tom,
No horizonte do sertão...
Cá tudo é calma, espera
Quem testa, a alma adoça
O gosto é de quimera,
E o povo, gente da roça...
Na poesia, agridoce canção
Deste seco chão, de cheiro
De primavera, de inspiração,
No caminho, há um pequizeiro...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Setembro de 2018
Cerrado goiano
Sentir a sua pele aquela noite foi como tocar um alqueire de velames do campo,
uma plantação inteira de algodão.
SONETO DE CARNAVAL (de outrora)
Distante da folia, o cerrado me afigura
A saudade como um saudoso tormento
Lembrar dela é uma sôfrega tal tristura
Esquece-la é nublar o contentamento
Ausentar de ti é a mais pura amargura
Todo momento é gosto sem fomento
Máscaras sem brilho nem alegre figura
Uma fantasia no samba sem afinamento
E no saudosando os tempos de outrora
Enquanto fugaz vão-se os anos, enfim
O que tenho pra agora, só silêncio afora
De toda a diversão a quietude em mim
É regente, pois já não sou parte da hora
E meu carnaval vela o traje de arlequim
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Fevereiro de 2017
Carnaval
Cerrado goiano
BOCA DA NOITE
na boca da noite, calar-se
o cerrado se cafua
o sol fustigado
a lua nua
o céu estrelado...
Anoitece, e o dia recua.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
CANTANDO O CERRADO (soneto)
Essa vossa árida serena formosura
Que as exibe, és casta e tão tanta
Tanto mais a cena vossa apura
Quanto mais os olhos prende e encanta
Mostrais vossa diversidade em tal ventura
Com uma graça igualado duma infanta
Que põe alfim alguma desdita e tristura
E o espanto se aumenta ou se aquebranta
De tal beleza entrajais, oh vária flora
O meu enlevo, de guita tal tecendo
E destecendo o desencanto, um engano
Que, se ei perdido o extasiar outrora
Agora és só elogio os faço dizendo
Pra asinha referir-te como tal soberano
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Paráfrase Abgar Renault
Jeitinho brasileiro
Com alegria no coração
E na mão o pandeiro
Sorrindo mas devendo um dinheiro
Esse é o jeitinho brasileiro
Querer estar bem e desejar o mal alheio
Esse é o jeitinho brasileiro!
No domingo churrasco é certeza
Olha só que beleza!
Odeia manifestação
Mas não entende o porquê de não receber o dinheiro
E se o egoísmo fosse tangível,
Só seria algo visível se fosse em dinheiro
O mesmo já existe,
Ah, o jeitinho brasileiro...
Que reclama de todos os políticos
E mesmo cortando fila por aí se sente um crítico!
É difícil falar de algo que sou
Somos na verdade, brasileiro
O que não nos diferencia do mundo inteiro
Que só corre atrás de dinheiro!
- Oliveira RRC
MULHER
Mulher... essa trilogia!
quem cria, é a biologia
quem analisa, é a psicologia
mas quem explica...
é a poesia.
e retorno a mim,
de dentro para fora.
o contrário,
é diversão.
vaidade,
distopia.
em esfera política,
religiosa,
existencialista.
tampouco me importa qual.
não mais em colisão.
em coliseu.
de dentro para fora,
não mais retorno,
reetorno.
efeito ciranda,
ciranda.
ciranda.
ciranda.
ciranda.
enquanto a vida,
caminha para frente.
embora ciranda,
ciranda.
ciranda.
ciranda.
ciranda.
