Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
BOCA DA NOITE
na boca da noite, calar-se
o cerrado se cafua
o sol fustigado
a lua nua
o céu estrelado...
Anoitece, e o dia recua.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
CANTANDO O CERRADO (soneto)
Essa vossa árida serena formosura
Que as exibe, és casta e tão tanta
Tanto mais a cena vossa apura
Quanto mais os olhos prende e encanta
Mostrais vossa diversidade em tal ventura
Com uma graça igualado duma infanta
Que põe alfim alguma desdita e tristura
E o espanto se aumenta ou se aquebranta
De tal beleza entrajais, oh vária flora
O meu enlevo, de guita tal tecendo
E destecendo o desencanto, um engano
Que, se ei perdido o extasiar outrora
Agora és só elogio os faço dizendo
Pra asinha referir-te como tal soberano
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Paráfrase Abgar Renault
Jeitinho brasileiro
Com alegria no coração
E na mão o pandeiro
Sorrindo mas devendo um dinheiro
Esse é o jeitinho brasileiro
Querer estar bem e desejar o mal alheio
Esse é o jeitinho brasileiro!
No domingo churrasco é certeza
Olha só que beleza!
Odeia manifestação
Mas não entende o porquê de não receber o dinheiro
E se o egoísmo fosse tangível,
Só seria algo visível se fosse em dinheiro
O mesmo já existe,
Ah, o jeitinho brasileiro...
Que reclama de todos os políticos
E mesmo cortando fila por aí se sente um crítico!
É difícil falar de algo que sou
Somos na verdade, brasileiro
O que não nos diferencia do mundo inteiro
Que só corre atrás de dinheiro!
- Oliveira RRC
e retorno a mim,
de dentro para fora.
o contrário,
é diversão.
vaidade,
distopia.
em esfera política,
religiosa,
existencialista.
tampouco me importa qual.
não mais em colisão.
em coliseu.
de dentro para fora,
não mais retorno,
reetorno.
efeito ciranda,
ciranda.
ciranda.
ciranda.
ciranda.
enquanto a vida,
caminha para frente.
embora ciranda,
ciranda.
ciranda.
ciranda.
ciranda.
REMENDO
Foi o devaneio que guilhotinou
os sonhos. Os fez sem aparato
E se estão intactos, aqui estou
invisível no evidente anonimato
Desenhei quimeras com giz
sem tronco, cabeça e braços
Colhi amor que ninguém quis
pra remendar os meus pedaços
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2017, julho
Cerrado goiano
SONETO DA RAZÃO
Na prepotência do querer ser altivo
Que arde na desavença em chama
E queima no ódio que não se ama
Acinzentando num desafeto cativo
É um tal sentimento insano, adjetivo
Que então contamina a alma na lama
Do egoísmo, que o zelo nunca clama
O acolher nos abraços, e ser passivo
Que devoto tanto, esse, que flama
A injustiça, num arbítrio explosivo
Tiranizando o viver em um drama
Onde há razão no ato opressivo?
Quando o Verbo, oferta proclama:
- Amar com amor para estar vivo!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Sempre gostei do frescor e silêncio
da noite.
As ruas com poças
ainda da chuva.
Sombras coloridas nos olhos
um homem passa
um carro passa
um rato passa
não há ninguém além da noite
já começo de amanhã.
Quero alguém para trançar-lhe os cabelos
Sentar na grama
Sou de terra
Terra.
Terra para os pés, firmeza
Terra para as mãos, carícia
A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Os lobos são a cabeça do anjo que não se vê.
Sangue no Focinho e Cobardia.
Linguagem violenta: a única.
A outra é: Sedução ou Submissão.
Ou seja, o mesmo medo: recear estar só.
Quando se fala, fala-se. No alto da matéria e do espirito.
chororô
o cerrado chora
chororô
chove lá fora!
