Poemas Góticos de Amor
NESTA NOITE
Nesta noite de insónia tento escrever
Mas não consigo será desatino ou não
Ânsia que me aflige nas memórias
De um passado tão presente
Onde habitam os meus fantasmas
Embriago-me nesta solidão nostálgica
Perco-me em sussurros na vastidão da mente
Regresso ao silêncio das manhãs eternas
Rasga as rochas enfurecidas pelos ventos
Atravesso montanhas, serras em fúria
Mergulho as dores nas geladas águas deste mar
Sonho os retalhos da solidão do tempo
Das saudades dos intensos momentos vividos
Na mais profunda ilusão desta noite de insónia.
ღღ
O fogo queima sem produzir luz.
O fogo arde sucumbindo o corpo a escuridão.
Não falo do fogo que esquenta o café,
Falo do fogo que atormenta os pensamentos, a metáfora.
Falo do fogo que esconde a luz e a resposta,
O fogo que queima por um coração partido.
O fogo que queima quando se está perdido.
O fogo que machuca quando se sente não estar vivo.
Não falo do fogo que esquenta o leite pra botar no meu café,
Falo do fogo que ascende o meu cigarro.
Para que eu morra em cada trago,
Com a ilusão de me sentir aliviado.
Para que meu corpo entorpeça,
E a cada inspiro meus pensamentos adormeça.
Quero tragar para que meus pulmões se encham de fumaça, ao invés de esperanças por mentiras escassas.
O fogo queima, arde em silêncio.
Não produz fumaça nem faz incêndio.
O fogo que queima não mata.
Agoniza, prolonga, enlouquece e nada.
Mas é esse fogo que não me deixa ver a luz, que me tira o chão e me deixa abalado. É fogo que me doi e ascende meu cigarro.
Sozinho...
Quando ele sonhava ele chorava
Quando ele chorava ele sangrava
Quando ele sangrava ela aparecia
Quando ela aparecia ele sorria
E quando ele sorria ele acordava.
Dormi para ele era melhor
Era melhor fugir do real
O real era triste
A tristeza existia sempre
Até que ele o viu
Ele sorriu por mais tempo
Ele o mandava voltar.
Ele pensava que era real
Ele estava gostando
Mas tudo acabou
Ele foi acordado
Ele estava na cama de um hospital.
Desesperadamente, inconsciente
Nas suas ações me encontrei
Não confiei muito, soube que era indiferente
Mas esse erro estava em mim também .
Tudo parecia tão certo, tão realista
Um sonho em vida real, de vez em quando
Me amarrou com cordas que não puderam ser vistas
Mas agora me sinto sufocando
Criamos laços contendo os maiores desejos
Ingenuidade desejou que fosse assim
Mas não há como amarrar algo tão forte
Sem lidar com as consequências de um tortuoso fim.
Todos conseguem ver minha mágoa aparente
Afogando-me em minhas próprias lágrimas
E todos receios se tornaram presentes
Se o amor e o ódio caminham juntos, como não fazer disso uma lembrança trágica?
Sabemos que estamos errados aqui.
Você parece bem com isso, então apenas sorri.
Toda falsidade, amargura e dor.
Tudo está aqui para nós agora,
menos o amor.
Com vc aprendi duas coisas importantes.
A primeira é devenos ter uma opniao.
A segunda é que com vc, tudo flui melhor quando ligamos o modo "tanto faz".
A impotência cresce dentro de mim, acordo com um peso na mente que eu não tinha antes, um desconforto unilateral.
Vejo o mundo de dois ângulos, duas realidades de uma só verdade, eu não pedi isso, simplesmente surgiu e tive que aceitar.
A vertigem causada pelo choque não me derrubou ainda, talvez seja apenas um teste, mas, um teste para que?
Escrevo em frases pois estou fragmentado em pequenos pedaços de duvida e medo, não sei ao certo o que esta havendo, apenas tive que aceitar que é assim, sem muito o que questionar.
Tento focar em algo, mas meu foco afetado pela impotência e medo crescente apenas me da uma imagem estrábica do que vejo.
Talvez devesse deixar que abram minha mente, mas ninguém quer correr esse risco, não se sabe ao certo os resultados.
Enquanto isso devo torcer ao destino ou a um ser onipotente para que a inercia se estabeleça em mim, mas realmente não creio nisso.
O que posso fazer para me ajudar? Realmente não sei.
Tudo estava inerte, não sentia o cheiro do verão, nem a essência das flores na primavera, apenas ia com o vento, leve e invisível.
Queria voltar a sentir, queria outra vez atenção, porém algo estava errado, onde estava sua capacidade de sentir?
