Poemas Sombrios
Na profundidade da mente,
Encontram-se portas que nunca foram abertas antes,
E não se sabe o que há lá,
Mas nunca... é nunca uma opção.
Agradece o que vem.
Agradece pelo o bem.
(mesmo quando esse bem trás sua ausência, seu oposto)
Na limitação da vida...
Agradece pela imperfeição.
(porque é justamente nas faltas que se constrói)
É na ausência que se completa o que não se seria capaz.
Agradece aqueles que...
a vida deram
a luz acenderam
a mão estenderam.
Saiu e procurou.
Não é que encontrou dentro de si?
As respostas das perguntas que fazia.
As dúvidas preenchidas pelo vazio do nada.
Na tentativa de me ver
Vejo o outro em mim
Se tenho todos dentro de mim
Sou um pouco de tudo
De tudo... um pouco.
Paciência? Sim eu tenho
Amor? Dou e recebo
Respeito? Cultivo e compartilho
Felicidade? Busco e adquiro
Equilíbrio? Será atingido
Lealdade? Faz parte de mim
Quem sou eu? Uma sombra passageira
Ainda tenho que resistir a isso.
Fazer de conta que você simplesmente não existe....
É apena sombra.
Eu não sei disfarçar a sua presença em mim.
Ela me imita
Segue-me a cada passo
E mesmo sem rumo
Andando eu
Ela insiste
Muda de rota
Para a mim encontrar
Na luz do sol
Na luz da lua
A minha sombra
Me revela
Em espelhos d'agua
Sempre é luz
E eu atrás
Dos sonhos dela.
Marcas
que ficaram...
Nessa busca intensa
de mim.
Que seguia caminhos
aleatórios.
Porém traçados
pelo vento!
E fui deixando me levar.
Me levar...
Olhando somente
a minha sombra!
Momento de parar...
Quando encontrar,
com os seus olhos!
Sou e sempre fui, uma pessoa que procura ver o lado positivo em tudo.
Não tenho síndrome de "Polyana", é atitude positiva mesmo.
Sei perfeitamente bem que o mal existe
Mas, o bem e o lado luminoso da vida é muito mais forte.
Mas nunca gostei do entardecer.
O crepúsculo é triste.
Parece que o ar para.
O tempo embota
A vida perde a cor.
Até nossa sombra some no crepúsculo , pode observar...
Nosso céu é lindo mesmo no entardecer.
Mas minh'alma se deprime nesses 40, 50 minutos de lusco-fusco.
Preciso enxergar melhor no cair da tarde.
Há beleza em tudo.
Sei que há.
Convocado ao assassinato
Pegar, trancar, matar teu menino
Não fugirás das leis do divino
Escorre por cada olho fechado
Lágrimas de gana pelo diabo
Cegar, machucar, dopar a paixão
Blefar e forjar tua razão
Não vês adiante um destino?
Comece este com fascínio, assassino
Chamar, trair, ferir teu irmão
O mesmo que lhe ditou perdão
Extermine o inimigo, tredo genuíno
Não há líder de honra, foi-se Saladino
Acaba a morte, teu fardo amado
Podes enxergar sua alma impoluta
No reflexo de sangue derramado?
Não negue o descaso, foi culpa tua
Doar fé para assassinato.
Preferir o silêncio
"Se quiserem que as palavras ditas sobre Deus signifiquem algo, vibrem de zelo pela sua glória. Pois, se os ouvintes perceberem que falamos apenas para nosso próprio agrado, acusarão o nosso Deus de ser somente uma sombra. Se se ama a glória de Deus, é essa transcendência que se procurará, e é no silêncio que ela se encontra. Não procuremos, pois, conforto numa certeza de sermos bons. Saibamos somente que só Deus é santo, só Ele é bom.
Não é raro que o nosso silêncio e as nossas orações levem mais ao conhecimento de Deus, do que tudo que dissermos sobre Ele. O simples fato de querermos glorificar a Deus falando Dele não prova que o conseguiremos. Que importa, se Ele prefere o meu silêncio? Não ouviram dizer que o silêncio Lhe dá glória? "
Homem algum é uma ilha, Thomas Merton (Editora Agir), 1968, pág. 207
Somos dias de sol e chuva.
Somos noite de breu e lua.
Eis a essência que nos traduz:
somos feitos de sombra e luz.
Escuridão é não ter
teus beijos em mim.
Escuridão é ficar
distante de tua voz.
Escuridão é viver por ti
e não acordar ao teu lado.
Escuridão é não abraçar-te
em leito apaixonado.
