Poemas Tristes
Ode à Nobre Tykhe
Quero estar ao Teu Lado Sorte.
Perfumando Teu caminho,
Adornando Tua imagem, evidenciando-te sempre bela...
Recolherei as moedas de ouro caídas de Teu pote, devolvendo-as a Ti, para que não lhe faltem recursos a presentear os que lhe saúdam, desprendidos de qualquer mérito.
Adorada Sorte, és boa, sem julgar, por isso amo-te tanto e reconforto-me com Tua Presença.
Basta que queiram estar ao Teu lado para que sorrias!
Desejo lhe sorrir para sempre, como uma criança entusiasmada ao receber um divertido presente!
Que não nos abandonemos!
Também quero lhe dar tudo, Ó Sorte!
Nunca negaste-me uma só graça, e ao me ouvir chorar, aumentaste tuas bênçãos para cessar meu pranto, sem mensurar tudo o que já me destes.
Por favor, não canses de mim, Genuína Sorte.
Você encontraria um bilhão de mortais para lhe saudarem, orgulhosos de Tua prestigiosa companhia.
Mas eu, sem você, o que seria?
Sou fraca e dependente de Tua Luz para ser feliz.
O tratamento doce que suportas ao meu destino é TUDO e SOMENTE o que me dignifica.
Suportaria a ausência de todos os Deuses;
me bastaria ser uma reles mortal e nunca abraçar-te no Olimpo;
suportaria o desfalecer de todas minhas crenças;
meu esquecimento perante à humanidade;
mas não toleraria viver um só dia nesse Mundo, sem a Tua Companhia, distribuindo presentes e alegrias, porque Sim...
Que você possa compreender a mim, como sonho compreender a Ti;
e reconhecer a mim, com a mesma felicidade que lhe Encontro.
Desse modo, nunca estaremos sós, e;
ainda que não sejamos bem compreendidas,
seremos sempre, muito bem vindas e muito bem amadas;
...o que finalmente importa à qualquer um, em qualquer Tempo...
Para sempre, de sua respeitosa Devota.
Amém!
Chorar, chorar e chorar
Assim talvez a alma lavar
Chorar, chorar e chorar
E um novo dia esperar
O choro dura dias e noites mais
Ansioso roga o ser por alegria voraz.
Ninguém nasce cruel.
Ninguém nasce quebrado.
O que nos parte não é o nascimento, é o caminho.
É o olhar que fere sem tocar.
É a palavra dita no momento errado, com a intenção errada.
É a indiferença de quem passa por nós como se fôssemos invisíveis.
Eu estive lá… essa madrugada.
De novo.
Naquele lugar escuro dentro da minha cabeça, onde a única companhia é o som do próprio medo gritando.
Sufoca. Dói. Paralisa.
E se as pessoas soubessem o que causam…
Se ao menos soubessem…
Talvez pensassem um milhão de vezes antes de usar a crueldade como defesa, antes de destilar julgamentos como quem cospe veneno em feridas abertas.
Mas eu sei que elas também estão quebradas.
Se tornaram aquilo que um dia odiaram.
Talvez nem percebam.
Talvez estejam apenas tentando sobreviver do jeito que aprenderam.
E eu…
Eu tô tão cansado.
Tão exausto dessa luta invisível.
Dessa armadura que visto pra parecer forte, inteligente, inteiro.
Quando, na verdade, eu sou só um quebra-cabeça feito de pedaços que a vida espalhou por aí.
E eu junto o que posso…
Do jeito que consigo…
Mas ainda assim… falta algo.
Me sinto perdido em mim.
Tentando ser o que esperam, tentando caber em moldes que não me servem mais.
Me cobro, me exijo, me mutilo em pensamentos…
Porque, por algum motivo, aprendi que ser perfeito era a única forma de ser amado.
De ser visto.
De ser aceito.
Mas eu não sou perfeito.
Nem você.
Nem ninguém.
E tudo o que eu queria agora…
Era que alguém segurasse minha mão.
E dissesse:
“Tá tudo bem se você não der conta hoje…
Eu te vejo mesmo assim.”
Há momentos que o vazio aperta por de mais, e dói muito
Aparentemente não sabe-se da onde é nem o motivo de tanta dor
Mente, corpo e espírito entra em conflito
Sabendo que tudo isso será efêmero
O melhor está sempre por vir
Às vezes caio em momentos de fraqueza e dúvida.
Meus pés pisam em brasas e se jogam ao mar.
Quem sou eu frente ao espelho?
Minha alma quebra-se no despertar dos dias;
Mais um vazio a suportar.
Sol e a Lua
Se pergunte meu
querido e minha querida, qual é melhor, um papel de figurante na guerra ou um papel principal em uma cela?!
Todo dia que levanto para lutar e me deito ao por do sol, me repousando em derrota. Vivendo nesse ciclo vicioso entre granizo, me alimentando de dor e tristeza. Mesmo que eu queira sair disso não consigo, porque o vicio da lua e maior do que a minha alma. Alguns nasceram para ser como o Sol e brilhar intensamente, outros para ser a Lua, sem brilho próprio, vivendo a margem da dor.
