O MENINO DA SUA MÃE No plaino... Zuleyde Sofia

O MENINO DA SUA MÃE




No plaino abandonado


Que a morna brisa aquece,


De balas traspassado


— Duas, de lado a lado —,


Jaz morto, e arrefece.




Raia-lhe a farda o sangue.


De braços estendidos,


Alvo, louro, exangue,


Fita com olhar langue


E cego os céus perdidos.




Tão jovem! que jovem era!


(Agora que idade tem?)


Filho único, a mãe lhe dera


Um nome e o mantivera:


«O menino da sua mãe».




Caiu-lhe da algibeira


A cigarreira breve.


Dera-lha a mãe. Está inteira


E boa a cigarreira.


Ele é que já não serve.




De outra algibeira, alada


Ponta a roçar o solo,


A brancura embainhada


De um lenço... Deu-lho a criada


Velha que o trouxe ao colo.




Lá longe, em casa, há a prece:


«Que volte cedo, e bem!»


(Malhas que o Império tece!)


Jaz morto, e apodrece,


O menino da sua mãe.O MENINO DA SUA MÃE




No plaino abandonado


Que a morna brisa aquece,


De balas traspassado


— Duas, de lado a lado —,


Jaz morto, e arrefece.




Raia-lhe a farda o sangue.


De braços estendidos,


Alvo, louro, exangue,


Fita com olhar langue


E cego os céus perdidos.




Tão jovem! que jovem era!


(Agora que idade tem?)


Filho único, a mãe lhe dera


Um nome e o mantivera:


«O menino da sua mãe».




Caiu-lhe da algibeira


A cigarreira breve.


Dera-lha a mãe. Está inteira


E boa a cigarreira.


Ele é que já não serve.




De outra algibeira, alada


Ponta a roçar o solo,


A brancura embainhada


De um lenço... Deu-lho a criada


Velha que o trouxe ao colo.




Lá longe, em casa, há a prece:


«Que volte cedo, e bem!»


(Malhas que o Império tece!)


Jaz morto, e apodrece,


O menino da sua mãe.