Poemas Sombrios
'LIVROS'
Tenho livros trancados no quarto,
na sombra dos porta-retratos.
Em caixas escuras,
vagando nas ruas,
estrelas sem brilho,
perdido em armários...
Empoados pelo tempo,
a couraça das capas pouco se vê.
Eclodidos,
com meios-escritos.
Engavetados na ânsia de aplausos.
Inaproveitável nos seus mais belos sentidos...
Folheados pelas traças.
Folhas soltas lapidadas.
Sem interlocutores,
ou apercebidos.
Muitos extravios,
como a vida inesperada...
'FERIADO'
A sombra mórbida deixa uma inquietude aparente. Algumas árvores embaçam a visão rumo ao estreito rio representando calmaria. Peixes esboçam o que de mais belo existe na natureza. O balançar da rede entra em harmonia com a brisa de inverno e o cantar dos pássaros, intrínseco a outros cantos, soa longínquo.
Casa de palha e um velho barco esquecido demonstra pulsação, temporada. Uma velha tralha de pesca, sem cor, fala do tempo fatigado. A água com seus sons melodiosos atraí o sol com seu olhar ofuscante. Olhos pontiagudos, mas suportável. Tudo tranquilo! Exceto meu coração, louco e distraído.
'A CAIXA'
Debaixo da caixa,
existe uma sombra.
Debaixo da caixa,
só há escuridão.
Debaixo da caixa,
tempestade habita.
A caixa é vazia,
não tem coração.
A caixa é enorme,
ausente de pé.
A caixa é clemente,
ela tem pouca fé.
O grito da caixa,
é desesperado.
Sempre lastimando,
ela chega de lado.
A caixa milagre,
sentindo fadiga.
Plantando sementes,
ela não tem comida.
A história da caixa,
é história não lida.
A história dos homens,
é bem parecida.
Enquanto isso,
O motorneiro vai tocando o bonde
Espetáculo de sombra e luz
Que num instante desaba
Nunca mais tentei parar o tempo
Depois que ele se foi
A impressão que dá é que ele acaba
Em todo lugar onde há começo
A vida é que corre ao avesso
E ninguém vê
Se esquece que o Sol se põe
No momento em que nasce
Desse modo é que tudo se dá
Só não dá pra mudar nada
Mas eu teimo em transformar
Poesia em sonho
Pra não ter que dizer adeus
Confesso o pecado alheio
Coisa estranha
Os sonhos não eram seus
E aos poucos se foram
Deixando ficar
Sem altos, sem baixos
Nem perdas e ganhos
Enquanto isso
Um violeiro louco vai tocando no deserto
O sonho parece mais perto
Que o lugar bonito que vejo, quando acordado
Passo a noite pensando e quase rio
Quase rio, quase todo dia
Quase dia, quase poesia
Enquanto isso
O timoneiro vai tocando o barco
A vista alcança o invisível
E durante o caminho
A vontade de aço fraqueja
A gente erra
E os sonhos parecem naufragar
Em um Mar tão distante daqui
Nada mais que o pó da estrada
Dá um nó na garganta
Só de pensar
Na pena de não sonhar
Pois hoje é dia de semana
Te aparta de mim
Eu sou um cara por demais comum
Enquanto isso
O coração que vai tocando a prece.
Edson Ricardo Paiva.
Não sei nada
Sobre a vida
Ou sobrevida
Sobrevivo
Sobre o trigo
Sob a sombra
Sobra escombros
Sobre os ombros
Chão
Escuridão
Pão
Perdido
Sobra
Outro pedido
Sempre
Desatendido
Vida
Sobre ela
Sei
Que acaba.
