Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Pterodactilia.
Era doença sem nome.
Uma crença que não tinha um credo.
Era Deus a fazer poesia
Daquelas que o tempo não leva
Tão belas, que leva muito tempo
Para lê-las todas
Um meio-dia infinito
Era um minuto na eternidade
Mas o vento
Sempre as levaria
Pra lugar distante
Pois, diante de força tamanha
A existência do Universo
É breve
A verdadeira força do vento
Se esconde
No ato de soprar de leve
E sem pressa
Transformando
A mais alta montanha
Em algo leve
Em algo que o vento leve
Tão depressa quanto a vida
Era a pterodactilia de Deus
Doença de fazer
Versos
Poesias
Universos
Fazendo-as parecer
Um pensamento esdrúxulo
E em meio a tudo isso.
Durante o correr de Eras
Saber que era o mundo inteiro
Alguma coisa que coubesse
dentro de um cinzeiro
E sobraria espaço
Era somente questão de espera
Outra parada em qualquer estação
Escrito e previsto
Que o começo e o fim
Se encontram num lugar comum
Num ângulo
de trezentos e sessenta graus
Vai e volta e se consome
E assim bem e mal se vão
Todo lugar é um lugar qualquer
E qualquer lugar é lugar nenhum
Aquilo que ontem era tudo
Desaparece em movimento mudo
Em questão de momento
O vento leva
Até mesmo o sinal de igualdade
E tudo acaba
Sendo eternamente igual
Não se divide o invisível
Em partes iguais
Ponto final
Nada mais.
Edson Ricardo Paiva.
Eu não sei escrever
poesia bonita
Como as fazem os poetas
Mas a minha é sincera
Tão fingida
e mais mentirosa
Que as deles
Do jeito que se espera
Quando se lê poesia
Um pouco de versos
Um dedo de prosa
E inverdades
Das quais lanço mão
No formato de poesia
Deixo-as aqui
Pra não usá-las
no meu dia-a-dia
Diferente dessa gente
Que traz na ponta
da língua comprida
E não tem paz na vida
Se não conta.
Edson Ricardo Paiva.
A Poesia dos Grilos.
Tem horas que a vida
Não é que ela parece
Que perdeu todo sentido
Tem horas que eu olho pro mundo
E a impressão que eu tenho
É dela nunca ter tido
Minh'alma descalça e nua
Passeia em olhares perdidos
Por breves trechos, preces leves, tão compridas
Curtos pedaços da vida, uma viagem
Pelas ruas, pelo céu, pelo passado e presente
Perdidos no correr da vida
Outro dia, talvez a gente encontre algum sentido nela
Vou buscar na lembrança dos meus olhos
Um resto de olhares felizes
Eu me vejo quando embarco numa balsa e atravesso
Um pequeno espaço... tão vasto é este universo
Valsa a atmosfera
Meu olhar espera ao menos
Ver estrelas parecer felizes
Cá da terra as sei como são falsas meretrizes
Intocadas, infelizes
Inspirando aos grilos a mais linda poesia
Profundas como as jamais ouvidas
Deste meu lado da vida
Belas como aquelas
Que eu quis fazer e não fiz
Pode ser que por amor
Pode ser de solidão
Pode ser que de cansaço
Pode ser de pés no chão
Pode ser de limitada alma de gente
Tem horas que a bela vida
Não faz sentido
Eu disse só isso, somente
Como a terra abrisse a boca e me engolisse
Sobre a gente desistir?
Não, nada disso eu disse.
Edson Ricardo Paiva.
Pode até
Parecer poesia
Mas não é
O modo como a gente
As diferencia
Conta muito mais
Uma coisa entre o vento
que corre e que varre
E o ventre da terra
que produz e reproduz em paz; que multiplica
Entre a morte, que não morre e que não erra
E o tempo, que apesar de não ser eterno
Ao que tudo indica
Corre eterno, eternamente
A noite que se vai, pra dar lugar ao dia
A noite que chega no final do dia...e fica
Pode parecer poesia
Porém, essas são perfeitas
Outras, hoje a gente ajeita
Amanhã, as modifica
Pois precisam ser refeitas.
Edson Ricardo Paiva.
