Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
RECICLÁVEL
Já estas vivendo no futuro da modernidade
e não se deu conta, o mundo robotizado
esta ai, todos... Mas todos e tudo! Logo será
substituído pela maquina, robô ou cyborg.
Isso, se já não foi e ainda, não se deu conta!
Se já não foi, e não sabe, ou se sabe que foi
até acredita, mas finge não acreditar.
Robôs, não precisam de curso ou formação
acadêmica, não tem gripe nem febre diarréia
coração, Não sorrir, nem chora... Mesmo
assim, tomarão o seu lugar. E quando não
prestarem mais... Não receberá seguro
indenização. Eles não precisarão de nada
disso para se aposentar nada de cama, rede
quarto, casa vara de anzol, ou área de laser.
Não precisam de asilo, não sofrem pressão
não terão, derrames nem ataque cárdico
Não darão gastos funerário... Em prol do
seu fim, o dono ainda receberá din-din
pela sucata reciclável.
Antonio Montes
Que a fome não seja somente de pão,
que a sede não seja só de Coca-Cola:
a fome de livros, a sede de escola
contêm a semente da revolução.
Com Braulio Tavares, amigo e irmão,
esgrimo palavras no meu poetar,
que têm dois poderes: ferir e curar
e na noite escura são nossos faróis;
parecem centelhas, mas são arrebóis,
nos dez de galope na beira do mar.
Admiro o pica-pau
Numa madeira de angico
Que passa o dia todim
Taco-taco, tico-tico
Não sente dor de cabeça
Nem quebra a ponta do bico.
Não se intimide
Não sou tão fatal
Posso te deixar algumas marcas
Mas não será somente com minhas unhas
Posso estigmatiza-lo com o desejo e o amor que sinto por você...
Não tenha medo querido...
Venha!
Quando me despiu não despiu apenas minha pele
Quando me possuiu não possuiu apenas meu corpo... Estou coberta por teus desejos e totalmente possuída pelo amor que por ti sinto!
Não sou profana
Não sou santa
Não sou mundana...
Sou mulher que ama na loucura e na beleza do amor feito prazer!
BOLHA DE GOTA
Para que, esse olha,
não olha...
Esse molho, esse olho,
olhe o malho... Alho orvalho
Tire a toalha do varal!
a chuva esta vindo, veja o temporal!
Ainda é tempo...
Não pense na gota,
na bolha...
A moldura da sua calçada,
pode esta zarolha,
enquanto, não molha as rolhas!
Recolha.
Antonio montes
O peso do meus anos,
não é fardo teu,
ele é só meu.
O tempo teu
não quero como meu,
o meu há muito já usei.
De teu só quero
um segundo do
teu um olhar
e se tempo te sobrar
um segundo olhar.
NOITE ROUBADA
Essa noite, não deve ser minha,
não! Não é minha... Não pode ser!
Essa noite, já passou pelo coração
do sono, rompeu pela madrugada,
corujas, já pararam de voarem por ai,
passos encurtaram as passadas pela
calçada, e eu aqui como se fosse um
moribundo de olhos abertos, sem dormir.
Essa noite, meus sentimentos me cutucam
como se fossem espora sob as ancas
do animal açoitado, acuado...
Estou aceso, como labaredas em fulgor
tilintando impregnado pelo gosto gostoso
do seu amor. Todavia aqui, eu me
encontro viajando até ai, até há ti...
Quanto há você... Essa noite, deve ser
sua, com certeza você, já passou pelos
anéis de saturno, viajou pelos estases
empoeirado da lua, galgou o sabor dos
seus sonhos e agora encontra-se...
Absolta sobre o castelo inebriado do
seu sono. Não! Essa noite, não é minha.
Antonio Montes
NÃO FICO
Do que adianta você...
Se afastar de mim.
Não vê que eu não consigo
me afastar de ti...
Sem você eu não vou,
nem vivo.
Se você não está aqui...
Meus trilhos só se apresentam,
com espinho, e eu, não consigo
andar por nem uma caminho!
Nem tenho passos para passadas,
nas estradas, nem futuro.
Em vez de mundo...
Eu estarei no escuro
com a cara pregada no muro.
Sem ti, não vejo estrelas nem luar,
não vejo arco-íres sob o céu,
nem horizonte,
sobre o remanso do mar.
Antonio Montes
DEPENDE
Aí! Aí, bem aí! aí não é, ai...
Ai... Não é, aí!
Porque dizes ai!
Quando queres dizeres aí!
... E porque dizes aí!
Quando queres dizeres ai.
Ai!.. Martelada no dedo,
prego no pé...
