Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
A vida é Ferreira e tão sinGullar
A dor é o que te faz sofrer em dor ou a amplitude da razão sem ser
Perder é transferir a conquista do nada para coisa alguma colher as flores que não plantou
Tristeza é "Ferreira" a perda de tão singular pessoa que na arte fez a virtude do escrever e transformar amor em terra pátria.
Iluminação do poeta e tantas outras virtudes de um genial gesto de sua alma alada num céu de flores refletidas no pântano reluzente
Segue seu trilhar com toda poesia és e sempre será a construção da invenção do bom e belo olhar poetizar o mundo e semear sementes propulsão dos ventos soprados em brisa de seu falar gestual
Ferreira Sim Gollar esta é sua expressão sua intensa maneira de ser referência nos trejeitos de sua escrita prazerosa leitura verdadeira modernidade com sabor de letras de macarrão e luar num dia de Sol
Tristeza é a inspiração da poesia é a arte do arteiro que transforma tudo de todas que forem as formas concretas ou bizarras a fervura da alma artista reflete os tons das cores e sabores que traduz as flores com cheiros ou odores és tão singular.
Pra onde vai Ferreira Gullar, pois estás em tudo e pra sempre não haverá um só dia sem que a poesia traga seu nome ao ser homem trazer o artista em um lindo ensaio traduzido em língua e linguagem sabor e saudades.
Hélio Ramos de Oliveira a vida é Ferreira meu amigo poeta tão sinGullar.
HOMOCROMIA
Ao comando de uma voz...
leva se elevas e galga, léguas
atira se atira e arranca as tiras
projeta flecha nas fresta e nos caminhos
assina e determina a própria sina
sacode as ordens as desordens...
Ativa o tino dos assassinos
Ao comando de uma voz...
Atira-se ordens voraz
projeta dardos do sul ao norte
desperta pesadelo e a peleja
edifica favas, e as igrejas
passa, calote e o trote
e acorda o ódio, para morte.
Ao comando de uma voz...
Se ama se esgana, engana
ganha grana edifica gana
bota carranca e desengana
voa livre, e perde as asas
se tranca nas trancas da casa
aperta se aperta e se esgana.
A voz... Determina os fortes
recebe os bons e os fracos,
não burla os ventos...
Mas comanda pensamentos
polui todos os sentimentos
e camufla obedientes no saco.
Antonio Montes
CABELOS
Cabelos tê-los, sem apelos
com cascos,todos cheios
despachando,belos zelos
sem permeação dos meios.
Solto... Aos ventos espatifados
amarrado com fita, penteado
feito cocó,estiradas tranças
esbanjando simplicidade
ou esperança de uma criança.
Cabelos ao tempo na tinta preta
cabeça descabelada sem nada,
despenteada lenta,aos ventos...
Caretas palhaços rindo voando,
no tempo tudo, no mundo, fado.
Antonio Montes
CARCAÇA DE OSSO
Carcaça de osso
de uma vida ferida
colosso da morte
uma alma dividida.
Alma; degusto da vida
peregrina da manhã
choro de uma partida
lagrimas sobre o divã.
Carcaça de osso
em um crânio furado
viveu sem colosso
por caminhos errados.
Antonio Montes
CARLOTA
... Carlota de roda
que roda ao rodar
Voando por baixo
sem asas no ar.
Com odômetro que marca
esmurrando seu tempo
agrega quilometro
sem nunca voar...
Carlota de roda
faz vento e soprar
saudade, levou pra lá
sem nunca chorar.
Já levou o amor
no passeio do amar
maltratou, confortou
já correu, foi buscar.
Carlota de rodas
já fez meu sorrir
com essas margens florida
avistadas daqui.
Antonio Montes
CARNAVAL NO QUINTAL
Carnaval no meu quintal...
desabrocha flor, e troca pólens
frutos maduros, sucos, goles
triturados, sustenta a vida
de muitas barrigas, mole.
Aos ventos, farfalha folhas
e enche os olhos com as cores
d’aqueles que lhe convir,
filtra enfim o ar impuro
de um coração e como rolha...
ninam os sonhos ao dormir.
