Poesia eu sou Asim sim Serei
AMOR IMPOSSÍVEL. – Ao meu genitor (em memória).
Autor: Gonçalves Colar de Arrudas.
Se você dissesse para mim, que me amaria para sempre!
E que para isso, teria que me dar um castigo.
Eu tivesse que catar, todos os grãos de areia da praia do mar,
Para que você fosse minha para sempre...
Eu sei que é impossível, mas eu tentaria: por quê?
Porque o mundo fica parado.
Porque com você ao meu lado.
Eu tentaria tudo até mesmo o impossível.
Amanhece o dia.
O dia amanhece na periferia.
Abrem se as janelas, das casas e barracões,
De tábuas e alvenarias
E começa um novo dia.
O vento sopra na tarde de mais um dia.
No portão, deitar ao chão, nuvens no céu.
Figuram-se nas mentes de quem for capaz.
A garota e o rapaz sentados na praça a olhar
A rua calma, as pessoas passam.
O vento sopra o tempo.
Tardes pra andar.
Tardes pra pensar.
Tardes pra descansar.
ANOITECER NA PERIFERIA
PARTE III – epilogo.
É chegada a hora, a tarde vai-se embora.
E o anoitecer vem chegando às periferias.
A noite vem se apresentando e, com ela, os transeuntes.
Passando de um lado para o outro, uns vêm das fábricas.
Outros vão para as igrejas e muitos já estão ingerindo geladas.
PESAR NATURAL
Assassino incerto,
Sem tiro certo.
Pagar pelos restos.
Imortal animal.
Inseto.
Minhoca e borboleta
Mosca e barata.
Lagartixa e, tatu bola.
Pisar esmagar.
Sem a consciência culpar.
Pesar dos pesares azar.
Pernilongo.
Tapa orelha.
Perder o sono.
Tudo fica em pune.
Vaga-lume.
HIP–HOP
Favela Lugar de gente sofrida.
Dizem que só tem bandido.
O coração fica ferido.
E daí a vida é airada,
Na favela tem gente que trabalha,
E daí tem a vida que é foda
Tem o pessoal do Hip Hop.
O som que fala.
Não é nenhum som pop.
Este é o som que fala.
Fala dos problemas,
Quer apontar a solução.
Que todos querem é educação.
Esporte e lazer ter prazer.
Pra poder viver.
É do gueto, que é deste jeito.
É de sangue na veia.
É do pensamento.
Ë do elemento e tem o conhecimento.
Grafite, Dj e Mc’s nós somos assim.
O som que veio da comunidade,
Como uma pequena ilha,
O som que tem a sua Gíria.
Bate-cabeça é nosso estilo.
E o gênero é Rap positivo.
B.boy chapo a coco com rap no pé.
Mostrar para os Gambé que temos fé.
Não tem problema.
O Rap é arte e poema.
Fica a Pampa que ninguém estranha.
É isso ai embaçado.
E fim de papo.
A LEI
Os gatos no telhado
Os homens com os ratos
Sentados na sala.
Armando as malas.
Nos degraus, desesperados.
Com os miados.
AMÉM
Vivendo como um santo
Dormindo como anjo.
Ninguém descobre o manto.
Cada um fica no seu canto.
E fim de papo.
Meu aliado.
Tudo explicado.
40 ANOS.
Porque muito se diz:
“A vida começa após os quarentas”.
E na periferia é assim, a periferia é assim.
Periferia, tiros.
Pá, pá, pá...
Sangue no jornal.
Abandono total.
Quarenta anos de periferia
Não era o que queria.
O que eu queria mesmo.
Era me mandar...
CÁRCERE
Agora
Depois do... depois de...
O homem volta a ser.
Um ser sagrado
Tudo será perdoado.
Não foi nenhuma
Passagem fenomenal.
Não era nem carnaval.
Apenas natal.
Do indulto ficamos mudos.
Saímos pro mundo.
Pensamos, mas não voltamos.
A dor da gente.
É a dor que sente
A minha mãe.
A minha mina.
Pobre mãe.
Pobre meu pai.
Descanse em paz.
Minha mãe, também foi uma menina.
Por favor, entendam.
Meus amigos parentes e vizinhos.
A minha expressão.
Não está na proporção.
Do meu coração.
HuMAUnidade
Gente que só pensa em si.
Maltrata a alma.
O corpo ele acaba.
O lugar é meu.
Conquiste o teu.
Vive na superioridade.
Nada de oportunidade.
Coisas do Oriente.
E era uma borboleta, que voou, voou...
Sobre os quatro cantos do planeta.
Encontrou com muitos senhores e, senhoras.
Percorreu toda uma história, de sabedoria.
Quando um sábio chinês.
Perguntou-lhe:
Posso ser você?
