Poesia do Carlos Drumond - Queijo com Goiabada
.
PALAVRA PARA A FAMILIA
Pr. Abílio C Santos
Coisa terrível é um lar dividido, não é mesmo! Um lar onde as pessoas cresceram juntas eram intimas e agora vivem como estranhas, com indiferença e até ódio.
O que precisamos fazer? Existem duas saídas: Abandonar a família... Ir levando como der para ver o que irá acontecer ou ter a atitude necessária e disposição para mudar e promover mudanças – Sl 127.1
Como está sua família?
Receba Jesus em seu coração e entregue sua família nas mãos do Senhor.
Você terá um lar amoroso, alegre e cheio de paz. Amém!
Que o Senhor o abençoe com toda sua família é o meu desejo.
Um abraço do Pr. Abílio... Shalon!
.
abiliocarlos
abilicusvidanova@ig.com.br
.
Não sei sobre meu tempo,
Foi-se o tempo das previsões,
Mas enquanto há tempo,
Limito minhas indagações.
Hoje tenho mais respostas do que dúvidas,
porque busco apenas soluções,
antes eu apenas criava os problemas.
E assim eu vou indo, tranqüilo...
Quando não houver respostas,
É porque me esqueci das dúvidas.
SOLIDÃO
Vejo você aqui novamente, minha velha companheira,
Somos tão amigos quanto o céu é do mar.
Minha solidão mensageira, contigo aprendi a cantar,
São versos da noite, são medos e fantasmas,
Você me acompanha enquanto grito meu solo de amor.
As estrelas brincam de adivinhar nossas conversas,
Falam da lua e minha promessa de viver um amanhã,
Outro dia sem que você me diga que tenho que chorar.
O sol é um chato despertador e o vento um inconveniente,
Não entendem essa paixão verdadeira, porque no silêncio,
Ouço o som do sorriso que imagino existir em minha alma.
Ontem eu vi a multidão calada, vi correr pelos dedos um “sim”, senti que o perdão corria pelos rostos e se perdia na imaginação, havia tantos corações, e de verdade, apenas uma grande mentira, está tão impiedosamente só em meio ao silêncio de uma gritaria.Minha velha amante solidão, não é nem mesmo um passado,vieste tão rasteira quanto a idade que me deu razão, somos então uma música de estações.O calor nos separa por instantes, o inverno nos une pela força, o outono nos ensina a brincar de se esconder,e a primavera, nos enfeita de amores que nunca virão.Um dia haverá nossa despedida, um horizonte se abrirá como uma eterna caminhada, somente um seguirá os
passos da eternidade.Vai você na frente pois preciso entender o que o amor pretende.
ESTOU FICANDO VELHO
Estou ficando velho, sem memória, talvez seja essa então minha glória, perder no meu arquivo a lembrança daquilo que não mais existe, daquilo que já existiu. Vai-se ficando velho sem a dor da separação, virando o presente, uma grande manifestação de novos e importantes achados, novas descobertas, novos amores. Estou ficando velho pelos olhos tristes da mesmice, da resignação inconteste, da covardia e do medo da morte. Estou ficando velho..., tão velho quanto a força de viver uma eternidade sem a lembrança dessa mesma velhice.
HOJE
Hoje, quando forte eu me sinto, um sabido do mundo, um traído dos sonhos, digo que nada sei, além de receber aquilo que todo dia se repete. Meu amor de antes era um nome lindo, o de hoje também, diferentes numa mesma emoção, diferentes instantes de cores indefinidas, qual luz que se volta contra o espelho, refletindo a verdade que me recuso a admitir. Meu sorriso ainda marca uma presença cheia de esperança, mas a marca é maior quando o choro chega realçando a dor do que já foi perdido. Hoje minha música varia o tom, mais baixo, mas não variam as notas dissonantes nem os acordes livres da imaginação. Minha vida é uma aquarela incipiente, de cores fortes e neutras na exposição, porque não mostra minha alma perdida entre o céu e a realidade. Hoje o rio passa, mas não sigo suas águas porque meu mar não aceita dúvidas existenciais nem gritos de loucura, minha velhice não permite um passado enquanto o tempo não me disser que me quer como criança. Hoje filosofo pequenas e irrelevantes perguntas, haja vista a grande dúvida da morte.
