Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Quando o receio supera a atitude de agir
O Homem se distancia da meta a atingir
Daquele sonho risonho começas a desistir
Ficas no chão a reflectir e não consegues discernir
É o medo da responsabilidade que está a surgir
Se apegas a mocidade, mesmo ciente da realidade
Que esta acção da verdade só te vai deprimir
A frustração consumir a cada ano de idade
Crescer meu mano não é fácil para ninguém
E abster-se do plano, não é solução também
(Depender do Pai ou mesmo do Tio?
Dar despesas a Mãe por medo de encarar o desafio?)
És uma pessoa adulta andando em rodopio
Sem plausível desculpa a este vício doentio
Mano a vida é luta que se trava dia a dia
Aposte na labuta, conquiste sua autonomia
O Homem não se define pelas velas que soprou
Pelos planos que traçou ou metas que alcançou
O Homem é ser sublime nas decisões que tomou
Nas batalhas que travou e nas pessoas que inspirou
Nascer para Morrer a vida são dois dias
O destino é único mas, muitas são as vias
Derrotas e quedas, tristezas e alegrias
Fazem parte da caminhada se é que tu não sabias.
Mal, afinal quem é o Pai desse mal?
É o ser transcendental ou o animal racional?
O diabo decerto é a opinião global
Um tal anjo esperto, governante universal
Censo comum é a ponte do conhecimento actual
Eu não creio em dogmas acredito na moral
O dogma é veneno da potência intelectual
Única certeza trivial é que o mal é real
Ausência do bem, insatisfação da conduta
De alguém para outrem, com ou sem desculpa
O mal é histórico, nascido da labuta
Arquitetado pelo homem, o mal reside na disputa
Homem transfigurado em animal selvagem
Facto mais que consumado, não se trata de miragem
O fim é justificado pelo meio que é usado
Mesmo que o resultado prejudique o irmão do lado.
Supondo que Eva e Adão foram nossos ancestrais
Ignorando a evolução, ideia que viemos de animais
O homem como pensamento evoluiu até demais
Multiplicando o conhecimento até aos dias actuais
Da palha ao cimento, das pedras aos metais
E todo aprimoramento de outros materiais
A exploração das plantas para fins medicinais
O controlo do vento e outros ecossistemas naturais
Tudo parece uma beleza ao olho desatento
Mas a Mãe natureza acha o homem violento
Pela nossa destreza em quase todo evento
Que expeliu muita tristeza até o actual momento
Evoluímos na tecnologia através da ciência
Esquecemos da sabedoria que é a verdadeira essência
A real primazia que daria sentido a existência
Se não fosse pela hipocrisia que reprimiu a consciência.
Os marinheiros invadiam as tabernas. Riam alto do alto dos navios. Rompiam a
entrada dos lugares. As pessoas pescavam dentro de casa. Dormiam em
plataformas finíssimas, como jangadas. A náusea e o frio arroxeavam-lhes os
lábios. Não viam. Amavam depressa ao entardecer. Era o medo da morte. A
cidade parecia de cristal. Movia-se com as marés. Era um espelho de outras
cidades costeiras. Quando se aproximava, inundava os edifícios, as ruas.
Acrescentava-se ao mundo. Naufragava-o. Os habitantes que a viam
aproximar-se ficavam perplexos a olhá-la, a olhar-se. Morriam de vaidade e
de falta de ar. Os que eram arrastados agarravam-se ao que restava do interior
das casas. Sentiam-se culpados. Temiam o castigo. Tantas vezes desejaram
soltar as cordas da cidade. Agora partiam com ela dentro de uma cidade
líquida.
portanto eu pego minha bicicleta
e como de costume você faz meu retrato
de cabelo todo desenhado no vento
em jeito de menino que está sempre indo embora
à mesma hora e que amanhã se tudo der certo
voltará à mesma hora para o mesmo amor
a mesma mesa a mesma explosão
com toda a certeza a mesma fuga
porque você e eu a gente é feito de matéria
escorregadia, i.e., manteira, azeite, geleia
e espanto.
