Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
O desabafo do poeta
Sempre gostei de poemas, poesias e prosas, até que eu começasse a escrever as minhas próprias, de repente, tudo mudou, ganhei até um site de presente para publicação, onde não houvera uma só, pois nesse dia parei. 8 anos depois, e esses mesmos poemas, poesias e prosas vem até mim como um suspiro do meu coração, para lembrar do quão forte ele é capaz de bater, remetendo-se ao primeiro poema... E ao segundo, terceiro, quarto...todos aqueles que se perderam no tempo. Hoje, eu sou poesia, e isso me basta, cercado pela minha timidez, minha fidelidade às palavras, até pelo que chamo de dom, e sobretudo, o amor (e todas as suas traduções)
Noites, estranhas noites, doces noites!
A grande rua, lampiões distantes,
Cães latindo bem longe, muito longe.
O andar de um vulto tardo, raramente.
Noites, estranhas noites, doces noites!
Vozes falando, velhas vozes conhecidas.
A grande casa; o tanque em que uma cobra,
Enrolada na bica, um dia apareceu.
A jaqueira de doces frutos, moles, grandes.
As grades do jardim. Os canteiros, as flores.
A felicidade inconsciente, a inconsciência feliz.
Tudo passou. Estão mudas as vozes para sempre.
A casa é outra já, são outros os canteiros e as flores
Só eu sou o mesmo, ainda: não mudei!
Elegia
As árvores em flor, todas curvadas,
Enfeitarão o chão que vais pisar.
E a passarada cantará contente
Bem lindos cantos só em teu louvor.
A natureza se fará toda carinho
Para te receber, meu grande amor.
Virás de tarde, numa tarde linda –
Tarde aromal de primavera santa.
Virás na hora em que o sino ao longe
Anuncia tristonho o fim do dia.
Eu estarei saudoso à tua espera
E me perguntarás, pasma, sorrindo:
Como eu pude adivinhar quando chegavas,
Se era surpresa, se de nada me avisaste?
Ah, meu amor! Foi o vento que trouxe o teu perfume
E foi esta inquietação, esta mansa alegria
Que tomou meu solitário coração...
quando me perguntarem vou ser
completamente aberta
horrivelmente honesta
e por isso aviso
nenhuma verdade vai sair
de mim
breve e seco
toda a minha história imaginada
descendo como um longo tapa sobre o rosto
do esquecimento
(mas eu acordo agora)
como posso eu querer guardar nos bolsos
todo grito não gritado
toda queda interrompida pela ausência de gravidade
nos momentos cruciais
mesmo gargalhando como uma hiena e dançando como os beatles
ainda estou imersa
e sinto o pulo breve e seco do meu peito
que de saturno não pode ser visto
mas aqui parece que vai me matar
toda a história imaginária rolando escada abaixo e
ninguém vai ouvir estamos todos ocupados
com a voz pegajosa da escuridão
mas é claro que eu acordo agora
quando essa galáxia implodir
eu vou lembrar que resistimos
eu vou lembrar que estivemos
onde pudemos estar
e das palavras que arremessamos
como um jogo de pingue-pongue
nem sempre eu alcanço a bola
mas faço questão de buscá-la no chão e jogar de volta
para que você a receba e o jogo persista e as horas passem
mesmo pressentindo as implosões futuras
mesmo quando o fim escala o muro e entra
a cada toque da raquete ainda espero
uma imensa millennium falcon a nos buscar –
ela não chega
mas a bola ricocheteia rente à rede em uma jogada
tão linda
meus braços elásticos a resgatar a bola da queda
e a gente ri e esquece
de ver o mundo acabar
Criar a vida nas palavras,
Seria tão fácil mentir,
Cultivar o mal daquilo que se desconhece,
Ou só apenas fugir,
Queriam apenas ser elas e sorrir,
Mas apenas julgam conhece.
Corram! Não a lugar pra se esconder.
Virou o dia a noite e são palavras que vão te enlouquece
COVID (soneto)
Madrugada. Silêncio. A agonia
A treva no aflito recolhimento
A ânsia dum outro momento
Sacode a quietude da poesia
Deveras outro sentimento
Numa contaminação do dia
E então outro tempo teria
Nova era, novo nascimento
A voz de Deus Pai grita
E a das almas responde
Nesta labareda infinita
No peito o medo esconde
Num ruído saído da escrita
Dispersos, filhos de Eva... pra onde?