No meu quintal o carnaval...
é feito por asas aladas
cantos que, no entanto encantam
em seus cantos... As passaradas.
Antonio Montes
INQUIETUDE
Vejo todo mundo do mundo
... No fundo do posso:
Ouço vozes inocentes
com sentimentos atrozes...
implorando sonhos:
Em meio a leões medonhos.
A mala dos desenganos
esta carregando planos
tanto grito por nada
tanto choro! Enxurradas...
Desperdiço de lagrimas
tanto contos... Fadas.
Vejo para onde vai o mundo:
Seus destroços... tanto ossos!
Se transformando em fossos...
Perderam a medida do sal
tudo esta, indevidamente insosso.
As promessas...
Não manterão as pilastras
moedas, não comprarão o sol
quanto custa a torre de babel...
A realização do grande sonho,
um pequeno pedaço do céu?
Antonio Montes
UMA PENA
Com uma pena...
Escrevia um poema
o poeta do tempo,
os olhos dos sentimentos...
Registrava o presente
ressaltava o passado,
destrinchava os galhos
de um amor confinado.
Com uma pena...
esboçava as tristezas
inoculava o amor
dava cor a beleza
expressava a dor
e as ordens da realeza.
A pena, que esboçava rima
registrava ira o alto estima
assinava sina
esvoaçava a sorte...
o óbito a morte
planava pela imensidão
demarcava o sul
rascunhava o norte.
Com uma pena, uma pena
... Aterrorizava o forte
o poeta e seu tema...
refletia as contendas
registrando o milênio
apenas com uma pena.
Antonio Montes
SONETO DE NATAL
Se fez homem, é noite de reflexão
Fé cristã, Menino Deus, Nazareno
Enfeitam o memorial de pequeno:
Família reunida, cantiga e afeição
É berço de amor, doce e ameno
Exaltado em versos do coração
Nesta noite cristã, de intenção
Aniversaria, Jesus, o Nazareno
É vida na vida em comemoração
Gesto de afago, de carinho pleno
Noite feliz, noite de total gratidão
É Natal, é sal do indulto terreno
Confraternização, e compaixão
Do pobrezinho que manou no feno...
Luciano Spagnol
Dezembro, 2016
Cerrado goiano
Da solidao
Um vício
A cada trago
Uma lagrima (?)
Da noite
Um sorriso na fumaça
Leve degustação
Uma distração
Uma fuga
Um refúgio
Um cigarro.
O SILÊNCIO QUE INCOMODA
O silêncio meu
está em erupção
e escorreu
pela ilusão
Matou os sonhos
matou a quimera
jorrou dias tristonhos
e vida, em espera
Hoje, um vazio
solidão
tácito e frio
Num silêncio
que incomoda
a mansidão...
Luciano Spagnol
Dezembro, 10 de 2016
Cerrado goiano
Poeta simplista do cerrado
Será a doce ilusão de amar as palavras e sentimentos que nunca correspondia
o segredo de tanta paixão pela poesia?
SONETO ORANTE
Em teu louvor, Senhor, estes meus versos
Aqui a teus pés, minha fé, para cantar-te
Neste soneto em rogo, orante... Destarte
Aqui as falhas mortais, na prece imersos
Humildemente o meu olhar a adorar-te
Ó Sacrossanto que reina os universos
E põe a margem os corações perversos
Os meus erros para ao Teu perdão parte
Diz-me o necessário dos maus anversos
Pra que possa me redimir em descarte
E ter comunhão, caridade n'alma emersos
No merecimento do Céu inteiro, fartes
Meu coração de paz e bem, dispersos
Nas boas ações, e na fé como baluartes (Amém!)
Luciano Spagnol
Dezembro, 2016
Cerrado goiano
Poeta simplista do cerrado
ACIDEZ
Quando aporta em minha porta
com suas perguntas,
atrás de respostas...
Tem gente que não se importa
outras, simplesmente dão as costas.