Expansão do segredo,
dentada de jacaré...
Ai, ai, ai!
Aí...
Aí, eu vou, se Deus quiser,
se der certo estarei aí...
Aí tem lagrimas p'ra chorar?
Um dia... Eu vou aí te buscar.
Antonio Montes
Teus olhos brilham mais
Contra a luz que mergulha
No horizonte desfocado
Prefiro não quere saber
Se no final da estrada
Sua mão ainda entrelaça a minha
Prefiro cegar me diante
As cores que se desbotam
No fim da estrada
Prefiro que a noite não acabe
Pra não descobrir
Que você não mais caminha
Os mesmos passos que eu.
Não olhe para os lados.
As feras espreitam na escuridão.
O vento sussurra subitamente aos seus ouvidos,
E sem saber você simplesmente começa a correr.
Não olhe para os lados criança...
As árvores lhe observam,
Como vigias elas te cercam.
Somente continue andando,
A luz está no final do caminho de pedras e folhas mortas.
FORÇA SOBRENATURAL
Acho que não me conhecia tão bem
Desconhecia a minha força
Então caí, chorei, me desesperei
E atravessei a minha dor
Sobrevivi toda tormenta
Que em mim se instalou
Algumas vezes me mantive cabisbaixa
Por não ter coragem sequer, de me olhar
Como bambu, me senti envergada
Mas não quebrada e nem despedaçada
Me reergui, voltei a sonhar e sorrir
O inimigo tentou me destruir
No meu Deus, me reconstruí
Consegui ver a vida com outros olhos
O que ficou para trás, deixei por lá
Pedi ao Senhor, para me renovar
Ele me fez sentir livre e aqui estou
Não sou mais um caso perdido
Mantenho a minha cabeça erguida
Não nasci para ser quebrada
E nem despedaçada
Hoje, conheço a minha força
Porque sei de onde ela vem
PELAS PATAS DO BOI
O sapo, foi
_ O sapo, não foi...
_ O sapo foi!
Foi aos pulos e aos saltos,
foi ao sapateiro, encomendar sapatos...
Alpargatas de couros, rasteiras e de saltos
para saltos altos e baixo!
Para escorregar na lama,
saltar na poça d'água
e pular pelo asfalto...
Viu o sapo foi,
_ Não foi
_ O sapo foi, foi o sapo....
Disputar aquele campeonato
o sapo é nato, pra correr no saco
ensacado na estopa, quase trapo!
Sapo fraco, na sopa de poça
o sapo gosta... Das margens da roça.
_ O sapo foi?
_ Foi! Foi cantar oi, oi...
foi coaxar na prata da lua
mirabolar os transeuntes das ruas
O sapo foi... Foi, foi, foi!
Foi pular pelas patas do boi.
Antonio Montes
Me pego a pensar
Sobre o significado de amar
Afinal, até hoje
Uma resposta não consegui encontrar
Antigamente
Tinha em mente
Que o amor
Fosse indolor
Eu acreditava
Que era uma dádiva
Cedida por Deus
Eu como bom sonhador
Sempre idealizei o amor
Sempre me considerei
Inapropriado para amar
Ou ser amado
Sempre desconsiderei
A possibilidade de me apaixonar
E ser correspondido
E o arrependimento
Que por isso sinto
É algo que irá
Perdurar
Durante muito
Tempo.
Pela primeira vez
De alguém
Eu escolhi gostar
Não apenas por razões banais
Nem por fracos ideais
Apenas escolhi
De quem eu iria gostar
Não amar
Ou apaixonar
Apenas gostar
Essa pessoa
Conseguiu me mostrar
Algo que eu
Me recusava enxergar
Portanto ao invés
De me magoar
Eu vou agradecer
Pelo tempo
Que com ela
Pude passar
SEM BOTO
Não tinha águas nem mar...
Os tempos, eram outros
por isso, não tinha lenda
muito menos boto, não tinha
boto para o efeito, se consumar.
Tinha o amar... O amor...
O encanto do espírito santo
para uma historia se desdobrar.
E desabrochou... Desabrochou
desdobrando sobre a ingenuidade,
da virgem e quebrou o quebranto...
Quebrou o quebranto, com o
desabrochar do amor, o voou...
Voou em voar como se fosse
pétalas de flor.
Antonio Montes
Dos meus sentimentos
Nunca soube falar
E em vários momentos
Não os consegui expressar
Infelizmente creio
Que não conseguirei mudar
Por isso tenho certeza
Que continuarei a me ferrar
Sou um leigo
Na arte de amar
Além de ser péssimo
Na hora de pôr alguém
Escolher me apaixonar .
