Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Há uma mulher a morrer sentada
Uma planta depois de muito tempo
Dorme sossegadamente
Como cisne que se prepara
Para cantar
Ela está sentada à janela. Sei que nunca
Mais se levantará para abri-la
Porque está sentada do lado de fora
E nenhum de nós pode trazê-la para dentro
Ela é tão bonita ao relento
Inesgotável
É tão leve como um cisne em pensamento
E está sobre as águas
É um nenúfar, é um fluir já anterior
Ao tempo
Sei que não posso chamá-la das margens
Amo-te como um planeta em rotação difusa
E quero parar como o servo colado ao chão.
Frágil cerâmica de poros soprados no teu hálito
Vasilha que ergues em tua mão de oleiro
Cálice que não pudeste afastar de ti.
SPLEEN
Cemitério de todos os sóis
o mar, cinza
onde habita o beemote do tempo,
a grande baleia do oblívio
sob socalcos de aço,
na chapa recurva,
sucata de toda a metáfora.
Porquê dizê-lo?
Cansaço de o dizer…
O mar é uma maçada.
POÉTICA
Fechar a tampa do abrigo
e respirar
com serena convulsão
lançando o grande dirigível da escrita
depois retesar o arpão
e espremer o choco polvo
seus tentáculos tensos
na placa marmórea
ou na balança
é um negócio violento,
a testa escreve-se, um mundo progride,
decanta-se a bolha do nível,
esgaça-se a gaze
depois da fenomenologia dos petroleiros
a refinaria,
o guarda-nocturno de olhos
na trovoada e solidão
no monitor.
Trabalho e trabalho
para dar à luz um pai
na minha solidão de depauperado
arado que nada sulca
porque como um comboio a que faltaram carris
prévios ao meu arado são seus sulcos.
Sou um filho circular. Como um signo
zodiacal sou um filho circular, requer o que faço
aquilo em que me movo
que é aquilo em que me movo
o que faço e como fazê-lo
se não tenho já em que me mova? O que faço
é o que me fez.
Sou comboio e arado e um rodado
sem discos. Sem paralelo em círculos
rotunda tristeza propago
de vertiginosa incubação de vórtices
que ajudo a solidificar: outra vez a sólida
solidão: é fácil a primeira imagem do comboio:
insta à compaixão. E são pesados os bois
circulares que o meu arado
entontece, em vão o rodado
sem discos. Quanto pesarão
bois entontecidos? Como ser pai
quando se é filho?
São tristes os meus dias com pedras
em lugar de mãos
ou a cabeça funda na brancura
de través do travesseiro
e o corpo depresso em moles guindastes.
São dias de chorar por menos
ou teimar queixoso com um crânio polido,
batuque convexo
no muro demorado.
E quando a saudade apertar lembra daquilo que te disse um dia: "eu sempre vou estar aqui para você "
E quando a saudade apertar... Pode chamar, aquele calor que existia entre nois, ainda vai estar lá.
E se e por acaso pensar que eu te esqueci, Tire isso da mente, é só uma ausência temporária.
Sei também que não vai me esquecer, não me preocupo com isso, não é me gabando, mas sei que não vai.
Você vai conhecer pessoas, pessoas interessantes, e também, Pessoas vazias, mas creio que meu lugar que conquistei vai estar sempre nesse coraçãozinho.
Fiquei longe para ver como você vai se sair. Vai existir muitas decepções ainda, peço que aguente firme, mas caso já não aguente mais... Pode chamar...
Eu sempre vou estar aqui para o que precisar... Ok ?
Vaga-lume e vaga lume
Vaga angústia,
vaga rua,
vaga só,
olhando a lua.
Vaga atoa,
vaga-lume.
Vaga boa,
como de
costume.
Clarão acalma,
alma mansa.
Sorri a noite,
que o vento
alcança.
Dia pós dia,
o tempo lança
no trem da vida,
outras pessoas,
novas fases,
novas chances.
Sorrisos soltos,
acendendo as
chamas.
Vaga lume:
Lume a frente,
acalma alma,
que vida te
convida,
pra mais
uma taça.
Dança
vaga-lume
lume lume.
No findar da noite,
as estrelas
assumem.
