Poesia do Carlos Drumond - Queijo com Goiabada
O diabo disse para Daniel na cova dos
leões
É o fim!
•E Deus disse, assim:
•É o começo! Sua história mudará o
mundo!
•O diabo disse para Jonas, na barriga
de um
peixe: É o fim!
•E Deus disse:
•É o começo! Nínive será salva através
da tua
pregação!
•O diabo disse para João,
exilado na Ilha de Patmos: É o fim!
•E Deus disse:
•É o começo! Você escreverá a maior
revelação
de todos os tempos (O Apocalipse)
•O diabo disse para Jesus, morto na
cruz: É o
fim!
•E Deus disse:
•É o começo! Todo o poder no céu e na
terra,
Eu entrego nas Tuas Mãos!
•Por isso se o diabo disser a você, que
É o
fim!
•Comece a dar Glória a Deus e se
alegre no
Senhor!
•Porque Deus está dizendo: É o
começo!
•Eis que tenho maravilhas para
cumprir em
sua vida!
cada um tem seu tempo
enquanto um amassa o pelo
outro ativa a estrada
dentro do homem
a calma longínqua
por fora encrespa a flora
queima o grito
a cachorrada solta
o passarinho na gaiola
no pescoço dente afiado
a voz é curta projeção
eco infinito das palavras
a fera dorme tranquila
longe das minhas pegadas
da borracha na galocha
no asfalto esta as patas de uma gata
em busca de arrepios
não da pra ver direito
a leitura urge
emparedada
um choro caboclo
uma risada espraiada
medida abastada
sentimentos distantes
aglutinados deliberada
na nuca da águia
não se vê o tempo nem nada
Espero que quando o grande amor da sua vida for embora
Ela só deixe em sua lembrança um retrato 3x4 do Noel Rosa,
Pois apesar de ser nostálgico,
É feio e não serve pra nada.
E pra cada trilha de sangue
Há uma nova história a se contar
E em cada paço, um personagem diferente,
Aparece para você esbarrar,
A cada passo você conquista um espaço
E perde um sem tanto valor agora.
Estamos parados, mas não foi por querer,
Foi ao acaso que tudo parou
Será que eu posso realmente te esquecer???
Mas quando eu sofrer (caso eu sofra) não vai prestar,
Eu vou quebrar tudo e desligarei os monitores.
Nossa carne é envenenada,
Posta ela nesse tabuleiro de xadrez,
Para sermos manipulados,
Nesse jogo somos piões esperando um dia ser rei.
De bolado pra bolado,
qualquer coisa vale,
só não vale o que passou da validade,
o que parou pra poder virar do avesso
e o pior é que conseguiu;
Meio que pra fora,
Meio que de lado,
Meio torto:
Avesso como ninguém.
Semeio palavras de ordem,
Retruco e recebo aqueles tais louros,
Gaguejo minhas ideias,
Gaguejo mais ainda
Por me apaixonar a toda hora.
E toda hora sempre é a pessoa errada.
Mostre suas idéias meu amigo,Elas são sua vida e seu pilar;
O que de real esta engajado,
Levante a cabeça, se acalme e diga o que há.
Sua mente aberta, o serrote estava lá
e a fabrica a funcionar,
São isso apenas detalhes que fazem o mundo girar.
Não me deixe de canto!!!
Eu olho pro teto branco
E procuro as respostas
Procuro um amor mais brando
Procuro pequenas amostras
Olho pra frente e vejo o passado
Atrás, avisto meu futuro
Tudo em minha volta fica enrolado
Vejo a esperança através de um furo
Pinto as unhas de uma cor avermelhada
Penteio o cabelo para tomar banho
Não me faça me sentir amarrada
Não me deixe de canto
Me mandaram escolher uma profissão
Escolhi fazer arte
Sem dar outra opção
Ser feliz também faz parte!!!
Propriedades da diretoria
Assassinaram e esmagaram
Os meus heróis, eles mataram
Mergulhados, afogados
Ou até atropelados...
Talvez essa fosse a salvação
Não se encontrariam hoje, nesse mundo sem noção
Eles buscavam ideais
Não se importavam com bens materiais...
O que restou foram as canções
As poesias que ficaram em nossos corações
As vozes, que em nossa mente ficaram gravadas
E suas grandes histórias, por muitos amadas...
Os meus heróis pediam justiça
Para os "grandões" não nos fazer de carniça
Quanto mais ameaçados, mais gritaram
Foram até o fim, verdadeiramente contra atacaram...
Eles brigavam por um mundo com valor
Para deixarmos os tons de cinza, e vermos cor
Tirar do pensamento que eramos mercadorias
Catalogadas, embaladas, propriedades da diretoria...
Meu pensamento voa além do horizonte...
Caminhando por estradas íngremes...
Às vezes eu corria antes que o tempo apagasse os meus sonhos...
A grama parecia um tapete verde...
As luzes das estrelas brilhavam com muito mais brilho
E a lua me trazia noites maravilhosas... Era tudo muito doce...
Perfeito!
Hoje, meus olhos desgastados ainda fitam o horizonte
Apesar de que passei tantas vezes por essa estrada...
As brumas das manhãs ali continuam... O nevoeiro...
Tudo continua lá... O barulho das águas a correr... E
Uma saudade sem fim!
Três vidas...
