Poesia eu sou Asim sim Serei
Segredos do coração
Não contes
Meus versos
São desabafos
D’alma amante
Não espalhe meus contos de amor
Nem penses em sussurrar ao vento meus dizeres
São pérolas do oceano de sentimentos
Contidos na alma cálida
Não contes te peço
Os devaneios de amor galante que a ti confessei
Das tardes longas que contigo tive...
Não dê detalhes da minha fala ofegante em declamar o amor
Do meu olhar marejado de lágrimas que denunciavam minha paixão
Por favor, não conte! É um grande segredo.
È intimo
É platônico
É pulsante
É doloroso
Ah, amigo não conte a ninguém
Que confessei o meu amor...
Não posso vive-lo
Não posso dizê-lo
Só posso sonhá-lo!
DUETO (soneto)
A minha tristura é uma gargalhada
A saudade um suspiro. Ela chorava
Na solidão onde eu me encontrava
Me deixando além d'alma estacada
Os sonhos pouco ou nada resvalava
Pelo olhar. Não tinha a asa dourada
A saudade ria com a tristura chegada
Sob a cruel melancolia que matava
Do sorriso a saudade fez morada
Sequer de um pranto ela alegrava
Tinha tristura na sinfonia cantada
No dueto: saudade e tristura, aldrava
O coração no peito, da aflição criada.
Então, atrozes, alívio na poesia forjava...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Janeiro de 2017
Cerrado goiano
Saúde?
sei lá o que é isso
é de come o é de bebe?
precisa de que pra pode te?
precisa sabe le?
sei nao hein
essa saúde ta muito cara
desse jeito nao vo pode leva
hoje nao
la em casa saude nao tem na geladeira
e nem na torneira
nas panela, vix
tem nao
saúde?
sei o que é nao
por aqui se ouve fala
mais a gente não sabe como chega
é !!
ANCESTRAIS
Aquela casa na estrada
por onde a boiada passou
n'um dia contava as jardas
n'outro saudade do amor.
Já serviu caneca fria
com água lá da cacimba
na agonia de um dia
passo da vida atrevida.
Aquela casa na estrada
nas margens d'aquele lugar
contava historia sem farda
d'uma fada p'ra casar.
Contava corda, amarelinho
em tempo distante atrás
pesponto estrelas pontinho
na historias dos ancestrais.
Antonio Montes
ÁGUAS PASSADAS
Veleiro no porto, atracado...
Com todo seu pano furado,
não navega mais, o veleiro!
Pelos mares do condado.
Amarrado em seu cais...
Dorme sonho de toda vida
acorda em seus madrigais
no altar de grande partida.
Veleiro no porto atracado
um dia projetou-se no mar
velejou águas e oceanos
e sonhos p'ra não se acabar.
Supriu os mares do mundo
com seu plano e coordenadas
bombordo estibordo e pano
agora são águas passadas.
Antonio Montes
Com você, enxergo o quanto somos fracos. Com você, enxergo o quanto somos falhos. Com você, enxergo que a vida só tem brilho, quando os olhos brilham.
Com você, vejo a luz daquele que é infinito.
Com você, os sonhos são reais.
Com você, recordo que um dia serei apenas história...
Com você, todo meu futuro faz sentido.
Com você, viver é extrair a beleza da inocência.
Em você, desperto o melhor de mim.
Em você, descubro o quanto sou egoísta.
Sim, amor, você é uma das formas teofânicas.
Você me faz acreditar que o ser humano ainda tem esperança.
Em você, encontro minhas mazelas.
Com você, descubro o quanto sou mortal, e que a imortalidade é consequência das acoês.
Com você, choro de felicidade.
Choro de tristeza. Tristeza por saber que a máquina mais perfeita, tornou-se um espectro, diante de um ser perfeito imagem e semelhança (de quem?)
Com você, descubro o amor.
Sim, o amor puro. Sem interesses. Sem fingimento. Sem hipocrisia!
Quando crescer, minha pequena princesa, quero ser igual você. A eternidade é o começo de uma história que começa com um simples ponto.
Em você, venço o mal, o terrivel mal que assola a raça humana, o egoísmo!
O céu existe, e pertence a você, meu anjo!
Consegue uma vaga pra mim, e todos nós, miseravéis pecadores, porque o céu é seu.
O céu é dos anjos, e isso, aprendi com você!
Defensora dos frascos e comprimidos
De nós malucos, sois a beleza
Protetora dos animais abatidos Prato cheio de sobremesa
Mesmo depois de todo esse tempo
o sol nunca diz à Terra
”Você me deve”.
Olha o que acontece
com um amor desses,
ilumina o céu inteiro.
Este teu sorriso de sol me encanta e
este olhar de mar é brisa a me acariciar
... E me encanta quando me canta,
com desejos de me encantar.
E ensejos de " Me tocar"
Tá confuso?
Me leva prá cama
e a gente poe tudo em "lençóis" limpos!