Poema de #Andrea_Domingues ©
Todos os direitos autorais reservados 27/09/2019 às 10:00 horas
Manter créditos ao autor original #Andrea_Domingues
vou sair,
entornar-me a mim mesmo.
secar-me,
de goela a baixo.
fazer de mim
líquido barato
que de goela a baixo
sobe os sentidos.
Toda noite espera todo dia o eixo girar até o sol chegar
Todo broto espera sob a terra chuva de lá espera pra regar.
Com isso seu amor virá de algum lugar
A natureza,
A natureza te espera
Há muitas penas
que voam sem rumo,
caindo sem penas em ruas
e por cima de muros
Assim as palavras
que ferem, são,
quando em calúnias
as línguas ferinas
as dizem sem noção
E esses trechos escondidos, que talvez serão lidos por dois olhos verdes acastanhados. Um dia?
Me pergunto quando, me pergunto onde. Que seja de toda via, em mão dupla,
que me siga de carona e também de motorista. Que aceite minhas paradas e desvios pelas pistas.
Para outubro:
Descomplicar e deixar ir.
Simplificar e abraçar o fim.
Ouvir o coração quando nos dizer para seguir em frente.
Redescobrir a coragem que temos.
Lembrar que fazer o caminho de volta
Muitas vezes é voltar para nosso coração.
E assim saber que há princípios que começam com os fins
Um homem no chão da minha sala
alonga sua raiz
galo que estufa o pescoço
cana-de-açúcar e bronze
poças, chuva, telha-vã
rio que escorre na velha taça empoeirada
O homem no chão da minha sala
cidades de ouro
castelos de mel
velhas metáforas
sinos línguas gelatina
O céu no chão da minha sala
Esse homem no chão da minha sala
provoca o veneno da cobra
pulgas atrás das orelhas
mexeu nos meus bibelôs
consertou aquela estante
revirou a roupa suja
desenterrou flores secas
fraldas
chifres
quatro cascas de ferida
um disco todo arranhado
e um punhado de pelos
Aquele homem no chão daquela sala
me fez cruzar o ribeirão dos mudos
estufa de tinhorões gigantes
no piso do meu mármore
ele acordou a doida
as quatro damas do baralho
uma ninfeta de barro
e a cadela do vizinho
Daquele homem no chão da minha sala
há meses não tenho notícia
desde que virei a cara
saltei janela
fugi sem freio ladeira abaixo
perdi o bonde
estraguei tudo
eu, a amada
eu, a sábia
eu, a traída
agora finalmente estou renunciando ao pacto
rasgo o contrato
devolvo a fita
me vendeu gato por lebre
paródia por filme francês
a atriz coadjuvante é uma canastra
a cena da queda é o mesmo castelo de cartas
o herói chega dizendo ter perdido a chave
a barba de mais de três dias
NUVEM
babado de organdi
floco de algodão
carneirinho regredido p
rimeira comunhão
beleza que é o cúmulo
Por que o Sol nasceu de novo?
Numa estação
Com destino a felicidade,
Notei o sentido de liberdade
De um lado o fone, na mão o microfone e na mente pensamentos a falar
Mas por que será?
O sol nasceu de novo
Repetitivo, as vezes competitivo
Sinto que estou ativo nisso
Mas a verdade vem
E a vida também
Mostrando que nada mudou
E sentido não tem, então, por que nascer de novo?
- Oliveira RRC
COROAI-ME DE ROSAS
Coroai-me de rosas
Sejam vermelhas
Amarelas ou brancas
Coroai-me num jardim
No edam num céu de rosas
Coroai-me sem espinhos
Das mais belas rosas
Coroai-me de amor
Perfumado no coração
De perfumadas rosas na alma
A vida é uma viagem
Estamos viajando
Novos passageiros chegando
Com novas ideologias
Com um novo estilo de vida
Viajando na vida
Com o atual estilo da mesma
Enjoando de toda essa besteira
Tentando não fazer besteira
Acreditando numa nova leva de passageiros
Que aos poucos estão a chegar...
Que começaram agora a viajar...
Aprendendo com os erros de viagens passadas
Chegou a nova geração,
Geral se aconchegou
Até as malas guardou
Pena que ao terminal o ônibus logo chegou
E com isso digo,
Pare o ônibus
Quero descer.
- Oliveira RRC
Seja em qualquer estação,
que germinem muitas flores
no canteiro do coração
junto à alegria e amores
