Poesia eu sou Asim sim Serei
Não sei onde começo,
Nem onde acabo. E outra
Dúvida se acrescenta:
Quando eu morrer
Qual dos meus eus estará
Sendo enterrado comigo?
E os outros, os que não me
Seguirem, continuarão
Vagando por ai, continuando
A expor o meu tormento?
Se eu te disse que nasci
Um só e que morri
Vários, foi porque o dom
Da vida se dispersou
Em mim, fazendo de um
Só poeta possível, um
Deserto permeado. Só os
Veros poetas nascem vários
E morrem um só, Eupalinos!
És bela, eu velho;
Tens amor, eu tédio.
Que adianta seres
Bela, se a beleza
É coisa externa que
Não está no coração?
E minha velhice
Não te interessa
Já que, na vida,
Seguimos destinos
Opostos.
Tens amor, bem sei
É próprio da idade,
Que amor é
Tão somente impulso
Da natureza cega,
Para perpetuar
A miséria amarga
De nosso próprio
Infortúnio.
És bela, fui moço,
Tens amor, eu... medo.
Gárgulas Não Sabem Amar
e só de pensar
que nada que eu faça
vai mudar o que você fez
tento me lembrar
de todas as vezes
que não foram sua vez
eu não sei
quem tu és
mesmo assim
seguirei apesar das diferenças
pois,
eu, vou te engolir a seco
eu, vou devorar o seu medo
eu, só de pensar em ti
acabei petrificado aqui
voa, voa
gárgula
encontre uma parede
antes do dia chegar
coração de pedra
não consegue
perdoar
Hoje eu acordei pensei vou viajar
Chegar em um mundo descente
Chegar em algum lugar,
Onde eu possa ser eu mesmo,
Onde vou abrir minha mente ,
Onde a Arte faz parte da parte
Que falta na gente...
Amor por todos eu tenho,
o que não tenho, o que eu prendo, o que eu escondo,
é o meu grito de explosão de amar
a minha espontaneidade;
Cada dia que passa retrai-se um pouquinho
esconde o meu belo ser:
o seu belo ser.
Ai, se eu pudesse ver, enxergar, sentir, compreender,
entender, ter a liberdade de te amar:
você, seu ser, simplesmente você,
uma pessoa onde o nome naquele instante não importa,
onde a idade inexiste,
onde seus cabelos brancos ou grisalhos
se tornam prateados
de amor, charme, ternura, carinho e emoção;
Onde não mostre que o tempo exista,
que o tempo corre,
que eu não tenho você:
que eu não pertenço a você.
meu irmão chama o vazio de neutralidade
eu e meu irmão não gostamos de neutralidade
eu fico deprimida ele também
quando me assusto com minha mudez (vazio)
diante do vazio do outro
penso no meu desespero que assusta
Antes de ti
Antes de ti venho eu
Eu primeiro para roubar-te os sonhos
Eu primeiro para encher-te de flores
Eu primeiro para dizer-te tudo ou nada
Eu primeiro para fazer de conta
Que é para sempre o que vivi
- Antes ou depois de ti.
Ela é como um mar de poesias
Ondas fortes e cheia de mistérios
Um mar revolto longe do cais
E eu corajoso marinheiro que sou
Com meu barquinho remo ao encontro do seu porto
Que é o seu corpo.
As vezes me pego pensando naquilo que eu não disse. Nos poemas inacabados e nos pequenos pensamentos que viraram linhas rabiscadas em meus cadernos escolares; daqueles tipos que nunca tardam a serem amassados e jogados fora, mas que formam raízes difíceis de se retirar e que acabam por voltar à ponta do lápis de quando em quando.
Acho que as palavras tem vontade própria. As vezes parece que simplesmente não é a hora de escrevê-las. Nesses momentos, penso que elas estão se resguardando para a frase perfeita, esperando para tornarem-se aquelas palavras que, quando lidas no momento certo, estremecem a alma e transbordam o coração.
Não seriam dessas raízes que surgem as melhores poesias ?
Aquelas que conquistam o desejo dos olhos e se instalam no coração, mas escolhem o momento certo de perpetuarem-se no papel.