Todavia a mim, importa...
os desfecho d'essa vida torta
o amargo d'essa torta,
nem todos gostam...
A falta de rumo
a barriga vazia
o ruído da broca
o estrago do dia,
as agruras da vida...
nunca estão de partida!
Antonio Montes
DE MARIA
Enquanto a ladeira do morro descia
Maria crescia, Maria corria,
saltitante saldava o povo e dizia
bom dia! Bom dia...
Maria dava bom dia e sorria
Ladeira abaixo descia
toda feliz a cantar
o povo do lugar aplaudia
... Maria vai encantar.
Maria já bem crescida
aos passos.galgando o declive
as luzes do morro acendiam
e os olhos com risos nos rostos
alegria, alegria... Alegria.
Maria fazia folia
Maria dançava de dia
era samba no pé era bamba
de salto e do alto olhava
por cima do ombro sem tromba
Maria agora namorava.
Um dia...
Maria virou mulher
cresceu o ar de sua graça
dava passadas na praça
Maria toda empinada
até parecia uma garça.
Amou e casou por amor
tão logo teve a sua cria
cheia de alegria e dor
o conforto desconfortou
Maria na chuva tremia.
O morro molhado desabou
e passou reto pelas curvas
e o povo gritando... Que horror!
Meu Deus, meu Deus nos acuda!
O sol raiou no amanhecer
em seu clamor, Maria entristecia
Maria então chorou
com lágrimas de chuva que corria
pelo quinhão,
pela vida que não tinha
Maria sabia, Maria sabia...
Que viver, todavia valia.
Canção dos passarinhos
Nada abranda a canção dos passarinhos nas manhãs...
parecem cantatas de saudades infindas...
Eu da minha janela
Viajo no topo da brisa... Sou vagante no enigma da vida...
Ou talvez uma semente deixada ali e que germinou da melancolia...
E ficou a recordar doces momentos...vividos!
Finjo ser poeta sendo um cretino
varias pessoas botando fé
e eu me destruindo
as vezes tudo o que eu queria era um bom vinho.
SONETO DO ALTO DO AMBÃO
Do alto do ambão, brada este soneto
Do coração, em saudação e de intento:
De saúde, paz e bem, e contentamento
No tempo de confraternização e afeto
Partilhando ao irmão real sentimento
Onde se possa se doar por completo
Ser soma em um propósito concreto
Amigo e, de zelo como complemento
Daqui solenemente um doce prometo
Do querer ser mais no menos avarento
No nosso humano modelar irrequieto
Por fim, o abraço, apreço em advento
Num gesto de carinho como objeto...
De festejo do amor como bom provento
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Dezembro, 2016
ACASO (soneto)
Onde será que o cerrado começa
Ou cá termina as minhas miragens
Será a minha ilusão em mensagens
Ou o começo do fim que cá cessa?
Da saudade fiz pranto e roupagens
Dos sonhos viagens que atravessa
As quimeras na vida sem promessa
Porém, queria era outras paisagens
Como no fado o tempo é remessa
E na pressa se perde as bagagens
Cá fico, e cá minha alma confessa
Quem sabe, cá tenha boas aragens
Tecendo o sertão no quebra cabeça
E o acaso segui pra outras paragens
Luciano Spagnol
Dezembro, 2016
Cerrado goiano
NO MEU PINHEIRO (soneto)
Os verdes galhos do meu pinheiro
Ornei com cada nome dum amigo
Assim, num cordão de luz eu digo:
- És presente, presente por inteiro
Não importa a distância, está comigo
Na lembrança, no afeto companheiro
No estar fraterno e, muito verdadeiro
Aqui no peito em morada, eu testigo
Noutros ramos, saudades, num cheiro
Das ausências - o céu hoje o seu abrigo
"In memorian", - cada momento faceiro
Minha árvore de Natal, o amor bendigo
Com fé, gratidão, ao coração certeiro...
A ti amigo, que na amizade é querido!
(Pra cada amigo, um abraço neste cancioneiro...)
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
Dezembro, 19, 2016
