Poemas Góticos de Amor
Meu pior estágio é o de silêncio.
Quando eu calo, nenhum ruído resiste.
Mato as expressões para nada escapar,
não deixo pistas e o outro fica no escuro.
Não há brechas ou sinais, ignoro e levanto muros.
Me torno um enigma que ninguém pode desvendar.
Muitas vezes eu deixo uma pessoa de lado
porque essa foi a direção que ela escolheu ter.
Não uso artifícios para manter,
prefiro soltar e desatar.
Amarras são como forcas,
quando o nó é necessário
é melhor esquecer.
Eu não sei o que esperas
O seu silêncio me tortura
A brisa do mar veio me acalmar
Ela disse pra eu não me magoar
Mas esse conselho foi se atardar
Sinto que existe um mar entre ambos
Isso afoga às minhas esperanças
Mais uma vez me encontro à deriva
Boiando num oceano de dúvidas e feridas
Deveria ser pecado amar-te
Não quero ter que renascer para entender
Que eu não fui feito pra você
Prometo consertar esse meu desencontro
Resolver os meus confrontos
Mas não agora
Vou embora
Na dúvida
Se vou
Sobre
viver
Meu nome é solidão
Da mais pavorosa,
desde que nasci,
meio que em vão.
Cheguei sozinha,
tão mal-vinda
por entre escárnios
e desinteresses...
e muitas surras ainda.
Cresci sozinha sem guia,
falando apenas comigo.
desabafando em segredo
dor e medo - os conselheiros
da dor que me consumia!
Passei pela vida em silêncio
obrigada a calar a voz
para sobreviver
na vida passada a sós...
Em silêncio vivi
em solidão me recolho
olhando o nada em meu quarto,
quatro paredes sem nexo
jaula de uma animal doente
prisão de um inocente
sepulcro de quem não fez nada.
(Lori Damm)
não lembro quando foi que me
transformei em silêncio.
só sei que agora eu grito muito
alto daqui de dentro desse ser
soturno e ninguém me ouve
Somos seres expressivos, muito mais do que comunicativos.
Quando nascemos, antes de aprendermos a balbuciar, nossa comunicação acontece por meio dos gestos e pequenas expressões.
E mesmo quando não podemos ou não queremos dizer, nossas expressões figuram tudo o que foi calado.
Há um vocabulário que grita no silêncio!
O corpo fala o que não verbalizamos, e até revela a verdade oculta nas argumentações falaciosas.
De maneira voluntária ou não, o corpo entrega sinais e mensagens através das emoções.
Não é à toa que as relações mais fortes são aquelas em que as pessoas se compreendem somente pelo olhar.
Procurando respostas
Na minha íntima alma, há um alguém residente!
A sós, no inóspito silêncio de momentos,
ao confidenciarmos assuntos dos idos da vida,
ele se vai;
para o não sei dos lugares...
"Escutei um dia, que o solo que até então não conhecia, por força do destino
meu braço alcançaria,
a terra prometida que seria, para viver, para amar,
para ouvir o mar
e para um dia silenciar, reencontrar o silêncio
e a terra voltar"...
Não fale. Aja em silêncio.
Não lamente. Seja determinado.
Não desvie dos seus objectivos. Tenha foco.
Não tenha pressa. Mas, seja dinâmico.
Não gaste dinheiro. Seja forreta.
Não seja um eterno sonhador. Corra atrás dos seus sonhos.
Seja disciplinado e abnegado.
Afinal, o que é este desconforto vazio e imaculado que parte do coração e chega ao estômago fazendo inverno ? Será que são as flechas envelhecidas do menino cupido, ou simplesmente a reminiscência de um outro alguém ?
Certamente todas as especulações são possíveis; quer dizer, menos àquelas que estão sob à luz do plenilúnio perturbando silenciosamente meu orgulho amargo.
Sim! Tenho a personalidade do avesso. Não negarei. Quiça sou um príncipe noturno cuja metamorfose a heteronomia social não ocorreu. Estou para a antiestética da estética trivial, assim como o príncipe "nocturne" para a nobreza do palácio.
Volta
Somes sem que eu a ti veja,
procuro-te em todo canto.
O coração guarda silêncio
e baixinho bate.
Não deixes sofrer a quem
tanto te ama.