Seu corpo gélido e com aparência de inverno estava coberto por um lençol branco como a neve.
Era um adeus?
Impossível! Como ela podia não mais existir, quando isso aconteceu?
Gritou e enfim sentiu, um desespero que a corroia por dentro, parecia que seu peito estava em chamas, suas lágrimas pareciam abrir feridas em seu interior. Quando tudo se acalmou ela deitou ao pé de sua cama e se deixou levar. Enfim conseguiu voar junto com as folhas do outono.
Gostaria de pensar que minha vida é algo além do que eu posso imaginar, como o cosmo hoje em dia - um universo infinito, cheio de surpresas- mas não, não sou capaz de imaginar algo tão complexo, e talvez essa seja a ilusão que me prende dos meus desejos, conceitos e até mesmo ao afeto por pessoas mais proximas. Como dever do ser humano, eu devia pelo menos tentar quebrar essa barreira, me livrando dessa prisão para que ele seja abranjida por todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza, mas sinto que não alcançarei completamente esse desafio, porem talvez se eu lutar pela sua realização me liberte.
Pode ser que um dia nos afastemos, e se esse dia chegar por favor me perdoe, a primeira coisa a fazer é permitir-se dizer adeus. Muitas vezes temos medo de finais, e assim não deixamos um adeus... Os adeus são temporários porque ninguém realmente sai, e se você se lembrar dessas duas coisas: que as pessoas estão sempre conosco porque estão dentro dos corações e em nossa memória, e a única coisa em que podemos depender é a mudança, talvez você me deixa ir.
Eu estou em guerra, e eu acho que a guerra é a coisa mais desprezível que existe. Prefiro deixar-me assassinar a participar dessa indignidade, amanho que não existe caminho para paz, talvez a paz seja o caminho, e por sinal, deve ser um um caminho cheio de espinhos e obstaculos.
►Pequena Cela
E nas paredes da pequena cela,
Onde a única paisagem que possuo é pela janela,
Estão marcados os pecados que cometi no passado
E como uma alma despedaçada,
Nesta cela eu sou julgado.
É nesta pequena cela que me lembro, todo dia, de meus erros
Feito um passarinho, preso entre espinhos de medo
Minha vida se evapora toda vez que o sol vai embora,
E a paisagem através da pequena janela é sempre a mesma
Não sei mais quanto tempo faz desde que vi um rosto de criança
Notei que estava ficando louco quando me esforcei para relembrar,
Mas me esqueci da minha infância
E a minha esperança é que a fome me enfraqueça,
Que eu morra antes que a monotonia me enlouqueça
Nesta pequena cela, onde vejo o mesmo concreto, me torno cego.
Os meus pensamentos ganharam vida própria
Eles me dizem para me enforcar, ou me corta
Não há um arco-íris para me levar para longe,
Até um pote de outro, cheio de deliciosos bolos de chocolate.
O guarda que escuto se aproximar, um dia foi pequeno
Eu me lembro dele, não há como me esquecer dele me observando,
Por entre as barras, o meu sofrimento
Hoje ele já é adulto, mas eu não sei mais quem sou
Ele se aproxima, digam-me, pensamentos, para onde vou?
A HORA
Morrer, Senhor, de súbito, eu quero!
Morrer, como quem vai em sua glória
Despedir-se do mundo em ato mero
De repente! Na bagagem só memória
Morrer sem saber, estou sendo sincero
Rogo, por assim ser, a minha tal hora
Morrer simples, sem qualquer exagero
Onde o olhar de Deus a minha vitória
Morrer, sem precisar ser feito severo
Das estórias que fique boa história
Fulminando sem lágrimas e lero lero
Assim espero, digno desta rogatória
Morrer fruto do merecimento vero
De ser ligeiro, cerrando a trajetória
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Paráfrase Augusto Frederico Schmidt
►Refém do Tempo
Certa vez eu escutei que,
O segredo era não se importar com a dor
Seja quanto, ou onde for
Que a paz será daqueles que a merece
Que o pior a gente nunca esquece
Mas não me vai da memória a repetição
Tudo que faço não possui fim,
Tudo que vejo é a escuridão
Estou cercado por muros em minha imaginação
Perdi o sentido de viver
Indago sempre o porquê, e nunca escuto resposta
Talvez eu não possua uma escolha
Talvez eu não deva buscar uma simples lógica.
