Poesia de Mãe para Filha
Há mães surdas e mudas.
Há mães com bipolaridade.
Há mães cegas e com debilidade mental.
Há mães solteiras, casadas e descasadas.
Há mães preguiçosas e multifuncionais.
Há mães provedoras.
Há mães que são pais, Há mães que na hora certa é ditadora e num piscar de olhos é doce como mel.
Há mães de todas as naturezas. Há mães de 24horas, de janeiro a dezembro, de uma vida inteira.
Se não reconhecer a mãe que tem, então reconheça que você foi alimentado pelo Umbigo através de 72.000 veias ligada na placenta da (mãe ) por nove meses
Reconheço que tudo em mim, e o que sou, veio através da minha mãe.
Natalirdes Campos
O MENINO DA SUA MÃE
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.O MENINO DA SUA MÃE
No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas traspassado
— Duas, de lado a lado —,
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem! que jovem era!
(Agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
«O menino da sua mãe».
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lha a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.
De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço... Deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
«Que volte cedo, e bem!»
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe.
Mãe é tudo aquilo que ninguém sabe medir ou calcular, pois ela está acima de todos os cálculos matemáticos, ela conhece o que fomos e o que somos!
Obrigado por ter-te mãe...
Pare de reclamar sobre seu Pai ou sua mãe. Você consegue reclamar porque tem pai ou mãe para reclamar, imagina para quem não tem para reclamar?
O seu pai ou a sua mãe só quer o seu bem, para não cair na lama.
Como é o seu Pai? Ou a sua Mãe?
Olha, pare de ser preconceituoso, usando palavras que não servem para descrever os seus pais, eles são seus importantes independente de qualquer coisa.
Janelas..
Sempre foram portas para os pensamentos
Hoje é um respiro de uma mãe
Sentir o vento batendo no rosto, o vaivém de outras histórias e vidas.
Olhar pra janela é ver o mundo também dentro de mim e ver que há outro além
Movimento
Que leva me carrega por aí como vento em dia de tempestade e me sacode pra fora do cotidiano
Necessário
Porém raro,
Exaustão, momento presente que meu corpo se encontra e grita por reencontro
Confusão
Onde estou?
Sim , sei meu nome e minha história, acolho tudo isso, a questão não é não ser mas saber o que ser no meio de tantos atravessamentos
é estranho sabe, ressignificar tudo através da morte de um ego
Nostalgia.
Saudades
Vontade de ter colo também
De fugir por alguns instantes e voltar porque nessa dor eu tenho amor
Nessa dor eu me encontrei
Mesmo havendo dias em que o que há é mais uma página em branco para se rabiscar
E que bom que tenho essa oportunidade!
Tudo o que se ééoquesetem?
Dizemos minha mãe, meu filho(a), meu amigo, mas não são nossos!
Todos nos foram apenas emprestados para aprender a amar.
Marilia Masgalos
A Geometria e a Harmonia acolhem minhas diárias preocupações.
A vida é minha mãe e as horas minhas constantes orações.
Nesta madrugada que
supera cinquenta dias,
sou a canção triste
do choro da tua gente:
da mãe, da irmã,
das filhas, das lideranças
e da mulher amada.
A tirania foi reconhecida,
ela nasceu inabilitada
e foi em exílio suspensa
embora ela não reconheça.
A verdade dolorida
é que sobre a sua prisão
não se sabe mais nada,
e assim sigo incomodada.
Abertas estão as
Asas do condor
Sobre o continente,
Carta de pedido
De perdão da Mãe
Pela libertação
Do rebelde filho.
De pé pelo povo
Mesmo após
O susto ocorrido,
Ele não deixa
Quem quer que
Seja fazê-lo rendido,
Da Pachamama
Ele é o protegido.
Abya Yala, terra
Que não se abala,
O Império não nos
Curva e não cala;
Eis a poesia que
Não é a cura
Que você busca,
Cheia de si ela
É amor em via
De retribuição,
E total integração.
Se pudesse
ser o bálsamo
da Mãe que
chora pelo
heróico filho,
da amada
que sofre
calada e das
filhas que
sentem falta
assim eu seria,
mas como
não posso:
deixo esse
e outros
capítulos
registrados
em forma
de epopeia
revisitada
em tempos
extremos
e de plena
vigilância.
Triste é a
história do
General,
e descontente
o tom sepulcral
que exigem
que a gente
pare de gritar
para o mundo
que ele é
inocente.
Faz sete meses
e mais um
dia na roda
gigante da
tirania
que realiza
revistas
surpresas
para ver se
não houve fuga,
e envia
forçosamente
para o exílio
quem discorda
da Ditadura.
Coqueiral do Sul
Seguindo as intuições
dadas pela Mãe Peregrina
dirijo os meus passos
até a gruta e as orações.
Cocal do Sul, minha poesia,
feita de artesanato
e de aroma de alambique,
Cidade amorosa
de gente que não desiste.
Seguindo os sinais
das imigrações tu me
deste lavouras de amor,
encantos e de emoções.
Cocal do Sul, minha poesia
do coqueiral na beira
do teu Rio principal de amo
por aquilo fostes, és e serás
e das águas do Rio Tigre
a potência dele sempre deterás.
A Palavra Mãe
Quando pronuncio
a palavra Mãe,
Soam ao mesmo
tempo toda as estrelas,
é o coração reunindo
todas as festas
ao dizer o código de todas
as maiores riquezas:
palavra que traz
o mais alto pacto com a paz,
o incontestável resumo
de todas as primaveras,
a infinita magna poesia
e gratidão pelo dom da vida.
As Cores do Médio Vale do Itajaí
Da paleta de artista
da minha Mãe
a poesia visual aqui
em Rodeio se cria
com as belas cores
do Médio Vale do Itajaí.
Pincéis da minha Mãe
que criam e recriam
paisagens daqui,
paisagens bucólicas
próximas e distantes,
Saem deste pincéis
também mares
desertos e montanhas.
Da paleta de artista
e dos pincéis da minha Mãe
saem as cores deste
nosso mundo azul e colorido,
e toda a vontade de viajar
sem deixar este lindo lugar.
Angola Janga
Mãe de Ganga Zona, Sabina
e de Zumbi dos Palmares,
Minha Angola Janga,
Princesa, virtuosa guerreira
e protetora da liberdade
da nossa Pátria Brasileira,
Aqualtune sublime,
te entrego o meu coração
como poética oferenda.
Uma fatia generosa
de Bolo Mãe Benta,
Um copo de suco
geladinho de Cambuí,
Você está em mim
e eu estou em ti,
porque estamos dentro:
Só falta você comigo aqui.
Sou eu que fotografo
as artes da minha Mãe
como quem colhe frutas
no pomar do Universo
neste nosso Hemisfério,
e no meio de tantas artes
é a poesia o meu caminho certo.
Aiacó, Mãe da noite,
minha divina confessora,
me acalanta e consola,
Para que mantenha
a alma plena e amorosa
de fé e de poesia
para que tudo em mim
se ergue com o raiar do dia.