Edson Ricardo Paiva
Por algum tempo
A gente ainda vai poder
Sentar-se à sombra da velha árvore
Talvez perceber
que as folhas do ultimo verão
Se foram no outono
A gente necessita somente
do bastante a abater a fome
Mas tem sempre uma sede
A que nada sacia
E lá se vai a alegria de viver
Troca tudo por sonhos
Briga pela prata que não leva
E quando encontra
Não percebe que a procurava
Aposta na sorte traiçoeira
E espera passar mais um tempo
Pra que as coisas fiquem no lugar
Quando o lugar de tudo
Era o tempo que se esvaia
A estrada onde o Sol se põe
Que compôs a vida
Meio cansada
e metade arrependida
Pois a essência da vida é indivisível
E a vida é sem graça, se não for dividida
Descobre que é possível
A viagem no tempo
Mas o tempo só corre pra frente
E corre mais e melhor que a gente.
Edson Ricardo Paiva.
Antes que escureça
Faça sombra à luz do Sol
Os escombros do coração
Destoam daquela coisa
Pura e boa
Que a gente queria
Ainda outro dia desses
Linda como coisa à toa
Voa lá distante agora
Mas dá tempo de vê-la ainda
Antes que escureça
Pois toda escuridão tem começo
E singular é a vida
Isolada, uma ilha
Perdida, perto do nada
Até que, então, se perceba
Ou não
Que as coisas simples
Não podem ser divididas
Devido à própria simplicidade
Que as torna complexas
Mas podem sempre
Ser compartilhadas
Quando entardece
Às sextas-feiras
Primeiro
E antes de tudo isso
Esqueça o preço da vida
Pois a vida é graça
E dá tempo de vê-la ainda
Qual lembrança
de alguma linda canção
Que o coração cantava em silêncio
Um lenço branco acenando
Igual despedida
Um adeus lá no horizonte
Hoje, fatalmente
A vista cansa
Ao final do dia
Antes que o dia escureça.
Edson Ricardo Paiva
Eu sou como uma sombra
Que se projeta na calçada
Numa noite
escura e mal iluminada
Alguém
que raramente se encontra
Porém se perde facilmente
E não volta por nada
Um ser magoado e ressentido
Que percebe a ingratidão
No menor ruído que houver
Eu sou como qualquer um
Mas isso não quer dizer
Que eu seja um ser qualquer
Nisso consiste a diferença
Pois todo mundo sempre haverá
de possuir alguma
Meu sensível coração de criança
Faz que eu seja teu melhor amigo
Porém, se eu hoje não encontro abrigo
Não brigo, parece até que nem ligo
Mas à partir de amanhã
Eu serei eternamente
Somente uma ausência e uma lembrança.
Durante o correr das horas
Aflição e pressa
e riso e rotina
A sombra das cortinas
desfilando pelas salas
E essa
Imensa mania de querer
Que as horas passem depressa
Durante o correr das Estações
A febre do ouro
O voo dos pássaros
Migrando pelos Céus
Trabalho, descanso,
desejos suprimidos
Sonhos reprimidos vão e vem
Intermitentes qual vagalume
E uma intensa aflição
Pra que se acabe
E que o mundo desabe
Como é de uso e costume
Durante o correr dos anos
Planos concretos
Corações que páram e disparam
Quase todos malograram
Silhuetas de almas
Desfilando calmamente
Nas inevitáveis despedidas
Durante o correr da vida
O tempo que corrói quase tudo
E uma inenarrável mania de querer
Sentir, ao menos por um instante
Aquela alegria cortante
daquele tempo
Que você tanto desejou
Que passasse depressa
Edson Ricardo Paiva
A noite clara a sombra ilumina
A lua se eleva, numa leve claridade
Tão breve quanto a verdade
As sombras se aclaram por uns instantes
Verdades de mentira, a mente as cria
A noite escura tira a luz, que à sombra iluminava
E então, nesse momento, minh'alma repara
Que os olhos, quando bem fechados
São capazes de olhar pra si mesmos
Pode ser que melhor do que antes
As noites sem luares são assim
Iguais a você, iguais a mim
Pode ser que elas peçam canções ao vento também
Sobre claro e escuridão
Canções sobre o mar e as estrelas do céu
Se a gente pudesse pisar lá no chão das estrelas
Se desse pra se ver de lá
Talvez então soubéssemos
O quão longe estamos de nós mesmos.