Anos atrás eu escrevia
Minha poesia rupestre
Escondida à luz do dia
Inexistia um guia
Não carecia de mestres
E também não havia
Erros mortais
A queimar em alguma pira
Como em qualquer
Livro que eu já tenha visto
Um misto de verdade e invenção
Me adentrou o coração
Um ser que tocava lira
E encomendou-me um poema
Que tivesse o amor como tema
E eu fui atender a tal pedido
Sem saber
Que o diabo é pai da mentira.
Tem hora que a gente
sente vontade
de escrever poesia
mas não algo
Simplesmente convencional
Mas algo concretamente
Abstrato
Que falasse sobre alguma coisa
Que pesa sobre a gente
Apesar de flutuar
Algo lírico e poético
Mas que machucasse
Como se uma flor caisse
e fizesse
Alguém chorar
Como nunca chorou
Por nada
Eu queria ser poeta
Conhecer a maneira correta
De ferir somente o coração
Como uma canção bonita
Que fica na memória
e faz sentir saudade
de um lugar onde nunca esteve
ou se esteve, não se lembra
Mas tem vontade de estar
Agora
Eu não sei como se escreve
Algo que faz alguém sorrir
Enquanto chora.
Qual será o poema mais bonito
que já foi escrito?
Eu o vejo todo dia
Não é poema, é poesia
Recitado com o Verbo Divino
A primeira vez que o lí
Eu ainda era menino
E nem ao menos compreendia
tanta beleza que via
Quando olhava o Céu e as Estrelas
Havia comida à mesa
E borboletas e formigas
no quintal
E às vezes dentro de casa
E mesmo sem nunca tê-los visto
Eu sabia que existiam
As Florestas, O Mar e o Amor
O Amor de Deus
A me dar atenção
E a emprestar-me
a compreensão
e poder ver tudo isto
Era-me algo tão natural
Que um dia então
Eu quase que pensei
Que eu era mau
Ao descobrir
Que nem todo Mundo
Enxerga as coisas
Sempre igual.
Platão não valorizava a poesia
como inspiraçåo poética, por
acreditar erroneamente, que o
poeta reproduzia apenas a
cópia, de meros sentimentos.
I
Para escrever
um poema, poesia
ou mesmo até
uma prosa poética
não há dificuldade,
é só ter vontade
que cedo ou tarde:
você vai escrever.
II
Busque um momento:
não importa onde esteja,
seja em silêncio
ou em movimento,
se você tiver vontade
e concentração:
você vai escrever.
III
Não é preciso ter lido
muitos livros,
o importante é ter
vivido, imaginado,
sentido ou estar
vivendo tudo
ao mesmo tempo:
você vai escrever.
IV
Se você tem como
ler livros de poesia
ou outros livros,
eles vão te auxiliar
quando para você
alguma palavra
na hora de escrever
por acaso faltar,
e depois mesmo
sem premeditar:
você vai escrever.
V
Quando te faltar
alguma ideia
para escrever
você pode contar
com a Lua, o Sol,
as estrelas, o céu
e todo o Universo,
E aqui na Terra você
poderá contar com
o quê está vendo
sentindo ou vivendo
que cedo ou tarde:
você vai escrever.
VI
Quando te faltar
alguma ideia
para escrever
você pode contar
com a Natureza,
os quatro sentidos
e os quatros elementos,
Buscar inspiração
com outros poetas
_só não pode copiar_
Você pode buscar
se inspirar nas cidades
nos países, viagens,
fatos históricos,
e em todas as artes,
que até no meio
das tempestades:
você vai escrever.
VII
Não se preocupe
em agradar
com rima, métrica
das palavras, ou mesmo
a ortografia
ou a gramática acertar:
Escrever você só vai
aprender escrevendo
como quem dirige um carro,
ou se monta um cavalo;
É da mesma maneira
que se aprende a surfar,
a navegar com um barco
ou a fazer um avião decolar.
Que ninguém se importe,
não veja ou não creia:
continuo sempre a mesma.
Sou a poesia desta cidade,
traçando rotas que tragam
você em alta velocidade.
Sei que você não é mais
o mesmo de antes,
e me deseja de verdade.
Vem em ti surgindo muito
antes do Ano Novo
Lunar imparáveis desejos.
