Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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COISAS DA VIDA

Uma velha escada de ferro.
Prédios caindo aos pedaços, abrigam pessoas abandonadas ao próprio destino.
Em meio a este caos urbano,
com seu azul imponente, o mar, ao longe, testemunha a desordem e as contradições daquele lugar.
O ar fresco e agradável de uma tarde no fim do outono,
a paz e a discrição tão cúmplice de quem busca a solidão,
torna o ambiente propício para momentos de confissões sofridas, entregas inesperadas e lágrimas que aliviam a alma.
Duas pessoas praticamente desconhecidas, compartilham uma cumplicidade, vinda não se sabe de onde.
Há um entendimento entre as retinas que dispensa explicações.
Os olhos buscam-se a todo instante, ao mesmo tempo que repelem-se, tentando não sucumbir ao desejo de um contato físico acolhedor.
A relação entre eles, é de quem busca um refúgio emocional, um lugar para se esconder da rotina diária que consome tempo e saúde.
Buscam entre sí um pouso, querem descansar a cabeça da ciranda da vida, que por vezes tira todas coisas do eixo, com o único objetivo de colocar tudo no seu devido lugar.

Inserida por RitaCoruripe

UM POUCO "refletido" no espelho da vida...
o coração que amamos parte (verbo partir) o nosso coração, fragmenta-o
reduzindo-o a cinzas escurecidas pela dor e pelo desejo...
enquanto outro coração que nos ama implora se fragmenta pelo nosso, que já não nos pertence e se dispõe a colar os fragmentos perdidos de um tempo que não volta nem se recompõe.
DIFÍCIL a arte de viver...e de amar!
perdi a posse do meu coração pro coração amado,
perdi de fato e de direito
ASSIM, já não disponho do que não me pertence!
a vida é essa "doideira" sem tamanho...
somos amados...e o que nos ama, só queremos bem
e amamos...e sem querer saber que somos amados, amamos...
mas os horizontes não se cruzam
e somos na vida paralelas em direção ao infinito.

Inserida por MargaridaDI

post-scriptum...


pois foi assim que TE vi...exatamente como o rio vê o oceano...
TE olhei como olhou o rio o OCEANO...e num lembrar distante percorri todo o trajeto...e assim foi e é...
e como rio que sou, não posso voltar...sigo...enfrentando todo o temor...
mas é preciso ir...é preciso que eu desague em você pra me tornar vida.
e a vida não volta
não existe a tecla "delete" na existência humana
não existe o temor ou a desistência quando se deseja e é
sou o rio que se faz mar, que se tornará oceano
sou a pequena centelha de vida que contempla o céu distante
sou o desejo de ser e de estar em ti
sou um rio que se sobrepõe a um oceano
és um oceano onde o rio se fará fecundo...

Inserida por MargaridaDI

o mar...
e todos os dias eu vejo o mar...
ou a qualquer hora...
ele está ali, sempre ali...
a espera de um vento que lhe dê sentido
a espera de um barco que lhe navegue
e todos os dias eu vejo o mar
e junto-me a ele...
e conto meus contos e choro meus prantos
esvazio-me da dor...
contemplo sua profusão de luzes e cores
e escravizo-me outra vez
agrego-me...
a face escondida me fascina
e o sentimento fecundo se aprofunda e nos alia
e mais uma vez e todos os dias eu vejo o mar
e o mar sou eu que lhe recebo
e o mar é você que me acolhe

Inserida por MargaridaDI

tantas vezes me esvazio
e por um longo período me desfaço
perco a identidade
é como tatear no escuro
agonizo...
mas passa...
ai vem a necessidade de ser feliz outra vez
e escrevo
e penso em "aia"
vislumbro o corpo dele
estremece a pele
no peito de "aia"
e a felicidade é momento
é ausência onde estou e aonde vou.

Inserida por MargaridaDI

Me pego a pensar
O que há de acontecer
Será que irão metrificar
Nossas formas de viver?

Um verso mais estreito
Uma garrafa sem nada
Já temos o eleito
Estilhaço, carne, cortada

Diz se é soneto
Ou se soneto não foi
Com terra nos olhos, entendo
E escuto o sapo-boi

Isto é sem sombra
A dúvida, a duvidar
Me lembro daqueles cinco versos
Somente críticas escutar

Se sabem ser modificados
Edifiquem a modificação
Não digo mais nada, estou parado
Sem nenhuma métrica no coração.

Inserida por Johnny1411

CASA DO SABER


Dentro da cabeça tem um mundo inteiro,
que vai crescendo a cada dia.
Neste mundo não tem porteiro,
que esconda a chave da sabedoria.

Inserida por MAGODIONES

POETA É CRIANÇA


Poeta é gente pra se esquecida.
De toda memória apagado.
Da face da terra riscado.