Sonhando que era uma borboleta, pousou!
Em um velho poço.
De onde bebeu d´água purificada.
Tornando-se moço.
Ensinou para seu povo.
Se não tens nada para me trazer!
Leva-te o que tens aqui!
REQUISIÇÃO: DEIXE OS POETAS PASSAREM
E, se de repente, no estoque da vida, faltassem também os sonhos, o amor, o conhecimento, a poesia? Será que alguém entenderia que, assim como os caminhoneiros, o poeta é um incomparável condutor de sentimentos? O que seria, por exemplo, do coração sem aquele combustível essencial que nutre qualquer paixão? Os livros, a melodia, as histórias, como ficariam se nos faltassem as palavras? Se não tivessem, de repente, mais poetas para conduzi-las aos nossos olhares... Se não houvesse mais inspiração para traduzir todos os momentos?
Ouso-me dizer que até o amor, este nobre sentimento, não resistiria pela falta do que falar... Acho mais ainda, que não resistiria pela falta do que ouvir... Não dá para subestimar o poder daquele que sabe como ninguém entender as dores e as delícias de um coração que não sabe fazer outra coisa senão existir e compreender a vida e tudo que ela nos traz.
Portanto, peço encarecidamente, deixe o poeta passar, escolte-o, dê-lhe matriz para que possa fazer com amor aquilo que mais sabe: traduzir poesia e transcrever os sentimentos.
Leandro Flores
Maio de 2018
(Durante a greve histórica dos caminhoneiros).
MIRA DO MUNDO
Me atiro a rosa da vida
com mãos dóceis distraídas
dando palma a sua vinda
com a vida assim vivida
sem adeus apara partida.
Velejarei mundo a fora
com remos fieis do sonho
estarei na minha hora
com tudo que sou agora
em plano que ti proponho.
Me atiro em rosa petalada
no passo firme do mundo
e as passadas nas estrada
são fieis a quase nada
em tic-tac do segundo.
Antonio Montes
PLANOS NEBULOSOS
Dorme a noite, enquanto isso....
O sol adormece sob o fulgor das suas chamas.
Nesse ínterim a lua 'Artesã dos sonhos',
rainha das saudades... Sobe ao trono de prata
para imperar sob as estrelas e os astros
físicos do infinito.
Nessa tempo, a calma da noite, desce sobre
a calada sombria, desfilando os olhos do medo
e o burburinho das fadas.
Tudo é nebuloso... Os sonhos misturam-se com
os pesadelos para de supetão, despertar os sono
absolto nos planos e os passos, galgam os
paralelepípedos das calçadas ouvindo o ladrar
da matilha e o pio do corujão, solto do nada.
A noite, continua em seu cochilo quando de
supetão é acordada pela cantiga do galo e o
clarão do alvorecer. Nessas hora, despertadores
tilinta aos ouvidos da preocupação e os
preocupados saem em carreiras traquinas como
se fossem formigas afobadas sob as águas dos
seus planos pequineses.
Antonio Montes
SINAIS DO AMOR
Depois do dia em que seu adeus tornou-se
um ponto.
A minha paixão, veleja pela... Reticência
da vontade e a saudade do meu eu,
cavalgando pelos dois ponto: Tentando
agregar ao nosso passado, não quero saber
de ponto e virgula; Muito menos de Calígula
espezinhando meu caminho.
O meu sonho é virgula, velejando por esse
verde oceano, e os meus braços estão se
abrindo como se fossem parênteses (Para te
isolar sob meu peito) e lhes manter em meu
colchete {} divagando sobre nossas []
barras de aconchegos.
Meus olhos choram serpenteando o travessão
_ Ambos almeja o perpendicular e o enfatizar
das aspas " " d'essa estrada.
Depois do dia em que seu adeus, tornou-se
um ponto.
Quando cai a noite eu ergo os olhos para o céu
e faço uma exclamação... Meu Deus... Quanto
te amo! E tudo se torna um interrogo do meu eu
Meu amor quanto te amo! Volte, me de a sua
mão? volte para mim, volte para essa paixão...
Volte e traga-me o seu coração.
Antonio Montes
Atrás desse mar há o sol
Por trás do sol há tantos fótons
Por trás dos fótons há energia
E por trás da energia há desejos
Tão magnéticos capazes
De unir todo esse meu universo
Às investidas do seu gracejo
(Victor Bhering Drummond)
Bergamota pode ser uma fruta que se descasca assim como banana nanica,
também pode ser o epíteto de alguém
conhecido por mexerica.
E se!
E se fosse verdade
Que meu lar é lona preta?
E se fosse verdade
Que meu tema é o amor?
E se fosse verdade
Será se daria treta?
E se eu não me intimidasse
Com a careta do opressor?
E se fosse verdade
Que eu só vivo de amor?...