Edson Ricardo Paiva.
Aline
Margeando a sombra das lembranças
Sombreando as margens daquilo
Que te faz perceber a chegada
do vulto que divide tudo
Entre aquilo que ainda existe
e aonde a esperança não há mais
Um dia, numa linda tarde
haverás de olhar
As roupas coloridas balançando
ao sabor dos fortes ventos
que chacoalham seus varais
Esse vento haverá de trazer-te
Um longo, triste e doído lamento
E te fará lembrar
Coisas que fizeste e que disseste
e que deixaste cair no esquecimento
Perceberás então
Que a mágoa que sentias
Não possuia simplesmente
Fundamento ou razão de ser
Talvez tenhas nessa hora
Vontade de pedir perdão
e segurar um pouco a mão
de alguém que desprezaste
e deixaste partir
Sem pelo menos
poder se despedir
Enxugue suas lágrimas
Esqueça suas mágoas
Essa mão estará
Como sempre esteve
à sua disposição
Embora nesse dia
Não possa mais vê-la
Basta lembrar-se
dos motivos que a levaram
A não te balançar
nos primeiros anos
Assim como hoje
O vento balança o varal
Vindo de muito longe
Sentirás um beijo
Um carinho
E novamente
Outro pedido de perdão
Quem sabe outra estação
Um dia vai
Permitir que sejamos finalmente
Filha e Pai.
Você vai caminhando pela rua
Olhando a própria sombra na calçada
Percebe o Sol
Que brilha acima de você
Olha para as casas
E vê as janelas abertas
Mas percebe, de repente
Que talvez
tenha perdido a humanidade
E não existe mais certeza
De que você
é mesmo gente de verdade
Você não pretendia
desistir dos sonhos
Mas neles todos
Estava incluso este mundo
Que desistiu de você
Percebe que acreditou
Em quem desconfiava
Olha novamente
as janelas das casas
Lá não há mais ninguém
Elas estão todas fechadas
Você vê que tudo
Que aprendeu na vida
Trouxe-lhe somente dúvida
E as certezas
Não conferem-lhe razão
Melhor voltar pra casa, então
Na esquina há uma placa
Na placa há uma seta
A seta indica a direção
Seu coração cansou-se
de seguir na direção contrária
Mas cursou-a tanto tempo
Que já não sabe mais
O que é correto
Acorda no meio da rua e vê
Que já não sabe de mais nada
Nem ao menos a calçada
que te trouxe
Poderá te conduzir
Novamente pro lugar
de onde partiste
Pois esqueceu-se de onde veio
Sua vida, num segundo
dividiu-se ao meio
E percebes
que não vale mais à pena
Saber; ignorar
Nada mais importa
Aqueles em quem confiaste
Agora cortam-te em partes
Dividem-te, devoram-te
Escondidos atrás
das portas que se fecharam
Pra que você não entrasse
E que você não saísse
Pessoas...
A sombra da paz, da saúde e alegria não são capazes de proteger todas as pessoas que gosto...Mas posso ver na luz do sol o quanto elas são importantes para mim,elas são insubstituíveis, são inesquecíveis…
Quero sempre ter forças e sorrisos para enfrentar as dificuldades, as tristezas e as desilusões da vida...
E se meu sorriso for interrompido pelo sopro do medo e da tristeza?
Que eu consiga transmitir a paz e o amor de Deus, para os que estiverem ao meu redor...
No divã das minhas loucuras valorizo quem sou, não o que tenho…
O amor existe…
Ainda que hoje alguém espere meu fracasso, amanhã estarei na apoteose dos meus sonhos e propósitos, porque nunca vou perder a liberdade de dizer: O amor é especial e importante para
mim, nada é em vão… O
amor existe, eu encontro o amor nas pessoas, não conheço nenhuma outra razão para amar...
