Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A escravidão jamais feriu a sensibilidade moral dos africanos, que a praticaram durante milênios sem ver nela nada de errado. Os cristãos europeus, ao contrário, sempre a consideraram abominável e não pararam de lutar contra ela desde o dia em que o primeiro português teve a maldita idéia de comprar um escravo na África para revendê-lo na América.
A mentira torna-se persuasiva por dois meios: (a) macaqueando a verdade até mesclar-se com ela ao ponto do indiscernível; (b) negando a verdade de maneira tão completa e ostensiva que a mente do ouvinte vacila, fraqueja e, por insegurança, acaba se deixando reformar de alto a baixo. O primeiro método é a fraude, o segundo o blefe.
O mundo de hoje louva, exalta e idolatra a independência de pensamento ao mesmo tempo que, pelas convenções acadêmicas e pelo policiamento da linguagem, torna impossível o seu exercício.
Como, em princípio, nenhuma filosofia tem uma interpretação perfeita e definitiva, a mais usual e prestigiosa caricatura da filosofia – que as universidades brasileiras acreditam ser a filosofia propriamente dita – é discutir eternamente miudezas de significado nas obras dos filósofos. Na USP chamam essa frescura de 'rigor'.
A ordem social depende da ordem fundamental da mente humana, baseada nas constantes universais a que me referi outro dia. Se esta se perde, as próprias leis se tornam instrumentos de desordem, e toda esperança de restaurar a ordem por meios jurídicos e políticos é vã. A ordem da mente depende da cultura, da religião e da arte -- se estas se corrompem, tudo está perdido.
No Brasil, agir com a maior boa-fé e sem visar a nenhuma vantagem imoral torna você um réprobo, um inimigo público.
Ademais, nem o sucesso póstumo da minha obra é coisa que mexe com o meu coração. Só o que espero é estar no céu com Nosso Senhor Jesus Cristo, com a Santa Virgem e com os meus entes queridos.
Quantos brasileiros vocês conheceram que assumiam o esforço de tornar-se pessoas cada vez melhores, do ponto de vista moral e espiritual, como sua missão mais importante -- ou única -- na vida? Eu só conheci um. E no meio jornalístico nunca vi nenhum que sequer concebesse, mesmo de longe, essa possibilidade.
"Todo sujeito que escreve só na linguagem da sua profissão, sem domínio suficiente da língua geral, não passa de um jumento mal treinado. Mas, no Brasil, esse é o protótipo do 'homem culto'."
Quando o Paulo Francis deu a um de seus livros o título de 'Opinião Pessoal', foi por pressentir que se tratava de objeto em extinção no Brasil. Hoje em dia só há opiniões de grupos e partidos, e eu me tornei o representante incompreensível de uma espécie desaparecida.
Os jornalistas e acadêmicos, no Brasil, usam de um método arqueológico: pegam um fragmento irrisório qualquer e com base nele constroem o desenho inteiro de uma inteligência, de uma alma, de um personagem do qual não sabem e continuarão não sabendo nada.
O que as pessoas hoje entendem por 'educação' é modelagem de comportamento, que é O OPOSTO da educação. Educação é dar meios, não impor fins.
De fato, a diferença entre ter idéias ou opiniões e ter uma visão DENSA, CONCRETA da realidade é a diferença crucial entre a ignorância pomposa e o conhecimento e, no fim das contas, entre o fracasso e o sucesso a longo prazo. Não há noção mais ignorada entre os brasileiros, seja na esfera da ação prática ou, sobretudo, na vida intelectual, onde, pelo que vejo todos os dias, a maioria dos opinadores não sabe distinguir entre um arranjo de palavras e uma efetiva apreensão da realidade.
É apaixonante você evoluir, pouco a pouco, da simples representação exata de objetos corporais até à compreensão objetiva de uma situação humana, de uma alma, de um drama individual ou social.
Tudo o que é destrutivo e macabro no mundo começa com a opinião de algum acadêmico e termina virando lei.
"Sofrer calúnias, injúrias, difamações, humilhações e injustiças é o que a Igreja chama 'o martírio do coração'. Agradeço àqueles que, me impondo esse sofrimento, me deram a oportunidade de oferecer algo a Deus pela salvação de tantas almas. Tudo o que escrevi e ensinei, sem esse sacrifício, vale pouco ou nada. Com ele, espero, começa a valer alguma coisa."
Quando eu defini a filosofia como a busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa, em grande parte foi baseado na biografia do próprio Aristóteles.
"Um evolucionismo conseqüente teria de explicar-se a si mesmo como etapa da evolução, mas para isso seria forçado a abdicar da pretensão de veracidade literal e consentir em ser apenas mais um símbolo provisório depois de tantos, sujeito, como todos eles, a converter-se no seu contrário mais dia menos dia."
"O ideal da ciência como conhecimento universal apodíctico é ao mesmo tempo uma miragem inalcançável e o princípio efetivo que dá estrutura e validade ao esforço científico."
Tanto o evolucionismo quanto o criacionismo são mitos, isto é, narrativas analógicas, insinuações finitas de um conteúdo infinito, separadas do seu sentido por um hiato tão imensurável quanto esse mesmo sentido.