Um dia eu quero sair dessa sombra
Infelizmente ela me assombra
Só me sobra continuar sem persistir
Eu já desisti fico sentado em minha cadeira só para refletir
Desabafo em forma de lírica
Pensamentos antigos se recicla
Me ajude pareço um ciclista exausto pedalando infinitamente
Ao caminho do caos
essa poesia eu fiz com o coração
colocar uma ideia na cabeça da população
mostrar um pouco de informação
e ensinar que a chave da vida é a comunicação
e para ser homem de verdade não precisa segurar o canhão
enquanto as mulheres estiver sofrendo eu vou lançar os refrão
para acabar com esse ideal que mulher é só limpando o chão
abrir a sua mente de machão que não houve evolução
dia 08 de março
puta data hipócrita
nessa data é falada uma pá de lorota
e é distribuindo varias rosas
ofuscando o sofrimento de varias mulheres mortas
trancadas por uma porta
125 mulheres interditadas de seguirem a sua vida
vão me falar que é data comemorativa
só que eu já cansei dessa narrativa
enquanto a vida da minha rainha estiver em jogo
eu nunca vou ser pacifista
dia 08 de março
puta data hipócrita
nessa data é falada uma pá de lorota
se coloca no lugar da mulher sendo seguida
em uma viela sinistra
o medo só atiça
e você com medo só porque viu o carro da rota
e você achando que o sofrimento das mulheres
vale sua nota
Não é que eu queira fugir
Não é que eu queira parar
Mas dentro de mim
Tudo parece desmoronar
Meu coração acelera
E eu perco a lucidez
E neste sufocamento
Me encontro mais uma vez
É que o futuro é tão dependente deste momento
E é um fardo tão grande os meus pensamentos
Que minha alma é levada ao vento
E minha mente vem a pulsar.
EU ME SINTO
Sinto-me como uma criança colocada a força em um balanço e presa nele, enquanto ele gira em torno de si mesmo sem parar.
Como uma criança que não consegue ver nitidamente o que lhe cerca, o mundo a sua volta.
Como uma criança sem forças para parar o balanço, mas exausta de tanto tentar.
Como uma criança com tanto medo dentro de si que não consegue gritar.
Como uma criança que tudo o que faz é chorar.
Como uma criança, esperando que alguém possa me salvar.
Como uma criança com um imenso desejo de que tudo apenas acabe.
Imortalidade
Sabem onde me encontrar
Qualquer vinda por aí
Tô sempre por aqui
Eu nunca estive lá
Ninguém foi me buscar
Procurei de Norte a Sul
Fui de Leste a Oeste
Sem nem saber por onde andei.
Eu me frustrava tão fácil quando menino
Essa coisa de "destino", não sei mais como seguir.
Hoje sou livre, sou palavra, sou escrita. Vivo poesia.
Sem trancas ou amarras
Enfim, que não seja o fim, não nasci pra seguir.
Muito menos para servir.
Me encanta o vento,
Ooo liberdade, pra isso não se tem idade.
Já não sou mais tão menino.
Sou a própria poesia, palavras vivem pra sempre...
Profetizadas em mentes
Que jamais se esqueceram delas.
Que eu esteja vigilante
Aos discursos incoerentes
Aos números que mentem
As massas não convergentes
Aos que fingem gostar de gente
Ao frio que forja o quente
Ao sorriso do demente
As dores dos que não sentem
Ao cinza que rega o verde
Ao latido dos intransigentes
E a sanidade dos doentes
Eu quero mais é a dor de ser gente
e esse medo macabro de já não o ser.
Quero a angústia de quem sente,
se ressente por sentir,
mas se dói dos insensíveis.
"A Razão dos teus olhos"
Os teus olhos são como dois lagos profundos
Que eu mergulharia, e não subiria para apanhar ar
Para aproveitar o lazer nos teus lagos
Com medo de te perder ao respirar.
Os teus lagos pacíficos
Cheios de mistérios
Me sufocam, a cada olhar.
Faça de mim a menina dos teus olhos, razão do meu ser
Pois és tu, tirando o meu ar, que me faz viver.
Palavras a um habitante de Marte
Será verdade que existes sobre o vermelho planeta,
que, como eu, possuis finas mãos prêensíveis,
boca para o riso, coração de poeta,
e uma alma administrada pelos nervos sutis?
Mas no teu mundo, acaso, se erguem as cidades
como sepulcros tristes? As assolou a espada?
Já tudo tem sido dito? Com o teu planeta acrescentas
a vasta harmonia outra taça vazia?
Se fores como um terrestre, que poderia importar-me
que o teu sinal de vida desça a visitar-me?
Busco uma estirpe nova através da altura.
Corpos bonitos, donos do segredo celeste
da alegria achada. Mas se o teu não é este,
se tudo se repete, cala triste criatura!
Viajei em todos os universos e em nenhum deles eu te encontrei.
Creio que seja assim que funciona: a estrela cadente passa e se não a percebemos nessa pode ser que nunca mais a veremos.