(Nilo Ribeiro)
Baseio-me na lenda,
para versar a realidade,
minha vida é uma oferenda,
explico logo esta verdade
da lenda não tenho convicção,
portanto não será contada,
mas minha vida é afirmação,
ela é um conto de fada
sete vidas tem o gato,
mas não sei contar a estória,
tenho três e sou grato,
para mim é a glória
ontem escrevi uns versos,
à esta glória me referia,
versava meus três universos,
a vida, você e a poesia
tenho a vida terrena,
que Deus me presenteou,
é uma vida plena,
pois nasci de um amor
desta vida ganhei mais duas,
as melhores coisas que se pode ganhar,
é como céu com duas luas,
só se tem para encantar
uma é a poesia,
meu refúgio e prazer,
ela é minha alegria,
às vezes o meu sofrer
a poesia veio de outra vida,
a vida que me faz viver,
falo da minha diva,
pois eu verso é pra você
se mais vidas eu tivesse,
todas a você eu daria,
pois além de ser minha prece,
você é amor, vida e poesia...
O SOM DO RECOMEÇO
Quantos sons tem um primeiro encontro, passos correndo em sua direção, respirando ofegante o abraço de uma vida. Quantas horas dura um aperto no peito, não tenha jeito que fosse diferente, ser crente que és todo meu. Quando se está junto, não tem mais culpados, o amor, antes deixado de lado, agora toca o mundo, ilhado, sozinhos e impedidos de serem separados.
Quantos sons tem uma dúvida, passos ensaiando direções, rostos deitados no travesseiro. Quantas vidas daqui ficam uma saudade, uma indecisão que mora ali noutra cidade, os dedos evitando decisões ao léu. E quem tem culpa do amor bandido, esse maldito amante que se arrasta ferido, que suga energias e termina a paixão antes do final, um mal que segura sua mão firme, impedindo de embarcar no próximo avião matinal, e de igual ordem, ir até você.
Quantos sons tem uma partida, sapatos pisando no gramado, rosto virado ao seu. Quantos dias daqui fica uma partida, quilômetros distanciando o que foi amado, desgosto alimentando um réu. É o culpado de um desgraçado fim, das partes soltas que escaparam de mim, mais um não, mais um adeus, e quem Deus, dirá de mim.
Quantos sons tem um recomeço, pés descalços andando na chuva, olhos fitando os meus. Quantas vezes eu mereço, alegrias aqui registradas, longas distâncias com abraços curadas, corpo saltando para um novo céu. Não tem mais culpas dentro de um recomeço, é confortável encontrar suas melhores partes esquecidas, do alto do ego que desço, todas ruelas de sentimentos viram avenidas, de bocas esquecendo seu preço, estreando um novo fim.
Aí que o som silencia. Os corpos viram um. Agora o mundo já foi acordado e podes respirar.
"Eu olho para o futuro desconfiada, dou-lhe um sorriso furtivo e desdenho de suas promessas.
Por ser ele infinito, me cansa olhá-lo, e me apraz dar-lhe as costas e abraçar meu presente.
Esse, está aqui e é tudo que eu tenho, nele administro meus sorrisos, controlo minhas emoções, cuido de minhas raivas com carinho, observo tudo ao meu redor...
O futuro, esse incansável conquistador, recebe às vezes, minha visita, satisfeito e orgulhoso de si.
Só não sabe ele, que essa é minha forma de descobrir suas estratégias..."
MEMÓRIAS DE UMA NOITE.
Aqui estamos nós a nos olhar
E sobre nós a lua a iluminar.
Ela que clareia a areia e a esse imenso mar.
Aqui estou agraciado, pois teimei em te esperar!
E tu, porque tanto racionaliza o amor, morena ? Porque se preocupar ?
Procura vivê-lo romantizado, em um complexo de alma gêmea.
Porque te preocupas ?
Se quando olhas no espelho vês a mim
Se quando pensas, pensas em mim
Se quando sonha, me evoca em teu inconsciente.
Vivo cativo sem perceber, sendo assim, nenhum esperança há de morrer.
Eu que busquei em você a poesia verdadeira, de tão sublime tornou-se a primeira.
És tu quem me dissolve num beijo cálido.
De tanto querer eu vivo ávido.
Não sabes, mas tens o dom de dissipar qualquer anseio.
Permeia nos fins, e justificam os meios.
Em meio a tantos versos, serei seu cúmplice eterno.
Enquanto isso, permaneço firme, austero, fraterno.
Gastando o giz, desenhando estrelas no céu.
O amor é um sonho doce e todo bom poeta o eterniza no papel.
ABSTRAÇÃO
O que me resta é descrever o que acontece na criação
Na conexão tácita entre o mundo real e o segredo da abstração.
Da percepção das formas imaginárias que me caem, hora com desdém.
Que se consolidam através da técnica, num doce vaivém.
De onde vem essa beleza de jardim, firmeza de arquitetura?
De onde vem essa poesia de mulher, essa flor de formosura?
Como extrair essa melodia tão sublime, sem colcheia ou partitura?
Basta só te imaginar e me conectas com o que há de mais sagrado.
Ao despertar em mim a arte, te transcrevo num retrato.
E é assim que vou unindo a sua vida ao meu caminho
Acabando aos poucos com as reticencias que separam eu ... de você
Sigo a estrada que surge nas águas a luz do luar.
Acompanhando a correnteza, seguindo sempre a navegar.
Então, homem! Vê se aprende a pescar.
Encontra nela a poesia antes de se apaixonar.
Triste dos termos, dos ermos, dos que vivem em amargura!
Não é preciso ser um gênio, nem viver em clausura.
Percebe a música no jeito olhar, a arquitetura no teu corpo de mulher
A poesia de beijo singular, ao doce sabor do bem-me-quer.
ESTOU SÓBRIO FINALMENTE
Sóbrio, como folha limpa
Palavra não dita
Bar sem bebida
Melodia ausente de nota
Conversa sem volta
Mulher sem paixão.
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