Escuridão é querer teu
sorriso e ver-te triste.
Escuridão é saber que
estou à sombra e não
poder tocar em tua luz.
Escuridão é ter tempo e
não poder encontrar-te.
Escuridão é saber que
não soube te conhecer.
"Estas estórias desadormeceram em mim sempre a partir de qualquer coisa acontecida de verdade mas que me foi contada como se tivesse ocorrido na outra margem do mundo. Na travessia dessa fronteira de sombra escutei vozes que vazaram o sol. Outras foram asas no meu voo de escrever”.
( em "Vozes anoitecidas". Lisboa: Editorial Caminho, 1987).
PENSAMENTO INTEGRAL
OS ESTRUPIADOS
"Quando fizerdes um festim, disse Jesus, para ele não convideis os vossos amigos, mas os pobres e os estropiados." S.Lucas Cap.XIV v. de 12 a 15.
Ao pensarmos na acertiva evangélica somos na maioria das vezes compelidos a interpretação exterior, arremessando nossa atenção aos estrupiados do mundo.
Compreendido que os estrupiados são os " acabados, arrasados, arrebentados," não estaria incorreta a visão citada acima proposta pelo entendimento evangélico , porém, Jesus é a síntese de todo o processo evolutivo humano e tal ensinamento não poderia se registringir a apenas a visão exterior, faceta diminuta da natureza humana.
Pensemos em todos os cantos dentro de nós onde moram partes doloridas encarcerados em séculos de escuridão. Tendo o espírito passado por diversas experiências reencarnatorias, tanto quanto na mesma vida nas diferentes fases psicológicas em que passou, deixou partes suas estrupiadas e negadas em ambientes hostis de angústia, culpa, medo e outros martírios do ser, gerando transtornos mentais e comportamentais de diversas ordens.
Por predileção ao que imaginamos conhecer e ter domínio em nós, negamos o convite aos nossos estrupiamentos internos, razão pela qual continuamos escravos de forças interiores negadas, ao invés de tutelar nossos movimentos psíquicos.
Convidar os estrupiados internos, em síntese, é abraçar a própria sombra interior produzida pelos significados doloridos atribuídos por nós mesmos, em vários momentos da evolução, a toda experiência que nos sensibilizou.
Presente
Em uma fração de segundos,
me vi de volta ao passado.
Como presente, tinha-te ao
meu lado, linda alegre e
sorridente.
Deus, sem sombra de dúvida
concedeu à mim a graça de
ter você para sempre.
És o meu eterno presente.
Roldão Aires
Membro da Academia Cabista de Letras Artes e Ciências
Membro da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Nem toda chuva é de inverno e o calor não surge apenas no verão.
Nem toda flor brota na primavera e a folha não cai em qualquer estação.
Nem todo dia é claro, mas é claro que o dia todo é uma continuação, pois, o dia também abrange a sombra da escuridão.
PEITO MURALHA
Minha bagagem,
Um milheiro de tijolos
Que carrego com brava vocação
E tremenda desvantagem,
Quando oscilo entre choro e riso.
Ora murmuro
Ora sussuro
Por ora, só um muro.
Por ter muralha no peito,
Quem quiser deitar à sombra,
Pode escorar a alma toda
Até fazer as pazes com o sol.
E não pode se assombrar com os vultos.
Deve podar qualquer arbusto que ornamenta
Esse caos monumental.
TOLERO MEUS NAUFRÁGIOS
"Tolero meus naufrágios
Tentando estancar meus emolumentos
E calibrar rumores sobre astros
Que sucumbem diante dos tormentos dos voos.
Circulo na causticidade imortal,
No pavor de fixar-me corpórea e envaidecida,
Não querendo orbitar no fogo de inúmeras corridas,
E sugo o instrumento da verdadeira sombra
Que anseia por constipar meus cânticos
E comprar-me encardida sob arco-íris arbóreos."
CAROLINE PINHEIRO DE MORAES GUTERRES
Perdida em meus pensamentos
Devaneios se projetam em canção
Cada encontro, cores em sortimentos
fugazes lembranças ou mera ilusão
Sobrepus sonhos em vagos silêncios
Completei imagens de fracos tracejados
Deslumbrei brilhos em olhos fechados
Devolvi estrelas a oceanos parados.
Esqueci da vida, abafei sopros da realidade
Tirei os pés do chão, voei, imaginei a eternidade
Suspiros me levaram além da estrada que assombra
E alheia a qualquer vontade, fiz questão de esquecer
qualquer diferença entre a luz e a sombra
tudo que me definiu até agora, tudo que define você!
