Poemas Homenagem pelo Nascimento Filha
Na gradação
desta noite
bolivariana,
Sofro as dores
da filha
mais frágil
do libertador,
Se o General
estivesse solto
sei que ele
se comoveria
por esta ferida
contundente
e profunda
de uma Pátria
tentando
ser reerguida
após séculos.
Contra tal
barbaridade
em versos
que passeiam
por este
continente
e denunciam
comparáveis
insanidades,
A comoção
alcançou até
o General
de olhos
de azabache.
Versos que
são de minha
integral
responsabilidade,
E que não
desejam provocar
quem quer que seja,
E sim nasceram
para gritar tudo
aquilo que
ao povo humilde dói.
O Comandante
da mais frágil
filha de Bolívar
se recordou
do lema patriótico:
"Pátria ou Morte,
Venceremos!"
Isso me fez lembrar
da dolorosa partida
do mais ilustre
líder rumo ao exílio.
Não consigo parar
de me chocar que
vem crescendo
o número de
presos políticos,
O fato é que alguém
tem que reclamar
até a liberdade cantar.
Do outro lado de lá
há um General
que não fez rebelião,
não fez nenhuma
sugestão e foi
preso mesmo assim,
ele que no dia
treze de março
há quase dois anos
no meio de uma
reunião pacífica;
E pesa um rigor
injusto e sobrenatural
de não saber se
ele, a tropa e todos
o quê foram presos
pelos mesmos
motivos receberão
os auspícios
de serem soltos
antes do Natal.
Encontrei uma
venezuelana
em diáspora
com uma filha
na mão e um
filho no ventre,
Vi nos olhos
dela uma fé
em Deus que
é o Senhor
do futuro
que a todos
nós pertence,
E uma tremenda
vontade de lutar.
Mulher da Pátria
do General que
ainda se encontra
injustamente preso.
Encontrei nesta
venezuelana
a notícia
de outros irmãos
da Pátria dela,
E a preocupação
que a vida
venha para
todos se ajeitar.
Mulher da Pátria
que uma tropa
ainda se encontra
injustamente presa.
Encontrei nesta
venezuelana
a bondade
perene,
a esperança
inabalável
e a fraternidade
compartilhada
que nem o tempo,
as dificuldades
e a tirania não
conseguiram tombar.
Mulher da Pátria
que homens
e mulheres estão
injustamente presos.
em nome de
um rumo melhor.
Encontrei nesta
venezuelana
os que como
ela estão
em diáspora,
E que podem
ser considerados
presos porque
foram obrigados
a partir contra
os seus arbítrios,
Uma verdade
que ninguém
pode questionar.
Armazém
Uma vez filha do Rio
sempre será filha,
O teu nome filial é Capivari,
e não é por acaso que eu te escolhi.
Por acolhida foi prêmio ao herói
que lutou contra os rebeldes
e viraste Armazém:
- Te quero como tu me queres.
Capítulo de ouro
das efemérides do Padre,
És tesouro, amo teus ares
e todos os teus lugares.
Dos tropeiros foste o destino
e mãos gentis alemãs e portuguesas
ergueram uma cidade de gente
calma, gentil e ordeira;
Nasceste de tudo o quê
há de mais lindo em liberdade.
América Latina
é um lugar onde
Pai e a sua filha
foram arrastados
pelas oligarquias
e afogados
pelas correntezas
do Río Bravo.
Todos nós não
passamos de
uns afogados
no oceânico ego,
E sem saber
que nele
já falecemos:
Viramos um
real cemitério
de gente viva.
Na Colômbia
virou corriqueiro
ter seus
líderes sociais
assassinados,
e ficar tudo
por isso mesmo.
Mais de um
imigrante haitiano
tem sido
assassinado,
Todo o dia
um venezuelano
se vê obrigado
a ir querendo
nunca ter ido,
e sem razão
nenhuma
sendo ofendido.
O General
que tanto falo,
Você sabe que
ele é inocente
e que já era
para ter
sido posto
em liberdade.
Do Vice-presidente
da Assembleia
ouvi a filha
que pede por
ele fé de vida,
E aqui eu sem
legitimidade
até para uma
campanha
começar
sinto o vazio
dos abraços
não dados
pelas filhas
e pela Mãe
do General
inocente que
em Fuerte Tiuna
trancado por
causa de intriga.
Parece um
pesadelo
sem fim:
ver quem
tem razão
trancafiado,
do mundo
seguindo
incomunicado
e sem chance
de se defender,
Percebe-se
que quando um
militar é de fato
do povo e para
o povo em um
neste momento
que não tem
sido superado
até ele está sem
como se proteger.
Não entendo
o porquê
jogaram uma
pena sem prova
e sem devido
processo legal
nos ombros
do General;
Enquanto isso
segue firme
o autoproclamado
no seu passo
para lá
de destrambelhado,
Não quero pensar
o pior de ninguém,
Até que libertem
o General e outros
presos na mesma
condição me permito
pensar que tudo foi
orquestrado por
alguém que
quer se esconder.
