Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
O coração ... a pulsar
O brilho... de um olhar
O encontro... e o despertar
O beijo... e o calar
O destino ... e a direção
A vida... e uma paixão
Pequenos Versos de Alice Raposo
"O mar me faz amar, amar o azul do mar
Azul que me faz lembrar, lembrar de teu olhar
É uma pena não te amar, mas continuo amando o mar."
QUADRAGÉSIMO QUINTO HEXÁSTICO
Toda imanência recrudesce
ao sentir a vida em potência
caos sagrado e profano nasce
no Sujeito-poema acontece
faz-se desejo de existência
no eterno retorno da mente
Disse-te que nasci um só
E que morri vários?
Ou nada te disse sobre
O desdobrar-se de mim,
Nesta teia de seres
Que cada dia cresce,
Sufocando o ser
Original que fui?
Que seres são esses
Que se agregaram a mim,
Imitando meus gestos
E minha voz, qual
Herdeiro de esquecidas
Memórias? Disse-te
Que hoje sou tantos
Que nem mais reconheço
Minha face envelhecida
Meu signo particular?
Quem sabe, nada te disse.
Não sei falar sobre o que
Desconheço. Mas posso sentir
Que alguns de mim
Estão morrendo. Outros
Tantos de mim se
Despregam dos contraditórios
Labirintos de mim mesmo.
O livro-arbítrio
Morreu. Batem à porta.
— É o destino. Seja,
Ou o nome que os fados
Tenham. É inadiável,
Intransferível.
Minha casa volante
De vazio e sonho.
O trapézio em que
Me equilibro desde
O dia em que nasci.
A jaula das feras
Com que convivo.
Os palhaços que
Nos reproduzem.
Os domadores que
A nem todos domam.
As amazonas que
Não sabem amar.
O público que não
Nos vê e não aplaude.
Circo: círculo
Concêntrico desta
Roda viva
De purgação
E espera.
Mas se o circo parte
Fico ainda mais só.
Transmuto de cor a cada hora
Transformo o tom a cada falada
Mudo de rota pela décima passada
Quem diria ser assim, nada para cima.
Mesmo mudando o pensar
Lembrando em falar
Das coisas que nunca me fez aliviar
Para que no fim pare o calejar.
A vontade do fogo
Enquanto queima, e fica asceso é forte como uma tal energia única
Trás luz, trás dia é como se trazesse fé mesmo sem túnica
Ou vestimenta apropriada
Tão elegante e genial força, que dá natureza foi criada
E só de pensar que também existe dentro de cada coração
A vontade que queima por querer continuar caminhando nesse chão
Empoeirado desolado ultimamente sem muita emoção
Mas que ainda nos faz acreditar em um futuro mais cheio de expressão
Por conta disso deixo tudo aqui dentro queimar, por mais que te pareça uma contradição
De água doce e fria deixo me derramar, a vontade se esvai mas o sonho não
A vontade do fogo é fazer tudo o que quiser acontecer, então se permita sonhar
Encendeia o mundo até tudo transparecer, cinzas mostram a vdd então deixe-nos queimar...
E quando já fores folha de outono
Esperar-te-ei no meu verde chão
Junto às raízes de alma fresca
Para te cobrir de luz de orvalho.
QUADRAGÉSIMO SEXTO HEXÁSTICO
Representar-se poema é:
saber-se duplo na imanência
observador e objeto em essência
sujeito na extensão do poema
criador e criatura em si mesmo
único sujeito em potência
QUADRAGÉSIMO SÉTIMO HEXÁSTICO
Deixa-te voejar sobre o caos
há nele visível beleza
toda representação há
seja sagrada ou profana
não o olhes com tua indiferença:
caos requer visibilidade
O doce sabor da maça proibida
Mesmo até o mais bruto e relutante dos homens sabe quem o domina
Naquele pequeno devaneio após outro drinque ou depois de soltar a última leva de fumaça e se desfazer do cigarro que usou para os manter lá
Mesmo quando calmos e passivos ele não sabe mas eles ainda tem o controle
Ninguém sabe onde encontrá-los
Eles apenas estão ali
Talvez nas águas mais profundas e fervorosas de toda alma
Talvez nos cofres que protegem o que nos restou em nós da doce natureza
Eles são o enigma
O enigma que nenhum homem jamais decifrará
O mais pútrido, puro, fiel e traiçoeiro feito da natureza
Nem todas as palavras do mundo são suficientes para um homem explicar até mesmo a sua alma gêmea qual deles está a domina-lo naquele instante
E é esse o vazio que persegue o homem
Todo esse estonteante universo de sentimentos aprisionados em um mero mortal
E é ali, olhando para aquele Horizonte sem fim de sentimentos, enquanto o mais frio dos ventos o corta e leva consigo a ultima gota de esperança, que o homem se dá conta que o barco que ele velejava por aquele vasto oceano, era apenas mais uma das ilusão
E quanto ao universo avassalador de sentimentos?
Alguns os transformam em músicas
Outros os tentam matá-los
A maioria é morto por eles
Eu os transcrevo em poesia
ASPIRO ROSAS . 🌹
Aspiro rosas
De pétalas aveludadas
que desnudam a alma
mesmo que seja para a revestir de espinhos.
Aspiro rosas 🌹
Envoltas em matizes de todas as cores
Banheiras doiradas
Velas perfumadas
Pedra por lapidar
Diamante rosa
Aspiro rosas e o seu perfumar
Aspiro rosas🌹
À noitinha
quando o sol se vai deitar de mansinho
para morrer nos braços da noite
e a lua canta a felicidade universal.
Aspiro rosas 🌹 como pétalas humedecidas do sumo da tua boca fremente.
QUADRAGÉSIMO OITAVO HEXÁSTICO
Olhar-se profano no caos
saber-se da vida princípio
sugere ao poeta o universal:
ser agora transvalorado
senhor do totem sagrado
livre do veneno moral
Esse olhar cintilante,
E essa beleza exuberante
Me faz parar para pensar,
Que mulher com tanta beleza,
E de um jeito muito peculiar.
Sempre é tempo de desejar coisas boas,
de alegrar os corações,
de encantar-se com as pequenas conquistas.
Que sejamos como as flores...
Que cativemos a todos que percorrem,
conosco, os caminhos diários
desse presente chamado vida.
QUINQUAGÉSIMO HEXÁSTICO
Há um rio que me navega sempre
na profundeza há águas claras
lâmina cortante na face
lá onde não existe luz
translúcido me gero calmo
aqui onde tudo reluz: guerra
Consciência Negra
20 de novembro é uma homenagem a Zumbi dos Palmares
Mas devemos lembrar...
consciência não tem cor!
Sonhos livres pelos ares
que buscam conquistar
o respeito e o amor.
O negro ajudou a construir
a sociedade brasileira,
A ele nosso obrigado,
E pedido de desculpas por tão amargo labor.
Que hoje saibamos reconhecer seu valor
junto com o europeu
o nego e índio valente
tornou nossa gente
uma nação diferente!
Temos uma multiplicidade racial
Temos a beleza de todas as raças!
Democratizamos a beleza!
Agora precisamos democratizar
o respeito ao ser humano.