Volta meu sonho de mulher,
faz viver a quem tanto te quer.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro da U.B.E
Acadêmico Acilbras - Roldão Aires
Cadeira 681 -
Patrono- Armando Caaraüra- Presidente
Você não entende como o projeto não aconteceu
Tanto você chorou e Deus não respondeu
Era Ele trabalhando no silêncio
Mal vejo, mal ouço, me sonho inteira em silêncio.
E deixo a melodia embalar o que não é, o que está somente:
Meu sonho, meu ser particular, meu contentamento.
Porque mais que ouvir, ver e sonhar
Sou sentimento.
(Lori Damm)
Em silêncio
Sintonizei com minha alma
Com os detalhes a minha voĺta
Céu um rascunho simples e belo
Os pássaros a cantar
A essência vital de um final de tarde.
Eu gostaria de ter falado, eu tinha muito a dizer.
Por que ninguém nunca quis me escutar?
O silêncio me calou completamente, talvez ele me mate um dia.
Morrer é pra quem fica!
Minha mãe deixou todo o tipo de lição.
Era uma mãe que nos dava muita atenção.
Gritava, amava e discutia pra educar.
Fez sempre o melhor pra nos cutucar.
Foi a mãe que sofreu pelos filhos por amor
Lavava, passava e nos alimentou com humor.
Puxava nossas orelhas, mas para defender.
O nosso direito de errar pra poder aprender!
Ajudava a formar nossa personalidade.
Nos defendeu sob toda à adversidade.
Às vezes se desesperava e ia muito além
Mas lutou pelo meu caráter e o meu bem!
A vida toda a mãe teve o amor legítimo.
A vida toda foi o escudo do meu íntimo.
Aí, a vida te leva embora sem me avisar.
Aí, de repente, tudo parece se paralisar.
Vejo agora que fizemos tão pouco.
Naquele leito que nos deixava louco.
Todo aquele sofrimento no fim da vida.
Anunciava como foi difícil essa sua partida.
Cuidar dela, foi um privilégio e tristeza.
Fizemos quase nada por quem, com certeza;
Na vida nos criou, ensinou com tanto amor.
Ver teu fim, foi como um descanso da dor.
Pior é descobrir que, morrer é pra quem fica.
Quem vai, nos deixa a memória que significa.
Que nada foi em vão, apenas é um prenúncio
Que viver é amor, é dor, depois é só silêncio!
...
Olhos fechados
Nariz diligente
Ouvidos apurados
Paladar aguçado
Eu machucado
As nuvens divorciadas
A solteirice amarela
Ardi, anoiteci
A flor da pele
Eu queimando
A casa inacabada
O véu de cada árvore
Uma profusão de cores
Identidade própria
Eu boquiaberto
O templo azul e branco
Dragão traveste vitória
Confluência de calçadas
Casas, ruas, estradas
Eu caminhando
Quem vai
Quem chega
A roupa ao relento
O galo fora de hora
Eu indagado
Ansiedade abduzida
Eu livre, imerso
Um folha em branco
Um lápis zeloso
Eu escrevendo
Sensações partilhadas
Verso meu
Prosa minha
Espírito, matéria
Eu abençoado
Detalhe contemplado
Silêncio ressignificado
Um café delicioso
Nenhuma palavra
Eu bebendo
E no final
É a vida me dizendo:
- Relaxa, se aquieta
- Tudo vai dar certo
Eu saciado
O monólogo não precede o silêncio
Não em uma mente barulhenta
São os gritos que ninguém ouve que ensurdecem
Não há trégua quando se luta contra si mesmo
SILÊNCIO
Se o meu silêncio falasse,quanto
teria a dizer.
É no silêncio que gritam dores,
males, amores.
Se o silêncio falasse verdades
apareceriam.
Amores se resolveriam, dores seriam
aplacadas.
O importante em silêncio guardamos,
e aos poucos de tanto calarmos, em
silêncio partimos.
E o que de verdade existia conosco
parte também.
Tudo que pode ser dito, quieto não pode
ficar.
Silenciar o que importa? Em nada vai ajudar.
É mais um silêncio que fica, sem nada poder
revelar.
Roldão Aires
Membro Honorário da Academia Cabista.
Membro Honorário da Academia de Letras do Brasil
Membro U.B.E
Acadêmico da Acilbras - Roldão Aires
Cadeira 681 -
Patrono- Armando Caaraüra- Presidente