TREZE
Cansado de ser servido,
em prantos regados de cor e som
para comensais risonhos,
que dilaceram nossos valores,
com os dentes afiados.
Quero agora, no momento lúcido
gritar o necessário fato,
de que os treze ou treze
não nos diz nada além
do que vocês, caros convivas,
querem mostrar, encobrir, ostentar.
Criaram fotos coloridas,
comemorações festivas,
toques de tambores e atabaques,
para mostrar que somos
livres, felizes, e aceitos.
Tolas mentiras!
somos sim:
lascas de suor,
cortes de chicotes,
cheiro de fogão
entradas de serviço.
Precisamos fazer algo sim
para que ao invés
do paternalismo brutal
da gentil princesinha
haja a liberdade
de podermos realmente
abrir a porta desta senzala
para fazer a festa da cor real
do som dos atabaques
de danças e corpos
que rasgarão a noite,
os tempos
no verdadeiro canto
da ABOLIÇÃO que ainda não houve.
De O Arco-Íris Negro, São Paulo, 1978
Preferências
Para Nelson Gonçalves Maca*
Acho o Machado porreta
Tanto quanto o Barreto
Assis está para Lima
Quanto o enredo e a vida
Usam os dois como estetas
São também compatíveis
De modo natural
D2 , Cartola, BuleBule
Bezerra, Djavan e Mano Brown
Nunca recuse o conhecimento
Não adiantaria o som do clássico
Se omitida a voz do gueto
A alma humana, alegre ou trágica
Ergue-se, acima dos preconceitos
Quero ligar, ouvir e ver
Quilombo Vivo,
Blackitude
Maestros e ÊMeCis
Afrogueto, Quilombola
Testemunhas, Chopin
Buarque e Elemento X
Ogãs, makotas e pierrots
Hera Negra
Os meninos do CRIA
Pois em tudo mora a arte
Em todos vive a poesia
Viajo na batida
Libertária, confidente
Na denúncia da violência
Do policial demente
Gosto da espera vertida em versos
Ou o olho vivo que espreita
Quilombo armado de rima
Lanças, línguas e canetas
Espetando de todos os jeitos
As goelas dos racistas, elitistas
Pretensamente perfeitos
A perfeição pode ser métrica
Mas o poema da vida
Nunca se deu só por ela
Feliz ou satisfeito
A perfeição é um A U com rolê
Ou o passo da passista
Um Stradivarius, Monet
Transformando agonia e fome
Em arte pura e sem nome
Que brota da pedra e da pista
Dos fatos, do incidente
Da criação, do artista
Rima, peleja, repente
Cantador ou DJ, nesta fita
Daí certas preferências
Que alimento, como revide
Desaforo posto no verso
Como nos versos do Thaíde
Ou de outros repentistas
Profetas de toda coragem
Carregando pelo mundo
Caminho novo e viagem
Fazendo de modo correto
Ensinamento e mensagem
E outros atrevidos, sagrados
Estrelas brilhando no dia
Como meu mestre Maca
Língua qual gume de faca
Entendendo toda poesia
De Homero ao quilombola Juno
Vencendo os estereótipos
Reeducando a academia
Por tudo o que me deste: — Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? E certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
Obrigado, obrigado!
Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!
Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
— Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: — Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!
Continuo andando naquele carro velho
Que cruza com total insensatez a cidade
Vem da Liberdade e vai até o que ultimamente penso de liberdade
Aquela de poder sentir novos versos ebulindo
Em antigas Antígonas, segundo Mário, antigonas
Ou meu andar caricato e trágico
Carrego pesos como o Fausto, não o do Goethe, o daqui
Só que os meus não me dão velocidade
Como erros, meus pesos, não estão a serviço dos acertos
Lido com a dor sem domesticá-la
Apenas não sou por ela aniquilado
Pois primitivo me privo de ser íntimo de deuses e tebanos
Mas sem a ilusão é impossível atuar, como dizem
E não sou belo,
O trágico, também dizem, é alegre
Apenas caminho com essa solidão sem espelho
Em seu todo perfeita, plena, repleta de erros, pesos, e acertos
E sonho este desejo insano de completude
Molhado de sêmen e risco
Pela insônia das horas
O poder do poema
Um poema pode surgir silente, insolente, trôpego, carente, somente semente
Como o canto que só no recolhimento se ouve, ao toque seguro e forte
Que só o alabê mais velho sabe
Ou o eco que da voz da mulher de Aleduma ecoa
Ou o encanto da manhã mais terna
Quando o sol banha manso e surpreso as areias de uma praia distante, bem distante...