Meu orgulho foi-se junto ao ar puro
Vivo hoje sem pensar no futuro
Engaiolado me escuto soluçar
O passado se tornou o meu lar
Não possuo perspectiva de uma longa vida
Talvez, quem sabe, eu escape dessa rotina
Os seres daqui se movem feito rodovias
Barulhos e uma neblina sem vista
O ciclo não se envelhece, apenas as pessoas
Ele prevalecerá, e elas serão simples sopros que voam.
São só lágrimas,
Somente líquidos derramados.
Não há o que reverter rapaz,
Não sei, posso está enganado.
Em fim o amor foi extinto,
Estamos passando por horrores.
Temos milhões de soldados,
Nesta guerra onde todos sairão perdedores.
Não há mais fé...
Tão pouco esperanças.
É doloroso olhar o futuro,
Em cadáveres de crianças.
É eu sei o quanto está difícil
Viver nesta gaiola de solidão.
Aqui só vemos dor, miséria
E líquidos indo de encontro ao chão.
Acho que todos entenderam,
Valor monetário não traz felicidades.
Traz somente egoísmo, superioridade,
Mas não te tira dessas eternas grades
Berros e mais berros!
Quem ouvirá seu clamor, seu grito?
O planeta inteiro está surdo rapaz...
O planeta está pequeno mesmo sendo infinito.
São só lágrimas...
Lágrimas...
E mais lágrimas...
Só não quero ser o lado ruim da sua história. Estou
cansado de ser o problema e sempre me apoiar em
coisas ocas que mesmo aparentemente fortes, uma
hora despencam, e eu acabo sendo o único
machucado.
Entre a palavra e o im-pensar, fica a dor.
A dor de quem venera,
A dor de quem espera,
A dor de quem fingidamente sonhou.
Talvez eu seja mais um desses capengas da solidão.
Sorriso no bolso, cachaça na mão.
Cabeça vazia, asas no chão.
Gosto da crise e do destaque, corroído sou pela própria distração.
- Que você morreu? - disse a velha senhora, sorrindo. - Faleceu? Partiu? Foi falar com Deus?
- Morri - ele disse, suspirando. - E isso é tudo o que eu lembro. Depois a senhora, os outros, tudo isso. A gente não devia ter paz quando morre?
- Temos paz - disse a mulher - quando estamos em paz com nós mesmos.
Nada é tão denso como desejar e ficar ali,
Parado.
Nada é tão sofredor quanto roubar o próprio tiro da substância,
Calado.
Acredito piamente, que nascemos para realizar nossa alma.
Seguir nosso coração, fazer aquilo que temos vontade de fazer.
Ir atrás dos sonhos, mesmo que tropeçando!
De que adianta tanta segurança, tanto medo de errar, de se machucar, de seguir o caminho errado?
Claro que não devemos viver loucamente, temos responsabilidades. É sempre necessário fazer um planejamento daquilo que queremos.
Mas quantas vezes deixamos de tentar por medo?
Quantas vezes nos trancamos no nosso mundinho seguro, achando que não ter problemas era sinônimo de felicidade?!
O resultado disso é uma grande frustração!
Uma tristeza por não fazer as coisas do seu jeito!
De não obter os resultados daquilo que sempre sonhou!
Não falo isso só à nível material, mas emocional também!
Quantos não trancam o coração por medo de amar e procuram uma pessoa que não traga tantos desafios de convivência, vivendo uma relação "normal".
Ou seria morna?
Quantos não deixam de conhecer e fazer novos amigos, por medo das pessoas?
O maior ensinamento que tive na vida, é que "segurança não traz felicidade!"
Podemos ficar confortáveis com tudo certinho, mas felizes não!
Vamos arregaçar as mangas e fazer o que nosso coração pede!
Mesmo errando, tudo é melhor do que ficar parado e no final, imaginar como teria sido!
A vida é tão curta, vamos viver?
Meu sobretudo
É neste santuário, casa sagrada
que a santa dorme, com suas mãos veladas ,
sobrepostas aos seios
cambiando uma lágrima de dor
receando e criando amparos
para teus próprios anseios
Sacerdotisa minguada
que enaltece a solidão ,
tens de orar solenemente
para que a dor ressalve os fragmentos
de seu passado fardo .
Ó !! Virgem pura e humilde de coração
imaculada, virginal , mãe dos escandinavos
orai por nós,
ó mãe dos santos protetores de minha castidade,
tem de piedade de todos nós,
mãe admirável, suntuosa,
"rogai por nós que recorremos a vós. "
É aqui, nesse sacrário ,
que meu fim infame se esconde
a não ter o labor de orar,
não serás preciso, mãe faça isso por mim...
minha carne voluptuosa não és mais nada,
só lhes reta agora por mim velar