Por adivinhação algo diz
que todo o dia você tem
me colocado no seu ritmo
para me colocar junto
ao calor do teu peito.
Em fascinante silêncio
desfruto em segredo
a sua capciosa sedução,
porque este romance
como o Sol está se erguendo.
Onde há poesia
sempre haverá
sonho e alegria,
Este poema não
é qualquer poema;
É um poema cheio
de fé na vida,
Com galope e rima.
É uma dedicatória
aos poetas da cidade:
Porque sempre
que houver poetas
haverá liberdade.
Não haverá nunca
pós ou vida vazia,
sou a que não é
nem será perfeita;
porque de poesia
nasceu feita porque
é cheia de vida.
Como ocupação
mansa e divina
de um por um
dos teus enigmas,
virei conhecedora
das tuas armadilhas.
Sei o quê quero
e como mereço,
quando percebo
o sentimento fútil,
apenas não aceito,
porque não convivo
e total me pertenço.
Como dona de si,
alma sacudida
e origem igual a tua;
sem pensar você
se tornou entrega,
e fui pela rota de fuga.
Sob todas as luzes,
sóis, luas e estrelas:
não gostei do que vi,
certa, como e tal
a Fortaleza Santana,
optei daqui adiante
distante ficar de ti.
A minha poesia
não é e nem
dá nenhum trabalho,
ela é respiração;
não me canso
de repetir este refrão:
"Só povo salva povo",
Isso tem ocorrido
não só na minha Nação,
o povo que é povo
acaba entregue
a sorte do destino
em desatino
e nos braços da orfandade.
Há muita gente que
sofre com a falta
de solidariedade
pelas fronteiras,
por falta de um simples
pedaço de pão
ou pela falta
de uma mão estendida,
tal como o General
há mais de dois anos
em injusta na prisão
que ainda precisa
de você que tem
a caneta do poder
na mão e pode
promover a justiça .
Nestes versos
que ecoam
há mais de três
semanas vozes
porque aqueles
que tem a vida
do General estão
em silenciação:
É digno, justo
e necessário
insistir e jamais
abandonar a convicção
de pedir a libertação
pela vida da reconciliação.
Insisto que não é preciso
de flores e de poesia
para vencer uma guerra,
Não é preciso de muito:
é só ver Vênus e Spica
no céu em frenético ritmo.
O Império saiu da mesma
maneira que entrou levando
o peso do fracasso esperado,
o mistério da fé fala por si
sobre a história de superação.
Dizem que o amor romântico
nesta Era foi derrotado,
construí a minha fortificação,
Porque na vida ninguém vive
sem sonho, sem motivação
e sem o coração apaixonado.
A partida do último soldado
e o enterro dos Impérios
me levaram para bem longe
do que foi convencionado
ao encontro da liberdade.
Sigo no sentido contrário
daquilo tudo que impõem:
sou a declarada rebeldia
- em total personificação -
O encontro de Lua e Vênus
inspirarão a aproximação.
Rodeio de Noitinha
Rodeio de noitinha
se veste da poesia
que ainda não escrevi,
Cai a chuva sobre
a nossa linda cidade
do Médio Vale do Itajaí.
Rodeio de noitinha
me recebe generosa
porque uma para a outra
não nutrimos mistérios,
Somos muito mais
simples do que parecemos.
Rodeio de noitinha
faz pensar na vida,
o quanto adoro o quê
é descomplicado
e o quanto amo viver
na nossa Santa e Bela Catarina.
Ser poeta em plena
quarta-feira é fazer
da rotina a real poesia
do seu dia-a-dia,
Se não tiver caneta
e papel na mão,
Beba café e coma
um docinho gostoso
para alegrar o coração.
Tudo pode acontecer
entre eu e você:
Outubro é poesia
e você não imagina,
na vida o quê nos basta
é só o nosso querer!
Sobre a sua pele hei
de escrever a poesia
que não pode ser dita,
Porque nos teus olhos
sei que tenho o jardim
secreto das minhas delícias.
A poesia das sete
cores místicas
correm do meu
sangue para o seu,
e não vai parar
o quê em nós
anda crescendo;
Não iremos calar
por muito tempo,
Disfarçar já não é
mais o meu forte,
e a culpa é sua.
Não nego que
sempre te atento
no meu pensamento.