Eu gostava de poder dizer
que entrei no teu corpo como um pássaro
espreitando através de invisíveis ruínas
e que o som da tua voz bastava
para me salvar
mas de nada serve inventar palavras
quando as palavras que inventamos
não passam de frágeis lugares de exílio
dos gestos inventados fora de horas
delimitando o espaço de tantas mortes prematuras
de que jurámos ressuscitar um dia
- quando os deuses se lembrassem
de acordar ao nosso lado
Que limbo é este onde
Pelo meio da noite às vezes aparecias
Mas apenas para desfazer esquecidos silêncios
Porque bem sabes ao terceiro Whisky
O amor é sempre eterno
De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.
De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.
De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.
E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.
FAREWELL
Vai morrendo assim! Morrendo a cada dia
Assim! de um vazio assim!
A força, tácita e fria
Fria! silenciando tu e eu, olhos calados
Esvaindo dos meus os teus beijos gelados
E numa hora assim! Um assim! E assim não quisera
Tudo acaba, tal o bucólico fim da primavera
Sonhos, inspiração, rasgando o fundamento
Flores pelo chão, solidão, o som do vento
A alma apertada em um canto despencada...
E, aqui no peito... medos, quimera em retirada
Nós dois... e, entre nós dois, o austero adeus
Decompondo os desejos meus e os teus...
Eu, com o coração retalhado, - tão ocupado
De ti, e no desespero, de não mais ter-ti do lado
amarguradamente,
Me vejo com sentimento tão ardente
Estes que um dia foi nosso!
E eu afastando! E afastando... posso! não posso!
A noite, o dia, a doce poesia, num troço
E tão solitário, em um palpitar de despedida
Despeço de ti, e me ponho de partida!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2019, junho
São Paulo
Olavobilaquiando
Sim, sejam os poetas da vossa vida.
Atrevam-se em cada dia a colocar
o azul no vosso olhar
cor-de-laranja nos vossos dedos
e também risos arco-íris
no vosso ventre…
AUTORRETORNO
Eis um póstumo chegando aos esgotos do paraíso para viver sua eternidade!
“Recevez en retour cet être qui est votre création.” – assim falei para um barbudo
sisudo sentado sobre uma nuvem de merdas…
Claro! Descarreguei minha raiva porque não queria estar ali
naquela situação idiotizada, diante duma besta que me pretendia julgar
pelos feitos – bons e maus – duma vida que só queria que fosse minha.
O canalha divinizado ouviu-me impassível como se Deus fora!
Olhou-me e descarregou uma gargalhada celestial – mas demoníaca!
Pasmo fiquei diante daquela insanidade divinal, de miserável sabedoria.
Afinal, quem pensara ele fosse para me dar – a mim – aquele tratamento!?
Porventura, não sabia aquele idiota – que tudo sabe! – ser-me um poeta!?
Imaginei-me estar diante do meu outro Demiurgo – tão criador!… tão criatura!…
E logo percebi que aquele demônio era pura e tão somente uma ilusão!
Merda suculenta nos esgotos das veias da Hybris de nossas criaturas.
Hoje peguei meu violão.
Fiquei pensando em te fazer uma canção.
Que pudesse expressar toda minha emoção.
Pudesse tocar seu coração.
Aos poucos os acordes foram surgindo.
Notas suaves e sincronizadas.
A canção aos poucos foi surgindo.
Como uma poesia, um doce poema.
Dedilhando as cordas, uma a uma.
Acordes suaves.
Como um suave carinho.
Aconteceu esta canção.
Fazer uma poesia
Transformá-la em uma canção
Pensando em você
Me trás muita alegria.
Ouvindo seu coração.
Seus pensamentos.
Me trás inspiração.
Abraçar-te com carinho,
Coração com coração.
Um simples carinho.