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Maio, 2020- Cerrado goiano
Já pensei em desistir
do caminho que tracei,
mudar o rumo e seguir
para Pasárgada, onde conheço o rei
Um pedaço do silêncio que dorme no chão da cozinha
Que a garganta arranhe pela manhã
e os azulejos brancos da cozinha sangrem todos os dias,
que os beijos explodam na boca incontáveis,
inconfundíveis, incalculáveis...
E que a dor não seja maior do que as gargalhadas
que ironizam tamanho sofrimento.
Que os beijos explodam da boca, incontroláveis
e feito os vulcões pirem o cabeção!
E que depois murchem sem dó nem piedade,
feito a imagem esmaecendo às três da madrugada,
após o clique no controle da TV que te controlava
e que agora te liberta de tamanha prisão.
Que o refrão infame...
- pedaço do silêncio que dorme no chão da cozinha -
inflame em chamas de lava ardente
e dissolva feito um passe de mágica,
as rochas marrons e duras,
que são pedras em nosso caminho.
Que quem escreveu (ou leu) essa asneira não morra só!
Nem viva só, nem só lamente por toda a sua miserável vida.
E que possa ser também resiliente,
tenha força pra seguir em frente
e mesmo sem prognóstico positivo possa encontrar uma saída,
que possa ver (entender) que toda essa gente só, não é obra do acaso.
Seis tiros, uma pistola e esse sol careta dos trópicos
Olhou para o céu como se tentasse ver o que enxerga a alma
seus olhos marejados e oprimidos pelo sal do suor que escorria da testa
fazia festa ao fitar o sol, piscava o sol em sua face rôta
beliscando a testa e os seus olhos mochos.
Aos trinta e poucos já sem sal e sem graça, parou de olhar para o céu
armou a pistola, engatilhou-a e como se não temesse mal algum
apertou seguidas vezes o gatilho (seis vezes ao todo)
mas foi um único disparo que lhe tirou o sossego da vida inteira.
E até hoje ele se arrepende de ter errado aquele tiro.
°Aprendi a navegar, mágica em mim°
Um toque de carinho, luta, sonho e motivação.
Nunca pensar em desistir
Mas as vezes dizer "Não".
Nessa viagem espacial
Navego sempre em direção.
Viro o barco pro sentindo
Onde habita a emoção.
Há pessoas que abrem
e pessoas que fecham portas.
Há pessoas que curam
e pessoas que cortam.
Quem fere, com o mal
em duas vidas interfere.
A chuva traz o arco-íris.
A noite de choro pressagia um dia de alegria.
Um acorde triste, ainda assim faz melodia.
Mas o que esperar de gente vazia?
"olhamos tudo o que a vida nos propicia,
ainda assim a sede dos olhos é sempre
olhar atrás de uma cortina"
"entre formas, imagens e semelhanças
navegamos agora o ontem e o amanhã,
espalhados pelos ventos somos um
dentro de tua ciência maravilhosa"
"uma preocupação no tempo deveria ser;
vestir-se com o dia andando na noite do que vestir-se com a noite andando no dia, todos veríamos mais claramente"
"quanto as coisas que se mostram contrárias,
a velha natureza, somente confirmam que o que existe são sombras do que é verdadeiro"
"a falsa luz que um ego pronúncia,
ofusca o lugar onde estão as estrelas,
e é uma pena, porque só ali se pode
dar nome á elas e achar o caminho"
Das minhas pedras
Algumas pedras me machucaram,
Outras pedras me atrasaram,
Algumas pedras me desviaram,
Outras pedras até me derrubaram.
Com as minhas pedras eu não fiz poesia como Drummond e nem construi castelos como Quintana.
Com as minhas pedras eu APRENDI A ESCALAR.
Das minhas pedras...Ah, das minhas pedras eu me fiz.
E a tua ferida, onde está?
Pergunto onde fica,
em que lugar se oculta a ferida secreta
para onde foge todo o homem
à procura de refúgio
se lhe tocam no orgulho, se lho ferem?
Esta ferida
— que fica assim transformada em foro íntimo —
é que ele vai dilatar, vai preencher.
Sabe encontrá-la, todo o homem,
ao ponto de ele próprio ser a ferida,
uma espécie de secreto
e doloroso coração.
[...]