Encantador.
Elisa Salles
Quero tocar tua alma
com a genialidade de quem manuseia
um Stradivarius...
Solene, terno e apaixonado.
E com a simplicidade de quem faz amor no milharal
Assim,
Sagrado, ao mesmo tempo que carnal!
Vou tocar tua alma,
mas antes vou dedilhar as cordas do teu corpo.
o vazio me encarou
enquanto a música tocava
enquanto os pássaros brincavam
enquanto você me olhava
o vazio me encarou
enquanto suas palavras ecoavam
enquanto meu peito vibrava
enquanto nosso amor desmanchava
o vazio me encarou
enquanto os pássaros se distanciavam
enquanto a música parava
enquanto a porta fechava
o vazio me encarou
quando você me deixou.
o vazio me encarou
e eu encarei o vazio - a única testemunha do dia em que eu fiquei sozinho.
O GIGOLÔ
O gigolô do bangalô
vive a custa da sua flor,
suspira através d'ela...
Com olhar pela janela
e palavras de meu amor.
Piscou, pisca quando vela
ao beneficio da sua tutora
vez em quando arandela
trás uma flor p'ra donzela
e cachaça protetora.
Vai a farra e se esbalda
esbarra na sua amada
volta assim como fada
para casa da mandala
vai sonhar com a doutora
O gigolô de profissão
é peça na sua mão
manipula a paixão
que vive no coração.
Coitado é bem tratado
outros braços da caricia
trabalha como diabo
no intimo da sua malicia.
O gigolô do bangalô
é bambo em seu gingado
conta ponto com o pranto
e rir do seu rebolado.
Antonio Montes
Mulher,
criação magistral
de um artista detalhista.
Deus,
num momento de grande inspiração
deu vida ao amor
em forma de flor.
Mulher.
Sublimação.
Toca-me amor, toca-me
como nunca me tocara antes.
Não com teu beijo de amante
Não com tuas carne firme de desejo
Toca no fundo de minha alma
com o amor mais belo e mais sagrado,
dos meus sonhos velados,
dos meus anseios de menina
e com minha solidez de mulher.
Toca-me meu bem,
toca-me como eu quero
e como tu quer.
BALADA DO TEMPO (soneto)
... e o tempo passa, indiferente
apático, indo embora sem saber
poente na saudade, o alvorecer
mais um, outro, apressadamente
... dono dos gestos e do prazer
tristemente, tal uma flor dolente
que traga o frescor vorazmente
no ato da ação do envelhecer
e o tempo passa, inteiramente
sem que escolhamos perceber
e na lembrança, assim, assente
passa o tempo, e é para valer
sem que nada dele ausente...
Presente! Pois vale a pena viver!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
ÉS OCEANO EM MIM
Amo-te como quem ama o mar que amo
Deixo as ondas beijarem meus pés
Sinto no rosto a carícia da maresia...
Canto uma música,
recito um poema
Contemplo o céu azul de tudo
a enlaçar as águas profundas
numa conjunção perfeita no horizonte eterno.
Faço-me barco solto ao sabor do vento
Amo-te como amo o mar que amo
E volto para casa...
... Assim como não o posso te-lo junto à mim,
sem no entanto esquece-lo.
Tão paradoxal
Sem no entanto ser conflito.
Amo-te como amo o mar que amo.
És oceano em mim.
Ela me chama
O meu peito explode como uma supernova
Dissipando o encanto alegre entre as minhas virilhas
O músculo tenro balança medíocre como um sino
A morte dança e geme desnuda à cada badalada
Me excita
Preciso fomentar o peito com padecimento
Calado no açoite ferir-me à clausura
Conciso e consciente
Morrer.
TENTARAM CONTER OS POETAS...
Tentaram conter os poetas,
quando quiseram
engaiolar os pássaros
e domesticar as feras,
que nasceram para ser livres...
Tentaram conter os poetas,
quando tencionaram
avassalar os ímpetos das marés
e os ventos da montanha,
que não podem ser agrilhoados...
Tentaram conter os poetas...
Tanto fizeram...
Mas tudo foi em vão!...
A Poesia não se prende
às amarras da razão!
22/11/2014
© Pedro Abreu Simões
in MAR REVERSO (Ecos da Terra, do Mar e da Vida), Lisboa: CALÇADA DAS LETRAS, 2015. ISBN 978-989835262-0
Amo me perder no mar imenso de teus olhos castanhos..
você é que os torna interessantes
torna o castanho uma cor inovadora e atraente
um mar que desejo me banhar,
e as flores vermelhas de teus cabelos, cheirosos
a brisa sutil de tua respiração
que equaliza em nosso amor
Foi a partir daí que o amor ensinou,
as palavras a se tornarem poesia.
Ingênuo fogo que arde e queima,
Então, berro, grito, urro e clamo,
Impotentes são as minhas ações,
Sem melodia, sem festa.
Jmal
2013-10-25