Um afago em teu rosto.
Simplesmente segurar suas mãos.
Sem outra intenção.
Somente dedilhando meu violão.
Surgiu esta canção:
“Sentimento puro”
Senti hoje você por perto
Seu perfume
Seu toque
Seu abraço forte
Seu beijo suave e carinhoso.
Quase perdi meu norte.
Sou forte.
Apaixonado sim
Sem mesmo te conhecer
Sinto que tem tudo a ver.
Deixar acontecer.
O teu carinho comigo, é mais que amigo.
Queria agora estar contigo.
Dar-te-ei flores, meu coração.
Esta canção.
Minha emoção e meu sentimento
Espero ansioso chegar este momento
Uma, apenas uma lágrima!
(Luís Felipe)
Naquela noite,
Todos já estavam dormindo.
Me levantei, fui até a cozinha.
Abri a janela e comecei a observar...
Céu nublado, escuro, poucas estrelas visíveis.
Terra úmida, plantas regadas.
Aquele aroma pós chuva.
Olhei para algo e...uma lembrança!
Fechei a janela, sentei na cadeira e,
Só conseguia ouvir o motor da geladeira
E o tictac do relógio que iam sumindo aos poucos.
Me perdi nos pensamentos.
Quando me dei conta,
Estava lá, sentando, sozinho,
Corpo anestesiado, olhar fixo no nada,
Coração pulsando e...
Não entendi o por que:
Uma, apenas uma lágrima!
Agora
o poema tem outra causa.
Seu efeito, lume ofuscado,
pousa
ainda
na concretude fixa e fiel
do corpo da palavra
vaza.
Depois,
o signo escorre
e brilha o seu sêmem,
penetra a cavidade e,
finalmente, fecunda o
óvulo da palavra.
O poeta que socializa o verso, escreve pra todo mundo, alcança o professor e o operário. Faz versos como quem diz a todos, sem distinção, sem encastelamento, sem torre. Dissemina o verso, contamina a moça do caixa, o feirante, a balconista. Poesia não é só isso ou só aquilo, poesia é aquilo e isso junto.
Há poetas de comunicação e poetas de experimentalismos. Sou afinado e aprecio os do primeiro tipo. Não que os outros me desagradem, ou que eu tenha restrições em lê-los. Leio de tudo. Amo ler poesia.
Mas quando penso no poder que a poesia exerce em quem tenha habilidade de compreendê-la e se utilizar dela, penso igualmente em quem dela não se beneficie por ser demasiado hermética e reservada a uns poucos privilegiados.
Salvo a afirmação que brilhantemente Guimarães Rosa aponta "Antes o obscuro que o óbvio", há que se encontrar um equilíbrio. Um meio termo entre o que se dá sem nenhum desafio ao leitor e aquilo que se fecha tanto que o afasta.
Poesia tem que circular em muitos meios. Livre. Poesia, entre outras coisas, tem que comunicar.
Sobre Princípios:
Deixe o lugar onde está igual ou melhor
do que quando o encontrou.
Daí decorre todo o resto.
Sobre os sentimentos:
Decisões definitivas baseadas
em tempestades temporárias,
agravam as calamidades.
Daí decorrentes as guerras.
Sobre O Irreversível:
A displicência conduz a falha,
conseguinte a falha o vem o erro,
consequentemente elevado o erro
tornar-se irreversível.
Daí decorrentes as fatalidades.
O sono foi por aí
Vagar pelo mundo
Sem dono
Em completo abandono
De nada mais sou dono
Nem de meu sono.
•Textos. Nada mais que, textos.
N°00
(textos)
Textos.
Nada mais que, textos.
expressão Milenar
Textos e contextos
uma impressão
Textos e pretextos
escritos a mão
Textos e intertextos
digitados com os dedos
Texto/Tecido/Textura
Recorte/Colagem/Parodia
Textos.
Nada mais que, textos.
inspiração Milena'ar
Santificada/Confusão