Droga lícita
A dependência emocional e como uma droga que ao ser negada ela ti consome em pedaços. O amor não correspondido é como um câncer que fere o coração se espalhando no vazio deixado.
Limitação
Tenho uma coisa assim, sentida,
Que não pode ser entendida
Mas causa desilusão.
É de fato coisa séria
Traz sensação deletéria
Que melhor, não professar.
Caminhando com graça, vou seguindo,
Com diadema ornando a cabeça
E os pés encaixando na estreiteza,
Entre as valas do caminho.
Cuida da tua capacidade de influenciar aos demais com teus sorrisos e boas ideias, se lanças pedras falseadas de veludo no caminho de alguém, elas podem rolar de volta e atingir teus dias inexoravelmente.
Em realidade, apura em ti a percepção do bem que há em teu semelhante e alegra-te com as virtudes que ele já faz brilhar em si. Lembrando-te que tu e ele podem chegar muito mais à frente ao afastarem-se da competição e unirem-se em cooperação por um mesmo ideal.
E viva em paz, sabendo que o Tempo guarda todas as respostas, derrubando fantasias e vaidades, sublimando a realidade que dá verdadeiro sentido aos teus dias junto ao teu próximo.
Escrevi uma linda canção
inspirada nos meus sentimentos.
Cantei, cantei, cantei...
sentindo uma alegria infinita
por saber que você está comigo!
A infância
Sempre recordamos nossas infâncias
Lembramos das flores
E encaixotamos as dores
Negligenciadas
As flores
Murcham
Apodrecem
E morrem
Quase sempre solitárias!
Já aquelas dores...
Inquietas
Naquela caixinha
Tão apertada
Crescem
Consomem
Matam
Mas nunca morrem!
Dois de novembro
No silêncio íntimo que invade o Dia de Finados, a saudade se debruça. Ela não tem pressa, é senhora do seu próprio compasso. É o dia em que a ausência brinca de ser presença, quando os que partiram voltam, não em carne, mas em sopro, como se sempre estivessem apenas a um afago de distância.
Os túmulos não mentem. São declarações sem palavras de que o que foi vivido realmente existiu, confessando com a solidez do mármore que a vida é frágil e que o tempo é um rascunho rabiscado à pressa. Cada nome entalhado ascende, não como uma mera inscrição, mas como um feitiço sussurrado entre as frestas do esquecimento.
Nem toda ausência é tratada pelo tempo. O tempo não se compromete com permanências. Passa por nós sem desculpas, sem aviso, sem oferecer alívio. Quando alguém que amamos morre, morre também uma versão nossa. Deixamos de existir daquele jeito. É como ter sua casa assaltada por uma ausência. Por isso, não se deve apressar a dor de ninguém. No luto, não se questiona o amor por quem partiu. No luto, deixamos de nos amar, e voltar ao amor próprio demora. Deixe a pessoa doer.
O luto não passa; somos nós que passamos por ele. É um caminho de fragilidades. Não há como sair de uma dor caminhando. Precisamos engatinhar até voltar a firmar os pés novamente. E demora até que essa dor vire saudade. Demora até que essa saudade vire gratidão. A dor é solitária, e você tem todo o direito ao seu luto, mesmo depois da licença do outro acabar. Cada um tem seu tempo de digestão.
No murmúrio de uma prece, na chama vacilante de uma vela, reside a certeza de que, do outro lado do mistério, alguém sorri — os eternos hóspedes da eternidade. Hoje, flores são depositadas por mãos trêmulas de emoção. Mas não é o frescor das pétalas que importa, e sim o gesto. É flor de ir embora. É uma homenagem ao laço que nem a morte é capaz de desfazer.
Chove bastante aqui dentro
Venta forte
Inverno-me.
Ao invés de praguejar
Varro as folhas caídas
Agradeço o beijo da brisa
E tento preservar os galhos
Até o meu próximo florescer.
“Dúbia interpretação deste cristal líquido que umidifica a superfície da flora. Será choro ou suor sob a pele da folha fria?
Uso do mesmo artifício e hidrato meus olhos nas madrugadas gélidas de tristeza ou quando me emociono ante tamanha beleza como essas da natureza.”
Orvalho
“O Choro é nosso primeiro ato.
Sinônimo de fracasso na adolescência.
Com o passar da existência
Vira significado de resistência.
A fragilidade é quem prova a mortalidade.
A tristeza é a fiel da balança,
Igualadora de homens.”
“Amamos antes do amor chegar. Amadurecemos cercados de defesas.
As respostas mudaram conforme a nossa esperança.
Sufoquei-me com as palavras que nunca disse.
Cada vez que negligenciei minhas vontades algo morria em mim.
Perdi o paladar por só saborear desejos alheios.
Fui corresponsável pelo óbito do nosso futuro.
Tristes tempos pretéritos, presentes. Nossa química era física.
No final, só hiato de fato.”
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