Um poema quando quer surge de onde quer
Veste a fatiota de um baile antigo, ou o abadá do bloco de reggae
E sem perigo segue
Sem amarras, pois cordas não lhe servem para as danças das yaôs vestais e marés
Somente meneios doces e vindos dos pés
Um poema consome o tempo da espera e pode durar um minuto, um século ou uma era
Pode despir-se do sorriso desta tarde e inaugurar outro silêncio na aurora
Pode ainda ser cúmplice de um festim posto a contragosto
Dos miseráveis vestidos todos de ternos e gravatas contando bravatas ao oco do mundo
Um poema vai fundo, pode estar imundo, mas dando respostas aos insurretos, ou a outros que se rotulam ou se julgam donos dos becos,vielas e guetos
Um poema pode e deve ser a resposta de quem gosta ou não gosta do que diz alguém
Um só poema vale mais que cem, pretexto para cena é tema
Desarticula o inusitado do verso curso diverso, afluente da estrofe, desabafo, dilema
Ou erro confesso, não sabe o próprio endereço, para desaguar conjunto,
Verbo, promessa e apreço no oceano pretenso do completo sentimento
Que possuo e mereço.
Para confundir tudo
para Cássia Lopes por todas as palavras
Trago no bolso uma moeda para Exu
Para que fazendo seu papel não me corte dedos
Pois deles preciso para o corte das oferendas, sangue e verossimilhanças
Como as aves que se recolhem ao crepúsculo
Enquanto crianças tombam nas encostas, esquinas e becos.
Laroiê!
Saúdo seu lugar tempo e presença
O uso da graça, do riso, tua gargalhada
Própria para remissão do medo
Atrevimento além de tudo que está impresso
E que se revela drama e como tal afia bordas metafóricas de papéis
Que enorme falta papéis: cortar os dedos gentis da musa Cássia
E esses doem, ao doer, fazem com que ela diga do silêncio das sepulturas
Do Cementerio de la Recoleta onde moram Adolfo Bioy Casares, Bartolomé Mitre
Eva Perón, e outros de alta casta. La Recoleta evita certas presenças
Negros lá não têm o sono eterno, não lhes cabe
E tu Exu estando acima de ódios ou vinganças
Deves ter levado os teus nas asas dos condores quiçá abutres gigantes
Ao universo verso da imortalidade...
Todos os mitos, caráter, elocução, pensamento, espetáculo e melopéia
Sinos silêncio, Luz e Ação
E meu momento, receptáculo do mais descrente amém à dolorida verdade.
PRECIOSA !!!!
Somos pedras preciosas ,
mas que o mundo nos lapida ,
e por mais que ele nos ensina ,
somos rústicos ,
coberto pela poeira,terra, pelo tempo .
Mas ha de se falar que há descobridores.....
que por caminhos interessantes nos encontram ....
e neste encontro ,desenterram-nos ,nos dá polimento ,
poe-nos no presente .
Aos poucos lapidam-nos,aos toques,com jeito,a um olhar
atento pra nos tornar de uma pedra rústica à uma pedra
polida,preciosa.
Mas as pedras ,a cada uma tem seu valor .
Somos lapidados e lapidadores .
E A PEDRA PRECIOSA ?
É ,às vezes temos só o valor de lapidar,transformar,
mostrar nosso poder,nosso valor .....
Mas depois da pedra lapidada,não a temos por perto,nossa....
ficamos apenas com as saudades...
sentimentos.....
sem a preciosa pedra....
somente com o valor da habilidade....
de lapidar e saudade de ser lapidado...
e de ser de fazer....
PEDRA PRECIOSA.
O homem não pode pretender alcançar certas verdades,
enquanto conserva dentro de si certas mentiras.