Em contraluz, não há frente nem verso
Há simbiose entre a sombra e a verdade.
Somos quem somos pela alma que nos mexe,
Numa ilusão nomeada realidade.
Pensamos ser, na verdade da mentira, sobre real (in)existência.
Viver para ser alguém?
Só com o coração em liberdade.
O amor é uma sombra de duas almas que dançam sem se tocar,
um abraço intangível de sentimentos que não se vê.
Então, como poderei dizer que sei te amar?
Sem sombra de dúvidas, é possível notar um resultado de fato maravilhoso quando uma arte ganha vida e facilmente gera outra, um evento mágico, um livro que inspira um filme, uma linda peça de teatro, passos expressivos, ordenados, que unem uma música intensa a uma dança fascinante em um momento admirável
Um canto muito emocionante que reúne algumas frases e uma rica melodia de um jeito paciente, harmônico, bastante dedicado, sincero, entusiasmante, semelhante a uma escultura complexa, detalhada, que é formada sem pressa, aos poucos e logo serve de base para motivar uma pintura esplêndida, bem diferenciada.
Uma mescla de diversas emoções, significados, almas, razões, as inspirações genuínas que brincam com o imaginário, especialmente, aquelas artes que não se limitam ao espaço de suas particularidades, transcendem suas verdades explícitas, assim, uma marionete parece estar viva, pintando um belo quadro.
A propósito, inspirado por uma destas percepções artísticas, fiz agora este poema, ressignifiquei com a arte dos meus versos, parte da minha perspectiva, do meu mundo poético, da minha imaginação que está sempre ativa, misturando realidade, sonhos, pensamentos, emoção, simplicidade, entre outros elementos.
A "arte" da inversão…
Manipulação é a dança velada da sombra, onde a culpa, disfarçada, se impõe e assombra.
É o espelho quebrado da razão alheia, que reflete o erro como se fosse cadeia.
Teu grito, nascido do corte profundo, é moldado em silêncio por quem rege o mundo.
Teu lamento, legítimo, é transfigurado, num teatro cínico, ao algoz dedicado.
Quem desrespeita finge ser ferido, torcendo a verdade num laço distorcido.
E, assim, o carrasco se veste de vítima, invertendo a lógica, tornando-a enigma.
Leia de novo, até o véu cair, até que o ciclo não possa mais se repetir.
Pois quem usa teu pranto como argumento, te prende num labirinto de tormento.
A manipulação é a arte da inversão, um veneno sutil que invade o coração.
Mas quem enxerga além da neblina espessa, rompe o jogo e resgata a própria promessa.
Na sombra da noite
A coruja decola em seu voo silente
Com uma visão singular e aguçada
Garras pontiagudas e mortais
Causando o terror em suas vitimas:
Ratos apavoram-se, morcegos voo,
Insetos sacodem seus exoesqueletos
Buscando abrigo em seus esgotos e esconderijos.
Na ânsia de sobreviverem as suas desgraças.
Notívago
AMOR.
Eu escolho viver sozinho em vez de viver como sua sombra. Estar ao seu lado o
tempo todo. No entanto, ela nunca
irá te tocar, nunca irá sentir seu abraço nunca irásentir o cheiro e o calor do seu corpo.
Ia tomando já cor o dia
Via-se dentro do meu sonho
Uma sombra,
Um rosto dorido, sofrido
Com os olhos baixos
Como que ausente
Ao tocar-lhe tomou brilho
Com a luz do meu amor
Logo o reconheci
Levantou o rosto e olhou-me
Perguntou, à quanto tempo ali eu estava
Respondi, que ali estivera sempre
Esperando por ele
Mas ele vivia na escuridão da vaidade
E os seus olhos não suportavam
O brilho do meu amor...cegavam.