Para que viva à poesia FAZIDA

Assim mesmo, feito crianças
Que trazem, doces lembranças
Da livre inocência
Sem gramática, só crença…

Inserida por MAGODIONES

FRANGO DE PADARIA


Morei uma vida toda por um segundo
No olhar pidão de um cachorro zoíudo
O taco de frango, engordurado confundo:
Se como, ou saio daquele mundo?

Inserida por MAGODIONES

BERÇO DA VIDA


Desde novinho, figuei apaixonado
Pelo mistério imaginado
Que dentro da barriga
Da gravida
Mora um MUNDO gigante
Que um dia se torna gente.
Se você ver um barrigão, fique contente!

Inserida por MAGODIONES

GÊMEOS DE BARRIGA


Casamento é gravidez
Da mulher buchuda
O homem também
Duas bolinhas esperando
Outra que vem.

Inserida por MAGODIONES

O VENTO DE EROS


Toda calçada tem meu desejo
Impregnado no vestido florido
Bailando com o vento presepeiro
Dissimulado num olhar sorrateiro
Que desnuda à donzela, eternamente ligeiro
Colorindo-a de vergonha postiça: vermelho
No brilho do olhar malicia e sorriso inteiro
O vento sessa
A saia para
Balança
E a vida perde todo seu encanto

Inserida por MAGODIONES

CONHECE-TE À TI MESMO


Certo dia fiquei estacado
Olhando dentro do espelho
Os meus, OUTROS olhos me engolindo
tentando sai do espelho e
ver o que nos MEUS olhos
estava refletido.

Inserida por MAGODIONES

CAMA MACIA


Cama macia para sono pesado
Por um instante tornou-se retardo
Descansando, acordar para quê?
_Se nesse sonho lucido tudo vê

O frio da noite, o breu do dia
Estancada de joelhos em fé pia
Lágrimas banhavam a fria cova
A mãe rezava segurando a rosa

Carnaval apoteótico de vermes com fome
Cavucando carne gelada, a forma se some
Sem pressa, agonia vagarosa a alma consome

Uma chorrava em prantos, enquanto outra ria
A última trouxe a morte; Daquela, a sua luz sumia
Sonhando acordado em cama macia

Inserida por MAGODIONES

CRIAÇÃO


As cores devorando o papel
As cores devorando o pincel
As cores devorando a criança
A criança devorando a vida
A vida devorada por Deus
Que vomita: vida

Inserida por MAGODIONES

ALEGRIA


Todo boneco escuta
Todo carro toca
Todo pião observa
Todo vídeo game é viciado
em alegria de criança.

Inserida por MAGODIONES

A SEMENTE


O TODO contém o TUDO
O TUDO está contido no TODO
Do TODO veio o TUDO
E TUDO voltará ao TODO
Todos estão no TUDO
Ninguém está no TODO
O TODO é TUDO
Mas o TUDO não é o TODO

Inserida por MAGODIONES

ARAÇÁ (A RODA DO TEMPO)


Quem tá, veio, porque já foi
Quem veio, tá, porque voltou
Quem voltou, já veio, porque tava
Quem foi, voltou, porque não tá
Quem vai, não vem, porque tá

Inserida por MAGODIONES

OSSOS


Os ossos dos
meus
olhos
CALEJADOS
de tanto ver aquela
MENINA

Inserida por MAGODIONES

SALVE, DEDÉ SEIXAS


Conheci um atlante andando no chão
Vi com meu olhos, iludidos pelo ancião
Com meia idade, tinha saber de um milhão


Falou de uma universidade, por ele cursada com fervor
Daquelas que a vida, te coloca como aluno e professor
É um ser que se inventou, como homem, sábio e doutor


Maluco beleza, que veio aprender o que tinha pra ensinar
Não cresceu, pra esconder seu tamanho, e humildade mostrar
Aos olhos dos que carregam o mundo, nas costas a lhes esmagar


Os pensamentos e as palavras em medidas bem pitada
Encheu livros, cabeças, poemas e conversa animada
Percorreu o mundo, voltando pra amada


Em sua fome desenfreada, um tal de Nietzche devorou
Vomitou outro Seixas, aquele do rock and roll
Filosofraseando o mundo encantou




O Dom Quixote da Suíça Pernambucana
Desbravando o frio daqui, dentro do sertão em chama
Enfeitou-se de glória, sem espaço pra fama


Na simplicidade ocultou, os poemas da vida espalhada
Editores não enxergaram as obras, pelo leitor aclamada
Do poeta de fogo, que tira poesia, entre a cruz e a espada


Vou falar só uma vez, pra quem lê e quem não leu
Que mistério nele transcendeu, nas frases que escreveu
O pequeno se fez grande, e como sol a iluminar se deu

Inserida por MAGODIONES