é chuvarada, sinhô
18horas: melancólica hora
e eu também tô:
- chorando...
pobre pecador!
que no peito vai gotejando
uma tempestade de amor
de chuva e choro infando
lá fora chove, e eu sofredor!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2019
Cerrado goiano
TEMPORAIS
Toda vez que perco o horizonte
Creio haver um mar a minha frente
Tão longe de mim equidistante
Como as rosas de um jardim
Ou uma nuvem passante
Que se desmancha insana
Por entre respingos de lama
Ou alvas fronhas de algodão
São aguas verdes revoltas
Remexidas pelos mesmos ventos
Que soltos conduzem minhas barcas
Serenas cada uma a seu porto
E as nuvens aos seus tantos
Destinos e encantos
Revestindo travesseiros
Sobre as camas da paixão
Todos esses travessos romances
Atravessam-me intensos
Ainda que de mim jamais saibam
Porque nunca mais retornam
Porque se tornarão propensos
A viajar outros céus e mares
Esculpindo suas torres imensas
Apesar dos temporais
A DOÇURA DA TUA VOZ
A doçura da tua voz
É feitiço colado em mim
Canção que tanto desejo
Tempestade em minha veia
Suor denso da libido
Vendaval de vermelha areia
Remoinho no deserto
Do coração em devaneio
Eu sou destemido andarilho
Incerto andejo sem eira
Sertanejo inseparável
Da seara do teu encanto
Matuto das velhas minas
Lavrador desse rochedo
Tangido na insistência
De colher esse teu beijo
A ternura fez de mim
Poliglota destas letras
Intérprete dos teus sonhos
Cancioneiro dos teus versos
Aprendi teu idioma
Falando em teus ouvidos
Decifrando teus anseios
E beijando a tua língua
Assim me tornei poeta
a coitada
fui ali na janela
ouvir a chuva
magricela
tão turva
ela estava chiando
ai, como sussurra
fica só reclamando
da secura, e hurra
e empurra a poeira
do telhado
escorre pela beira
da rua, e desanuviado
refrescado, na sua eira
ah! feliz, está o cerrado...
e numa tranqueira enleada
a chuva desce a ladeira
a coitada!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
outubro de 2919
Cerrado goiano
Sem se importar em seguir a norma culta da vida
Meu sentimento voa porque o estante existe
E meu coração não está completo
Preciso dizer que ainda te amo
Mas isso é tão difícil para mim
Que mesmo em face
Te olho e não exijo nada
O controle é o tempo e a atenção
Você não os usa
Só se distrai com isso.
GAVETABERTA
Bar
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Garçom que se preze
tem de ser meio cego
meio surdo às vezes
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Chope bem tirado
mas um fedor público
no reservado
Com ressaca
todo bife é sujo
Somos caramujos
com o bar nas costas
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A interrogação
em cada ponta
do macarrão:
quem paga a conta?
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E nunca temos
muita saída:
sempre pagamos
com a vida
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(O Bife Sujo é um bar de Curitiba, que o Leminski me apresentou... Passei décadas em bares toda noite, faz décadas que deixei de frequentar bares. Mas, conforme Drummond, de tudo fica um pouco: ficou esse poemeto...)
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#DomingosPellegrini
#GAVETABERTA
#Escritor
#Poema
#poesia
Sinto que algo em mim nasce,
preciso entender o ser que crio.
Já consultei o meu abismo,
estou em paz com o meu vazio.
A dor que trago comigo
quer abrigo, está no cio.
08/12/2018
Bom dia Sorriaaa!
Sorriso, sorriso meu
existe elegância maior que o seu?
Claro que não!
Sorriso meu amigão você é meu campeão!
Sorriso não tem partido nem ilusão
Sorriso brota de uma palavra amiga, um gesto de gratidão, carinhos, afagos e motivos mil.
Para sorrir basta apenas começar que o coração já se desmancha todinho desejando acompanhar.
Sorrir é construir uma canção de amor!
Sorrir é poesia que nasce das lindas flores do jardim da alma.
Sorrir é tudo de bom;
Bom ver um rostinho sorridente, reflete com nitidez a opção do Criador.
Sorria anjinho lindo, seu sorriso é encantador,
muito me cativa e me presenteia com o desejo de sorrir também.
Vamos sorrir juntos? Simmmm...!
Smacksssssss...
Que vontade eu sinto de te abraçar
aprender com você o significado de amar
deixar os meus medos e te agradar
só comparo meu amor a ti com a imensidão do mar.
Que vontade de mergulhar no seu prazer
te desfrutar e ser teu bem querer
esse medo eu não posso entender
nem te tenho e temo em lhe perder.
Que vontade eu tenho de te ver sorrir
é melhor para mim morrer do que vê-la partir
tenho fé que meu amor não a deixará ir
antes pelo menos de uma eternidade inteira a
te sentir.
Que vontade eu tenho de afastar essa dor
mais não posso afasta-lá sem ter seu amor
tocar tua pele, sentir teu calor
ser tudo que um homem pode ser em esplendor.
R.A.S