Soberana Vitória-régia
dos igarapés amazonenses
És filha da Vitória-régia
do poético igarapé místico
do Hemisfério Austral,
Regente-mor dos igarapés
amazônicos mais profundos,
És o signo de todos os sonhos
que tem orientado do Norte
ao Sul em todos os cinco pontos
que comigo os tenho guardado
com votos sempre renovados
e toda a poesia que embalo
para que ninguém obtenha
nenhum êxito de tirar tudo
aquilo que mantém o amor
infinito e o coração coexistindo.
Sou filha do mar
espalhada nas ondas,
Mãe de muitas pérolas
e poesia de amor,
A sua madrepérola,
a inspiração e pendor.
Dos mais de cem mares
sou a absoluta filha,
De todos os altares
eis-me a prece erguida,
Das letras místicas
do tempo a poesia.
Madalena Caramuru
Filha de Moema Paraguassú,
com seu brio tupinambá
e a sua pluma abriu
caminhos para a liberdade,
Madalena Caramuru,
em teu nome quero fazer
valer a minha poesia de verdade.
Antonieta de Barros
Filha de Florianópolis,
Mestra incondicional,
Mãe de causas nobres,
Ser humano transcendental,
Sublime orgulho eterno
catarinense e nacional.
Como filha de gaúcho,
aprendi com meu pai
quando ele era jovem
a ser filha do tempo
e dos Pampas,
Fazer um churrasco,
preparar um Chimarrão,
domar um cavalo
e honrar a tradição
do Rio Grande do Sul
com todo o meu coração.
Eu sou filha orgulhosa
da nossa Amazônia Azul
deste Atlântico Sul
onde está sagrada
a minha absoluta poesia
pela rota infinita
dos povos do Sul Global
que me ilumina e guia.
Em Marcos 6 é dito que Herodias e sua filha pediram a cabeça de João Batista.
A lição ensinada nesse texto é que quem diz a verdade sempre terá a cabeça a prêmio nas reuniões de líderes corruptos.
Índia Cigana
Filha do Sol e da Lua
Na noite e no dia da vez
Que toca no chão que alimenta
De encontro de frente com os ventos
No verde e azul que sustenta
Vigora nas trilhas dos tempos..
Não me roube de mim mesma,
Eu me pertenço!
Sou filha da boa franqueza...
Não me roube a paz
De construir a vida
Que eu sempre quis
Eu deixei tudo para trás.
Não me veja com outros olhos,
Eu sou como sou!
Sou poesia, sangue e sonhos...
Não me tire o tempo
De procurar o amor
Imaculado no peito
De alguém que seja
- inteiro -
E seja cheio de candor.
Não me faça como passatempo,
Eu sou dona da minha vida!
Não se faz ninguém perder tempo...
Não me venha com intenções:
Primeiras, segundas e terceiras...
Eu busco muito mais que o teu querer:
Busco o verdadeiro amor
Talvez na dimensão que você viva,
Jamais irá entender, não queira me prender!
Não é justo fazer-me de objeto,
Sou dama de fogo e ferro,
Deixe-me no meu caminho certo.
Não é legítimo e nem legal,
Arrancar a poesia lirial,
Tirar a honra do meu andor,
De andar orgulhosa
Por cultivar o jardim celeste
Que florescerá com o meu sonho de amor!
Filha da terra,
não reconhecida,
- estremecida
Faz parte de quem
vive desterrada,
Sob o teto de estrelas,
enluarada,
Em passos firmes,
alma insegura,
Ainda sente os reflexos
da tortura,
Não desiste,
enfrenta;_é partitura!
Princesa e plebeia
- ao mesmo tempo -
Com os pés na terra,
Sendo saudade engolida,
Com os olhos nos astros,
Uma vontade silenciada,
Com o peito na Lua,
Sendo verdade reprimida,
Com as mãos ao vento,
Uma inocência desacatada.
Sou a poesia
sob suspeita
Só para quem
não entende
Sou a poesia
escrita – faminta
Só para quem
se permita...
Escrevo para fazer
parte de você,
Escrevo para tomar
conta da sua vida,
- tu bem me conheces
Desde então quando envolvestes
as mãos
Na minha cintura,
e colou o teu corpo,
Fizeste assim com que eu
não te esqueça,
E não te esqueço mesmo,
és a minha cantiga.
Não que eu seja
da prepotência
mais uma filha,
Cada linha escrita
na existência
não necessita
de terceiros
para serem arautos,
(Tem gente que
olvida que o seguro
morreu de velho).
Não que eu seja
orgulhosa,
Cada linha escrita
apenas necessita
das pausas estranhas
da minha cidade,
Porque a minha
poética tem vida própria,
(Ela mesmo só
precisa dos olhos
e dos teus sonhos).
Não que eu seja
ostracista,
Cada linha escrita
nasceu do convívio
como noiva eterna
do Pablo Neruda,
e que hoje conta
com os beijos da Lua,
(Que não se permite
fazer parte nunca
de antologia nenhuma).