Há alguma coisa no caminho, algo que me faz pensar,que leva minha atenção
Que rouba a concentração,aumentando as batidas do coração.
Há alguma coisa no ar,algo que me faz delirar,que me faz parar e ao mesmo tempo passos dar,aumentando o desejo de querer te encontrar.
Mas há algo não consigo entender,algo que me faz pensar no por que de te encontrar,mesmo sem te conhecer pois isso me faz delirar,aumentando as batidas do coração,roubando a concentração ao mesmo tempo em que penso em ter que parar ou andar,levando-me a pé a caminho ou voando pelo ar ao verdadeiro desejo de querer te de Amar.
Sempre experimentei alegria da tristeza, mas nunca a tristeza da alegria,
Desisti de tentar e assim como o amor e o ódio opõem-se,me contraponho na contrapartida da vida que me colocou na bifurcação da decisão.Desisti não por que deixei de amar mas por não ter mais condições de sofrer .Como alguém pode dar o que não tem? Então você me deu as únicas coisas que tinha,vazio, confusão,dor e tristeza,então vivi esses dias de tempestade intensa,sendo surrado pelo vento forte e pelas altas e pesadas ondas que abalavam seu interior caótico.Que bom que acabou o que nunca começou,a noite escura e densa se dessipa com a luz do porvir e meus olhos indispostos vêem um futuro,isso me reanima,alimenta o desejo que você com sua cordialidade má tentou sufocar,por isso vou prosseguir em passos firmes e constantes para o que logo adiante de mim está.
Que venha dos sonhos mais profundos,profundos como os oceanos
Que venha do alto,assim como a chuva que cai
Que venha de perto, perto como dois lábios se tocando
Que venha de longe, tão longe que venha de nave espacial
Que venha da verdade,assim como um sorriso infantil
Que venha na velocidade de um Flash ou de uma tartaruga dando a volta na Terra
Ou Simplismente venha andando devagar como se estivesse desfilando, com suor na mão, coração disparo
Mas quando chegar.Que venha com a certeza de que é amor
PEQUENAS OUSADIAS HUMANAS
Mergulhar de cabeça no fundo da alma, tomar sol de canudo e a lua à conta-gotas.
Sentir raiva da mãe, prazer de está sozinho, gosto pelo amargo, sonhar de olhos abertos e criticar a si mesmo.
Falar com as estrelas, esquecer o futuro, debochar do passado, relevar o presente, sorver a vida entre os lábios.
Embriagar-se de amor, torturar sempre o coração, lamentar o que não fez, curtir o mundo aos pedaços, explodir de emoções.
Evocar os deuses do universo, conseguir o impossível, beijar a face oculta, escutar o silencio, incomodar o sossego.
Suicidar-se de paixão.
Poxa como é dificil falar com vc!
Ontem a noite perguntei por vc as estrelas e
elas me disseram que não tinham te visto, fiquei triste...
Mas hoje pela manhã não desisti e perguntei ao sol por vc
e disse a ele que as estrelas ja haviam me dito que vc não
tinha passado por ali..
Ai o Sol me explicou que as estrelas mentem quando
existe alguém que brilhe mais do que elas..
SONETO DO GRANDE ENCONTRO
A vida tem mistérios e razões
que somos incapazes de entender.
Por que ficar tentando se prender
a tão simplórias leis, explicações?
Valeu a pena quando corações
cruzaram-se na noite sem saber,
que aquele era tempo de viver
a eterna história tema de canções.
Perfeito, pois não tinham intenção.
Bonito, pois ninguém o planejou.
Encontro de linguagem e visão.
E, juntos, eles brilham uma cor,
que não se vê nos pares do salão;
a cor que eu chamo vida, outro, amor.
"Se era tão sedosa e perfumada
que tudo quanto houvera embriagasse,
É certo que era coisas de mulheres
e homens que a elas se entregassem".
- Relacionados
- Poesias de Carlos Drummond de Andrade
- Poesia de amigas para sempre
- Poesia Felicidade de Fernando Pessoa
- Poemas de amizade verdadeira que falam dessa união de almas
- Frases de Raul Seixas para quem ama rock e poesia
- Poemas de Carlos Drummond de Andrade
- Poesias para o Dia dos Pais repletas de amor e carinho
